Observações e paranóias

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone.





Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.


Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.


Sempre teremos Paris....


30.6.02

um passeio de motocicleta pela orla pode ser relaxante... na verdade sempre é... mas será o que desejo realmente fazer? não creio... tenho coisas aos montes para ler e outras tantas para escrever - mais útil portanto.... se estivesse com o paulo, por exemplo, daríamos uma volta na barra ou sei lá onde... mas sozinho é meio sacal... além do medo natural que eu tenho...
- - - - - - - - > queria, na verdade, ter ido ao cinema e acabei não indo. Queria ainda estar lendo um clássico e também não o faço. Minha cabeça, disfarça, mas não está em paz.... Aliás, eu disfarço de mim mesmo pra caramba...
- - - - - - - - > fiquei meio impressionado com esse tumor, com esse câncer no cérebro da Nara Leão.... Puxa vida, isso é coisa que dê numa pessoa? E aí? É o que? Cigarro, bebida, bondade? maldade? Nada?



de vez em quando sinto uma vontade de sair estranha... bem verdade que não é tão estranha assim se considerar que hoje não coloquei a cara na rua - nem poderia - mas... ao mesmo tempo sinto preguiça... na verdade quero várias coisas ao mesmo tempo, como sempre que estou mais ansioso do que o normal.... nada grave, de qualquer maneira...



o Inspetor Espinosa, de Garcia-Roza não me parece um personagem completo. Antes, soa como um detetive 'necessário' para que as tramas sejam narradas.... posso estar sendo precipitado, é a primeira leitura de um romance dele que leio



esse ano NARA LEÃO completaria 60 anos...
dos que "...se eu pudesse ajudar a formas novas consciências, gostaria mais de fazer isso do que de cantar músicas de amor..."
- - - -> Bom, parece que ela fez isso.
Um dos seus trabalhos que mais me chama a atenção é a mostra de ZÉ Kéty que ela faz.....
Eu conheci e trabalhei com Zé Kety, mas ninguém sabe quem é... já escrevi sobre isso por aqui...
Nem nas lojas de discos medianas as pessoas sabem quem é....
- - - - > agora, alguém pode me explicar por que Nara morreu de câncer no cérebro aos 47 anos?
São essas coisas que me irritam na vida... me irritam de verdade



ontem tive o cuidado de comprar mais um caderno de capa dura... e novos cartuchos para a caneta tinteiro... acho que vou precisar....



a mudança na fonte da letra é uma medida provisória apenas enquanto as novas lentes não ficam prontas... é necessário um grau maior de compreensão com pessoas da minha idade....



quem é essa menina que chegou tão assim, de repente?
nessa hora em que não não queria nem esperava.
ou não pensava?
como posso trocar tapetes e móveis e ler tratados forenses
só pra que tudo dê certo?
pra ela ficar bem, porque tudo na vida tem um tempo
e o tempo das coisas ruins há sempre que teminar?
como dizer que não a conheço se conheço tanto?
se discutimos as coisas mais lógicas, mais comezinhas...
como deve ser a cor do teto da sala?
como explicar que tudo isso é apenas conceitual
e que, se rompemos alguma barreira, não é pra 'ser moderno', mas
só pra amar?




existe uma brincadeira qualquer fantasmagórica entre alguns livros e eu... eles somem totalmente... desaparecem de forma resoluta, à ponto de eu comprar outros exemplares e depois reaparecem.
já contei essas histórias por aqui, esparsamente, mas é inacreditável com que freqüência esse tipo de coisa acontece.
- - - -> tudo bem, eu reconheço que não sou nem um pouco organizado, que mexo demais nos volumes propiciando esse tipo de coisa, mas sumir assim, já é demais...
Nos últimos tempos tenho procurado colocá-los em estantes separadas, por áreas de interesse ou freqüência de busca, mas não tem adiantado muito....
Agora mesmo perdi a História da Imprensa no Brasil de Nelson Werneck Sodré....



ok, o brasil é penta e terá seus três dias de felicidade.
Eu, terei mais de três... :)



à medida em que a hora se aproxima, que o dia se aproxima, meu coração vai ficando mais e mais disparado. eu sei que sou velho para essas coisas, mas quem ri do coração de criança que sempre podemos readqüirir?
por outro lado, preocupam-me todas as ações, pela pressa e também por falta de apoio presencial às atitudes que precisam ser tomadas...
ainda, é preciso cuidado na maneira de dizer as coisas, pois o que na minha cabeça parece prático e lógico, pode ainda não parecer na dela....
Enfim, não há retorno,a coisa está feita e as possibilidades, excelentes.
Falta acontecer e aguardamos, com muita, muita ansiedade...



SALTO PARA O FUTURO


29.6.02

muitas vezes penso que levamos [todos] uma espécie de vida paralela. uma, a que vivemos - exterior.
outra, completamente interiorizada. nessa temos nossos pensamentos. apenas eles. rola também alguma coisa de subconsciente também. sou muito acostumado com essa vida interior. penso muito em todas as coisas. fico horas, pensando, revendo, imaginando ou recriando acontecimentos passados ou prognósticos futuros.
penso mais no presente e no passado. o futuro me incomoda um pouco.
não or não ter acontecido ainda, mas pela possibilidade de não acontecer. isso sim.
não chega a ser uma possibilidade deprimente ou que me faça sofrer, mas todo o tempo tenho comnsciência [ativa] de que o futuro é o nada refletido na alma ingênua e esperançosa.
não gosto.
prefiro muito mais o hoje ao amanhã [ainda que as perspectivas para o amanhã sejam excelentes].
- - - - - -
imagino que não seja ususal. vejo as pessoas de uma maneira geral fazendo muitos planos, pensando muito no futuro. até mais do que no presente.
a mim, parece um pouco com religiosidade [e isso me angustia]
não gosto de imaginar nem esperar nada [embora, reconheço] esteja eternamente esperando coisas [sempre, desde ue nasci].
tem um pouco de filosofia barata nisso tudo e detesto qualquer coisa barata.
acho que a vida tem suntuosidade, soberba, é superior.
na maioria das vezes esse sentimento não é bem compreendido pelas pessoas. Confesso que não me incomodo e nem penso em mudar. espero que mudem os que não compreendem [sei que não mudarão e ficará tudo como está].
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ->
não digo todas as coisas que penso [digo a grande maioria delas]. Sempre há algo aqui e ali guardado [acredito que seja assim com todos]. No meu caso não é por nenhum motivo especial, é apenas para evitar mal entendidos. Não gosto de dizer coisas soltas que, ainda que bem encadeadas na minha consciência, seja de frágil explicação, de pouca lógica ou de entendimento banal.
Porque muitas vezes, percebo que as pessoas têm capacidade absoluta de comprender determinadas coisas, as compreendem mesmo, mas insistem em negar, em manter um ponto de vista eqüidistante apenas porque assim é ' a regra'. - - - daí saio fora da discussão. Quem pensa que sou essencialmente polemista engana-se. Posso até polemizar numa ou outra coisa, mas não nas grandes coisas, não nas coisas mais duras de pensar e dizer e aceitar. Só faço esse tipo de exercício quando tenho certeza de que o outro está aberto a......
- - - - - -
E nem sei porquê escrevo isso...



os fogos começam exatamente quatorze horas antes do início do jogo do brasil.
parece-me um exagero.



acho que a revista BRAVO continua sendo a melhor de cultura no Brasil.
Entretanto, procura um formato estético perfeito e altera a paginação e lay out quase à cada´exemplar.
Técnicamente perfeita não me parece uma obra acabada. Dá a impressão de que 'estão tentando' sempre e não chegam a uma conclusão estética. Não me parece bom. à cada mês sinto nas mãos a instabilidade do editor, a insegurança em 'procurar dar o melhor'...
- - - - e o que é 'dar o melhor'?
Não se dá o melhor. A produção de uma revista de tal importância é melhor, é boa, é importante para uma parcela pequena, mas culta da população. Esse grupo seleto quer informação, conteúdo e estética. Sempre.
Não creio que a angústia estética, bem como a rotaividade de comentaristas e editorialistas 'complete' alguma coisa que 'seja esperada'. O público da revista, por inteligente e culto, espera o melhor. E tem. Mas não é obrigado a pagar o preço da insegurança editorial. Uma imagem é uma imagem, uma forma, uma forma. Se é boa, precisamos conhecê-la, ter intimidae com ela. Da mesma forma de quando vamos a um museu ou ouvimos ou lemos um clássico. A expectaiva não é a da novidade fugaz, como um 'guerra nas estrelas'... não se espera [muito menos deseja] a eterna auto-superação estética à cada edição.
Com isso, encontro sempre algo que não tive a capacidade de avaliar bem. Encontro uma opinião que não havia na semana passada e, possivelmente, não existirá na próxima, o que inviabiliza o acompanhamento crítico ao ensaísta.
- - - - - - - -
em contrapartida, naquilo em que deveria ser ágil, como a resenha literária, perde para qualquer almanaque de farmácia... só resenha a produção literária quando todos já o fizeram e o livro quase não é mais encontrado nas bancas de lançamentos...




é um saco, essa história toda.
acaba que a gente provoca crises de ansiedade desnecessárias, acaba perdendo os dias e perdendo também as noites de sono, numa corrida, numa espécie de gincana onde o fim está determinado, mas o meio provoca crises.
não acredito que a vida seja muito lógica. nunca foi.
- - - - -> ainda assim, existem situações ainda menos lógicas, mais alteradas e mais confusas....
penso que, nesse momentos tenhamos que alterar todo o prcesso estabelecido, sem medos, sem tentar manter as coisas nos trilhos.... de que adianta manter nos trilhos aquilo que não mais está? não é lógico, como não é lógica nem plausível toda a história, mas é a história que rola.... e a gente quer essa história ou não quer?
- Será assim ou sou um exagerado? com certeza sou um exagerado, sempre fui e sempre serei.
- - - - > mas tem a ver o que estou falando... não podemos manter eternamente tudo parecendo normal, parecendo que as atitudes estão sendo tomadas pausadamente, atentamente, como num jogo de xadrez. acho mesmo que a vida não é um jogo de xadrez.
E isso pode significar muita coisa. Acho que, antes de tudo significa, um não à ordem, à tranqüilidae e à serenidade.
- - - - > Posso estar equivocado? Posso. Mas também posso não estar. Quem garante o quê? E o que estamos ganhando com tudo isso? Quem é o lobo do home? quem é o nosso juiz? quem? < - - - - -



O relacionamento afetivo e amoroso é completamente incompatível com o lógico e racional.



Amanhã, domingo, haverá uma grande passeata, uma grande festa em Copacabana. Um manifesto gay que certamente será bonito, alegre e festivo.
Eu sou à favor da união legal de homossexuais. Sou à favor da legalização dessas uniões estáveis, com direitos à herança, planos de saúde e etc.
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O Compêndio de Psiquiatria do Dr. W.L. Linford Rees [1979] trata da patologia HOMOSSEXUALISMO em seu capítulo 26, como Distúrbios Sexuais: '...distúrbios em que o objetivo da atividade sexual se desvia do normal; por exemplo, homossxeaulidade...'
- - - - - - - -
Não vou descrever toda a técnica para o tratamento [algumas com sucesso, outras menos].
O homossexualismo sempre foi doença, desvio de comportamento.
Com a liberalização dos direitos das mulheres, com a diminuição de todos os preconceitos contra várias minorias, os homossexuais travaram batalha análoga para 'conquistarem seus direitos' e um congresso de psiquiatras em 93 ou 95, deixou de tratar o relacionamento sexual com o mesmo sexo, como doença, chamando-o de Opção Sexual;
- - - - - -
E se a ciência diz, está dito.
Entretanto, um olhar mais acurado, mais tranqüilo sobre o fato, traz outras formas de pensar.
Chamar de 'doença mental', de forma pejorativa, é exagero... logo nós que vivemos num mundo de neuróticos e psicóticos de carteirinha...
Mas a conduta do homem é regida por alguns parâmetros.
Conhecer um homem que tem como opção sexual as ovelhas.... bem, é uma opção sexual, certo? Você, então, tem o direito, de sentir tesão apenas por ovelhas, certo? Certo. Eu posso ir eventualmente ao meu quintal e me relacionar apenas com a minha ovelha. É a minha vida. Faço dela o que desejar, ninguém tem nada com isso.
- - - - - - -
A verdade é que a retirada do homossexualismo do rol de patologias psiquiátricas foi uma atitude muito mais política do que científica. O número de homessexuais é enorme. Como o de neuróticos. Considerar essa parte da população como 'doente', iria gerar um descontentamento e tais e tais 'movimentos liberalizantes' que a atitude política de dizer: 'Ok, não é doença, é opção...' foi mais mais inteligente e prática do que qualquer outra.
Da mesma forma que um neurótico tem seu lugar assegurado na sociedade, é justo e natural que o homessexual também tenha.
O que não é justo é o neurótico ser eternamente doente [ninguém pode dizer impunemente: minha opção mental é ser neurótico, psicótico ou esquizofrênico] e o homossexual, por decreto, ser considerado mentalmente são, apenas com opção diferente.



Resolvo dar uma pesseio de motocicleta já que o dia está lindo... penso em me aventurar por lugares mais distantes....passear mesmo.
- - - -
Meu plano inicial fracassa logo que ultrapasso Copacabana e entro em Ipanema.
Toda a orla está fantástica. O céu tem um azul diferente, azul-ouro, diria.
As pessoas parecem todas tocadas por algo celestial..... Ipanema e Leblon estão superlotados de meninos e meninas de corpos dourados e andares divinos... os mais velhos de 30, 40, cinqüenta anos estão todos alegres, bonitos e saudáveis. podem estar morrendo, mas existe uma alegria parada no ar, que vai contagiando aa todos...
- - - - -
Tomar café no Armazém do Café, passear de moto pela Vieira Souto ou dar uma olhada na "Travessa"... tudo é regado a choppe, a gente desnuda, rindo... todos os lugares tocam Tom Jobim e eu vou me encantando e rodando de Ipanema para o Leblon e vice e versa sem conseguir sair...
Uma alegria enorme me consome...O que eu fiz, meu Deus?
Por que eu sou privilegiado de andar de lá pra cá nessa cidade com vinte e poucos graus [nem frio nem calor], com esse céu e esse sol?
Lembro de Tom Jobim dizendo que todo mundo deveria morar em Ipanema e entendo bem o que queria dizer...
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Tomo todos os sundaes, todos os cafés.... entro e saio de papelarias, livrarias e bancas de jornais...
compro o que preciso e o que de fato não preciso....
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Há quarenta e sete anos, três meses e oito dias moro no Rio...
E ainda assim, quando, do posto seis, vejo o pão de açúcar se mostrando atrás do Leme... Uau!
o que os paulistas fizeram para merecer São Paulo? Todo paulista deveria ser ateu!



em determinadas situações, converso com um amigo, estamos nos aproximando do cotidiano virtual mais do que do presencial, salvo a família e uns poucos amigos.
o homem pós-moderno [boa droga!] encontra conforto e facilidade maior em casa do que nos locais anteriormente usados para entretenimento. E não é só por medo da insegurança que assola a cidade e o país. Não.
- - - - -> existe um movimento mundial de interiorização do 'eu' em cada cidadão [embora não consiga ou pense em deixar a megalópole - ao contrário.
- - - - - > ao mesmo tempo que usufrui de todas as tendências e facilidades e riscos das grandes cidades, ao mesmo tempo, por motivos diversos e variáveis o homem se isola. Cada dia aumenta mais e mais o número de homens e mulheres que optam por morarem sozinhos, procurando companheiros eventuais. É uma tendência inequívoca e os tratados sociológicos e psicológicos estão aí, às centenas... Li alguns, não todos - até porque me parecem chatos e repetitivos.
- - - - - - - - - -
em algum momento o ser urbano resolveu não ser mais tão urbano assim.
pior: de uma forma dissimulada [inclusive para si próprio] passou a ter pena dele mesmo.
não vejo um incoveniente tão grande em ter pena de si próprio - como se esse sentimento fosse aplicável apenas ao outro. Claro que não é. Óbvio que, em deteminados momentos, temos pena de nós. Por que não teríamos, salvo a [auto] falsidade de acharmos que, tão perfeitos, não precisávamos da boa e velha 'peninha' que tanto dispensamos ao outro.
-- - - - - - - -
conheço poucas pessoas que tenham dissimulado o sentimento a tal ponto de negá-lo peremptóriamente.
De alguma forma, em algum momento, pensamos: "Pô, isso não é justo comigo, eu não merecia".
E acho esse sentimento verídico e justo pois 'não merecemos mesmo' muitas e muitas coisa que rolam por aí.
- - - - - -> creio que não merecemos essa ansiedade extrema, não merecemos a AIDS, não merecemos a depressão, não merecemos o acidente de automóvel, não merecemos não ter dinheiro, não merecemos o câncer, não merecemos a perda do ente tão querido.
Definitivamente não merecemos..
Mas falei acima em metade das possibilidaes da vida... a outra metade é o não-acidente, a 'pseudo-morte tranqüila', é a vida em paz, é escapar da possibilidade estatística do câncer, é conviver numa sociedade depressiva e estressante não absorvendo o mal que delas resulta....
- - - - - - -> Não ter o que 'não merecemos', refere-se a mais ou meos 50% da possibilidades que a vida se nos apresenta.
Ou seja: uma impossibilidade.
Portanto, continuo, essas mazelas que nos afligem estão todas aí para todos... e sentimos muito sim, mas não há como fugir. Não existindo uma escapatória, resta-me tratar com elas da melhor maneira possível.
Não quero sentir-me tão fragilizado que acabe ficando 'uma pessoa melhor' por causa disso.
Não quero perder a possibilidade de me indignar, me revoltar, criticar e xingar.
Não quero ser etenamente afetuoso nem querido, apesar do que sinto e recebo. Não.
Sou apenas uma pessoa.



fico pensando em qual a maneira legal pra gente viver.
existem várias, imagino.
mais que tudo, existem as maneiras que não são bacanas, que são injustas, que não têm nada a ver...
são muitas também.
- - - - - -> tudo bem: eu não sou bonzinho o bastante para deixar de reconhecer que somos sempre responsáveis pela vida que levamos - pelo menos na grande maioria das vezes < - - - - - Mas isso me incomoda, atormenta.
Porque se a gente pode, se existem possibilidades boas... o que nos faz?
Nada nos obriga, mas a gente faz a vida ruim. A gente permite as coisas do mal. A gente caminha nas pedras quentes e busca...
- - - - -> venho pensando nisso muito ultimamente....
Fora as doenças, os acidentes, as mortes - - - - - - nada mais deve ser ruim. Nada deve segurar nada.
Apenas aquilo que não podemos impedir.
E podemos impedir 80% das coisas que rolam.


28.6.02

raspei a cabeça novamente e fiquei com cara de mais louco do que já sou...



fim de tarde na casa da kakay que chegou do hospital há dois dias.... conversamos bastante... falei pra ela da história do agenor que eu tinha lembrado... ela lembrava da história, mas não do nome dele... conversamos sobre a copa e sobre a violência do rio... pegamos leve pra ela se restabelecer... quando ela estiver melhor, voltremos a nossos papos 'daqueles' risos



Eparrê,
Aroeira beira de mar
Salve Deus e Tiago e Humaitá
Eta, costão de pedra dos home brabo do mar
Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar, praias sem fim
Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar




kakay tinha um amigo que tinha mania de fazer limpeza de pele nela.... e cobrava, claro.
um dia, se anunciou e bateu na porta....
kakay me disse baixinho: 'geraldo, abre a porta e diz que não estou. não tenho dinheiro pra gastar com isso'.
falou e correu pra cozinha... risos e se agachou atrás da pia.....
Eu abri a porta e o antenor foi entrando: 'oi, meu filho, cadê a zilka? Não está? Bom, vou beber água'
vendo o cara já dentro de casa, me desesperei e saí correndo, pelo corredor do prédio...O antenor, que tinha intimidade foi entrando pela casa, foi pra cozinha beber a maldita água e lá estava a zilka, gorda, agachada...
Se olharam. Ela se levantou e disse: "Oi, Antenor, meu querido!!! Pensei que fosse uma pessoa chata que estava pra vir aqui.... o geraldinho não entendeu... :))
- - -
até hoje eu e ela rimos muito dessa história.



fui o primeiro a chamar a zilka de kakay. não sei porquê. todo mundo já me perguntou e eu nunca soube. de qualquer forma o apelido ficou de tal forma na família que todos a chamam assim... os netos, p´r exemplo, não chamam de vovó e sim de kakay.
- - - - - -
kakay é a pessoa mais emblemática da minha vida. de quem mais gosto.
verdade que agora tenho filhos e os sentimentos são diferentes...
mas ela sempre foi minha mãe, minha amiga, conselheira, meu ídolo maior.
sempre nos divertimos muito juntos.
- - - - - -
morávamos num pequeno apartamento em copacabana. eu, ela e meu primo.
víamos televisão ou líamos até tarde.
lembro que gostávamos muito de queijo cremoso, em copo, mas era raro porque era caro, para nosso padrão na época.
kakay andava super dura... vivia tentando fazer uma ponta qualquer para ganhar um cachet... risos... jogava no bicho pra ver se a gente saía daquela dureza...
- - - - -
íamos a praia sempre. era bom, bonito...e de graça.
ela mandava eu beber bastante água antes de sair, para não desidratar... sorvetes? mate e coca cola? necas... não tinha grana...
mas andávamos muito pela areia, eu mergulhava muito no mar e tinha a Kita, a única cachorra que gostei na vida.
- - - - - -
quando mariozinho casou e teve filhos a kakay ficou louca com os netos...
confesso que senti ciúmes.. :)) eu não era mais o único....
depois me acostumei e nunca perdi mesmo o meu lugar...


27.6.02

vivien pegou a mania de levar chocolate pra ilha de edição. ou então amendoim... além de ser proibido [mas eu faço escondido], tomo coca cola.
agora imagine o que é um compulsivo ansioso comento chocolate, amendoim e tomando coca cola, pra lá de estressado de ver que o programa nunca fica pronto.... resultado: tremenda dor de cabeça!
- - - - - -
fiquei com vontade de assistir a um bom, bom filme.... acho que não está passando nenhum, além do que os que eu já assisti...:(
aliás, há muito tempo não vou ao teatro....
liguei pra minha tia querida agora e ficamos conversando sobre a Mesa Redonda Facit com Nélson Rodrigues, José Maria Scassa, João Saldanha e outros... era divertido e inteligente. E nós, em casa, éramos felizes por nos gostarmos tanto.



escrevi o post abaixo porque acho estranho o mundo, principalmente os países com 'queda' para o comunismo como o brasil, ficarem eternamente pesquisando e revivendo o que aconteceu em seu passado recente de errado ou inaceitável.
---- claro que muita coisa foi errada, muito de tudo o que foi feito é absolutamente inaceitável.
Só acho um pouco deslocada essa necessidade de remoer, refilmar, recontar eternamente a triste história das ditaduras de direita. Parece a história do Holocausto que os judeus não deixam morrer [embora em Israel o pau coma solto!} - Ficamos eternamente: Hitler, isso, hitler aquilo..... verdade que foi terrível, bárbaro.
Mas ninguém fica....'ah, Stálin matou mais do que Hitler...a fome na União Soviética foi Brutal, houve uma derrocada em todos os sentidos em todo o leste europeu prisioneiro do comunismo...'
Ainda hoje, o ditador Fidel [há mais de 40 anos no poder] exclui através dos porões da prisão política ou do assassinato qualquer um que se oponha a seus ideais....
Uns, por ditadores, são monstros.... outros, heróis...
Pfui!



o lançamento de mais um livro sobre a vida e as ações do General Geisel parece-me exagerado e despropositado.
Maria Celina D'Araujo e Celso Castro lançaram em 1997, pela Fundação Getúlio Vargas, o livro 'Ernesto Geisel', completíssimo [e já não era o primeiro].
Geisel escreveu sua biografia e outros também o fizeram. Ele, na verdade, ainda que linha-dura iniciou o processo de redemocratização. outros presidentes militares têm suas hisórias bem mais obscuras e existe pouco material para a pesquisa.
O que há é que num trecho absolutamente franco, Geisel trata da possibilidade da tortura [ e explica com cautela o momento e a circunstância em que seria necessária].
Não vou polemizar se a tortura é boa ou ruim. Parece-me ruim. Mas o fato é que sempre foi utilizada pela raça humana [e creio que sempre será]. É duro, mas é fato.
Não vem ao caso, nesse momento. Hoje, tenho mais preocupação com a tortura imposta pelos líderes de facções criminosas e a tortura que o governo impõe à sociedade de permitir que essa tortura continue possível e bastante viável.



ansiedade aumentando. boa ansiedade.
é a expectativa pelo encontro esperado.
acho mesmo, que durante toda a vida, as pessoas têm algum tipo de expectativa por um encontro. aquele encontro.
a seu modo, cada um cria lá suas esperanças... sob a forma de uma aposta lotérica, da cura de um mal irreversível, da mudança radical na vida. Será sempre um grande encontro, uma coisa legal.
O que falta é essa possibilidade, ou melhor, a visão, a crença da possibilidade de coisas legais.
Muitas vezes desacreditamos completamente que a vida seja mágica e surpreendente.
Por isso, de maneira geral, as crianças são mais felizes.



- - - - > resolvi adiar um pouco a matéria sobre o uso da internet para a prostituição que faria em meu programa.
Motivos? vários. Será uma matéria mais bem fundamentada, com apoio de profissionais competentes, inclusive psiquiatras e agentes legais.
- - - - > o que há de excêntrico nesse tipo de prostituição é o fato de usar mulheres e homens de meia idade e que trabalham sem intermediários.
- - - - -> a prostituição, que de nova não tem nada, não é importante po si só, mas por trazer, em forma sigilosa e globalizada, à seu reboque a pedofilia e o uso indiscriminado de drogas.


26.6.02

Tava falando ainda a pouco com a meg que a clarinha é, sobretudo, uma pessoa pertinente.
gosto das coisas que pensa e, principalmente diz.
temos uma correspondência regular que, entretanto, não me satisfaz.
continuo achando que ela deveria ter um blog.
- - - - - -
porque afinal, clarinha, você estaria abrindo seu espaço entre amigos, entre pessoas que gostam de você, te admiram e querem ler mais, debater mais....
e tem mais uma coisa.... tem muita gente escrevendo besteira, nada que preste.... v. olha as relações de endereços e são infinitas, mas quem, de fato fala com a gente? pra gente? acho, realmente, que deveria repensar. :))



a luísa, a meg e a marina w são apenas alguns [entre muitos outros] exemplos dessa turma bacana da internet e, principalmente, dos blogs.
- - - - - > tive uma fase em que andei vendo outras coisas, vivenciando outras experiências e acabei por me tornar meio amargo com relação a determinadas experiências virtuais.
--------- > tudo bem que criei algumas inimizades ou pelo menos, alguns climas ruins, onde muito provavelmente contribuí para azedar de vez, mas, como sempre, o tempo e as pessoas vêm me mostrando um outro lado... um lado saudável, alegre e sincero.
- - - - > toda a coisa mórbida e o sorriso efêmero ficaram bem lá atrás, numa curva que já não enxergo.
e nem quero < - - - - -



eu me lembro do Gabeira, no "o que é isso companheiro?', contando sua angústia, exilado, entre torcer ou não para o Brasil na copa de 70.... Era uma sentimento fracionado, ambíguo... entendia que o brasil deveria perder para que a população não desviasse sua atenção do momento terrível da ditadura.... começou, portanto, torcendo contra o brasil... mas acabou capitulando....
depois, o brasil ganhou a copa e o povo esqueceu a ditadura e saiu às ruas para festejar...



#enasor oma ami ue< - - - -
ós&



como escrevinhador só posso escrever... por que não escrevo então o bastante sobre ela?
motivos vários. o primeiro e para protegê-la. não importa o que pensem ou achem, mas bem sei o que faço.
sei bem todo o tipo de atividade, o rastilho de pólvora que pode acender.
- - - - - -
ao contrário de situação que, ao olhar prematuro, pareceria análoga, esta é radicalmente oposta.
por que? porque pessoas são pessoas. as situações podem ter analogia e não quem as vivencia.
o homem encontra, eventualmente, o grande brilhante, aquele que gerações inteiras sonharam encontrar.
é possível, entretanto, o brilhante e o homem se acharem, como quem marca encontro num determinado planeta, em uma determinada era...
bom, isso sim...é além do romântico ou crível.
é muito mais do que a pueril descrição de hálitos, seios ou carinhos.
é muito mais do que a claudicante declaração de amor....
afinal, palavras são palavras, atitudes, idem...
- - - - > outras coisas.... coisas maiores nem sempre podem ser verbalizadas ou escritas antes da hora certa.
mais: apesar de tudo, poderão jamais ser descritas pois, antes, estarão sendo vividas e muito mais há a viver do que a escrever.
- - - - -
a expectativa do amor pode gerar páginas e mesmo torres de volumes onde o 'eu te amo' se repete neurastenicamente.
a expectativa no outro, pode gerar uma quantidade de informação e cantos que matem de ciúmes os menos atentos.
mas, garanto, não é sempre assim que se comprova a verdadeira viagem em busca do amor.
- - - - - -> o que me importa é que sei o que digo e pra quem falo.
só.
por hora. < - - - - - - - -


25.6.02

seá será que todos sabem exatamente quais os seus papéis em cada atividade que desempenham [ou pensam desempenhar]?
acho que não.
o que um cientista, faz exatamente? um cientista social?
como manter o caráter estritamente acadêmico sem cair em ideologias ou simpatias outras? <- - - - - - -
eu, por exemplo, não consigo



a poesia sempre traz um quê de tristeza
depressão
incapacidade de reagir ao meio
como um ansiolítico medieval
que hoje, engolimos às avessas



Só existe assassino porque existe gente viva

Duzentos tiros de armamento pesado contra a sede da prefeitura do Rio é um ataque normal para um estado em guerra civil.
Na Colômbia, por exemplo, dispara-se mais e com mais freqüência.
O estranho aqui é que ainda se procurem 'explicações' sociológicas para o atentado. Agora, como não podem dizer que é fruto da má distribuição de renda, nem que é revolta dos pobres por não terem chances nessa vida, dizem nossos intelectuais de plantão que 'não é tão grave'... que, 'na verdade é uma ação política para desestabilizar o governo do PT'...
. . . ..
ontem gravei uma entrevista com hélio luz [não sei se vai inteira ao ar] onde ele afirma que é tudo política, que as autoridades e a imprensa estão exagerando, que os traficantes não têm poder, que o poder vem da classe média alta e alta.
Que era melhor voltar os olhos para a classe alta que cheira nos bairros nobres...
É uma teoria engraçada essa: só existe tráfego de drogas porque existem usuários...
Imagino eu que só existam assassinos porque exista gente viva....
É verdade, não é tão grave assim.



"Correntezas" de Franes Fyfield que estou lendo [lá pelo meio, mais ou menos] é um romance extramamente angustiante. Ainda não tenho clareza se é bom ou mau [a última opção parece mais justa], mas ainda assim é neurotizante, claustrofóbico.



estive assustado na segunda feira com a quantidade de pessoas e situações que falei/enfrentei. porque após um plácido sábado e domingo, onde apenas alguns crimes e situações misteriosas pularam das páginas dos romances policiais para meu escritório, o resto foi tranqüilo... já nesta segunda o mundo voltou a mostrar suas garras.
- - - - -> porque os hipócritas na internet eu deleto ou ignoro, mas os que convivo são piores, não têm DEL...
e aí, acaba que ficamos numa vida pela metade, onde o virtual é uma coisa e o presencial, outra, o que não me parece justo.
dá a impressão de que tem gente pior na internet do que fora dela [inverdade absoluta e idiota, já que são os mesmos].
- - - - - - -
mas o que fazer? refazer a natureza criando um botão DEL na testa das pessoas? seria uma solução excelente, mas implausível.
então, em frente ao computador estou mais confortável, mais protegido? de certa forma sim, mas é igualmente idiota e ridículo querer um mundo virtual.... aliás essa história de deletar, ESSE poder de deletar põe abaixo toda a teoria psicanalítica de que o suicida, quer na verdade matar todo mundo e, como não é possível, mata a si mesmo...
- - - - -> seguindo essa teoria, na internet não haveriam suicidas já que, à cada contrariedade o idiota deleta aquela pessoa.
volto atrás, portanto - e concluo que deletar as pessoas é um suicídio. Mais ainda. É uma atitude infantil e abobalhada.
< - - - - - E daí? Culturalmente, nesse meio, todos nós fomos criados com o botão DEL e fazemos tanto uso dele, quanto o bandido do revólver [e não me digam que é diferente porque não é: basta pensar com atenção, sem leviandade]- - - ->
- - - - - -
Porque na verdade, 'a viagem' da vida é que não nascemos nem morremos quando queremos. Nem deixamos que as pessoas vivam nem podemos terminar com a vida das pessoas... ou seja, a vida passa independente das nossas vontades e, possivelmente, por isso é vida e não programa.
Quando tratamos de forma virtual a coisa toda se altera e temos reações de criadores e semi-deuses e toda essa coisa porque estamos num ponto e dominamos um outro que, no fundo, somos nós mesmos ou outras pessoas.... Por que se mata na internet e não se mata na vida real? Talvez seja outra coisa: talvez a internet apenas mostre, torne transparente essa coisa canalha e assassina que todo ser humano 'do bem', safado, tem dentro de si.
Se não entendeu, releia, por favor.


24.6.02

bete vem aqui em casa e conversamos um pouco. Falamos das possibilidades de relacionamentos [o quanto são complicados por nós mesmos]... diz ela que está impressionada com a teoria do seu analista:
- "o máximo que temos do outro, é a possibilidade de tocá-lo. Mais do que isso é pura expectativa"
.... ficamos olhando um pra cara do outro....



os debates sobre a violência saem dos cadernos de cidade e tomam as colunas, publicam-se artigos de sociólogos, psicólogos, magistrados e políticos. Dá pra entender, então, que não é mais uma questão de direita ou esquerda, nem de 'direitos humanos' ou não. É uma imposição suprapartidária, além de ideologia e filosofia.
O motivo é simples: a ameaça paira agora sobre a classe média e dominante, a ameaça aperta os intelectuais e formadores de opinião.
- - - - > Ninguém mais diz impunemente que 'todo bandido é uma vítima da sociedade'. < - - - -
Já é um início. Frágil, débil, é verdade, mas é um início... As revistas semanais tratam há três semanas do assunto exaustivamente.
Os jornalistas, sociólogos e antropólogos de todos os países avançados, refletem sobre o Brasil e o Rio de Janeiro em especial.
- - - - > Ninguém mais diz que é alarmismo, ou tentativa de revolta de direita. A bomba caiu na cabeça de todos. < - - - -


23.6.02

passamos o fim de semana juntos, como era de esperar... li dois livros [imcompleto, o segundo], ao contrário dos três que planejara.
na verdade. com o passar dos anos leio mais devagar... distraio-me mais... perco algumas sutilezas e tenho que retomar...
- - - -
alguns sentimentos confusos [o que não é confuso em mim?]
uma enorme indolência [quem pensa que não sou um indolente crônico?]
e muita chuva pra completar...
-----> contagem regressiva [que não acho boa] <----- acredito que tudo deveria ter sido ontem e não amanhã
- - - - -
porque o amanhã, como já repeti, é uma ilusão.
amanhã é uma possibilidade não maior do que nada.
hoje eu sou. Amanhã, quem sabe? <-- - - - - troca-se amiúde esse raciocínio básico pelo sentimento [imperfeito] de uma certa incapacidade de esperar os momentos adequados... - E, na verdade, eu compreendo muito mais as pessoas do que parece, compreendo esse raciocínio lógico de "amanhã, ontem e hoje" - tenho apenas uma visão diferente.
- - - - -
é bem verdade que nunca imaginei que fosse chegar aos cinqüenta anos [como, de fato, não cheguei], o que comprova um pouco da minha teoria sobre a espera pelo tempo.. :)) - - - mas não é isso também. Falando sério, achava que ia morrer mais cedo, quer dizer, antes da idade que tenho e sempre me perguntaram se eu era prematuro [uma gracinha que eternamente me irritou, como quando perguntam se sou parente daquele bundão...]
- - - - mais uma vez, esqueci o que ia dizer.



sentado à mesa, buscou as folhas na caixa ao lado. no copo, a pena. escreveu como se fosse pela última vez. - - - -> e poderia mesmo ser. escreveu por todos os dias e noites angustiados... por todos os dias em desassossego [ e como houveram dias assim ! ]
parou de escrever e percebeu-se chorando. Um chorar leve e manso. Poucas lágrimas grossas por toda aquela vida.
não. não era apenas pela sua vida, mas por muitas vidas.
possivelmente, por todas as vidas que existiram e existirão.
o que fazemos nós? que luta ingrata travamos contra o destino tão mais poderoso?
- - - - - -
quem somos que não vemos?
por que somos se não sabemos?
por quanto lutamos se nada levamos?
- - - -
texto barato? deixa então a pena de lado e roda pela casa. olha o álcool, o tabaco e os cadernos.
tudo em vão. tudo se perderá sempre. cabelos e barbas brancas.
vida de buscador, catador, apanhador, sonhador.
medo do sonho. medo [negado] do irreal, do não paupável [também negado]
- - - - -> quanto mais será necessário para perceber que nada se altera...? que o universo se expande inexorável, rumo ao nada eterno. e esse nada está dentro de si e do outro e dos outros e de todos...
que niilismo é esse que transforma homens em nadas?
não é isso o que deseja. Mas o que é, então?
a pena desliza pelo papel como o sonho corre e mostra ao doente, embriagado de morfina para aplacar a dor...
embriagado de morfina.
qual a diferença entre estar morrendo com morfina ou dormindo e saudável? quais os mistérios que diferenciam um do outro?
quem ousará discutir com o que não é ou não sabe ou não conhece?
- - - - - - -> melhor seria não dizer nada e ver televisão eternamente, como quem sublimou a última existência.
cândido é assistir televisão sem imaginar outra opção.
acreditou e fracassou <- - - > quando outros fracassaram por não acreditarem.
agora é um velho e o que se espera dos velhos? nada mais.
....
esse retrato sépia pode ser encontrado em cada quarteirão das grandes e pequenas cidades.
não sei o que quer dizer.
não sei de onde veio a inspiração [embora nada tenha de bom].
são apenas palavras, dessas que melhor seria não existirem. não sobre o papel.
mas não serei o primeiro nem o último.



eu não canso de me surpreender com a vida...
é bem capaz de me surpreender até com a morte;
não deveria, mas é assim.... a vida coloca as coisas de uma maneira tão difusa e, em seguida, tão clara, óbvia...
- - ->
acaba que me suspreendo comigo mesmo por essa sensação constante de 'ser pego de surpresa'.
porque têm coisas que você planta, planeja e elas acontecem ou não.
mas nada é tão perfeito quanto a possibilidade sempre oculta à cada esquina que a vida apresenta...
< - - - -
ainda que algumas possibilidades acarretem ações duradouras [quem sabe eternas], a surpresa está presente
sempre
acho que somos passíveis de ser surpreendidos com um beijo da amada
um espirro do filho ou o simples amanhecer...



hoje, aniversário da Meg, o mundo meio que parou.
Parece que todos estão meio ansiosos, todos querem falar com ela, mandar mensagens...
e mais: entre nós mesmos: "...é aniversário da Meg, o que posso mandar, o que ela gostará mais ?"
Um alvoroço percorre blogs e corações.... "telefona, dá o telefone, errei a data, me antecipei...."
O mundo parou pra abraçar a Meg.
O que dizer? Nada. Tem coisas que são indescritíveis.
Apenas ter certeza de que esse carinho não é gratuíto, é conquistado. Ela conquistou.
Acho que todo mundo queria ser Meg. Inclusive eu.



tenho muito poucos objetos.
um deles são meus cadernos [e aí vai um lote] -- outro são meus livros - - -outro lote.
são meus objetos e, mesmo que possa comprá-los novamente, serão diferentes porque não são aqueles, os meus..
ClaRo que com o passar do tempo e, dependendo do meu espírito, voltarão a ser meus e terei o mesmo carinho e apego.
- - - -> e não é assim essa vida? < - - - - não acontece até com as pessoas que nos cercam?
- - - - - -chove continuadamente. não o temporal de ontem, mas a chuva persistente, constante.
não faz frio. pelo menos, não um frio relevante.
- - -> porque o frio ou o calor também são deixados para trás. E, eventualmente, sentimos falta.
como um imigrante do Senegal que chega a Estocolmo no inverno.... < - - - - E O CLima não re readqüire na loja da esquina...
- - - - -
é a eterna troca, a eterna mutação do homem
com seus ganhos e perdas... sua eterna interrogação à cada encruzilhada.
Deixo o meu Neruda e o comprarei mais adiante, mas aquele não será este.
Portanto, não é igual. Mas lá, com o novo Neruda, terei também aquilo que ele diz, mas não possuo....
- - - -
- - - - ->
eis a vida como se apresenta para nós.
Gostaria de alterá-la um pouco... mas teria a capacidade de alterá-la sem mexer no todo?
Porque mexer no todo é criar a possibilidade de inviabilizar o possível...
é libertar-se a tal ponto...[de tornar-se prisioneiro dessa liberdade].


22.6.02

dia desses a favela aqui perto brindou a todos desse bairro com um baile funk daqueles!!
não tinha como fechar janelas ou frestas... parecia que os potentes autofalantes estavam dentro de cada sala... e assim foi até o amanhecer..
- - - -
agora, junho
hoje, festa junina... que lindo !
como é bom viver numa cidade onde todas as manifestações culturais parecem brotar dentro do teu quarto!
como é feliz aquele que ouve quadrilhas e graçotas caipiras... como é bom deixar viva a cultura popular!
- - - -
ser feliz é morar num lugar onde não é necessária a atitude do estado porque o morro promove a cultura.
Melhor: promove de maneira segura, de forma a que nenhum ouvido escape.
não importa se a manifestação foi 'pensada' em Bangu I
o que importa é que o beneficiado culturalmente sou EU



ela vem trazendo sua mala.
essa mala é um baú de coisas
grandes e pequenas, mas suas
nuas
quantas coisas nuas carregamos em nossa bagagem?
e quem é a bagagem a mala ou o coração?
por que tanta confusão
não precisa mala, basta a bagagem
porque é atrás dela que estou... estamos [?]
o trem... lembrar daquele trem em sua longa e fragmentada viagem...
suas paradas... seu viajante insistente, buscando, tentando encontrar
pra se mostrar.. pra dizer: 'eu existo' !
um longo e alquebrado percurso, com recusas e medos.
mas era preciso continuar... no trem levava a semente
verdade que o trem se foi e o viajante voltou [mais ou menos]
mas a semente ficou
e floresceu
puxa



ela vem. ponto



dia desses eu tava falando por aqui do atendimento do pessoal da Letras & Expressões... dizia que estão perdendo terreno...
e estão mesmo... as edições demoram mais a chegar lá.... os volumes empilham-se desordenados... o estoque não bate com a informação do terminal.. os livros são mal tratados.. a troca de pessoal mina a possibilidade de encontrar o procurado.
isso vem acontecendo mais e mais. tenho vontade de falar com um dos donos, mas receio...
sei lá, pode parecer uma crítica leviana [e não é]
- - - - -
em contrapartida a Travessa que inaugurou está perfeita... dividiram o pessoal com o da mais antiga.
disposição perfeita, ambiente ótimo.
visibilidade excelente e uma diversidade maior do que nossa média brasileirazinha..
vai firmar-se como a mais agradável...
- - - - -
ok, marina, compras feitas. tua seleção está aqui
tá bom, eu confesso, fui um pouco além.... :)
a pilha vai aumentando ao meu lado e eu me desesperando :)



fico lendo essa menina. - - - - -> ela.
ela nãO 'manda na frente' nem 'espera encontrar'... pensa que é assim, mas não é.
porque o brilho não está na estação, mas em si mesma. -- -- -- o brilho vem de dentro.
só virá quando vier - - - - - - - tá BOM, O BRILHO é nosso [modéstia? nunca!]
porque sempre existe o engano da chuva.. que chuva? água que cai, apenas ( e lá fora) - - - aqui dentro não é nada disso.
aqui dentro é outra coisa - - é a hora.
---> e por quê, menina? < - - - - porque o sol faz com que baixe a guarda.
o calor do coração sempre faz isso... mas calma ! :)
é sempre possível que se abra o caderno... e se perceba algo diferente... sempre possível.
num outro momento não, mas agora tudo é mais delicado.
o mistério é o guardião do sucesso. - - - do casamento.



exercício mostrando que marina w é excelente professora e eu, mediano aluno. Oba!



quantas pessoas mudam a vida radicalmente?
muitas, imagino.
acho que nunca mudei a minha... pelo menos assim, radicalmente...
e estou prestes a fazê-lo... e isso, ao mesmo tempo em que assusta, é tremedamete estimulante...
algo como o 'golpe' ou 'crime do século'... só que 'do bem'... :))
------> porque as coisas acontecem de repente, da forma mais inesperada, do lugar menos provável....
e fica parecendo coisa de romance policial, misturado com autor doidão, viciado em ecstasy..risos <----



veja só... a vida inteira a gente teve pena de riscar o que escreveu errado ou se arrependeu....
hoje isso não é mais necessário... os computadores não permitem a demonstração do erro...
mas nós, principalmente eu. quero aprender a riscar e marina w [sempre ela] me ensina
ganei ganhei o dia... :)



eu já sei que
"A vida é arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida..."
Mas não gosto de me desencontrar dela por aqui...
saco



O PREFEITO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, SR. ELIAS MALUCO, MANTÉM AS ESCOLAS MUNICIPAIS DAS ZONAS DE ATRITO FECHADAS.



eu sabia que a frente fria que estava no rio grande do sul ia deslocar-se para o rio... mas alguma coisa melhor podia ter acontecido, pô!
pronto, agora chove aqui.... :(



"não é questão do tempo propriamente... é da irrealidade... eu vejo o tempo, o espaço, a vida e o espírito completamente correndo em separado.. análogo sim, mas em paralelo..."


21.6.02

--> essa mulher <---

não sei se o mais correto é dizer que existem mulheres e mulheres ou pessoas e pessoas.
tudo bem, 'pessoas e pessoas' cai melhor, né? 'cai bem' ... :) acho que não sou 'bem'...
essa mulher que surge assim de repente, de onde não vejo como bruma e caminha com seu olhar manso
---> seu olhar é manso com o lago que vi no fundo de uma caverna.. manso. <----
seu jeito, antes duro, depois assustado, hoje é verdadeiro. sabe que pode sentir e dizer.
sabe que chegou... porque, muitas vezes chega... não é sempre, nem para todos, nem regra...
mas pode acontecer e, como pode, acontece...
essa mulher [minha] vem da mesma forma que um dia foi e viu e aceitou e cansou e desistiu..
temos, portanto, alguma histórias.,. porque, querendo ou não, somos esses 'carregadores de histórias' que se arrastam por aí...
cada homem é palimpsesto
essa mulher vem, com sua ---> vida <--- ( e aqui eu poderia parar e escrever sem parar sobre sua luz, seu calor, sua verdade, poderia mostrar o quanto irradia, o quanto é luz... mas não o farei já.) com suas histórias [boas e ruins, tristes e alegres] ao meu encontro e verá outras histórias aqui..e sabe dessas histórias, ainda que de maneira pouco definida... mas não é isso o que mais importa nesse momento, não para nós dois... fazemos planos, traçamos metas e redesenhamos trajetos durante horas para que todas as coisas funcionem como deve ser...
ela chega no seu tempo. é um ciclo, eu creio.
não posso explicar direito porque não sou explicador e a vida não se explica.
mas observo e movimento e estimulo e sou estimulado.
momentos de prazer e expectativa - - que nem eu imaginava que fossem rolar - - porque esse é o barato dessas coisas: não são realmente planejadas.
tudo bem que você possa estar aberto a possibilidades, mas não tem nada disso na história. ela acontece por onde não deveria, pela maneira transversa e implacável.... e insustentável, como está... o que fazer ------> alterar tudo, mudar o mundo para que fique tudo bem e assim será. porque, quando a gente quer, as coisas ficam bem. <---- são os mistérios, creio ... :)



ela não pode escrever agora... eu posso mas não devo...
evidente que não consigo deixar de escrever... e o faço em outro sítio [não os 'encontráveis']...meu caderno de capa dura é mais apropriado.. é uma história meio fantástica, meio inacreditável, mas verdadeira... uma história de amor e paixão...uma história que, contada, é absolutamente inacreditável... acho que soaria distante, irresponsável e frágil.
na verdade é exatamente o oposto. uma história de amor... de amor aconstruído e refinado e acalentado pelos meios mais impróprios ou improváveis...
uma reviravolta em duas vidas... uma reviravolta por um caminho inacreditável.. uma paixão inacredotável...
personagens que se encontram por acaso, à partir de uma remota possibilidade...lugares diferentes e muito distantes... uma terceira pessoa que acabrá sendo feliz por perder outra e esta, feliz por renascer...
tudo bem, eu sei que é improvável e estranha... mas eu vou contar essa história na hora certa...



fazer pequenas coisas é muito bom...pequenas coisas como ir até a oficina para lavar a motocicleta e o lavador dizer que está com duas na frente e ainda tem que almoçar..que eu volte mais tarde..
Passar no trabalho para ver como andam as coisas, almoçar com os meninos e planejar algumas coisas para um futuro próximo...
Sair do centro da cidade no meio da tarde [quantos meses sem fazer isso..] e voltar ao lavador.... Ver a motocicleta imunda transformando-se...brilhando... prazer em dar duas notas de dez...
Fim de tarde na livraria da travessa em ipanema... conversa jogada fora com a menina que sempre me atende... uma olhada nas coisas e nada comprado... com a moto brilhando passar na Letras... outro papo breve... nada de muito sério... é...editaram textos avulsos de Kafka..talvez compre amanhã..hoje levo o Lawlence Block... marina w me falou dele... :).. ela está lendo um... comprei outro, 'O Ladrão que achava que era Bogard"...
Em casa cedo (caramba!).... um cochilo até às nove e pouco da noite...
termino então a leitura do 'edições perigosas' do Dunning....(impressionante como eu não lembrava de nada da história...) penso nessa amnésia que me corrói mais e mais...
...´o que eu posso chamar de um dia muito legal...



fracassei em minha tentativa de não ler os cadernos de cidade dos jornais do rio.
são manchetes de primeira página: 'elias maluco decreta o fechamento de 8 escolas' - - 6.000 alunos sem aula por ordem do tráfico'.. e outras tantas... tiroteios, mortes, etc.
o César Maia escreve um artigo bem fundamentado que é do interesse de todos.
...
tenho conversado com algumas pessoas 'pensantes' e chegou-se a um ponto em que existem cada vez menos alternativas pacíficas. em todas as discussões que estive presente, as pessoas calam diante da 'solução imediata'...
trata-se muito mais das causas que levaram ao momento atual.
mas tem outra coisa: o momento atual existe. Ninguém, ninguém tem qualquer idéia, qualquer expectativa de alterar o quadro do Rio de Janeiro que não seja pela força bruta de repressão. Todos, todos concordam que a polícia se mostra despreparada. Conclusão: ainda que não verbalizem, as pessoas não percebem outra alternativa que não uso imediato das forças armadas, a criação de uma nova polícia [aí sim - em paralelo a uma ampla ação social].
- - - - hoje, encontram-se aqui e ali, nas penitenciárias, sistemas de comunicação, de telefonia extremamente profissional.
-- na verdade, quem está nesses lugarem 'de segurança máxima', pode atuar normalmente...
tudo muito complexo.... a comparação com a colômbia é óbvia. não há como falar hoje em segurança no brasil sem que o raciocínio não seja remetido à colômbia.
....
não existem muitas alternativas, nem propostas novas.
as idéias de ação não podem ser verbalizadas pelos homens públicos por contrariarem o 'políticamente correto'.
os políticos estão prisioneiros de sua dialética e dos seus discursos.
pfui!


20.6.02

tava conversando sobre ser livreiro...
quer dizer... na verdade é aquela história que eu digo... cada livro que eu vou lendo, eu vou querendo ser o cara lá, o personagem...
e leio um policial que o cara sai da polícia no meio do livro e vai ser meio livreiro... e tem toda aquela ambiência das edições raras e toda aquela coisa...
ia ser uma agonia, eu não ia querer vender nada ou não ia saber... sei lá...
-------
porque eu vou dizer uma coisa, viu? tenho escrito e pensado muito....
não gosto muito do que faço... não é por fazer vídeos ou produzir portais e sites na internet... não é exatamente isso...
é que é muito ruim você fazer coisas que sabe que estão erradas...
é você não ser autoral... não deixar alguma coisa realmente sua....
- - -
claro...90% da população faz um trabalho não autoral...
é preciso ter talento o bastante para ganhar dinheiro expondo de alguma maneira o que você quer passar para os outros...
enfim... vamos ver...



computador e internet me parecem um pouco com o ponto de vista do canário na gaiola...



quanto ao post abaixo, não posso reclamar muito, pois também com freqüência razoável acho o mundo chato.
e pensando com mais clareza, temos que reconhecer que vida, por um deteminado ponto de vista é chata.
quer dizer, tem que procurar entender... a vida é como um imóvel desocupado, desses que você vai ver para comprar ou alugar.... paredes e chão e tetos e ladrilhos....
e isso é chato.
portanto a vida não pode ser esse box em que nos inserimos as nascer....
a vida não começa propiramente ao entrarmos nesse imóvel e sim à medida em que vamos colocando essa ou aquela peça, esse ou aquele móvel.... essa ou aquela pintura... e trocamos algumas e repensamos outras... e jogamos para o lado ou rearrumamos... sei lá.



eu vou dizer uma coisa que é bem verdade....
de vez em quando eu dou uma lida no sobretudo e acho chato
chato.. chato..



com alguma freqüência eu me pergunto se faço o melhor, se trabalho da maneira mais correta e, principalmente, se é iso o que realmente desejo fazer...
fico pensando se a gente faz as coisas certas, se a gente é uma parte dessa engrenagem que faz, de fato, a humanidade caminhar.
já sei que vão falar da importância da formiguinha unida, d'a união faz a força', das pequenas engrenagens que dão potência aos grandes motores... já sei.
mas gostaria de ser uma parte nobre dessa engrenagem. não uma parte melhor, ou mais valiosa. não.
mas uma parte que produzisse de fato. sem fama, mas com resultados concretos, com possibilidade de gerar novas disvussões e pensamentos, revisão de conceitos ou, no mínimo, um olhar mais abrangente, mais 'aberto'...
ok, me perdi de novo...sorry



nessa mixórdia de informações que nos bombardeiam eu não quero entrar... tenho me refugiado nos policiais bons...
o romance, a trama e a personalidade das pessoas que habitam esse mundo cão, esse mundo onde os conceitos de amor e ódio, ética e desordem se atropelam... a busca pelo poder, pelo dinheiro, a ira...
na verdade o homem apenas aprimora, lapida os mesmos instintos que a mais abjeta víbora...
e tudo está lá, detalhadamente revisitado... nos livros policiais...


19.6.02

esses blogs que freqüento com prazer, recontam a história de uma forma particularíssima.
É a visão diuturna e constante de quem vive, fez e faz, viu e vê... e prevê.
O que, em nada, invalida [ao contrário] Allan Bloom, Jaguaribe ou Carpeaux



Imagino que o bom historiador deve ser um polemista. Não um polemista barato, sensacionalista.
Mas os fatos já existem e foram descritos. A História como se sabe é escrita pelos vencedores [tenho dúvidas].
O que faz então o jovem historiador além de registrar o presente? os que não fazem nada além, não valem o título.



Pra ler mesmo e empolgar, na minha opinião, não há nada melhor do que o período de Getúlio, Lacerda até JK (inclusive). Tem um quê de Indiana Jones, se me entendem...



André Gide. Encontro dois volumes por bom preço. Quase não acredito.



o viajante chegou finalmente a sua cidade. a seu sítio. precisou silenciar, não dizer mais nada. a linguagem foi outra, o caminho foi transverso. agora chegou e precisa de um tempo para que ela prepare a maleta... muitos papéis e cartas... e um diário caudaloso, manuscrito, ora borrado, ora luminoso...
mas não é como juntar as [muitas] folhas do diário. antes, existe o espírito, já recolhido há tempos, mas ainda preso e perdido, ao mesmo tempo e antagonicamente, ao sítio distante.
volta então aos papéis... passará pelo processo da estampilha, do carimbo, do doutor... essa coisa bem brasileira, atávica da 'sociedade' cheia de '0olhos', cheia de moral, cheia de machos... transpor essa sociedade é o que falta para alterar o modo.
alterar o modo significa a possibilidade de fechar o caderno, abrindo outro ao mesmo tempo.
o velho não pode [nem deve] ser atirado à lixeira do passado, pois o passado não tem lixeira. o passado está em nós, grudado como um presente que foi, que não se altera... é a parte imutável da vida e memo da morte.
mas o novo caderno permitirá inscrever o que acontece no hoje, o que pretende para o amanhã e amanhã dirá se foi o que imaginou ou não. poderá ser melhor, pior ou apenas confirmar a expectativa. não importará tanto, de qualquer forma.
a importância está no deslizar da penas contra o papel que, virgem, aguarda o que nesse se inscreverá como parte do todo, sabendo ainda ele, que será um velho e caudoloso caderno um dia.
o que o viajante representa diante de tudo? muito ou pouco. não se pode ver.
ele apenas ajuda a reunir as folhas, os textos. Amarra-os com fitas e coloca-os na maleta.
o trem, da estação apita. - é o primeiro sinal.
livros, discos e história. pode ser um livro, um disco...porque tudo se insere na história. e esta sim importa.
porque se desfaz e refaz. sempre.
e ela? e o viajante?




eu nunca vi uma campanha - ainda no início - para a presidência da república mais tensa do que a atual.
o PT tanto faz para mostrar esse lado mais 'responsável', mais 'liberal' que mais parece um partido de direita - e, pior, ninguém acredita.
nem poderia ser de outra forma... o PT existe e tem seu eleitorado exatamente por tudo o que sempre pregou, pela possibilidade de ser uma alternativa socialista para o brasil [daí os votos do seu eleitorado]...
como os países não são mais apenas circuntâncias geográficas, no mundo globalizado o capital [normal...] foge do socialismo - comunismo travestido.
Aí o PT mete o rabo entre as pernas e procura desdizer para o mundo o que sempre pregou e, ao mesmo tempo, tenta manter uma outra imagem aqui dentro para os menos atentos.....Conclusão:
Hoje, Lula é um nada muito maior do que foi no passado. É um nada sem autenticidade.



a notícia do retorno do atual, embora não de fato, mais parece um drama rodrigueano do que uma realidade de nossos dias.
fico me perguntando o que dizer, como, o que falar ou mesmo, se devo.
acho que não devo ainda que, postando, digo.
fica exposta a fragilidade do momento, a negação do que é... não negada pelos que vivem mas pela impossibilidade do total ou o mínimo que precisamos... o velho signo do triângulo que impacienta e angustia.
o tempo segue, sempre. não temos que apressar o tempo, pois ele é tempo e nada mais.
a vida que corre paralela, fica atrasada não em relação ao tempo, mas a ela mesma que não se realiza ou perde ou sofre ou não é.



virgínia lane, amante de getúlio, diz que ele foi assassinado... que ela viu.
historiadores, toda a atividade policial, bem como os laudos da perícia, apontam para o inequívoco suicídio.
Tudo bem, virginia escreveu um livro, é ignorante e esclerosada.
mas falou.


18.6.02

atravessamos um período extremamente árido para as artes, quaisquer que sejam, tal a insegurança e a impossibilidade do homem de entregar-se aos trabalhos não imediatistas pela sobrevivência, possibilitando talvez um período negro, de trevas nesses anos 2000 que mal começaram.
não vejo como trabalhar [falo de quantidade] em atividades que resultem bens maiores e mais à longo prazo.
trato com pessoas que falam de resultados imediatos, de obras absolutamente, patéticamente perecíveis...
e esse processo tem reflexos fortes e inequívocos no dia a dia... quando acordo já começa a ansiedade pelo que farei e pelo que deveria, mas não realizarei.
essa ansiedade, por sua vez, inviabiliza a possibilidade mínima de criação, de qualquer processo de atividae útil...




a crise do oriente médio assumiu tais proporções que se alastrará pelo mundo, formando novas castas e propiciando a possibilidade de novas políticas, novas relações entre pessoas e estados... o mundo não tornará a ser como antes. o pavor por um lado e a possibilidade real e eficiente por outro do terrorismo fazem essa forma de ação tornar-se uma atitude, uma política, uma reorganização nos métodos do homem. e é também globalizado.



não importa muito se está estudando ou lendo ou vendo tv ou dormindo....



o que acontece é que eu acabo querendo me meter num monte de coisas e isso sempre gera alguns conflitos.
porque acredito que o trabalho deve gerar informação sempre e a informação acaba gerando trabalho.
...
seria simples se as pessoas todas, de um mesmo grupo, tivessem o mesmo objetivo.
mas não é assim que funciona. Quando você tem um grupo culturalmente heterogênio demais, acaba cada um indo para um lado [sempre o mais fácil e rápido] gerando um produto menor.
esse subproduto que pensam, mas não é cultural, não traz em seu bojo a informação precisa nem ética e, muito menos estética, me desagrada... quando trato do assunto, acaba gerando um clima ruim, principalmente para mim... porque, salvo poucos, as pessoas querem se livrar do trabalho, não fazem por prazer... não escrevem por prazer.... imagens e ilustrações freqüentemente pífias...
...
como não posso mudar a máquina, recolho-me aos meus projetos, onde sou quem imagina, planeja, produz, escreve e realiza.. critico apenas a mim mesmo [e como o faço]..



o chato é que... quando você trabalha em muitas produções diferentes,... mais, em muitas áreas de produção diferentes, você acaba lidando com mão de obra muito pouco especializada, muito bruta... e, no fundo, não existe um culpado... é resultado de uma conjunção de fatores, de produção diminuída que acaba pecando pela falta de cultura e erudição necessária a produção de cultura... e isso é um problema recorrente em várias áreas de comunicação.... quer dizer, como você pode fazer programas ou publicações ou o que for se a estrutura é toda corroída... se o 'formador de opinião' é, em essência, uma besta?
talvez eu exagere um pouco, mas a verdade, como estava convensando hoje com um amigo, é que temos um grupo muito fraco preparando essa 'cultura' que será veiculada ou disponibilizada ou impressa...
por outro lado, é complicado explicar isso ao grupo sem tornar-se então um prepotente, um instigador cultural, já que não se pode mesmo ser erudoto....
é meio complicado de explicar


17.6.02

coisas dessa vida...

"Quando procuramos prever o que afinal nos espera, eu começo a refletir sobre o que essencialmente me interessa em você. Quando eu olhar para teus olhos, que possibilidade há de não serem eles os olhos que eu amo? Nenhuma. Amo teus olhos pelo olhar que estendem ao mundo, pelo olhar que estendem a mim, por tudo o que captam e me mostram. Não os amo porque os vejo, mas porque existem. Assim amo a tua boca, mesmo sem lhe conhecer minuciosamente o desenho, a forma e o gosto. Amo porque fala ao meu ouvido as palavras que alimentam meu amor, amo os sons que ela me oferece, amo o desejo que existe dentro dela. Como poderia não amar teu rosto, se é este o rosto do homem a quem eu quero? Pensei na possibilidade de não gostar das tuas mãos ou pernas, ou pés... mas tudo é teu e, conseqüentemente meu, porque te ofereces a mim para que eu te ame. Se este é o teu cheiro, se esta é tua cor, se este é o calor da tua pele, serão pra mim o melhor dos cheiros, a cor mais bonita, o calor mais desejável. Não te amo por isto, amo tudo isto por te amar primeiro. Sim, posso estar equivocada, e terei errado grandemente se todas as coisas que eu passei a amar em você não fizerem parte do homem que vou ver, porque o que quero ver nos teus olhos, boca, pele e corpo não são cores e formas. Eu procurarei neles o teu coração. É isto que eu amo e é o que me interessa encontrar quando meus olhos pousarem nos teus. E sinceramente, acredito que é o que vou encontrar, e acredito que estou certa por te amar assim."

Não, não.... Nada a declarar.




existem cães assassinos à espreita... ao dobrar a esquina...



comentário postado
[eu comento e, ansioso, posto :)

...é... porque a fotonovela era uma 'nova tecnologia', tudo bem de segunda, mas era... você tinha o folhetim já com imagem (um passo pós quadrinho desenhado)...
Claro que, como arte, como estética, o cartoon é melhor e sobreviveu, mas aquilo... foi um movimento... foi legal...
Era entretenimento de empregada doméstica, que as patroas liam à sorrelfa, escondidas.... risos




de vez em quando me pergunto quantas histórias suporta uma vida....



me lembrei agora, quando eu trabalhava na Lola Moreno e o teatro Ginástico ficava vazio...
poucas pessoas...
fim de ato para platéia deserta é fogo!



parece que não editam mais revistas de fotonovelas....
gostaria de ler umas...
vou procurar nos sebos...



a vida promete coisas e não dá.
dá outras que não mencionara
a gente é jogado de lá pra cá.
sem tendência a poliana ou a hiena, não acho graça nenhuma.



desde sexta feira tenho procurado não ler jornais... pelo menos não os cadernos de cidade... imagino que a polícia continue prendendo um ou outro bandido.... imagino que a desordem continue e nossos intelectuais insistam na pregação da paz...
não quero ler.... leio a política e o segundo caderno... qualquer dia, nem isso


16.6.02

alguns filmes sempre me fascinaram:
Laurence (?) da Arábia e sua morte num desastre de motocicleta.
All that jazz, de Bob Fosse, contando sua vida e morte. Só no cinema, assisti dezoito vezes.
Indiana Jones... as décadas de trinta e quarenta são perfeitas para histórias...
O Inquilino... Polanski me impressiona muito... sempre impressionou...
Tom e Jerry, que eu ia assistir ao meio dia dos domingos no Metro [na época 'Passeio'] da Cinelândia quando criança.
A noviça Rebelde...
O Silêncio dos Inocentes...
Seven - os sete pecados capitais
Amnésia...
.... Bom... e muitos outros (conto mais depois)
escrevo porque ontem passou Seven na Globo... Mas, como All That Jazz, tenho minha cópia particular de Seven... :)



não sei exatamente o que faz duas pessoas desconhecidas começarem a correr pelas estradas.
a ida a Itaipava pra levar o tadeu foi muito legal... conversamos pra caramba e a paisagem estava linda... as montanhas daquele vale na parte da tarde são demais.
na volta, de itaipava até petrópolis, vim junto com duas motocicletas daquelas... um BMW e uma Vulcan 1500... dois casais voltando de algum passeio ou encontro...
quando comecei a descer a serra de petrópolis não sei como aconteceu, mas em algum momento ultrapassei ou fui ultrapassado por uma garota num outro astra... de repente vi que ela estava muito colada em mim e liguei o pisca alerta pra avisar que ia reduzir [minha visão de uma curva era melhor]... daí ela me passou... depois eu passei...
ok, estava estabelecido que era um pega. - não sei porquê, mas era.
tomei a frente e vim...achei que logo ela desistiria, mas bastava eu diminuir um pouco ou me distrair e lá estava ela, atrás... num determinado ponto, esteve a meu lado e me olhou desafiadoramete...
ok. acelerei... com algumas manobras deixei-a bem para atrás...
senti um certo prazer em ficar andando devagar, esperando por ela....e, após uma curva..ZAZ! ela me ultrapassou...
lá fui eu atrás, até ultrapassá-la novamente...
estive quase o tempo todo na frente, mas ela não deu mole, dirigia pra caramba....
nos perdemos no pedágio...
que coisa maluca....



estou ensinando ao Tadeu a fazer um blog


15.6.02

Naipaul me levará [novamente] onde desejo estar de visita....



ao lado de sartre, vinicius sempre foi meu mastro....
já escrevi, filmei e gravei muito sobre ele...
e essa semana mostro um pouco do que fiz... :))



recebo a correspondência de quem saca falando da minha confusão para falar de sentimentos... de como as palavras brotam e se atropelam de forma confusa, descontinuada... vou lá e releio o texto... putz.. nem eu entendo.
e não é a primeira vez... sempre que falo de sentimentos, dos meus ou das minhas expectativas minha cabeça dispara e eu corro atrás, num pré-enfisema literário onde joyce [além de gênio] é mais bem sucedido...
...
não sei o que faço com isso...
porque são coisas que eu vou colocando baseadas em momentos e sensações diferentes que EU sei onde se encaixam ou não... mas daí a contar...
hoje com certeza não é o dia próprio pra entrar nessa porque minha cabeça está cansada, mas eu volto. republico tudo, vou me entendendo e explicando.
antes, cabe dizer que tratei de duas coisas diferentes: a possibilidade de uma relação 'perfeita' que não existe, apenas para quem vive [e essa dupla tem que ser, antes de tudo, sublime - totalmente sublime - o que raramente se é] e...
outra coisa são as minhas expectativas diante dessa vida parceira. Sim, porque eu acredito na vida parceira.
...
e mais: desdenho quem não acredita.
acho que o suicídio é o fim de qualquer ser que não acredite na vida parceira.
não precisa nem pensar, basta olhar a história...
....
mas isso não vem ao caso nem tem nada a ver com o que eu contava.




ao contrário do que se condicionou por causa do cinema, eu insisto: o silêncio não é dos inocentes.



entre outras coisas ótimas que fiz com o tadeu, por estar com ele, fomos assistir O Homem Aranha...
tudo bem super bem feito...dos melhores....
...mas chato.. chato, chato, chato...
duas horas de filme que, reduzidas a uma hora seria um show, o melhor filme do gênero de todos os tempos...
bacana como ele seguem o cartoon... a verdadeira história em quadrinhos... bárbaro...
mas chato



é um momento muito complicado.... ou melhor, delicado...
é bom estar atento aos movimentos...
dos astros, dos mares, dos olhares...
não estar prestando atenção nem tomando conta...
entregar-me à vida, mas como ela quer, consciente...
enquanto sou



eu tenho muitas tristezas e, principalmente, muitas, muitas decepções na minha vida.
Mas tem uma coisa que supera tudo isso: é o tadeu!
meu filho é a vida no sentido mais amplo que eu conheço.
sinto por não ter dado tudo certo desde o início...
mas... as coisas se arrumaram.. a vida encaminhou a mãe dele...
encaminhou ele... são um universo à parte... que eu olho com orgulho.
pra caramba.



há um certo descontrole


14.6.02

vez ou outra há um certo descontrole... isso, uma falta de controle sobre o todo... não uma perda total... não.... perde-se o controle ora numa coisa, ora em outra... uma pessoa..um sono ou insônia fora de lugar... uma estrada com encruzilhada... um barulho no carburador da motocicleta... uma frase num livro novo que li lá atrás, não sei onde...
a perseguição ao sublime...
a tentativa de entender e encontrar à partir do ponto que jean-paul se perdeu...



rola uma inquietação *Luísa... não sei ainda bem te explicar o que é.... você tem razão, não é o que eu disse, claro. claro que não.
é verdade também que retrocedo ( e como, menina!)
mas não é uma coisa muito agradável andar e retroceder, andar e retroceder... me dá a idéia de andar em círculos...
me lembra o mito de sísifo... me lembra camus...
se entro na terra dos mitos, perco meu centro [espero que me compreenda]. o tempo não pára. meu tempo não.
parece que à volta tudo e todos se refreiam... cada um com seus justos motivos e pensam em si...
compreendo ainda... mas não quero assim
o mundo não é o mundo. o mundo é o meu mundo.
porque se não puder dizer que o mundo é meu, como posso ter clareza da vida, compreende? não é uma questão de posse nem de querer mandar... não é isso.
falo com meus filhos e vejo que crescem e se afastam... têm lá seus rumos... - não verei, provavelmente, quais serão...
mas isso não faz a inquietação passar.



um deles pára.
- o que foi? - pergunta o outro.
- O Mau. Parou. Deve querer mijar..
os dois rapazes ficaram parados. o animal não se mexia. seus olhos se mexiam... as pupilas ora aumentavam, ora diminuiam.
levantou o canto esquerdo do focinho... o dente canino apareceu.
salivou.



é curioso como não se tem clareza de que a única coisa que não é uma possibilidade e sim uma certeza é a morte.



análise de hoje cancelada na última hora... forte gripe no mestre... e sempre nos perguntamos quem é o mestre de quem e rimos...



na volta, desvio o caminho para casa e passo em ipanema pra conhecer a nova filial da Livraria da Travessa... super legal, daquelas que você fica, fica e não sai mais...ella fitzgerald canta garota de ipanema, wave, he's a carioca, a felicidade... largo os livros e vou ao balcão.. é o CD 'Ella abraça Jobim'.... putz... isso é um orgasmo! .. volto, pego 'correntezas' de frances fyfield e 'por que ler os clássicos' de calvino (todo grande autor escreveu, como Fausto, o seu "Por que ler os clássicos"...) e resolvo não esperar o outro livro que o rapaz foi buscar na outra loja... mando um cartão (mês que vem eu vejo)..pego tudo, me jogo na moto e me mando pra casa.... agora escrevo ouvindo ella cantar aqui, pra mim somewhere in the hills (favela) "quando derem vez ao morro toda a cidade vai cantar..."...yes!



desde o início da semana carlos está trabalhando conosco, preparando um longo trabalho que estarei disponibilizando dentro de dois meses ou três... carlos é sério e competente. trabalha com afinco e dá conta de todas as tarefas que eu passo, principalmente na parte da pesquisa sobre o canto de Homero...
o resto do pessoal não simpatiza muito com ele, mas eu pouco me importo. não me interessam simpantias ou antipatias no trabalho, tenho tarefas a serem executadas e prazos a serem cumpridos... hoje tivemso um fim de tarde tranqüila e conversamos um pouco mais... marcela, eu e o sr. T. - lá pelas tantas, carlos começa a falar das saudades que sente de são paulo, das condições de trabalho e da vida em são paulo... todos nós ouvimos até onde deu....
esse papo de dizer que são paulo é isso e aquilo... bom, tem coisas que são mesmos inqüestionáveis... o pessoal de são paulo trabalha muito e, para a classe média alta, existem muitas possibilidades de diversão e casas de cultura...
e aí começa a discussão, de pólo gerador de cultura...
bom, a coisa não acabou muito bem, quando mostrei a ele que, apesar de fantástico, são paulo inteira é provinciana, o interior de são paulo é o mais tolo do brasil e a capital....
porque não é uma questão de criticar nem de competir... mas o centro cultural, a capital pensante do país é rio, qualquer analfabeto sabe disso (ainda que as sedes de todas as grandes empresas estejam em SP por motivos óbvios)...
essa história não vai acabar bem... para ele, é claro.



Antonia desde um ano de idade gostava de cães... todos... logo, Célia teve que comprar uma para a filha. e tornaram-se inseparáveis... por 8 anos foi assim.. dia 23 antonia brincava, sob o céu nublado com seu cachorro na porta de casa... os dois rapazes desciam o beco e riam muito, ainda bêbados da noitada inacaba.... um deles, o mais forte, passara em casa´para levar seu animal à rua...
nenhum de nós preta muita atenção aos olhos de um cachorro na rua.... conhecemos bem o olhar de um tubarão branco, mas não o de um cão... assassino!
depois eu conto o resto e quinta feira eu concluo...



na grande maioria das vezes, misturo as histórias que escrevo com as 'realidades' que mostro em outro meio... me divido e me perco... pois uma coisa não bate com a outra... insisto com o analista por um diagnóstico de esquizofrenia [salvo conduto para a criação e felicidade plenas], mas ele insiste em sorrir e negar



No fundo, eu sou um confuso cavo, renitente...



sonhei muito, digo, lembro muito dos sonhos que tive essa noite... era uma discussão sobre o que fantasiamos e o que essa palavra "fantasia" quer dizer extamente....
'o que é a fantasia senão uma paixão onírica?'... acordei... ou seria o contrário...
quais sãoas relações entre o sonho e isso que chamamos fantasia? porque se o sentimento e a certeza de for sempre uma 'fantasia' teremos que optar sempre: ou abandoná-las de vez e viver acordados eternamente ou embrenhar-se num sonho sem volta, fissura com essa realidade, ou a dita esquizofrenia.



penso em como criar uma cena de terror para o programa... um assassinato... suspense.. cães que matam.... VOU FAZER !



o que é ser sublime?
tem um momento quase inverbalizável, quando você encontra determinada pessoa e ela é a pessoa. essa é uma possibilidade que sartre rastreou, mas não conseguiu vivenciar na plenitude.
á a possibilidade do encontro onde cada momento é uma ilha de máximas... um momento especial, total... onde você é inteiro e absoluto e e outro também. possívelmente esse momento não se repetirá, como nunca houve outro antes...o amor corre em paralelo ao que você vive, porque ninguém pode esperar que o beijo de hoje se repita em intesidade e prazer amanhã. amanhã é amanhã, não existe hoje. quando amanhã for hoje, beijarei novamente e será uma experiência nova. poderá ser um beijo melhor do que o de ontem ou não... e só será bom se eu conseguir não compará-lo com o de ontem... porque você atinge um determinado estágio de afeto, de dar-se e receber que impõe não dar nem receber nesse sentido comum. nesse, você espera que se repita e, por não se repetir, fracassa consigo mesmo. porque a gente pode ter relações várias de afeto de formas diferentes, distintas e o que é bom com um é bom com outro também, mas na sua justa medida, considerando que é outro e, portanto, incomparável...
e a relação de posse existe, atávica. quebrar esse elo, transgredir... essa é a palvra..mais, essa é a atitude e difícil por ser uma não atitude e sim um movimento interior que, ainda, é um não movimento.
algo como planar, como perder a atmosfera e vivenciar cada momento como único e, ao mesmo tempo, sem medo do amanhã, sem expectativa para o amanhã porque amanhã não existe até chegar. mas como conseguir esse estágio de postura? não existe maneira nem regra. ele acontece ou não - e é raro. Raro não por culpa das pessoas... não se pode destruir todo o conceito construído em centenas de mihares de anos...
transgredir, nesse aspecto é fundir-se num outro ser que não é o 'você' conhecido por si mesmo nem o outro idealizado por aquele você 'que imagina'.
é compreender que só agora você beija. daqui a alguns segundos você beijará, mas será outro momento, outro beijo, outra possibilidade e essa é a mágica da vida, de ser outro, outro, outro... não se repetindo jamais, ainda que sempre com a mesma pessoa.... com a mesma pessoa sempre, ams sabendo que essa pessoa pode não estar amanhã e voltar três dias depois e você é o mesmo porque tem esse afeto, esse estado sublime em relação a si e ao outro que proporciona um elo que não se desfaz...
e v. trata desse elo não como aquelas receitas de 'regar para não morrer' porque não há o que regar... não é necessário regar algo que não precisa de água nem é teu... a planta que busca sua própria água - e essa água pode ser você - ou não...
esse mundo onde você se realiza e é pleno é ao lado de outro ser que seja como você e enetenda que esse momento em que são é um momento que deixa de ser logo a seguir. e a constatação dessa obviedade, por vocês seresm sublimes, não afeta tua tranqüilidade, não cria medo nem dúvida nem insegurança nem posse porque nada disso se pode ter, já que ao sentir... ao sentir já passou, já escoou entre os dedos.
e existe essa pessoa? existe. e você conhece essa pessoa? não...porque ela é única para ela mesma e para o outro e essa relação não é preestabelecida, ela se contrói...você constrói com o outro... esse outro que não é seu por que nada é seu...
'o máximo que podemos fazer é tocar o outro'...
além disso, tudo é hipótese, tudo é fantasia, tudo é desejo [que pode ou não acontecer], mas não acontecerá como na fantasia ou não seria ela e sim realidade e a realidade só ocorre quando ocorre e morre em seguida quando chega o novo... com o mesmo ou com outro.


13.6.02

A KGB já teria prendido e matado Elias Maluco



dos blogs que retratam a baixeza humana

existem coisas qua demoram um tempo a se encaixarem, a tomarem seu espaço e rumo corretos.... no início, todas as home pages eram interessantes, olhávamos todas cheios de curiosidade, pois navegar era preciso e quanto mais, melhor.
..
situação análoga é a os blogs hoje em dia... demoramos um pouco a conhecer e fazer blogs.
hoje existem milhares e muitos, muitos, excelentes. não é para ditar regra ou coisa o que o valha, o que seria estultice, mas o blog é uma leitura ora divertida [quando conhecemos as histórias de cada um], ora é meio de difundir cultura, idéias, opiniões, cultura, debate... o que acaba se incoporando à nossa cultura geral.... creio que é tão importante ler um blog, quanto assistir a um jornal televisivo ou ler uma revista semanal...
entretanto, como de resto, existe o lixo. aquelas pessoas menores que utilizam o meio e o formato para perpetuar a coisa ruim, deprimente, efêmera, a pregação eterna da descrença, da coisa pequena.... e é natural que seja assim.
mas, da mesma forma, que temos critério e bom gosto na seleção de programas de televisão, filmes, livros, teatro etc... já é necessário incluir essa racionalidade aos blogs... quem lê o Estado de São Paulo, ou O Globo, não lê O POVO, certo?
Quem assiste bons filmes na televisão,outro exemplo, não é o mesmo público do Ratinho.... quem compra livros da Alice Tamborindeguy não é o mesmo leitor de Cervantes... e por aí vai....
passada a euforia da novidade, é chegada a hora da escolha, do refinamento do que é um blog ou é sujeira pura



já sei que preciso falar sobre os livros, sobre a literatura policial... não esqueci... é falta de tempo mesmo, mas eu chego lá.


12.6.02

90% dos moradores das favelas do rio de janeiro, de uma forma ou de outra são cúmplices do tráfego de drogas, dos traficantes, desse exército poderoso. aliás, é justamente o contrário: exatamente pela cumplidade de quase todos os moradores é que os traficoérc poderosos.
90% dos moradores de favelas do rio não nasceram no rio ou, seus pais não nasceram. ou seja, gente despreparada que vem para o rio achando que vai encontrar por aqui um maná, uma fonte mágica de riquezas e, quando vê a realidade, acaba nas ruas ou nas favelas.
os moradores promovem festas com mulheres e criaças na frente de onde pode haver ofensiva policial. quando acontece, morrem mulheres grávidas e crianças e os intelectuais de plantão aqui de baixo, nos bares do leblon tomando chope dizem que a polícia não é preparada, que é brutal. só mudam de idéia, esses formadores de opinião, quando estupram suas filhs ou roubam-lhes tudo, desde o carro importado até as cuecas...
o que existe por aqui é uma sociedade paralela, uma sociedade bandida que tem os mesmos poderes de estado. quando um bandido comete um assassinato não o faz simplesmente, como cabe a um bandido. não. ele reúne-se com alguns membros da sociedade, julga, condena e executa seu 'réu'.
não há dúvidas de que a falta da presenta atuante do estado junto a essas comunidaes ajudou a chegarmos a esse ponto.
da mesma forma que não existem dúvidas que somente a ação enérgica, pela força, dobrará essa pseudo sociedade.



uma das coisas que eu acho bacana na net - e especialmente nos blogs - é poder trocar idéias, dircutir e fazer amigos, como a Marília que envia e.mail carinhoso....eu não vou explicar aqui em como eu e ela conseguimos conversar sobre eletrodos, napalm, livros policiais, experiências com chimpanzés, d.benta... tudo ao mesmo tempo... mas nós conversamos.
Ela, do lado ético.
Eu, do aético :)



tenho convivido de perto com todas as especulações, todas as opiniões e revoltas no caso do Tim Lopes.
E não gosto de fincar uma só opinião...
fico me perguntando se a organização globo deve ser crucificada pelo ocorrido...
era um acordo... um emprego... ele não era coagido...
a discussão é em torno dos métodos utilizados... ora, essa é uma questão maior, mais profunda...
não sei se apenas o empresário tem que ser responsabilizado pelas tragédias que possam advir de uma profissão de risco...
o que eu vejo hoje é a globo ser execrada como se ela tivesse executado seu repórter... não foi exatamente assim..
porque a gente tem que tomar cuidado... existe um sentimento enraizado de raiva de tudo que venha das organizações globo...
aquela coisa toda do imperialismo americano... da frieza e tal... é moda, é bonito, é chic, é bacana falar mal da globo
ora... na verdade trata-se de uma das empresas de comunicação mais bem sucedidas do mundo... seus funcionários praticamente não têm queixas.... imaginemos que um pequeno avião, cai com um fotógrafo.... ou ainda que, para chegar a determinado lugar ele seja obrigado a pular de páraquedas (ainda que não tenha o treinamento necessário)...
é bom lembrar que o bom repórter e principalmente o ser humano gostam de fazerem coisas além do que estão preparados... para serem os melhores, os mais bem remunerados... e isso me parece natural...
não sei...
acho que é necessário deixar a emoção baixar um pouco e pensar sobre tudo isso com um pouco mais de frieza...



engraçado que a febre sempre foi tema de poesia...
porque o poeta desde o início sempre necessitou simbolizar o calor do que vai na alma..
aliás, o poeta faz associações estranhas... a febre ao coração por exemplo...
percebe no coração, órgão burro, músculo chinfrim, o centro dos sentimentos... e eu compreendo.
se o cérebro raciocina e se raciocinar tem lá o seu quinhão de frieza... não pode estar associado ao amor ou ao ódio..
fala muito o porta também da alma, ainda que seja ateu.
principalmente sendo ateu porque aí encontra o depositório de um sentimento inexplicável num ambiente irreal
como se o amor estivesse fora do ser, no produto alma que ele não crê, ainda que morra de amor.



Meg pergunta porque não faço comentários em seu blog...ousa perguntar se eu o acho humilde demais...
Ora, Meg, eu vou ao seu blog, bebo e posto aqui... :)
Quando ao Lello Universal... tá todo mundo certo... tenho em quatro volumes também (capa marron)
creio que existe em volume único também... :) mas o lello hoje só serve pelo valor táctil...



Wendy
Já perguntei por aqui duas vezes quem é Wendy.... muitas hipóteses e teorias.... amigos visitando...
mas parece que não acertam.... eu diria que uma pessoa, num outro post, sem o dizer, disse. mas essa, bem sei vai se calar até o momento oportuno.
Quem realmente chegou perto porque ainda tem a capacidade de ver, mesmo não vendo, foi o Thomás, de cinco anos.
Acho que quero conhecer o Thomás.... bom, não precisa. ele não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ele é.
ele é o que sabe porque diz. sabe porque ouviu falar ou leu e assimilou e entendeu que aquilo não era história e se era era possívele, portanto, verdade. por isso ele responde rápido, sem pensar...porque verdades a gente sabe... e diz.
Portanto, ainda que não sabendo exatamente [até porque isso não o interessa], apenas Thomás sabe quem é Wendy.


11.6.02

quem é wendy?




quando eu era jovem, talvez 17 anos [ e lá vai tempo]... eu trabalhava na tv globo e, no meio de uma gravação [dia do meu aniversário] zilka chegou, como quem não quer nada, radiante [como sempre] em felicidade com uma pacote para mim...
abri.... e quase caí pra trás.... era uma edição fantástca do Lello (capa vermelho-escuro em dois volumes!!!)...
Conto isso porque, feliz, leio os posts da Meg :)
...
hoje, sou um cinqüentão precoce
e zilka... próxima do fim...
depois eu falo mais



ontem fiquei gravando as entrevistas de estúdio para o programa os dez mais que vai ar depois de amanhã... convidei Fritz Utzeri para falar sobre o caso Tim Lopes, como convidei também a juíza Denise Frossard e o escritor e jornalista José Louzeiro. Todos deram depoismentos emocionantes. Fritz que, coitado, esperou mais de duas horas para sua vez de gravar deu um depoimento firme, concreto, absoluto. Disse muitas e muitas coisas ( nem sei como farei para cortar na edição) mas uma coisa calou fundo:
"O que temos é a velocidade da informação. A velocidade pode mudar alguns rumos... No caso do Tim... ele ficou de voltar ao carro e não voltou... se, DEZ MINUTOS após seu desaparecimento a TV Globo entrasse com uma edição extra dizendo que o Tim estava sumido na favela, talvez ele não morresse... os bandidos saberiam que a sociedade estava olhando para lá...Mas não... a Globo calou-se por dois dias. Dois dias!" - esse depoimento, com certeza, eu coloco no programa....



Luísa é o que chamaria de uma Amiga Resistente. Ela gosta do que eu digo, como eu gosto do que ela diz. Visitamo-nos mútuamente e gostamos do que vemos - o que não significa concordar com as opiniões.. Mas o que são opiniões senão 'meras opiniões'? Para isso estamos aqui. Para falar. para trocar.
Veja o exemplo do post em que eu comecei a falar de literatura policial e parei porque me telefonavam de todo o lado, não me deixavam pensar [muito menos escrever] e eu tive que parar.... nesse meio tempo luísa entra a acrescenta informação, conteúdo, me ajuda... em seguida entra novamente com 'sorry' ;( achando que eu disse que parara porque estava sendo atrapalhado... ora, ela achou que era ela...
Luísa, discordar tudo bem, agora 'Amiga Resistente' não... deixe que eu sozinho já crio as dúvidas, incertezas e digo quem é chato...
Trata de me ajudar e não ficar aí 'achando' que eu issou ou eu aquilo...ok?
beijo ;)



vejo e leio pessoas que brincam, têm senso de humor, mas têm sentimento, se chocam o que acontece de bárbaro
outras, orgulham-se da desinformação e riem, riem, riem - hienas de si próprias.



quem matou, aprisionou e torturou mais? Fidel ou Fleury?



quem sabe mais?
o que lê mil livros ou o que percebe a bruma e a mudança das cores do campo?



o que determina o grau de maldade de um ser humano? a quantidade de pessoas executadas ou a qualidade da execução?
quem foi pior: hitler ou o 'não sei o quê maluco', que tem um 'microondas' no alto do morro?



está se formando uma geração de técnicos idiotas que 'se bastam'. não querem saber de mais nada.
a informática inventa a roda, mas quem nela trabalha, não sabe que gira.



otto lara: "O homem é triste porque morre..."
nelson rodrigues: "Não... o homem é triste porque vive..."
quem não leu otto lara precisa voltar para o ginásio.
quem não leu o nelson, para o pré-primário



definitivamente eu não tenho paciência pra ler estultices em blogs.... já basta a vida... :)



leio nos jornais que existe um movimento, uma conscientização cada dia maior em toda a europa com o problema da migração.
os países desenvolvidos perdem toda a capacidade de sutentabilidade, de equilíbrio quando 'invadidos' por grande contingente de imigrantes despreparados em busca de melhores condições de vida. não conseguem nada para eles próprios e desestabilizam a organização do país que escolheram. sempre foi assim e sempre será.
o problema é que hoje em dia não podemos pensar friamente em soluções e/ou discutir alternativas para o problema - que existe - porque logo somos condenados, taxados de segregacionistas, nazistas e essa bobagem toda.
não é nada disso. não sou contra nem à favor de uma pessoa procurar melhores condições de vida onde bem lhe aprouver. pelo contrário, todos os países se beneficiaram com a imigração, com a troca de informações, de culturas... não é isso.
estamos tratando de coisa diferente. estamos tratando de países não investem em emprego e educação deixando que o povo (semi bárbaro) migre para lugares estabilizados. o resultado tem que ser ruim!
o brasil, por exemplo: não existe uma política de prender o homem ao campo, dando-lhe oportunidade de uma vida razoável... por isso são paulo tem vinte milhões de habitantes (mais)... copacabana tem um milhão e meio de habitantes! a amazônia inteira não tem isso.
o que acontece? estresse, pânico, criminalidade.
o que isso tem a ver com nazi-facismo? nada. quem pensa assim é boçal, descerebrado.



coisas estranhas e curiosas aconteceram na frança ocupada pelos nazistas da guerra mundial. interessante.



eu, atrasado, como sempre, estava lendo hoje uma resenha da Isto é de anteontem... fico impressionado como os caras falam coisas sem lastro [e acreditando mesmo no que estão dizendo] !
tenho falado sem parar do xangai baby e no bombons chineses, como dois livros comuns quase ordinários...
e vem a revista dizer que mian mian, autora de bombons chineses mostra o que existe de sórdido, do submundo, das drogas e prostituição na china... ora, ora.... a garota lá escreveu, o livro foi proibido (O que um governo comunista não proíbe???) e o mundo publicou graças à nossa "liberdade de expressão e democracia".... qual ! .. são dois livros de terceira categoria...
qual é o barato de dizer que a china é um paraíso de drogas, prostituição e crimes? tudo bem, países não comunistas também o são. a diferença é que o governo menos ditador não proíbe... só isso
agora, o que eu acho engraçado é que os 'progressistas'... os politicamente corretos, socialistas e tudo o mais, falem mal da ditadura brasileira e lutem por ideais comunistas que, como se vê, proibem até merdas como 'bombons chineses' !!
Frei Betto, na China não escreveria uma linha! Dias Gomes também não! Jorge Amado também não!
Então, o que realmente se deseja? O que é ser progressista, ser de esquerda?


10.6.02

wendy não é uma possibilidade... é uma conclusão súbita, mas à tempo, do óbvio de dois.
realmente é inexplicável e 'louco', nesse sentido comezinho da vida, nessa expectativa 'plausível' e 'previsível' que temos da vida.
nesse aspecto não tem lógica, é irresponsável... mas não é.
porque a responsabilidade e o acontecimento não se baseia, como pensam, no previsível, mas, antes, na atitude plena diante do que acontece na alma e no corpo.
é tão provável quanto o eleito entre milhões para a fecundação... e nem por isso pedimos prudência a deus...
fecundamo-nos.
e é só.



quem é wendy?



a literatura policial, como a infantil, sempre teve um papel coadjuvante nas estantes literatas.
já falei sobre isso aqui.
e não é verdade que seja uma literatura de segunda. creio que, na maioria das vezes, os maus autores tenham mais facilidade de escrever sobre temas chocantes, como assassinatos e essas coisas... no mais, existe a má literatura em todos os campos...
de qualquer forma, existe um movimento crescente, principalmente dos anos 40 para cá, de grandes escritores lançando policiais cada vez melhores, com personagens cada vez mais bem traçados, mais compostos psicológicamente...
vai ficando para trás os tempos de Agatha Christie e toda aquela coisa que não se podia dizer ruim, mas era apenas 'a literatura policial'.
Simenon foi um dos que ajudou a mudar esse quadro [apesar de toda a crítica a que muitos dos seus personagens não tenham um perfim razoavelmente caracterizado]... P.D. James ocupa o lugar de senhora inglesa, grande dama do mistério policial no lugar de Christie, mas há uma diferença fundamental de qualidade entre as duas. P.D. James é uma grande escritora, o que não era a criadora de Poirot...
carmem posadas é excelente...Montalbán.... e agora descubro o sueco Henning Mankell.... e tantos outros...
...
depois eu completo esse texto.
tenho que cuidar desse pessoalzinho que quer ser mais importante do ue o tim....
que quer ser a estrala no lugar dele. pfui!


9.6.02

NADA MAIS A DECLARAR





Muito bem.
Conseguimos. O governo do Rio de Janeiro conseguiu.
A indolência do povo, a incapacidade de manifestação....
O pouco caso do governo federal... os que acham que violência gera violência...
os que acham que os direitos humanos devem ser preservados antes de tudo;
os que acreditam que os marginais são vítimas de uma sociedade injusta, excludente.
Todos conseguiram, com a morte de Tim Lopes, por ser jornalista
que o mundo inteiro, todas as organizações mundiais exijam do Brasil um basta à impunidade
um basta à insegurança.
Tim virou um mártir.
Se a reação não for agora, merecemos perder a soberania nacional e deixar que forças tarefas internacionais atuem de forma correta, destruindo toda a rede de criminalidade aceita, assumida pelo ostracismo do povo brasileiro.



o nível de barbárie a que estamos submetidos leva a um estresse além do já assimilado pela mente humana.
existe um pavor, um pânico, um terror no fundo de cada olhar, no movimento impreciso de cada gesto que funciona e, pior, funcionará como uma bomba-relógio..
não existem medicamentos nem terapias, nem explicações nem promessas que acalmem o que vai pelas almas do povi do rio de janeiro.
não há mais espaço para discussão fútil. trata-se agora de procurar entender o que é razoável para o estado. o que é possível ser feito, dentro dos limites da legalidade e da sociedade democrática.



Confirmado: Tim Lopes foi torturado e queimado!

A Polícia do Rio de Janeiro acaba de confirmar que o jornalista Tim Lopes, de 51 anos, foi assassinado. De acordo com depoimentos de dois dos quatro suspeitos presos hoje no Morro da Caixa D'Água, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o repórter da TV Globo foi capturado no último domingo, baleado, torturado e assassinado pessoalmente pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, que está foragido.
...
Com a palavra o pessoal dos Direitos Humanos, os defensores do Excluídos




pecador de mim, faço essas coisas que outros não fazem [ou, na maioria das vezes, não dizem] e passo por arrogante [ainda bem, porque sou mesmo].
mas o que se pode esperar? acho que é uma prerrogativa que as cicatrizes dão....
ou talvez não seja prerrogativa nenhuma sim essa indiferença pelo correto que eu tenho... quase uma mania...
não sei... realmente eu não tenho essas certezas... tenho outras...
..
todo o meu ser está voltado para outra coisa, para outra proposta
porque tem essa história das propostas, ainda mais quando elas vêm assim, de maneira sorrateira, sem culpas...
e me perguntam: mas por quê? por quê?
caramba, eu fico pensando a resposta certa ou a melhor ou a possível...
por que eu tenho que saber? de onde se tira que eu sei?
eu sou. eu sei que sou. o porquê.... não sei...
da mesma forma que sei que és...
e vejo o quanto de responsabilidade levo nisso
...
aliás essa história de responsabilidade é engraçada porque muitas vezes [a maioria], as pessoas tratam a responsabilidade como algo sério, ruim, cavo....
e não é. a responsabilidade é o lado adulto da irresponsabilidade que, por sua vez, é o lado verdadeiro do homem, na medida que o projeto de 'responsabilidade' como tal, seria uma coisa nelsonrodriguena ao contrário...



prefiro eu ao não-eu



uma coisa pra lá de neurotizante é quantidade de jornais, revistas, livros e outras coisas que v. tem que ler por dia.... caramba, não dá tempo... quanto mais você lê, mais chegam informações e .... isso não pára...



agora você vê..... a nanda, meio sapeca diz que eu sei argumentar.... sei nada, menina!
você não vê como eu apanho feito boi ladrão? :)
na verdade quem argumenta, ainda que em silêncio, placidamente, é você...e mais.... você sabe...


8.6.02

em determinados momentos da vida, temos que ter antes de tudo, muito antes de qualquer outra atitude, serenidade, muita, para não deixar que nada se perca... a ansiedade, ainda que aquela benigna, pode atrapalhar... digo isso pra mim mesmo e para você também... é preciso união, calma e sensibilidade para perceber o momento, a importância, a vida...



pra fazer a matéria dos 'dez mais' sobre vinhos li algumas coisas, fiz algumas pesquisas de imagens e entre uma coisa e outra, num papo legal com elsa mendes, ajornalista, ela me contou que estava lendo 'Vinho & Guerra' de Don e Petie Kladstrup.... ela me descreveu o livrinho e saí em busca... estou lendo e é delicioso... muito interessante saber oq aunto (meio milh~ão de garrafas) Hiyler guardava de vinhos franceses na Paris ocupada, bem como as escaramuças entre a Resistência e o pessoal do Reich, salvando, escondendo e roubando vinho - numa atividae febril durante a II guerra.... bem legal...



as coisas se confundem e deterioram quando misturamos nossas sensações com o que temos virtualmente... temos virtualmente porque esse é o meio e não por premeditação... quando necessitamos da realidade surge o impasse... que fazer para possuir essa realidade? implica em decisões? decidir é difícil e assustador? sim, acho que sempre é e sempre será... aí surge um componete novo que é a decisão.
é possível tomar qualquer tipo de decisão avaliando algo ou alguém de forma não presencial?
eu não sei.



'O Quarto do Pânico', de David Fischer, com certeza não é um filmaço, nem essas coisas todas... mas tem um bom roteiro, um show de câmera (pelo menos três movimentos 'arrasadores' e vem corroborar aquilo que eu falava sobre o movimento Dogma. Este filme, por exemplo, tem apenas cinco personagens, é previsível, se passa dentro de uma casa (praticamente dentro de um quarto), mas não é aquela coisa chata e mal feita do dogma... é cinema de verdade.... e com a delícia do bandido ser o heroi... no mais... clichês e uma Jodie Foster incrivelmente velha...



MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
Fernando Pessoa
...
depois explico porque coloquei esse poema aí.







não tenho dúvidas.
se leio 'Xangai Baby' de Wei Hui e 'Bombons Chineses' de Mian-Mian é apenas para conhecer o que se faz de literatura 'moderna' e escrachada, pulp fiction e sexo barato na China. Os dois livros são um lixo e, proibidos pelo partido comunista chinês, são lidos em edições clandestinas por todo o país.... eu só queria entender o que os censores vêem de mais nesse lixo cultural que, de maneira tosca e primária trata de sexo e drogas...Pfui!



exitem dois tipos de demônios: o vulgar, que é rastaqüera, néscio, frustrado e burro ( e este serve à toda a ignara, à toda a pautuléia) e o demônio interessante, o demônio de Dostoiévski, o demônio motivador e fantástico de Rudyard Kliping, que está sempre de olho no que os inteligentes e atentos fazem... e, à esse, devemos dar a atenção devida, pois apesar da alcunha de demônio, ele é atento ao que é do bem, ao que é estética, ao que é arte, ao que é informação e despreza a toda vagabundagem barata...
O demônio de Rudyard Kliping está a meu lado, olhando os blogs e perguntando.... muito bem... escrito está, mas para que serve esse lixo?



disfarçadas de piadinhas de fim de madrugada, alguns poucos blogs começam a lançar nessa alternativa de difusão de idéias uma semente má, doentia e canalha...
enquanto a maioria é difusão de idéias, de informação e cultura, espaços para a discussão saudável, vêm das salas de bate papo das 'balzacas solitárias' essa coisa que vai chegando, meio de brincadeira, essa teoria de desprezo à família, ao homem, à sinceridade... vem chegando a brincadeira da descrença no amor.... vem chegando devagar, mas chegando....
creio que está na hora de começar a alertar quanto a esse processo, porque ele vai acabar se infiltrando.... estou enviando e.mails para pessoas normais e atentas à verdadeira função da internet para iniciarmos uma frente ampla, não censurando, mas deixando claro aos incautos, que a gafiera eletrônica, a depressão disfarçada em sorriso efêmero vem se chegando... é hora de colocá-los num gueto às avessas, como a antiga zona, onde 'só vai quem quer'....



Ontem publiquei o mail-resposta da querida Marília colocando suas posições; Que, aliás, concorda em setenta por cento do que digo, apenas dito com palavras amenas. Portanto, ele aí está e não cabe a mim qüestionar demais. farei então pequenas observações aleatórias:
- quanto a ter se formado psicóloga e fazer a sua parte eu acho super bacana, mas quantos podem formar-se? Trabalhar no CVV tb seria uma alternativa, mas é voluntário e as pessoas pecisam comer...
- ...Psicopatas irrecuperáveis devem servir de objeto de estudo, para que a gente compreenda e previna melhor eses casos ­ manicômio judiciário " - veja Marília o que é o debate... dia desses li a marina w, feliz noticiando que num país qualquer do primeiro mundo surge um movimento, uma lei que proíbe o uso de animais para estudos... já v. acha que humanos psicopatas servem para estudo.... gozado né?
- políticos e policiais (esses tb despreparados) ecorruptos são um mal, nunca disse o contrário.... aliás eler emergem do mesmo povo onde brotam facínoras.... e a melhoria de todos é um ideal que compartilho... trato aqui, apenas da situação atual... do camarada que mata e, com requintes de maldade, incendeia as pessoas [não para a ocultação de cadáver, mas como exemplo da sobrenia marginal...]
- frei betto é um totalitário stanilista, treinado em moscou e jamais contrinuiria com nada, apenas estimularia [usando outros adjetivos, evidente] a mais violência e, nome do social...
- sou totalmente à favor de que apenas através da educação melhore-se uma civilização ou um povo... meas educação demanda tempo e dinheiro e estou falando de um caso objetivo... quem está carregando fuzil AK-47 nos bailes funks e prostituindo meninas de 9, 10 anos não quer escola...
- quanta a ser minha terapeuta, aceito por antecipação [embora já dê trabalho a um].... podemos fazer umas sessões por e.mail.... estou aberto a me descobrir mais e mais...
... e é isso... v. repete que compartilha das minhas idéias, que entende o que estou falando , etc... que bom....
P.S. - Quanto ao napalm, creio que exagerei mesmo... acho que basta a polícia subir fortemente armada e matando indistintamente até o 'pessoal ver que não é brincadeira, que a população está farta'.... bom que a luíza não desistiu e que vocês se encontrarm por aqui... beijo :)



Muito bem: chegou a autorização da Marília para publicar o E.mail que me mandou.... Como disse anterior mente concordo com muita coisa e discordo de outras. Agora, apenas o publicarei, e colocarei minhas qüestões mais tarde...
Ainda: esse e.mail vem à propósito do meu post ( e os comentários) de quinta,6 de junho às 03:55..

De marília
Para Geraldo
Respondo pelo email para não entupir sua caixa de comentários, pois isso ficou comprido pra caramba.
Marília,
Bom, pelo menos v. se revolta [o que já um início - frágil, mas é...]


Geraldo,
Bom, pelo menos você dialoga (o que já é um início ­ frágil, mas é...)
;-) Brincadeira... mas que é difícil conversar com você, ah, isso é. Só mesmo a Meg, mas essa é meio santa...! O que complica é que se a gente tenta defender uma posição um pouco diferente da sua, você nos coloca no mesmo saco, da "correção política", dos petelhos de branco que abraçam a lagoa, o ibirapuera (só não abraçam o tietê porque ele é comprido) ­ e aí fica difícil conversar. Não estou negando o que você diz, mas questionando algumas posições mais exageradas como a do napalm ­ que me parece mais provocação do que a sério, em busca de debater e polemizar. Meu tipo de correção não é política, mas ética, e aí vai uma grande diferença: Procuro ser coerente com os meus princípios, e não com aquilo que um determinado grupo quer me dizer que é correto. Também gosto do debate, da polêmica ­ e não misturo isso com questões pessoais: Gosto do seu blog, compartilho de muitas de suas opiniões, discordo de outras, mas não misturo isso com questões de "amor" e "ódio". Não escolho as pessoas a quem admiro e aprecio por sua religião, posição política, ou outras questões de "fé".. Linko pra você quando acho bacana o que escreve, discuto se não concordar, se achar que é o caso. E já estou acostumada a ser chamada de cética pelos místicos, mística pelos céticos; de esquerda pelos de direita, de direita pelos de esquerda. Já quase não me incomoda mais. Passei a encarar como elogio.
Soluções? Quem sou eu para propor soluções? Há muito que deixei de acreditar no ser humano enquanto espécie ­ o coletivo humano é mesmo uma merda só. Mas não perdi a fé no indivíduo, e por isso acabei optando, tardiamente, por me tornar psicóloga: trabalho com gente, sim, mas... um de cada vez (ou, no máximo, em gupos de até meia dúzia), e essa é a minha contribuição: procurar ajudar pelo menos algumas pessoas a se tornarem seres humanos melhores, capazes de conviver melhor em sociedade. Pouco? Inútil? Talvez, mas estou fazendo a minha parte. Se cada um fizesse a sua, quem sabe?
Agora, compartilho plenamente a opinião de que não se pode passar a mão na cabeça de bandido, dizer "coitadinho, é uma vítima da sociedade". Os crimes devem ser punidos, exemplarmente. Não se pode tolerar o marginal com justificativas baseadas na sua infância (haja visto tanta gente que têm infâncias horrorosas e se tornam pessoas sensacionais), ou pior, se valer de uma mentalidade '68 de "seja marginal, seja herói". Mas, para isso, é necessário, primeiro: uma polícia de verdade, pois hoje em dia não temos condições de separar o joio do trigo: quem é o bandido, quem é a polícia? Ano passado, perdi meu sobrinho de 26 anos, às vésperas de seu casamento, num estúpido acidente de trânsito causado por um motorista embriagado. Pois este assassino foi liberado pela polícia sem passar por um teste de nível alcóolico, provavelmente via corrupção. Quando a família foi notificada, o assassino já havia sido liberado. E é assim que começa a impunidade. A polícia precisa ser uma entidade confiável, prestigiada e admirada pela população, como ainda são os bombeiros. Nesse caso, a intervenção do exército em situações limite, como a que vocies estnao vivendo no Rio e da qual nos aproximamos em SP, pode ser bem vinda, pois é uma força armada que não está envolvida com o crime organizado. Mas é preciso que saiba que está agindo como polícia, a favor da sociedade.
Idem para a justiça. As leis existem, não vejo tanta necessidade de uma reforma como de sua aplicação, EXEMPLAR, de acordo com o delito. É preciso que fique muito claro que certos comportamentos não serão tolerados, em hipótese alguma, e que isso vale para todos.

Muito bem, considerando ainda que eu esteja erradíssímo,
Como você viu, não dise que você está erradíssimo. Só discordei de alguns pontos. Concordo com muitos. Se fosse sua terapeuta, diria que você já está se defendendo por antecipação... ;-)
vamos lá... propostas... o que fazer com a turma que nos mata, incendeia, estupra e rouba?
Falei acima. Justiça justa, polícia boa, limpa, punição exemplar de acordo com o crime. Sem moleza, mas sem retaliação. Trabalho. Colônias penais. Reabilitação, quando for possível. Psicopatas irrecuperáveis devem servir de objeto de estudo, para que a gente compreenda e previna melhor eses casos ­ manicômio judiciário não deve ser prêmio para coitadinho, mas proteção para a sociedade. Mas acho que é pedir muito para essa nossa sociedade corrupta e escrota, em que cada um só quer levar o seu. A quem interessa isso? Ao empresário que mata com seu carro blindado e suborna a polícia para encobrir os seus delitos? Ao juiz que leva bola? Às pessoas que votam no Maluf porque querem ser iguais a ele? À D. Marta e seu discurso petista com modelito da Daslu e entupida de silicone até às tampas? À juventude muderninha que sustenta os traficantes? Será que todos nós não deveríamos bater com a cabeça na parede e exclamar: mea culpa, mea maxima culpa?
Bolsa escola?
Bolsa escola é um paliativozinho besta mas, se tivéssemos coragem para fazer nesse país um investimento maciço em eduçação, como fez o Japão depois da 2ª guerra, educação de qualidade, em 10 anos formaríamos uma nova geração, e em 20 anos o país mudaria radicalmente. Mas quem é que tem coragem? Mais, quem é que daria apoio a isso? A quem interessa? Falar é fácil, mas fazer... e se alguém viesse com essa proposta, encontraria apoio? A quem interessa um Brasil letrado?Desarmar o pessoal?
Proibir a venda legal de revólveres...?
Assim como as drogas, as armas são objetos, não são responsáveis pelo que se faz com elas. De nada adianta proibi-las, já que seu uso faz parte de uma tendência humana natural. Tudo pode ser uma arma. Posso fazer um estrago bem legal se der com esse teclado com jeito na cabeça de alguém. Uma arma, na hora certa, pode salvar vidas. Agora, ninguém deve poder saí por aí armado sem uma excelente justificativa, assim como ninguém deve poder dar cachaça para crianças. Legalidade com controle rigoroso, tanto para armas como para drogas. A psicologia, por exemplo, pode ajudar, e muito. Existe um teste, chamado PMK (diagnóstico psicomiocinético), capaz de detectar com bastante precisão a tendência a comportamento violento (e diferenciá-la da agressividade, que é natural). PMK neles: nos policiais, delegados, promotores, nos candidatos à carteira de motorista e ao porte de armas. Mas PMK pra valer, não esse simulacro que é chamado por aí de psicotécnico e, na maioria das vezes, não serve pra nada ­ ou melhor: serve para as clínicas que os aplicam ganharem algum.
Seminários conduzidos por frei betto no alto dos morros?
ou o quê?
Bom, se nós, de uma hora para a outra, nos tornássemos capazes de constituir uma sociedade capaz de funcionar dessa maneira, não teria mal nenhum deixar o frei betto subir o morro pra dar um seminariozinho de vez em quando... resta saber se o pessoal ia querer freqüentar... ;-) brincadeira: o aspecto social é importante, sim, mas no que se refere à prevenção. Quanto à violência já institucionalizada, é caso de polícia e cadeia. Há muitas coisas que podem ser feitas com relação à juventude, para evitar que seja seduzida pelas promessas do crime organizado. mas são paliativos, ou deveriam ser restritas aos casos de risco; o problema é que boa parrte dessa garotada que está aí, seja pobre ou rica, já se encontra em situação de risco, por ter sido criada numa sociedade basicamente antiética. Já dizia o Monteiro Lobato, esse que eu considero meu pai espiritual, que o mais importante que se pode dar às pessoas é educação: educação melhora a saúde, a economia, reduz a violência, a criminalidade. Boa educação irá garantir o desenvolvimento de mentes capazes de resolver os problemas que sequer foram inventados.
cuidado para, políticamente correta, não ficar na contra-mão da história.... Já existe um movimento mundial, preocupado coma desordem, o desmando e a impunidade no brasil, principalmente no rio e são paulo...
Não, eu não acho que esteja na contra-mão de coisa nenhuma. E não me considero politicamente correta. Já disse: meu único compromissso é ser coerente comigo mesma. O último garoto que tentou me assaltar, armado de caco de vidro, levou umas bolachas bem dadas. Sou uma senhora, mas pratiquei kung fu por tempo suficiente para não deixar um fedelho me intimidar. Se eu tivesse uma arma de fogo, talvez fosse mais fácil; se ele a tivesse, provavelmente eu não estaria escrevendo isto.
Geraldo, é bom conversar com gente inteligente, principalmente se não compartilhamos das mesmas idéias. É desse tipo de discussão que nasce a luz. Essa capacidade, de discutir idéias, não pessoas, argumentar sem levar para o lado pessoal, procurando abranger todos os aspectos de uma questão, ver o ponto de vista do outro, também é fruto de uma boa educação. Como você vê, na minha opinião, as soluções existem, e não são tão complicadas, mesmo que a longo prazo: o que não existe são pessoas em número suficiente efetivamente interessadas em resolver. Há esperança? Não sei. Tenho esperança de que haja.
Um grande abraço
Marilia




passeando pelos blogs eu encontro coisas legais... gente alegre de verdade, gente que tem uma vida legal...ou procura ter...
mas, em alguns, barbaridade! tem gente tão, mas tão doente, que pressupõe uma vida boa como a enganação...um sentimento complexo e controverso.... custo a econtrar palavras... aquilo que parece feliz e normal, na verdade é o esconderijo da podridão...
isso é muito além do niilismo [que é racional] - isso é uma espécie de suicídio fracassado.... porque o suicida, segundo os ortodoxos, se mata porque não pode matar ao mundo inteiro....
essas pseudo-teses de almanaque de farmácia de subúrbio de cidade do interior que leio, soam como uma espécie de fracasso anunciado, anti-ateísmo às avessas, suicídio mal cometido, rompimento do 'eu' e incapacidade de conviver em sociedade, impossibilidade de...
ainda que seja apenas um fracasso existencial próprio de um sexo e uma faixa etária... imagino que mecanismos precisam ser usados para a proteção da criança na internet...
porque esse tipo de pensamento [daninho] me parece bem pior do que a pedofilia, por exemplo.




às vezes eu penso que, além do orgasmo existe um mundo de sensações e prazeres e carinhos que não demandam exatamente uma atividade sexual, mas uma maneira sexual de viver - com uma pessoa especial, é claro.. será?


7.6.02

hoje foi um dia de conversas e reuniões.....reuniões para tentar controlar as coisas aparentemente desordenadas, para rever conceitos éticos em determinados textos.... para ver como pode haver mais interatividade... principalmente com as classes com menos acesso aos computadores... é uma situação delicada....
...
as conversas... várias...
muito papo, muita especulação sobre o Tim.... e aí a conversa vai pra violência e os debates tornam-se acalorados...
a turma que trabalha comigo é mais ou menos divida... têm os que concordam com a solução básica, imediata e violenta e os que não.... esses falam, falam, teorizam, mas não conseguem nenhum argumento sólido...
conversa grande também na terapia... que é mais conversa do que terapia.... :)



Recebo um e.mail carinhoso, justo e sério da Marília que anda 'discordando' de mim nos comments.... o que ela me diz é sério. concordo em parte e, em parte não.... mas reconheço que ela recoloca o que digo de forma, para ela, mais sensata. pedi autorização para publicar aqui... recebendo o ok, publico



por uns tempos...(poucos)... - o que é o tempo num mundo em rede?
por uns tempos... nem todos podem dizer tudo, nem mesmo eu...
são esses pequenos segredos [e não mistérios] a que temos de nos submeter para a vitória final...
...
o importante é não mentir.
o importante é não olhar para um espelho quebrado e me reafirmar que eu sou, essencialmente isso ou aquilo....
....
eu não sou nada...
sou espectador dos possíveis...
agora, quando são possíveis.... sai de baixo! :)



eu deveria ser proibido de sair do trabalho antes das três da manhã....
deu bobeira eu corro na 'letras' e saio todo endividado.....



quero conseguir redesenhar tua geografia




clarinha é uma lutadora.
Dessas pessoas raras que se dispõem a dizer, colocar as coisas tais como as sente, sem medo.
Assume essa postura 'antipática' sem medo, por saber do que está falando.
Por coincidência vem concordando com muitas coisas que eu digo, ainda que me ache 'exacerbado :)'... no que concordo totalmente com ela. Realmente sou isso.
Chegará o dia em que ela não concordará e vai dizer, vai se colocar.... E tenho, certeza, estará falando de coisas concretas, estará me criticando por 'ver' meu erro, jamais por 'querer não ver'.... essa é a diferença.
Um comentário contra o que penso, mas são, vale mais para mim do que 20 de pessoas, também sãs, mas que 'não querem ver'...
Mas isso não invalida nada. Eu sou uma democrata e não um stanilista.



David Rousset (1912 - 1997), militante do partido socialista e posteriormente trotskista é premiado por suas obras sobre o totalitarismo e os campos de concentração nazistas. Em 49 publica um artigo aos antigos deportados dos campos nazistas no sentido de que se encarreguem da investigalçao sobre os campos soviéticos, que continuam ativos como nunca. A imprensa comunista então, cobre Rousset de injúrias.... Sartre e Meleu-Ponty assinam em Les Temps Modernes um artigo entitulado 'Os dias de nossa vida', no qual rompem relações com o antigo camarada: "A verdade é que nem mesmo a experiência de um absoluto como o horror concentracionário determina uma política", escrevem eles, justificando assim sua recusa a condenar a União Soviética - e fornecendo uma acabrunhante irresponsabilidade política entre os intelectuais franceses mais destacos na época.
....
O exemplo acima, ilustra o nosso Orfeu.... Sartre não conseguiu ver que política era necessária ser utilizada contra a União Soviética.
Como pode a classe média brasileira [ EU INCLUÍDO] avaliar as políticas a serem utilizadas nos morros?
E e só



Tzvetan Todorov, nascido na Bulgária, mora em Paris desde 1963. Diretor de Pesquisas no Centre National de la Recherche Scientífique, crítico, historiador e filósofo publicou numerosas obrar, traduzidas em 25 países. No ano 2000 foi saudado como um 'apóstolo do humanismo'.
....
No início de 2002, tive a oportunidade, num seminário, de ler a tradução de sua obra "Memória do Mal, tentação do Bem" - Indagações sobre o século XX.
Hoje, para minha surpresa, deparo-me com o livro editado. Como não tenho mais o manuscrito, compreio-o imediatamente...
Todorov faz uma análise profunda, crítica de momentos históricos cruciais do século passado. Passeia sobre o tatalitarismo de Hitler (que considera mais sincero, justo e honesto) e Stálin, qüestiona o comportamento dos aliados no final da segunda guerra.... traz-nos o pensando claro e arguto de David Rousset e muito, muito mais....
.....
Eu nem fico com raiva da incapacidade de compreensão dos momentos históricos e das tomadas de atitude necessárias à cada um por parte do brasileiro que, em sua maioria, iletrado, não vê as questões expostas sob diversos ângulos, tanto psicólogicos como históricos....
....
Então, por falta dessa cultura, ficam estrebuchando e gritando [numa atitude apenas xiita e histérica] sem contextualizar o que está acontecendo, com o que está dito neste espaço nem com o entrelaçamento socólógico e histórico....
Bem entendido que não falo dos amigos que comentam os blogs e sim do povo, que está aparvalhado. Aqui, não, aqui é um espaço de discussão.
...
Enfim, são gritinhos sem fundamento...
E contra isso, não posso lutar
Nem tenho tempo... e paciência



tenho que dividir minha cabeça em vários pedaços [e, surpreendentemente, o faço]... por um lado tenho que ajudar e estar presente aos meus filhos.... por outro tenho que organizar o Portal Rede Brasil que está muito aquém do que desejo [ e de suas possibilidades interativas e de navegação].... preciso ainda estudar, ler, escrever.... organizar as produções dos programas de TV e minha vida pessoal....
ou seja... são várias coisas, completamente diferentes numa [mesma] pessoa.... mas eu chego lá...



Sobre o desaparecimento e possível assassinato de Tim Lopes...
o presidente da Academia Brasileira de Imprensa, o humanista Fernando Segismundo declara:" Sou à favor da intervenção das Forças Armadas na rua. Estamos numa guerra."



fala rápida hoje com Meg...
quem põe em dúvida a sensibilidade dessa pessoa...
não consegue reagir e sente-se 'esmagada' com a notícia do Tim Lopes
sei que ela não consegue pensar sobre e jamais diria [ou pensaria] o que digo aqui...
pra mim, Meg está acima do bem e do mal, portanto, compreendo muito bem o que rola com ela.
agora as outras pessoas me criticarem...
em alguns momentos eu fico pensando: "o que as pessoas querem? o que as pessoas desejam ler?'
qual é a opinião correta? o que é certo ou lógico a gente pensar....?
criticam a violência com olhar de anjos...
eu faço a mesma coisa e expresso, sinceramente, toda a revolta da sociedade.
falo de uma alternativa [ainda não executada com rigor]....
caramba, fora passeatas, roupinhas brancas em ipanema e abraços às árvores, por quê se assustam quando falo em napalm?
Mandem suas alternativas - sérias e imediatas - para solucionar isso tudo!!!


6.6.02

mais um diazinho daqueles pra colocar 'os dez mais' no ar...
enfim... já foi...
....
conversando com o pessoal do jornalismo o assunto volta ao Tim Lopes..
não existe a confirmação oficial, mas parece que é mesmo ele... o corpo incinerado...
existe um movimento de ódio nas pessoas sensíveis e pacatas que conheço....
um sentimento de impotência....
algumas [muitas] pessoas idealistas, boas, pacíficas... começam a compreender que o estágio da violência no brasil, principalmente no rio, foge a qualquer controle...
os colegas de Tim começam a falar do revide, da ação enérgica.
...
fico triste quando sou mal interpretado aqui apenas porque digo as coisas com todas as palavras e letras...
possívelmente farei matéria sobre o Tim Lopes no programa da semana que vem...
essa semana meu compromisso era com o Mário Lago...




essa madrugada tentei cantar de uma música que lembro do Caetano cantar num albúm de 1977, 79...também não lembro....
dia claro, recebo a correspondência de quem tem tudo a ver, de quem sente e pensa como eu
essas coisas são os presentes que ganhamos dia a dia quando temos outra pessoa 'por perto'
aí vai:

Samba e amor
Chico Buarque/1969
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã




Os jornais vêm mostrando as coisas que o dito cantor, de alcunha Belo, vinha fazendo.... metido até os cabelos - horrorosamente oxigenados - com o tráfego de drogas do Rio de Janeiro [agora parece que até com o do Amazonas]... O cantor - que de cantor não tem nada e o que canta (?) é um disserviço à cultura - se comprovadas todas as acusações e todos os indícios, virá a corroborar a velha da tese do marginal, do bandido.
Porque o bandidão - como ele - segundo os políticamente corretos, os modernos, os sensíveis às necessidades humanas - é um pobre ser abandonado por um sistema monstruoso, por um Estado incapaz que não dá direito aos pobres de uma vida digna: saúde, moradia, educação e blá blá blá.
Esse dito cantor e de nickname destranbelhado, Belo, seria então, a antítese do modelos que as esquerdas não pensantes (99% dos comunistas) jogam na cara da sociedade, perdoando-os por matar, roubar, estuprar, invadir, torturar, queimar as pessoas...
Ora, nosso Belo conseguiu ultrapassar todas as barreiras, toda a decrepitude da democracia, da globalização, das oligarquias, da direita 'nojenta' e toda essa bobagem e tornou-se um homem famoso e rico [tudo bem, ele só é assim porque vive num país sem cultura, mas vá lá!].
Em tese, nosso personagem, não precisa favorecer nem trabalhar com traficantes ou quetais que vêm a ser os assassinos bestificados, nossos facínoras-vítimas do sistema...
E o que acontece? Se tudo for provado, Belo, rico e famoso, é um bandidão!
A essência de malfeitor, a metade 'do mal', vem com ele dos subúrbios, dos morros, vem junto, atávicamente, genéticamente, independente de seu status de sua capacidade de 'enriquecer legalmente'.
Ele é o mesmo camarada que queimou o jornalista vivo apenas para ensinar que "com bandido, não se mexe".
Ele é o ícone maior de que não é a falta de terra ou de assistencialismo que faz o facínora. Ele foi, é e será.
Como todos os outros.
- Esta é uma hipótese - ele ainda não foi julgado, não fugiu da cadeia, nem comanda quadrilhas de dentro da penitenciárias.
Ainda.
Esse... isso é o BELO que a escória da bandidagem apresenta à sociedade [ e as esquerdas do bem apresentam como vítima]!



os americanos estão ficando tão paranóicos e a liberdade de expressão é tamanha, que agora procuram quase que acusar o FBI pelo ataque às torres gêmeas porque 'já haviam alguns indícios de que existia uma movimentação dos afegãos ou coisa que o valha'....
prevenir? como..?
qualquer dia a livre imprensa americana conclui que o chefe do FBI é o verdadeiro osama bin ladem....
e toma de defender essa migração, essa invasão árabe pelo mundo, disseminando ignorância, fanatismo, pobreza, terror, atraso e dúvidas....



parece que o filme com a jodie foster que estréia na sexta é muito legal...
a conferir....



clarinha não compreendeu bem um texto que escrevi por aí... não se preocupe não, menina... porque ninguém entendeu... eu reli pra verv não entendi também, salvo os pontos que parecem obscuros mas pra mim têm rosto, corpo e nome... no mais... é assim mesmo... essa permissão para delirar em cima do teclado é algo que está em experiência... às vezes sai alguma coisa que preste... outras, apenas delírios e eu, definitivamente, sou um delirante.. :))



e, como era previsto, hoje [ou ontem? nunca sei] mais uma vez não comprei o que precisava para estudar, não tive tempo, trabalhei como um cão [cães trabalham?] e só.... e menos vinte autro horas pra mim....
mas em compensação descansarei em paz, satisfeito e realizado, porque tenho o que poucos têm...



quem tiver um olhar atento e estômago pra isso, começa a perceber que a situação de 'teatro de guerra' de que falei....
não... agora estamos melhorando, refinando, aprimorando a barbárie...
agora, se pegamos um homem da lei ou um jornalista que vai mostrar o que DE FATO rola nos morros...
não é só matar não... tem que ter os requintes extremos de crueldade pra servir de exemplo, entende?
portanto não é mais o tiroteio e o assassinato...
agora é o exercício da crueldade em suas mais profundas possibilidades.....
e o povo abraçando a Lagoa....



muito bem... nossos 'desamparados sociais' prenderam um jornalista no alto do morro, atearam fogo e deixaram que queimasse até ficar irreconhecível... algo mais violento do que o que o próprio cristo sofreu.
amanhã os jornalistas farão protestos de branco e passeatas pedindo a paz...
por mim, passaria de avião sobre os morros despejando napalm [mas muito]...
....
porque só não entende o que estou dizendo, quem nunca foi imolado, ou quem não é pai ou filho ou irmão ou ama, ao que foi barbaramente queimado vivo.
que perdão, que justiça dar a quem faz esse tipo de coisa?
não, calma, minha gente....o discurso decorado, na ponta da língua eu já sei...[mais escolas, mais educação, melhor distribuição de renda....] isso eu já decorei, obrigado...
não é isso. o raciocínio é assim... v. é mãe ou pai do jornalista... o que deseja pra quem imolou seu filho? pra quem tacou fogo no cara vivo até ele ficar irreconhecível [talvez o DNA...] - heim? o que fazer?
porque tem uma coisa. ontem foi ele, amanhã pode ser você... ou sua mãe... ou seu filho....
será que dá pra entender ou ainda é pouco?



afinal cae, na sua sincopada cajuína dizia:
'existirmos
a que será que se destina?
e eu pergunto sempre pra mim, pras paredes e pros espelhos...
a quê se destina...
muitos levam a vida fútil que querem e, portanto, merecem..
outros, os plenos, os eleitos... se banham de tais e tais coisas...



o caetano cantava algo assim...
'eu faço amor até mais tarde
e tenho muito sono de manhã...
a poesia da cidade...."
bom, não lembro se a música é dele
mas nós somos um do outro....
são essas coisas que eu penso de vez em quando sobre a vida... as coisas que ela dá assim, sem a gente pedir nem esperar... nasce... crece... e domina...
e pergunto sempre o que é isso.. e fora o óbvio, não vejo a resposta....
aliás, é bobagem, porque a resposta está exatamente em nossa existência...



fico pensando em como ficamos durante os períodos em que as coisas não encaixam... porque é isso... as coisas não encaixam... o universo conspira contra... todos os astros fazem assim ... a própria terra tem um ar ruim e nuvens negras...
nessa ambiência sentimos tristeza [depressão] e nosso corpo adoece...
e fingimos que tudo vai melhorar [até porque, às vezes melhora] e todo mundo em volta torce...não sei exatamente porque digo isso... acho que falo porque tenho muito medo da dor e sei o que é a dor e leio sobre a dor...
e ninguém quer a dor e ela vem pra quem não tinha que vir.



5.6.02

Trazido de Paris pro tio





dias curtos.... saco!



Meg, essa inventadeira de vidas, sub e pós vidas, e outras coisas mais, me confunde com uma proposta de tolerância não ao chato, mas à uma espécie de motivos de chatice... diz ela que dependendo das razões há que se ter condecendência cons os chatos... Bom, foi o que entendi... imagino que seja assim:
- estou chato porque meu carros está na oficina
- estou chato porque minha mulher ainda não veio de vez..
- estou chato porque meu micro está virótico
- estou chato porque a gripe insiste em não ir te todos....
... ainda segundo ela... a burrice é imperdoável... morra, mas não seja burro?
será que entendi ou sou mesmo chato e burro?



- e então? pronta?
- pronta.
- o que falta?
- você
- mas eu estou aqui...
- bom, então não falta
- não falta nada....
- e agora?
- agora vem.
- vou.
- sabe o rumo?
- sei, norte
- o meu?
- o nosso
- verdade.



e começa tudo novamente, necessidade de comprar alguns livros [e alguns só no sebo do edifício central] - tudo bem, já sei dessa pilha atrasada aqui, mas tem a história do tempo perdido e não me perguntem porque aí eu também não sei o que responder... aliás não tenho o que dizer... vou indo, vou indo.... até porque tem coisas importantes em paralelo e e essa coisas tornam o 'em paralelo' esses estudos ou obrigações e, inversamente, as coisas no centro. o meu centro. é a alteração cósmica do centro [e vá lá entender isso, meu deus] ...sim, porque não parece mas eu tenho meu centro. ele existe. toca-se [e como!] nele.
claro que não é o propósito despertar alguma curiosidade [até porque minha vida não tem curiosidades], mas para explicar que meu eixo é um, mas as possibilidades e acontecimentos e necessidades e demandas e cobranças e afazeres e sentimentos e ações e produção e introspecção.... bom tudo isso é muito, muito [e bom] , einda que o eixo seja eu [por pouco tempo, é verdade, já sei], mas ainda é.
então continua o processo de revolução a distância, anotações aqui e ali, seleção do que ler, ler, não ler não estudar, escrever e postergar por aqui... verdade que nem sempre acerto todas essas coisas. outras vezes acerto as coisas , mas erro a ordem e outras ainda vice e versa... e como me saio? creio que bem, na medida do possível...
verdade que não posso me queixar não posso usar a eterna lamúria de sou um só, porque não é verdade: sou uns e uns é mais que um e assim as coisas são muito, muito, muito mais fáceis... e tem a história da mala gorda (não se trata de uma mulher mala e gordota) e sim o transporte de uma mala gorda, cheia... isso talbém está sendo resolvido... e tem muitas outras coisas mais...
talvez daí a insônia, mas eu nunca sei porque cada hora é uma desculpa que dou para esse não 'onírico' rolar [fora Cidade dos Sonhos - que mexe muito e tem aquela música italiana e a mulher em decomposição...]
Bom deve estar um pouco confuso, mas garanto que é impressão, é pura incapacidade de escrever bem, de relatar, de contar coisas...
Tudo bem, aliado a não poder contar umas outras tantas também... mas, como a vida... são coisas provisórias e, nesse caso, num caminho inverso, onde o provisório é bom porque o fim é o começo... e quantas pessoas, me diga, quantas pessoas podem afirmar que o fim é começo?
eu posso. e por enquanto é isso
e é só



a organização da produção é caótica. e, cada dia mais, percebo o quanto a capacitação é fundamental... mesmo que você coloque uma pessoa extremamente técnica no local errado, se estabelece o caos... agora, uma pessoa apenas técnica se achando mais... cara, aí é o caos, é a lama, é a lama... proque o técnico desenvolve as coisas que uma pessoa cria ou produz intelectualmente, socialmente, filosoficamente e, principalmente, artísticamente....quando rola confusão ou pretensão nesses papéis... todo o processo desmorona... hoje percebo isso melhor do que ontem [não porque já não soubesse], mas por vivenciar isso e ter que 'colocar o engenheiro na prancheta, o designer onde ele quiser e o apertador de parafusos, produzinho apertos... e quando o cara resolve não apertar o parafuso para mostrar 'seus conhecimentos'... eu sento no meio fio e choro feito um bezerro gritanto 'mamãe'...
bom, da minha parte, pode onde estiver, estarei organizando essas coisas, realocando pessoas e situações...
e olha que estou falando de televisão que é mais antiga, mais 'maleável', mais conhecida... na internet...seria uma 'implosão atômica'



o legal é quando você pode dizer [de verdade] pra uma pessoa: "...fica tranqüila. Isso é fantástico! "
quantas vezes a gente diz isso às três da madrugada totalmente demais... de verdade?



têm uns blogs... que eu vou te contar...
mas a maioria é muito legal....
é reflexo, né?


4.6.02

o chato é a pior categoria a que um homem pode se incluir.
mal caráter, esnobe, pedante, burro... tudo bem... mas chato é insuportável.
eu tenho fobia, pavor a chatos. conheço muitos e fujo deles como o diabo da cruz.
o chato é aquela pessoa que sabe [ou não] que é chata, mas continua... fica ali, atrás de você todo o tempo, com suas rteorias, seus apelos, suas observações e medos idiotas... chato é um saco!
...
escrevo isso à propósito de muitas e muitas vezes me achar um chato.
é engraçado como a gente tem consciência de quando é chato.
porque chatice é uma coisa tão na cara, tão óbvia que qualquer 'chato eventual' sabe que está sendo... está sendo aquilo que abomina...
fico pensando se todo mundo não tem lá seu lado, sua cota, seu percentual de chatice, algo como a unha que cresce independente da vontade e deve ser constantemente aparada...
pode ser isso... todo mundo tem lá sem quinhão de chatice. o importante é saber controlar.
eu me detesto chato!



o fanatismo religioso, a inorância do oriente e esse tipo de democracia barata que o ocidente 'permite' vão nos levar a um estado caótico sem precedentes.... ninguém olha o que está rolando em caxemira, como se nada tivéssemos com isso, como se o mundo não fosse nosso. e aí volta a velha questão: não seria necessária uma invasão forte para destituir aqueles países de armamento atômico, deixando que se dizimassem à facadas, como bárbaros que são?
por outro lado, interessante [e mais sensato, o artigo do jabor]



Manchete do Jornal O GLOBO de hoje:

"Exército sai do caminho do tráfico

O Exército está fugindo da rota do tráfico no Rio. A pedido do Comando Militar do Leste (CML), o prefeito Cesar Maia incluiu o alargamento de um trecho da Estrada do Camboatá no projeto de criação de um parque recreativo em Deodoro. Segundo o prefeito, os militares não querem continuar passando com os seus carros em frente às entradas da Favela do Muquiço, onde o roubo de veículos é freqüente."
...
Não preciso dizer nada;



Clarinha
é dessas pessoas bacanas e legais que eu gosto de ver por aqui... seus comentários, sempre ponderados e inteligentes, me estimulam a escrever mais. Correspondo-me com ela dentro do possível e sei que Meg também fala dela.
Insisto para que Clarinha faça seu blog, mas ela reluta [o que acho bobagem]
Têm os eus, os tus, os Freds, as Clarinhas e outras pessoas orbirando eles em nós e eu neles.
Acho isso legal.



cara, chega uma hora em que você se olha no espelho e constata [pela milésima vez] que está ficando velho. e percebe ainda que não é mais aquela pessoinha que achava aquelas coisas todas e, ao mesmo tempo, isso não quer dizer nada porque você continua pensando um outro montão de coisas e agora elas são mais sérias.
por que 'mais séria' se sempre achei tudo muito sério? não sei com certeza.. talvez por constatar que a vida está [será] menor e, ao mesmo tempo, isso não é ruim. porque se assim não fosse, assim você não pensaria, não sentiria e não faria...
e você acaba constatando que é um grande 'fazedor' de coisas - gozado que eu achava que só os jovens faziam de verdade! - pois estava errado. eu sou um cara fazendo e querendo fazer coisas muito sérias e leia-se nesse 'sérias' boas... BOAS..
isso, percebo, é ser legal, é estar legal, é saber que o mundo é legal.
porque você pode ver tudo pelo outro lado também [e eu vejo], mas o bacana é perceber que sempre tem dois lados, sempre é possível que as coisas mudem e às vezes elas mudam mais rápido e pra muito melhor do que se imaginava antes e sei que é impossível convencer alguém disso com palavras porque palavras são palavras.
bom dia, cinqüentão!



e se o mar não afogasse [no sentido de matar] e quiséssemos apenas cair em pleno oceano e afundar, afundar... e esse fosse o ideal de cada pessoa?
hoje eu entendo e sei que é possível



do amor

o amor é coisa mais cantada, dita, estudada e sentida que se tem notícia. todo mundo ri e chora e sofre de amor. todo mundo [doente] desdenha, desacredita, foge do amor.... todo mundo alguma coisa do amor... penso então, que o amor é ar, é coisa que entra e sai, que ocupa todos os espaços ainda que invisível e que esteja no sentimento e pensamento de todos os seres vivos a cada instante, indistintamente seja na sua forma boa ou na doentia... na verdade nem o doente esquiva-se do amor, apenas nega-o.
então o amor é mais do que ar, é a própria vida pois só não haverá amor na morte [do morto]. e se é vida, não o sentimos e sim ele, ele nos sente e domina. portanto, percebo, não sentimos amor... o amor nos sente e domina e 'nos permite'.
penso mesmo que somos totalmente impotentes frente ao amor [quando, ao contrário, achamos, que o dominamos de alguma forma]. enquanto escrevo, penso em como esse texto pode ser tolo, mas pra mim não é.
é muito engraçado pensar em como pensamos que sentimos alguma coisa que, na verdade, não sente.... só tinha pensado nisso de uma forma metafísica, em divindades, Deus e tal... mas de uma forma doméstica... esse amor mesa, cadeira, nuvem e suor...caramba, é diferente... e eu bem sei o que me leva a determinadas conclusões... bem sei em que desvãos, encontro sentimento bruto, puro, para tanto...
e continuo explicando isso depois...




a quantidade de e.mails a serem respondidos vai aumentando... e eu detesto não responder...
por outro lado, dizer só 'oi, legal, beijo', acho um saco. então respondo alguns, outros acuso o recebimento e digo que escrevo depois, outros ainda procuro responder dentro dos posts... e assim vai...
fico pensando que eu poderia ficar os dias inteiros escrevendo cartas [como a personagem de Central do Brasil] e não creio que fosse mal... e penso que a grafia daquelas cartas são ícones e o tarot é composto de ícones [embora quem o fez não o soubesse] e penso ainda porque o coloquei na história da expansão do universo aí embaixo.



do tarot e do universo
a questão do medo... escrevo dia desses aqui... sobre esse medo que a gente tem de que as coisas aconteçam ou não aconteçam da maneira que esperamos... é como acelerar e brecar... acelerar e brecar... fico imaginando o que os físicos me contam do universo.
pelo que dizem, ele vem se expandindo desde o Big Bang, se cessar. Vai se expandindo e se expandirá sempre porque o universo é aqui ou nós somos do universo e se ele não se expandisse imagino que não nos expandiríamos também.
Não há um determinismo ainda sobre a capacidade 'racional' do universo. Mas, de alguma forma, ele a possui. Ou não seria universo, seria galáxia, sol...lua talvez...
a lua, por exemplo não se expande. também não se retrai. segue sua eterna trajetória em torno da terra e assim será até que pare... e só vai parar porque o sol irá 'apagar', não por ela mesma. se não houvesse o apagar do sol, a lua continuaria em sua eterna órbita.
portanto, para além do tarot, das astrologia e mesmo da astronomia, só percebo uma 'consciência cósmica'. e imagino que, para existir essa 'consciência', haja um pulsar inteligente, ainda que inconsciente. ou seja: o universo pode se expandir num movimento, digamos, cerebral, ainda que não tenha consciência dele tal qual um cérebro.
o homem por exemplo, tem esse cérebro, pensa e anda e breca. o universo não. apnas anda. um dos dois está equivocado.
se me convencer, acreditarei que o universo é um equívoco [aliás penso muito sobre o grande equívoco do universo] se for ao contrário, terei que ceder ao equívoco humano [e também penso muito no grande equívovo humano].
O que não é lógico é o universo andar para um lado e o homem para o outro. Imaginemos os ponteiros de um relógio, cada um firando em direções diferentes.... para onde estaríamos indo?
E o que isso tem a ver? Tem a ver que estamos tendro de um trem chamado terra. Esse trem, está num sistema solar, numa galáxia e, enfim, no universo.
Se, como naquele exemplo da física, do homem que está parado, mas se movimenta porque o trem, corre, como ficaríamos metafísicamente se corrêssemos na direção contrária da do universo?


3.6.02

Roubei também! :))





com a madrugada penso no dia de hoje e, apesar de, praticamente, não ter descolado do computador, sinto uma virada completa na minha vida. e virada concreta, sob vários aspectos.
e isso me deixa curioso porque começo a me render a algo antes não apreendido que é a possibilidade de outra forma de comunicação... essa eu não estou preparado para explicar, me faltam elementos, palavras e exemplos, mas tão logo possa, voltarei ao assunto.
o que importa é o quanto se pode compreender e ouvir e falar e dizer e replicar e ser convencido e convencer num único dia. quantas possibilidades se abrem, quantas novidades ocorrem, quantos sentimentos novos vão rolando e a gente vai deixando ou não deixando, mostrando e perguntando...e se me perguntam o que é isso eu sei do que falam, mas não sei responder, digo coisas banais porque existem coisas que não se traduzem, aliás a maioria das coisas não se traduz e aí talvez esteja um dos grandes enganos do ser humano: achar que tudo, o tempo todo pode ser transformado em signos e rótulos disso ou daquilo...
e é tudo tão mais simples [tá bom, é complexo também], mas é tão na cara, tão ali e a gente não vê porque não está preparado porque planejou um monte de coisas e só olha pra elas e não vê o entorno nem as possibilidades nem os sentimentos....
já sei que não tem pontos, não dá pra respirar, mas eu não tô aqui pra ficar alfabetizando meu cérebro velho...
e quem viver verá


2.6.02

do que temos medo? muitas vezes eu penso que temos medo de tudo e pra tudo encontramos uma desculpa para 'não fazer'... e assim vamos levando as coisas até o esgotamento... e por que? para não sairmos da linha, para não sermos julgados [mal] e para não nos arrependermos.
da minha parte. não quero mais nada disso. quero me arrepender sempre, mas sempre pelo que fiz e não pelo que poderia ter feito e deixei. quero viver cada momento, mas sem desespero nem ansiedade... quero outras coisas que não se pode falar - caramba, não se pode falar tudo - e isso é ruim... porque temos por aqui uma sociedade nos mesmos moldes que a não virtual, por não ser virtual esta mesma e sim o meio.
e o que é então? não sei. essa coisa toda, talvez. a sensação de impotência que o homem trás consigo desde o nascimento.
mas eu quero mais. quero que quem eu quero tenha mais



estou lendo Nick Hornby em 'alta fidelidade' falar em como é dificil falar "eu te amo e toda aquela história dos filmes da doris day e tal...
e digo isso, de como é difícil a gente dizer eu te amo de uma maneira inteira, completa, despojada e sem medo...
porque a vida em algumas circustâncias encurrala a gente, toma nossa mão e nossa alma e não deixa tudo correr normalmente... e ouço a história que peço pra ouvir e começo a perceber o que já vinha percebendo antes e fingia que 'não, tudo bem, sejamos adultos e coerentes'...
Não, cara, as coisas não são assim tão fáceis nem eu sou assim tão legalzinho nem nada disso... tudo bem, que já aconteceu já aconteceu, não tem mesmo volta e a gente não tem que ficar olhando pra trás... todos nós temos lá nossas histórias e nem todas são muito boas... mas enfim, nada disso importa, estamos tratando de outra coisa... estamos tratando de vida, de amor de destinos, de futuro e , principalmente, de pessoas...
e chega uma hora [muitas vezes antes do que se espera] que só tem uma resposta: 'vem embora amanhã'.
Vem embora ou vou embora ou vamos embora ou qualquer coisa que priorize o que é para ser e afaste o que não é para ser.
Essa é a questão de toda a humanidade, de tudo o que fazemos e sentimos e queremos e realizamos e conseguimos. Ou não.
E por quanto tempo mais o mundo vai ficar se enganando, por quanto tempo mais o Paquistão e Índia vão dizer que um desastre atômico 'é impensável'?
E o que tem ick Hornby com o que eu disse e com a Índia e o Paquistão?
Tudo, baby. Nada, baby




quando v. pode passar o dia com quem quer, quem é importante, o mundo se altera. não o mundo mundo, mas o mundo nós. e o mundo nós é para nós o que para os outros é o mundo mundo.
o mundo mundo tem um tempo e um espaço diferentes... tem regras próprias que o tornam simples mundo.
o mundo nós, depende do que a gente sente quer, pensa e faz. o tempo está ligado ao do mundo mundo, mas as regras e os atalhos e as decisões dependem de nós, que de resto altera a geografia e o próprio tempo.



dormi mal toda a noite....
não tive a tranqüilidade de sentir sem ter
erro? talvez... mas foi assim
insegurança? nenhuma. certeza.
pela manhã me chegam as imagens que aguardava (sim, porque sempre as aguardo)
e vem aquela coisa no fundo do peito... aquela coisa egoísta...
aquela vontade de 'agora'...
sou mesmo assim, dessa maneira corrida ou somos e é bom e importante?
não sei, mas à cada manhã, as cetezas me vêm
à cada anoitecer também...
apesar de tudo, isso é bom porque mostra a verdade
expõe de forma aberta esse sentimento grande
será que estou fazendo mal em falar? não creio...
é preciso sempre falar e querer e mostrar e sentir e dizer e amar



Algumas coisas a dizer, principalmente pra Meg:
- Tomei conhecimento ontem que o ator, diretor e professor Roberto de Cleto, morreu na segunda feira aos setenta e poucos anos... É ele mesmo, o do Teatrinho Troll, que fazia os príncipes, enquanto a Zilka, as bruxas.... Tive a oportunidade de bater altos papos com o Roberto... na Trattoria, quando era ali na Rua Bolívar... ficávamos conversando até o amanhcer e comíamos muito macarrão após o teatro e muito vinho... Ele era uma pessoa deliciosa, culta, fina e inteligente... Toda uma vida dedicada às artes cênicas e se vai assim, como foi em vida, praticamente incógnito. Eu realmente gostava muito dele e me assusta esse 'perder constante' de gente importante. Mais: me assusta que as pessoas de hoje não tenham consciência clara de quem são os que estão nos deixando....
...
Quanto ao Olavo de Carvalho quero falar alguma coisa...
O Olavo é uma pessoa fantástica, uma das maiores culturas que conheço... privei de sua intimidade um pouco durante seminários e aulas na Universidade da Cidade, bem como bons bifes com batatas fritas ;)) - junto a estudantes... Olavo tem uma produção intelectual extensa e pouco conhecida.... Além de incentivador e batalhador na recuperação e reedição de tudo do Carpeaux, Olavo tem livros fantásticos como O JARDIM DAS AFLIÇÕES, O IMBECIL COLETIVO volumes 1 e 2, bem como estudos profundos sobre Aristóteles e outros filósofos.
Escrevo eventualmente para o site do Olavo e ele para o meu.... temos uma troca de correspondência se não freqüente, pelo menos razoável...
Quanto ao seu forte discursos anti-comunista, já falei com ele também... Ele sorriu e me explicou:
'Geraldo, eu queria falar mil coisas diferentes ( e me mostrou material para mais de 3 livros), mas acontece que sou a única voz ativa contra a tentativa de implantação do comunismo no Brasil (e talvez, gente, a maneira de dizer esteja carregada, mas concordo plenamente com ele), tenho que usar cada espaço para mostrar o que sei , o que vejo e o que s'e prevê'.
Essa resposta me calou por completo. Assim, compreendo melhor os inflamados discursos do Olavo... Ele, em sala de aula, embora ácido e ativo, é muito mais aberto a qualquer, veja, qualquer discussão filosófica...um professor fantástico... Já discutimos mídia e ética em seminários.. ele é um barato!


1.6.02

sou eternamente grato à censura da ditadura.
no científico escrevi três peças teatrais [com todos os 'protestos' a que o adolescente tem direito, e todas foram censuradas. não podiam ser representadas nem no colégio.
claro que eu podia montá-las escondido, mas não! aproveitei o carimbo da censura, mostrei pra todo mundo e rasguei os originais!
assim, a censura me salvou [na época] de uma ventual crítica desmascarando minha incompetência como dramaturgo...
até hoje posso dizer que meus textos para teatro foram censurados e não fracassados...



fico pensando no que pode acontecer num dia sem nada para fazer... bom, você pode colocar em dia todas aqueleas coisas que desejou ansiosamente a semana toda, ler as revistas, os livros, fazer as anotações, planejar outras tantas coisas e tudo o mais. Na verdade, nada acontece, apenas uma espécie de torpor, de sono incontrolável contra o qual luto desesperadamente sem nem saber porquê. Mentira: sei sim. porque quero falar mais, perguntar mais coisas, contar outras tantas e hoje não dá... e isso é assim mesmo, eu sempre estou não fazendo o que deveria fazer e vice e versa e por causa dessas confusões desperdiço meus tempos e depois reclamo feito um velho [que sou] da falta de oportunidade para isso ou para aquilo.
...
sempre fui assim desde criança... sim, pasmem! - já fui criança.
era daquelas criancinhas chatas, que usava botinha ortopédica e gumex no cabelo... esse tipinho asqueroso não existe mais hoje em dia, creio.
eu era um deles. Bah! vomitante!
fico imaginando o que as pessoas não me xingavam ou o quanto não me pisaram discretamente para que minha mãe não percebesse... naquela época já não gostava de crianças nem plantas nem de animais... quer dizer, a anormalidade não é fruto da idade e sim de algo genético.... ou coisa assim...
...
adolescente, fiquei deslocado... não gostava do que os grupinhos faziam, achava que todos eram babacas e aquelas festinhas pra dançar e tomar cuba libre - arghhh! - eu ia, mas vomitava quando chegava em casa... putz, que coisa mais chata...
aí comecei a andar com turmas bem mais velhas do que eu [que deviam me achar um pentelho insuportável], mas era melhor pra mim... depois, com gente mais e mais velha... pronto. aí está o 'esta é a minha vida'.
:)



o fim da tarde para mim é um período estranho, como na hora em que estou pegando no sono.. não é dia nem é noite... é a constatação da passagem do tempo.. de que o sábado se vai e rola aquela ansidedade de... e o que é que eu vou fazer agora...
porque eu sei o que vou fazer, sei sobre o que vou pensar e esperar... tenho muitas coisas com o que me ocupar embora não possa colocar essas coisas em prática nesse momento... mas saber que rola... bom, isso é uma outra história. História essa que contarei no devido tempo, com as devidas peculiaridades que, por sinal, são boas interessantes e muito mais...
voltando ao final da tarde, revejo o que fiz durante o dia [ e creio mesmo não ter sido muita coisa ]... mas são as minhas coisas, essas coisinhas que a gente vai preparando, vai fazendo aqui e ali, essas arrumações de caixinhas, gavetas e vida.... :)



Desabafo da manhã
de vez em quando eu fico uma vontade louca de ouvir [mais] caetano, de comprar um capacete branco [o meu é preto], de ir pra Livraria da Travessa e me endividar até a alma, de ser mais [ou menos] afável, de contar o que não devo ou desfazer o que fiz ou não porque na verdade é dessas coisas boas ou ruins que fazemos que a vida e a história vão se construindo, de colocar olavo de carvalho aqui dentro me dando aulas particulares, de colocar a foto da bem amada como papel de parede, de ler 8 livros de uma vez, ver dois filmes de cada vez, em telas separadas simétricamente, com um ouvido captando cada som, de dormir muito, de não dormir nada, de contar que vou fazer uma homenagem pro Mário Lago nos Dez Mais da semana que vem, de contar que Zilka Sallaberry, minha tia e mestre maior está mal, qualquer dia vai encontrar Mário e o Roberto de Cleto no céu, de dizer que meu Tadeuzinho manda e.mail para o papai... de dizer que eu não sei....
Ufa!



Pronto!

dia desses me falaram em pular de asa delta, ao que eu, de pronto: respondi: 'não, obrigado...estou muito velho pra essas emoções... além do quê, acho muito perigoso"
o outro que não era bobo nem nada rebateu que eu não devia ter medo do perigo, motociclista estradeiro, de viagens longas e do dia a dia, visto nas madrugadas pelas avenidas, de sobretudo de lona.
ia dizer a ele que a minha motocicleta eu domino, mas calei percebendo que ele responderia que a asa delta também posso aprender a 'dominar'.
...
tudo bem. não aconteceu esse diálogo.
eu realmente não pularia para um voo de asa delta porque tenho fobia de altura [esse tipo, porque adoro andar de avião, helicóptero]. fico pensando o que é, então.
imaginar o vento forte e eu, ícaro, sobrevoando minha cidade deve ser como orgasmo da alma. estar voando acima de tudo e todos e saber que tenho direiro a esse vôo, que ele é bom, bacana e saudável e justo... imaginar que esses passeios se fazem em dupla [podem ser feitos a dois] e que, muito provavelmente, a gente aterrisa nas areia de são conrado sorridentes e que, desfeitos da asa, podemos sair de mãos dadas e tomar água de côco... que podemos pegar a motocicleta e sair e ir e ir sempre.... essa é a realidade. essa é a eterna possibilidade [embora rara].
porque morrer eu vou [num tombo aéreo ou dormindo na tranqüilidade do catre]. - mas viver....
por que não, então, o medo, a emoção do salto inicial que concretizará a vida?