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...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone.
Entre em contato Visite Tecnologias 2000 Marina W Comentários do Autor Textos do Passado 01/01/2002 - 02/01/2002 02/01/2002 - 03/01/2002 03/01/2002 - 04/01/2002 04/01/2002 - 05/01/2002 05/01/2002 - 06/01/2002 06/01/2002 - 07/01/2002 07/01/2002 - 08/01/2002 08/01/2002 - 09/01/2002 09/01/2002 - 10/01/2002 10/01/2002 - 11/01/2002 11/01/2002 - 12/01/2002 on-line |
Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida. O impossível na raça humana são justamente as pessoas. Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes. Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida. Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka. Sempre teremos Paris.... |
30.4.02
quero saber quem vai segurar a onda dessa besteirada que rola por aí o tempo todo... penso nisso de vez em quando... no cinema, tudo bem, tem lá alguma coisa.... dou uma passada por duas livrarias e nada... nem nos cadernos culturais... a bravo é a única que procura segurar a onda... não sei por quanto tempo. bom, claro que a cultura é pra elite e a elite são poucos... paulo francis sabia. eu não sou elite, acho que sou um procurador de. falei isso hoje com um grupo seleto. sim, porque pra falar, tem que procurar um grupo seleto ou você fala, fala novamente, explica e nada babau! as pessoas mais ou menos concordam... mas e aí? mudar para paris? falar em paris, domingo tá chegando. o mundo faz caras e bocas pra Le Pen... todo mundo metendo o pau, embora todos quisessem ter um em seu quarteirão.... amanhã, dia do trabalho, vai ser uma loucura por lá... a frança inteira vai para as ruas fazer suas manifestações anti-Le Pen... é bom fazerem mesmo... por aqui, vamos de benedita... estivemos hoje vendo a exposição pop-punk ou lá o que seja. bacana, eu achei. tudo bem: nem tudo era bacana. mas é querer demais, né? haviam mais meninas do que meninos e ostentavam tantos metais [cruzes, brincos, piercings, argolas, pontas e sei eu mais o quê)... que tive medo de um fio desencapado ou coisa que o valha. aquilo seria um curto-circuito só. as pessoas gostam de ser magras. algumas gostam de ser pálidas (acho bonito), outras fazem mais o modelito maquiadas [eu tenho lá minhas opiniões à respeito]... todo mundo quer fazer um certo tipo [ e vou eu nesse rol, é claro!]. .... tava falando pro andré deixar um pouco joyce de lado e olhar mais a namorada dele. falei de brincadeira, claro. a namorada dele conhece mais joyce e proud do que ele próprio. por isso devem ser um casal feliz... sei lá... de qualquer maneira estão hibernados num desses seminários... aintigamente eu gostava, hoje acho muito, muito chato. ... há um tempo atrás fui num com o domenico di masi e, confesso, dormi. domenico, guardadas as devidas proporções [afinal, ele é realmente um intelectual] arvora-se de guru e acaba virando um lair ribeiro. risível. não ele, o domenico, mas a situação. bem verdade que falei de são paulo aí embaixo apenas como exemplo. porque o rio de janeiro é igualzinho. ou pior. possivelmente pior. porque aqui os bandidos moram ao lado e isso me faz pensar como o perigo mora ao lado. temos o perigo sempre ao nosso lado. e o mais grave é que, na maioria das vezes, interpretamos perigo apenas como assalto, queda, acidente, desastre. parece que não desejamos perceber que o perrigo é muito mais sútil, muito menos emblemático. o perigo é como névoa que passa pelas persianas, como gás que escapa e inebria. esse é o verdadeiro perigo. bem verdade que, partindo do pressuposto da morte nada é perigoso, já que nada mais perigosos que o fim e ele está bem ali, bem à nossa frente. mas não aceitamos bem isso. pensamos nos perigos de uma forma mais idiota, o perigo iminente e não fatal, o perigo que gera algum tipo de sofrimento. não percebemos qual é realmente o 'grande sofrimento'. outros pensam o contrário: que o sofrimento é exatamente a angústia, a possibilidade do risco, do perigo do 'alguma coisa que possa acontecer' como se, de fato, existisse a possibilidade de nada acontecer. por isso, muitas vezes, as pessoas se refugiam na net. num primeiro momento, como droga, como morfina, anestesia a possibilidade desse perigo comum. como se vicêssemos e nos arriscássemos e amássemos [tivéssemos a possibilidade de], mas garantidos pela psedo-distância virtual. acaba não acontecendo. acaba acontecendo o contrário. e novamente nos frustamos. porque queremos, é verdade, mas acaba sempre se repetindo. aliás, acho o assunto repetitivo. creio mesmo que as pessoas têm que vivenciar o processo para compreenderem. é verdade também que, enquanto vivenciam, terminan viciando-se e por aí vai. ficamos então pessoas binárias, indo pra lá e pra cá, tentando aqui e tentando lá, esperando que alguma coisa diferente aconteça, como se, por acaso fosse possível. como se, de forma mágica, não estivéssemos interagindo com pessoas... enfim, esse papo talvez não seja prá cá. existe uma turma mais aplicada, mais voltada para a compreensão de forma séria, acadêmica. quando falo aqui sempre tenho a sensação [certeza] de que acham que estou falando de A, B ou C... que são essas letrinhas? rigorosamete nada. como não o são as pessoas. conjunto de células prepotentes esperando a morte. e, pior, sem consciência... enfim... às vezes tenho vontade de tirar o e.mail daqui. caramba, as pessoas escrevem por tudo. querem xingar? me escrevem! querem dizer alguma coisa e que eu seja porta-vos? me escrevem! no início eu achava bacana, mas agora acho que rola um certo exagero. Afinal têm a possibilidade de comentar apenas... Ora dizem que eu escrevo coisas sérias ou chatas demais, que o blog serve pra outra coisa. Não sei se é verdade. acho que posso e devo escrever o que quero e bem entendo... dar as opiniões que quiser... por que eu não posso achar as coisas e postar? por que tenho que ficar falando coisas "próprias para blogs"? isso sim me parece babaquice! .... vejo um pedaço do jornal nacional... são paulo também tá pegando fogo... a violência por lá também é terrível... e os pobres não tem nem o pão de açúcar pra olhar quando vão trabalhar.... mas quem manda? não votam com o PT? não se acham o motor do brasil? é assim mesmo... quem muito fala... existe um blog extremamente sensível, belo em pequenos detalhes, pequenas observações, palavras carregadas de sentimentos [bom, com certeza existe mais de um. refiro-me a um]. outros que se excitam por serem considerados ácidos. estes...pfui! .. tinha que ver quem considera o quê, ácido. vamos e convenhamos... a grosseria, a chamada tamancada e coisicas do gênero não representam rogorosamente nada. portanto, as pessoas que se regogizam por elogios afoitos, baseados numa espécie de 'clube de bile' deveriam repensar tudo... bom, não quero nem saber.... só escrevi mesmo porque me veio um mail perguntando o que achava... olha: acho tudo uma chatice, muita gente pensando que é, faze acontece... não me importo se é verdade ou não. estou bem mais preocupado com outras coisas... prefiro ouvir jazz do que pensar em quem é, ou se considera ácido. aliás, pra mim, ácido é uma substância que se toma por aí... coisinha xangai, das damas da noite. o pessoal não percebe o tempo que perdemos sem produzir coisas legais. tava falando com eles hoje... existe uma efervecência cultural, um movimento que não pára e que vamos ficando pra trás por bobeira, por não estar com os sentidos ligados... é terrível não estar sensível às possibilidades estéticas que vão se apresentando, uma atrás da outra... tava falando com uma amiga sobre a alma feminina. é bela a alma feminina. muito bela. gosto de ser feminino. gosto de todos os que se percebem femininos... porque perceber-se feminino não é uma questão apenas de atitude, de postura... é mais. é estar atento ao que o outro diz, ao movimento do outro, ao movimento do mundo... de tudo à volta. falamos muito disso. me diz sobre 'entender a alma feminina'... a alma feminina é a alma do mundo, da natureza, da reprodutora, do belo, de tudo que nasce. nem todas as mulheres têm alma feminina. tem esse papo furado todo de ser independente, macho e tal... bobagem. na verdade é pura insegurança. ninguém é forte o bastante. a gente faz e acontece pela vida, mas... e dai? de que vale, companheiro? converso com pessoas saudáveis, pessoas que estão de fato preparadas, que são de fato adultas... e vejo muita confusão... principalmente nas mulheres...tava brincando com uma menina hoje e ela me falava dessas coisas... acabamos rindo. 29.4.02
marina está se superando. hoje é uma das minhas leituras preferidas. não sei se existem críticas a ela (nunca li). Quem não gosta não tá com nada. ela tá falando coisas bonitas e muitas verdades. mas ela não é a única. tem outra pessoa também... muito a dizer, mas ainda não é a hora. certo será o momento de tranqüilidade onde tudo sai de forma mais ou menos razoável. está quase lá. gozado... meu Post&Publish não está funcionando... primeiro tenho que postar e depois publicar... saco! pode parecer que eu quero ir pra lá, o que não é verdade... mas acho que o piores blogs está, aos poucos deixando de ser uma referência de blogs por conta de não alterar sua lista apesar da grande qunatidade de novas pessoas escrevendo e criando. não sei, mas acho mesmo. da minha parte não. foram muito gentis e me fizeram uma saudação calorosa na estréia, o que foi muito bom. mas ainda acho que não deviam perder o status de referência... sei lá... acho mesmo que existem momentos, atitudes que não devem ser respondidas. porque a resposta, na maioria das vezes pode trazer um sentimento que não é exatamente aquele. e não se fala dos que saem, aprendi. a cabeça, regente da alma (e, ao mesmo tempo, sua escrava), é soberana. fico pensando nessas coisas... e concluo outras coisas... porque a vida é, antes de tudo, conclusiva. determinados animais, ainda que feios, não agem por vontade, por propósito e sim por instinto. problema é o homem que faz porque faz. 28.4.02
acho que tenho falado bastante... tenho procurado alertar, não ameaçar... é importante quando falamos bastante, pra todo mundo. acho que todo mundo deveria falar muito antes de qualquer coisa... as necessidades, as carências, as impossibilidades... sartre falou bastante... talvez não tenha conseguido falar com simone, preferia outras mulheres ou mesmo os círculos por onde conversava e palestrava. o que tem isso? acho que tem. acho que essas coisas devem ser faladas. eu falo aqui que é a minha tribuna. por enquanto. acho de verdade que não será por muito tempo. porque pra falar das insatisfações banais temos que falar também das grandes insatisfações e muito mais das grandes satisfações! existe de tudo. não estar atento, é se deixar perder. as condições anteriores...as pré-condições... fico pensando que a vida também traz isso tudo... essas condições anteriores... não sei se sempre foi assim... não devo julgar agora porque não pensava antes, não procurava, não olhava, não me policiava. e acho que 'policiar' pode parecer meio exagerado [que de fato sou], até mesmo um tanto agressivo. mas acredito que a vida, na maioria das vezes, nos leva a tomar determinadas posições que não são naturais [em nós mesmos]. não sei se deveria ser assim... não quero também fechar sobre isso: sobre as pré-condições da vida, dos sentimentos, das necessidades, das carências... enfim... bom, sempre continuar... como num trem... sempre continuar... aliás é gozado porque sempre falei e preguei essa coisa de sempre continuar, mas quando é comigo, lá dentro fica bem mais difícil.... aliás, acho as coisas comigo hiper difíceis... não vem ao caso. o que vem é a história de mudança de posturas e de maneiras e essa coisa toda meio chata de dizer aqui... mas vou dizer assim mesmo, é só pular essa parte... porque o negócio é o seguinte: é preciso continuar nesse processo sempre, de uma forma intransigente, de tolerância zero, que é a maneira que dá certo. isso implica em alterações de humor, dor nas costas e algumas perdas... talvez grandes perdas... possivelmente internas. mas percebo que junto com a perda vem o ganho. a tranqüilidade que falta. e é por essa tranqüilidade que venho lutando nos últimos e conturbados tempos... bom que se explique que os tempos sempre são conturbados por mim mesmo, porque desejo explicar a mim e ao mundo tudo, de uma maneira, com um rigor... aliás, hoje mais cedo tava fazendo uma pesquisa em descartes e acabei rindo.... bom, vou desconsiderar o que li. adiante: Milan Kundera é considerado por muitos um autor menor. Eu não acho. a insustentável leveza do ser e outros fizeram ( e fazem ) a minha cabeça por muito tempo. Encontro um livro do Olavo que fui obrigado praticamente a parar de estudar há muito por ter outras prioridades. bom, soma-se agora este à pilha de outros, lá atrasados... tenho a impressão de que não vou mesmo conseguir colocar em dia. bem verdade que nunca colocamos a leitura em dia [seria necessária uma greve de dois ou três anos de todos os escritores] e eles não sossegam [ainda que não comam]. vá lá. falei de milan kundera só porque é citado em xangai baby. "...quando G. começa a falar tenho a nítida impressão de que não vai parar mais. tenho a impressão de que fala por falar, ansioso em colocar para fora toda a sua angústia existencial. creio que ele sempre foi assim, neurastênico. desde a infância. tem lá seus méritos. dizem que escreve razoavelmente bem, o que não concordo absolutamente. mais me parece um manipulador de clichês baratos. é um buscador, um buscante, um buscadinhador... por que? ninguém sabe ao certo. parece que deseja apenas se encontrar e usa como desculpa de sua insegurança essa 'busca lá fora'... posso estar sendo muito duro nessa análise. afinal, quem sou eu para analisar alguém? dizem que a a criatura via de regra vira-se contra o criador... para mim, não passa de outro clichê, romance capa-e-espada...o Sobretudo sim, parece com ele. por isso estão sempre juntos, quase que se repetindo um ao outro... ou serei eu o estranho no ninho? posso simplesmente me calar e ver o que acontece... acompanhar a trama sem interferir. posso abrir meu próprio espaço e dizer o que bem entendo. terei lá também meus leitores e pouco me importa quantos serão? dois? eu e eu mesmo? será de bom tamanho. é um caso a ser pensado. e isso é trabalho? é. se conseguir desenvolver várias formas e conversas e pensamentos paralelos dentro de um ou mais espaços, estarei contribuindo com ele para seu projeto particular.... mas isso é outra história... para ser contada bem mais adiante... somando-se aos livros, tornei-me um leitor obsessivo de blogs. já disse antes que são jornalismo, que são vida em movimento, romances não acabdos simplesmente porque estão em processo. no início, por aqui, eu não tinha muita certeza dessas coisas... briguei muito por causa da realidade e da realidade daqui. em alguns momentos escorreguei e quebrei a cara. bem feito. acho que aprendi [embora vá estar sempre aprendendo]. mas fiquei escrevendo e lendo. às vezes estou estudando uma matéria, lendo um livro ou ainda redigindo um texto qualquer e dou uma parada para vir até aqui registrar observações. normal.. daí a dar um breve passeio e ler o entorno é um pulo. e vejo sempre os pensamentos, as ansiedades e os desencontros repetindo-se... como o ser humano se desencontra! eu achava que eu era mestre nisso, mas que nada! de qualquer forma continuo acompanhando porque sei que também, de alguma maneira, sou acompanhado. e acho que, no fundo, é saudável para todos. acho ainda que está-se construindo uma grande história, de maneira coletiva, mas ainda assim construindo...não imagino onde vá dar.... porque tem também muita gente sem escrever. meio parada, olhando ou escrevendo em outras partes, buscando outros meios, o que se acaba encontrando (tanto quem escreve quanto quem lê). sei que não há mesmo saída. estamos todos aqui e a verdade é que acabamos por ser mais verdadeiros aqui... porque estamos colocando pra fora toda essa solidão avassaladora que esmaga o homem... e também estamos negando esse o fato, o que não me causa estranheza nem espanto. desde quando não nos negamos todo o tempo? nunca, neném. nunca deixamos de nos negar. por outro lado tem muita verdade. muita dor (ainda que disfarçada na maioria das vezes!), muito sofrimento, muitas perguntas não respondidas... eu falo o que sinto, mas confesso que nada sei de quem escreve da mesma forma que não sei de mim. tem horas que preferia estar em xangai... mas não estou... ... falo dessas coisas não sem algum motivo. nesse meu processo [já amplamente divulgado], que para mim era particular encontro outros tantos processos similares, einda que não assumidos... e isso me irrita um pouco... tem que irritar... aliás, é engraçada essa história de irritação, porque quando você está irritado vira 'agressivo', como se esses sentimentos e modos não fizessem parte do homem, da natureza... como dizer para a cobra ou o crocodilos que não os quer assim tão... ora! procuro notícias novas e não encontro. apenas os eternos desencontros das pessoas... verdade que nem todas tem culpa, nem todas são responsáveis... mas algumas são... e por que passar a mão na cabeça? eu não. não passam na minha... .... comprar sacão em pó lavar a motocicleta comprar calça cigarros (mais) coca cola (sempre) calma (não encontro onde) .... ontem falei sobre um período de grandeza intelectual e crescimento profissional que, para mim, mistura-se com minha própria vida, essência. parece que não soube me exp´licar... aliás, se existe uma pessoa que explica as coisas mal, sou eu, putz! bem verdade que não tenho que me explicar que eu sou eu e que, quem quiser entende, quem não quiser.... mas não é isso... é que realmente vou falando e pulando e repensando e faço uma salada daquelas e as pessoas ficam olhando, tentando acompanhar.... mais uma coisa pra eu tentar me corrigir... não sei se ainda tenho crédito em anos de vida para tantas correções estruturais básicas... quero saber exatamente o que é o alter ego. porque o Sobretudo pode ou não ser um alter ego... e não me importa. porque as coisas que digo são as verdades que me vêm, que me agradam ou me incomodam...e tem mais: esse papo de 'sua verdade' e 'minha verdade' pra mim são uma maneira pseudo-gentil de um chamar ao outro de idiota (o que seria muito mais saudável)... bobagens... pensamos - todos - de maneira diversa...também não sei lidar bem com as diversidades... nunca soube... claro que é mais fácil e cômodo, agrada mais aos ouvidos sensíveis e mais 'lidos'... mas é pouco pra mim... dei uma parada só pra aliviar determinadas coisas (até porque, como disse, tenho cá meus caminhos paralelos), mas as coisas continuam aí, portanto, alguém tem que falar... dia desses me escreveram dizendo que não sou o dono da verdade. o missivista, com certeza, achava que o dono era ele. Pfui! Bestola...Isso tudo é uma bobagem, todo mundo sabe e finge que não sabe... não imagino de onde tiraram essa coisa de que negar o óbvio é melhor do que rasgar a própria carne... sei lá... quanto a mim, continuarei rasgando a minha... e a de quem for preciso. se me entendem, claro. bom, disse que essa história de hipertextos cerebrais me levam a loucura e levam mesmo. sei que levam também quem vai seguindo esse caminho até porque acabam retornando à matéria prima de textolongo como me alerta o marcelo... tá bom, tentarei de outra forma... tem que continuar tentando sempre... acho mesmo que dei uma melhorada, ainda não definitiva. até porque agora me perdi nessa outra coisa, nesse outro processo que é o de autoencontro (tardio), mas vá lá.... vou tentando administrar todas as coisas na cabeça como aquele personagem que carregava uma biblioteca na cabeça e arrumava seus livros todas as noites antes de dormir lá no Auto-de-Fé, do Elias Canetti... mas isso é outra história [muito boa, por sinal]. falava que agora abandono agora a qüestão da forma e tamanho dos textos por algum tempo em prol da reforma mental, se é que posso chamar assim. é uma reforma grande, trabalhosa, onde os hipertextos se processam de maneira diferente. sei apenas que estou caminhando... uma vez ouvi algo sobre caminhar para lugar nenhum. não entendi e não concordei. e não concordo. o ato de caminhar é fundamental. é difícil quando a meta é séria (complicada), mas não perde em essência. portanto, fundamental... não deu pra entender? bom, eu tentei, mas relevem o estado degenativo da mente... estou completamente incapacitado de me concentrar (que, para o que faço, é fatal)... motivos vários, como sempre... perguntar ao robinson assusta. penso em seu olhar para mim... seu olhar estará me dizendo que eu sei mais do que ele, que apenas estou testando... vou acabar rindo e ele também... preciso, na verdade, ter outras coisas para dizer [ e tenho milhares]. ele sabe de mim. verdade que aprende comigo da mesma forma que aprendo com ele. sei que é mais pragmático do que eu e acho mesmo que gostaria de não o ser, mas a profissão exige... bom, ele quer acreditar que a profissão exige. e eu compreendo... o que seria dele, após um dia inteiro, ainda tentando analisar cada uma das coisas que vão por sua alma? não sei. talvez eu esteja certo e ele errado. ele deveria tentar sim. seria mais confuso, passaria por sobressaltos como eu, mas talvez se tornasse mais inteiro... vou sugerir, que não custa nada. quanto à minha falta de concentração para ler e escrever, resta continuar tentando, perseverando, que é o possível. mais não há. mais é sair para dentro de mim e permitir que me perca. permitir um pouco tudo. como muitos se pretendem... e poucos fazem... percebo hoje, com muita clareza, de que existem outros caminhos, outros sítios, outras moradas... talvez essa moda interna a que escolhi não me acolha e não me permita caminhar (se é que tenho realmente de caminhar)... mas existem sempre outras possibilidades... e acho engraçado que, ao dizer isso, dê a impressão de que não tenho assim tantos medos... acho que todos sentem essa coisa que nos segura, impede, coisifica, trava... uns mais outros menos... não sei de mim, se mais ou menos... depende da relação... em relação a quê ou quem? mas são os fatos... são as respostas. não só as respostas do coração como as externas, as verbalizadas ( e as não). é um mundo de respostas que me afoga e paralisa. sei que temos que responder a tudo, todo o tempo. mas como? até quando? até quando a sociedade, como tal, deve imperar sobre aquilo que sou, ou ainda, o que não sou? quem se arroga esse direito que não eu? porque rever posições não se resume apenas a agir de um modo ou de outro, a sentir isso ou aquilo... implica num movimento interno enorme, grande, que nos move em direções várias... que nos faz repensar toda a vida... inteira... tenho a impressão que a coisa de momento, a coisa da hora é apenas uma espécie de detonador... o que gira é algo maior do que temos idéia à princípio... mecanismos adormecidos entram em movimento... sensações... expectativas.. o que é um homem sem expectativa? é uma homem que ainda não nasceu. mas os homens nascem... eu sei que estou me tornando chato (mais) e repetitivo... mas péra aí... quanto tempo mais a mídia vai nos massacrar com o 'mundo cinderela' da nossa benedita? agora ela entrou no palácio... ela que era lavadeira... agora ela foi ao teatro... agora ela reúne as pessoas nos jardins... putz! todo mundo já tem de cor a história da 'mulher, negra, favelada'.... não vem com esse papo de que 'chegou lá' por que não é verdade, não foi eleita! mas tudo bem, por vias tortuosas do destino e a da política (podre), chegou lá, ok. muito bem, não tem mais que lavar roupa pra fora, beleza. que tal trabalhar um pouquinho na nova profissão? 26.4.02
criticam os franceses pela abstinência nos votos e assim, de certa forma, permitir a chegada de Le Pen ao segundo turno. vá lá... mas o importante nessa coisa toda é a reação da juventude francesa: certo, o fato está consumado e Le Pen vai para o segundo turno... mas ele não pode ser eleito! o mundo não suporta outra nazi-facista! a juventude francesa volta, então, às ruas. faz um barulho, um protesto como nunca se viu... o mundo inteiro está de olho no perigo que ronda a frança e principalmente, no alerta, na corrente dos jovens franceses. estão ação forte, atuante, segura, que, com toda a certeza impedirá a chegada do facista ao poder. ou seja, se falharam antes, permitindo a chegada ao segundo turno, intelectuais e jovens impedem agora que a tragédia se consume. ... No Brasil não. no brasil não existe capacidade de mobilização. estamos sendo assaltados, estuprados e assassinados em todas as esquinas. a bandidagem, o poder de quadrilhas, etc. chegou a um ponto insuportável (principalmente do Rio e em São Paulo)! Não há como voltar atrás. se não existir um movimento sério, de tolerância zero, estaremos competindo com a Colômbia... e o que fazem nossos jovens e intelectuais? nada. abraçam a pobre ( e assaltada ) Lagoa... eu diria que é fundamental ler... não, estudar o livro "Se um Viajante numa Noite de Inverno", de Ítalo Calvino... tentei explicar hoje algo sobre meu processo ao P.A. creio que não soube falar. na verdade repeti a ele as coisas tais como se me apresentam desde sempre. ele me ouviu e fez também suas considerações. sei que tira para ele coisas que falo de mim... às vezes acho engraçado porque temos partes que queríamos em nós... como se parte minha e parte dele, criasse um... como se fôssemos necessidades ambulantes com meias-partes.... acho que eu sei mais do que ele fala do ele do que digo. por falta de experiência naturalmente. e penso que tanto ele quanto eu estamos envelhecendo rapidamente. quando nos olhamos, estamos dizendo isso, um ao outro: v. está ficando velho.... na maioria das vezes meus textos são enormes, confusos... hipertextos cerebrais, saltando de uma coisa a outra em busca de uma conclusão que não chega. é necessário coordenar melhor o processo para conseguir ser razoavelmente suportável... infelizmente não posso parar de ler os jornais... e quanto mais leio, à cada dia, mais o medo me domina... continuam os assaltos... da linha vermelha à vieira souto... assaltos violentos, armas em punho... mortes... não entendo como toda esta comunidade se mantém calada... como não se rebela, como não usa essa ferramenta para fazer uma grande corrente, um levante popular. Realmente não compreendo esse espírito frágil, alienado de toda essa comunidade. Como não comprendo ainda porque não fazemos um manifesto nacional pelo direito de andar armados... sim, armados! dirão que o porte de arma induz à violência o que é, no mínimo, gargalhante... qualquer autoridade que fale em aumento da violência é ridículo... se, de qualquer forma seremos assaltados e, na maioria das vezes, assassinados... por que não dar uma chance... uma só de matar os facínoras? por que? não é propriamente uma produção menor, compreenda... é que o processo de mudança induz (sei lá porquê) a uma certa 'pulverização' de formas e maneiras de dizer... acho até que torno-me mais obscuro, mas quando não o fui? quantas vezes, por obscuro, não fui tomado por intransigente? na maioria das vezes... percebo que grande parte do que foi incompreendido no que postei foi pela forma, pela incerteza da alma... agora ela apenas está assumida. acontece realmente um divisão, uma ruptura. diriam que análogo ao da esquizofrenia? possívelmente, mas, veja, apenas análogo. muito antes um processo de reencarnação... dos programas... uma formatação e reinstalação (além de upgrades)... relendo parece que falo de forma cifrada para que não se compreenda, mas não é exatamente isso. falo o que posso, o que sinto e o que consigo. acho que em breve tudo estará transmitido da forma mais translúcida possível, mas sei também que muitos estarão entendendo perfeitamente... realmente não escrevo pra uns ou um ou uma. apenas escrevo, escrevo, escrevo... o processo de mudança começa a se clarear... não ainda o bastante para descrever corretamente... mas está começando.... estou me rendendo a esse mundo com o qual lutei... não com o sentimento de derrota que pode parecer num primeiro momento. absolutamente. me render no sentido de entender, de ver assim, de estar dentro... de ter optado pela pílula e saber que não tem retorno. E que esse mundo ta aí... é meu mundo e não tenho como estar fora... pior, não quero estar fora... e estar fora é estar num mundo não muito seguro, como nada é e nem sempre percebo...esse mundo e de fora realmente se misturam, se perpassam e não há porquê insistir em dividi-los tão claramente... não reconhecer que a linha divisória (existe, claro) é tênue e assim será para sempre, como se as geleiras tivessem se desfeito... por que insistir em não ver a água, em não conviver com ela rexadamente? Mas não como uma necessidade, algo que se tem que aprender ou assumir... não como algo que flui, uma droga que penetra, que invade e toma o cérebro. Por conseguinte vai a alma, e dessa não se escapa... poderão inclusive achar que perpetuar a realidade é dela sair e não é. Não é para ser. "deus é um conceito econômico. à sua sombra fazem a sua burocracia metafísica os padres das religiões todas" Fernando Pessoa 25.4.02
eu tô falando aqui em renascimento, em renascimento, em renascer, em refazer e não estou dizendo nada, só a palavra. claro que não é mistério, nem segredo, isso tá fora da minha meta. o que acontece é que rola mesmo uma coisa, uma coisa estranha, lá dentro, forte... mas sem forma. um processo está nascendo como um tardio dente (aquele, esqueci o nome!)... é um processo forte que envolve determinadas leituras (ainda que não tenha me aprofundado nelas), determinadas posições diante da vida [ esse breve intervalo para a morte ] e outras coisas mais... de qualquer maneira, repito, não estou escondendo, estou colocando pra fora, dizendo o que sinto... imagino que eu e o sobretudo descobriremos tudo ao mesmo tempo (pelo menos eu espero). muito menos sei o que vai rolar à partir daí. se, por um lado, gosto dos sentimentos novos, das posturas novas, por outro me assusto (assustado que sou...) diante do novo. Ainda que esse novo seja apenas um processo interno... apenas? um processo interno é mais que um clone... é a casca da serpente de J.J. Veiga e aquela história toda do antônio conselheiro revivido (redivivo?).... bom, isso é só exemplo. e exemplificar o que não conheço (de mim) é demais.... 24.4.02
tava lembrando ainda agora do dia 24 de abril de 91. porra, eu como sempre, nervoso pra caramba, andando de um lado pro outro, querendo fazer alguma coisa, ajudar, me meter no parto do tadeu... bom, claro que convenci ao médico que eu tinha que ficar lá, que participar, assim como expliquei que esse papo de 'trabalho de parto' tava demorando muito, a patrícia tava com muita dor, sofrendo muito, era sacanagem e tal... tudo bem, reconheceu ele, e partiu pra cesária. patrícia me olhou e eu sabia que estava me agradecendo... fomos lá, eu no meio, todo mundo se vestir, colocar as roupas do centro cirúrgico e tal. ao contrário do nascimento do joão caetano (onde participei muito mais da cirurgia que do processo como um todo), no tadeu foi diferente. fiquei lá atrás, conversando com a patrícia e mais ou menos narrando pra ela como as coisas estavam indo... e foi tudo muito bem. na hora que a pediatra levou pra lavar foi confuso, eu queria ir com ele e ficar com ela. acabei encontrando uma maneira de ficar no meio do caminho... vieram aspirar ele perto de mim (e dela). aliás, gentimente, pedi à pediatra que deixasse que eu mesmo aspirava (porra, uma puta borracha dura no nariz da criança! .... no dia em que o tadeu nasceu eu me senti um pouco renascendo porque ele era essa coisa meiga e esperada que eu sabia que ia ser (já era na barriga, era quando nasceu e é hoje, muito mais do que nunca)] e, o mundo vai girando, mas ele é esse menino-deus que me ensina todas as coisas, que mostra a estrada a ser encontrada. de mãos dadas com ele, eu chego lá. quanto a eu escrever muito aqui e falar pouco pessoalmente, há um erro de interpretação: o que estou fazendo aqui é falar tudo, o tempo todo, sem pensar muito, colocando tudo pra fora, ainda que nesse estado bruto, não lapidado. uma coisa assim de dar vazão ao id, de forma absoluta para ver o que acontece. não o que acontece com os outros, mas o que acontece comigo mesmo. erra quem pensa que não ouço os comentários, as críticas (muitas vezes severas). errado. escuto sim. muito. aliás, é bom que se saiba que até hoje não encontrei um crítico de mim mesmo tão contumaz, tão severo, tão brutal como eu mesmo. estou todo o tempo me criticando e detetando essa miríade de pontos fracos que compõem minha alma. é como um céu do sertão. mas não estava falando disso .... estava falando dessa coisa de sair escrevendo sem parar, prazer solitário, onde o encadeamento de raciocínio explode sem nenhuma interrupção, sem nenhuma crítica externa, ainda que construtiva. essa crítica vem depois e é bom porque vem mais fundamentada, vem em cima de um pensamento uno, completo, global. ... considero-me um homem só. sempre me considerei. hoje é tanto quanto sempre foi. nada mudou. acho mesmo que todos somos muito sós. reconheço que isso me angustia, mas é uma questão existencial, de pura dialética, de pura manobra racional, racionalizante e mesmo (des)racionalizante. não posso dar paz ao cérebro apenas por não concordar com o que é e saber que independente de mim será assim. não. discordo, berro e esperneio. minha vontade tem que ficar escrita de alguma forma, em algum lugar. sei até que não serve de nada, mas está lá. ... daí venho construindo esse mosaico torto e incompreendido. não incompreendido por um, mas por todos, inclusive eu próprio. desde quando se imagina que me compreendo? claro que não! se compreendesse tudo seria mais leve, mais calmo, mais tranparente, suave. não há suavidade dentro. tenho suavidade fora, para dar, para transmitir, quero muito mais dar do que receber (embora as atirudes nem sempre correspondam ao que digo), mas é isso. muito mais a dar. o que desejo receber é nada: é fruto dessa insegurança ancestral do ser humano que rebate em mim de forma avassaladora, cruel. que dói muito em mim. só. não adianta falar de dor porquie ela é inalterada. existe em mim como em todos. é só a forma como se percebe ... a qüestão da dialética, essa é a grande dúvida. porque ensinamos e falamos e propomos e agimos de formas completamente diferentes todo o tempo. com nossos parceiros, nossos filhos, nossos pais, nossos cachorros... fico falando, falando e sei que nada vai mudar nada porque está tudo lá, caminhando dentro das nossas cabeças e o mundo aqui fora nos é completamente indifirente. como indiferentes são os planetas, uns aos outros... que fazer? nada, claro. apenas olhar e observar com cuidado. muito. pensar que falando sozinho, que colocando tudo para fora existe a possibilidade de ser percebido não como grande ou bom, mas como pessoa - e volto ao "Tornar-se Pessoa" dos Carl Rogers , tão lido na juventude - essa é a idéia... colocar-se para si mesmo. fazer desse monitor um espelho quebrado, ainda que daqueles vagabundos de rodoviária do interior... um espelho quebrado refletindo um rosto tenso com olhar profundo, intenso e sincero. Bom, sobre o tadeu... a história é longa. não vai dar mesmo pra falar tudo agora. quem me conhece sabe bem o que digo, sabe da importância do tadeu. ele é a coisa fundamental, a pedra filosofal, a eterna possibilidade. depois eu conto... hoje é um novo dia de uma nova era. não perguntem como nem porquê. é porque é. não sei o que acontecerá hoje, nem amanhã, nem depois. não sei como reagirei ao que acontecer. de mim, não sei nada. mas sei que é tempo de mudança. tempo de rever, repensar, re-agir. foi uma semana tensa, nervosa, agressiva, mas tinha que ser. não dava mesmo pra não ser. são essas erupções que brotam, ora para bem, ora para mal. é preciso, portanto, parar. parar com calma, para sentir. ver o que o alerta da confusão, do 'sentir-se confuso' quer avisar. se, com o tempo, ele mostrar-se confusão momentânea, fruto de explosões emocionais... tudo bem, tudo volta à paz e ao amor. se, antes, o 'estar confuso' for um alarme para o cristal que trinca sentiremos na alma, independente de falas, ações ou afagos. porque as coisas só podem continuar, o rio só pode seguir, se for espumante, translúcido e com sons de vida. 23.4.02
noites esfriando, sobretudo de lona saindo armário... tem os casacos de couro também... e as luvas... todo esse guarda-roupa, toda essa pompa para andar de motocicleta. os meninos e meninas se travestem e saem por aí, com motores aos berros, sirenes e buzinas... na grande maioria das vezes são pessoas legais, simples, que gostam de brincar e conversar... formam pequenos grupos e rodam pelas cidades, pelas estradas, enfrentando sol e chuva. podiam estar de carro, mais confortáveis... é mero prazer, mera curtição... acho que não tem muito um porquê. é porque é. assim. simples. aliás o tema casamento é recorrente... esse papo de casar é engraçado porque não tem meio termo: as pessoas são totalmente contra ou totalmente à favor. não tem ninguém mais ou menos ou em processo de reavaliação da opinião. acho que hoje existe um grupo enorme de solteirões convictos, aqueles que se dizem namorados para satisfazerem determinadas carências e continuarem com a impunidade dos solteiros, livres e desimpedidos. outro grupo é o dos casadinhos, que se amarram a uma família e pronto. nesse grupo tem uma subdivisão: os felizes e tranqüilos que levam sua vida na boa e os infelizes que acham o casamento uma merda, vivem procurando parceiros na rua, mas continuam lá, mantendo a situação. esse segundo grupo é o exemplo ideal para a turma que tem aversão ao tal casório. sempre lembram de 'não sei quantos milhares de casais conhecidos' que levam essa vida infernal. e é verdade mesmo. tem essa turma de infelizes por aí. nos dois times existem exemplos felizes e infelizes, bem e mal sucedidos. daí que a discussão é pior que política ou futebol: não tem fim, ninguém concorda com ninguém, ninguém abre mão das posições assumidas. é o tal 'zero a zero metafísico' do camus. fico pensando se a gente não olha em volta demais, se não tem uma visão muito estreita, exemplos muito pequenos... porque se olharmos para um horizonte maior, mais largo, vemos a população. dessa, emergem aqueles que temos notícias, que têm mídia e, portanto são, de alguma forma, famosos. e estes, curiosamente, são casados. E por que falo de tudo isso? Não sei. já sei que disse que ia falar da máfia e das mulheres chinesas. e vou mesmo. antes tenho que ler dois livros que não encontrei ainda e quando encontrar não sei se vou ser capaz de me concentrar para ler, já que não consigo concentração nem pra almanaque de farmácia de subúrbio de cidade do interior. tento sair, mas não consigo. nem o trânsito, nem as pessoas, nem as luzes me chamam a atenção. a moto faz barulho, mas não escuto porque tem outras vozes dentro da minha cabeça, vozes muito mais fortes que berram por alguma coisa deixada pra trás, por uma ansiedade que nenhuma dose de ansiolítico aplaca e corro e ando devagar e nada muda. nada muda. o ônibus dá fechada e estou tão distraído que nem sei quem deu fechada em quem... de que adianta saber, afinal. o sinal fecha, mas eu passo batido... não adianta rodar, acho a lagoa feia e a lua não me importa, não me interessa. dou uma olhadinha pro cristo e passo batido, quero que se foda essa estátua que abre os braços pra marginália. o que eu sou, afinal? um carola, desses estranhos de olheiras que andam pelas sacristias fazendo e acontecendo? parece que não. O que, então? não sei. esse é o problema: não me explico porque não me sei e sem saber vou fazendo e falando e tentando mostrar e contar e me retraindo e insistindo e vendo que nada vai dar muito certo... a meta-linguagem aliás, cria uma possibilidade nova, como de fato é, mas inconstante, insegura e insatisfeita. buscar ali o que se quer na carne é como drogar-se... o efeito passa e, quando estamos dormindo e nos mexemos na cama, não há nada ali... . é complicado apenas ter o teclado. ou o homem dependendo de situações. são perguntas que me faço e não encontro resposta. não encontro sequer boa vontade em pensar sobre. e não havendo nem uma coisa nem outra, praticamente fico paralisado. não seco, como se pretende, de forma a transferir sentimentos. não. paralisado é a palavra correta. não acho, de maneira nenhuma, que a paralização resolva nada, nem mesmo ajude. reconheço nela uma deficiência grande, uma incapacidade para. mas será tão condenável assim? o homem deve ser condenado ou absolvido baseado em códigos de um mundo distante e, principalmente, diferente de toda a realidade paupável? acho que não. sinto-me preso nessa baba cósmica que gruda, imobiliza. quero sair, mas não consigo. o meio é o homem-novo, o da cidade em chamas, ou o meio-homem como Medardo, de calvino. porém medardo, por ser meio, torna-se mau, muito mau. simplesmente fica assim, nem sabemos se tem consciência disso. nós, que temos consciência não queremos ficar assim. pelo contrário. é apenas uma situação, um momento obscuro. não é a cegueira, mas a perda temporária da visão. de qualquer forma, na perda temporária dessa visão, pode-se tropeçar e cair do penhasco. e quem cai do penhasco, como se sabe, não volta. não volta para reviver. as águas levam tudo, todos os destroços... e quem fica olhando? uma joana d'arc apócrifa, um ser itinerante que não percebe a terra do nunca. ser peter pan às avessas implica sempre na mesma prisão de peter na terra do nunca. o homem mago morreu. o homem que acreditava num mundo de fadas e bruxas e heróis também... não existem mais heróis, apenas seres esfarrapados que andam entre ruínas, armados que se protegem, em meio a nuvens de fumaça negra, do possível agressor que pode estar atrás do próximo latão de diesel... esse homem tem um lenço amarrado à cabeça, à la bandana, e está assustado. sua mulher está em algum lugar, possivelmente fugindo também. pode estar com um amigo, ou alguém que considere um amigo. não dá mesmo pra saber... ela está por aí... um de seus filhos está perdido em outro ponto dessa cidade inóspida. o outro, por enquanto, em lugar protegido... existem trabalhos a serem feitos, missões a serem cumpridas... e serão, mas todas elas não deixam de trazer algum tipo de violência, principalmente contra si próprio... esse homem-novo é descarnado e destorcido como o personagem do último hannibal... um auto-mutilidado por impulsos externos que destruíram sua capacidade de pensar da velha forma. a velha forma não existe. existe apenas essa cidade em chamas, esses cacos de vidro espalhados pela rua, misturados ao óleo que inunda o mundo... tudo é muito negro e as fumaças tornam-se cinzas apenas para se destacarem... esse homem, rasgado - por dentro e por fora - segue em frente, arma em punho, óculos escuros... ainda tem seu meio de transporte... ainda passa rápido pelos cadáveres mal cheirosos... esse homem-novo, fruto das pessoas que não conseguiram trafegar entre dois mundos... das pessoas que sucumbiram, abandonaram o humanismo e levaram com elas todas as possibilidades de um mundo melhor... o fim da sociedade sempre foi anunciado, sempre temido, mas não se esperava para tão breve, de forma tão avassaladora... é o fim das praias... é o mar vermelho... a retomada dos 'bons dias' ao redentor é apenas o ícone. o símbolo da descrença, do afastamento, do desgosto, o fim da sociedade proposta... é o cimento e o concreto afogando o pão de açúcar e o cristo... é a baía da guanabara vista da bicicleta que, por sua vez, é a retomada de um passado confuso, mas que marcou... por todos os fatos, nasce esse homem triste e assustado, mais careca, mais sujo, mais frágil... não existem escopetas que detenham a fragilidade do homem... não existem motocicletas mais rápidas que a degradação dos sentimentos... não existem meios de comunicação que não o grito de desespero. aquele filme foi só o começo! a web, dia a dia, se firma como a mais completa e perfeita possibilidade humana na área do conhecimento. imagino mesmo que o homem do ano 2000 não consiga mais administrar os governos, as finanças, a educação, a informação e tudo o mais sem estar conectado à internet. creio que seria infantilóide, imbecil, descerebrado, tentar, sob qualquer argumento, pleitear qualquer tipo de comunicação humana dispensando a rede de computadores. ela é o grande cérebro, principalmente na área da memória, que conduz a humanidade. tão importante quanto a criação da roda. ou a criação de deus... mas reconheço agora, algumas informações que recebi sobre a importância do conhecimento no bar (ou algo no gênero). amigo, é só o do bar. e a perpetuidade da amizade também só ocorre com sucesso no outro mundo, o mundo não digital. amores e amizades na web são retumbantes farsas. precisou muito tempo relendo o e.mail para compreender. mas essa verdade agora explode, como uma bomba no meu colo! aí vai também o lado de aprendizagem. a web ensina. ensina pra caralho. mas você tem que estar atento e, principalmente, aberto para aprender. não tenho estado. tenho estado fechado e não percebido. tenho tomado atitudes infantis e covardes... tenho insistido em ver apenas o que quero e não o que é. tenho acreditado (por anos à fio) que, através da internet, solidificam-se relações... mesmo às de amizade... e não é! é no bar! é na rua! é no automóvel! daí essa grande confusão que o homem vai se metendo, dia após dia, descendo mais e mais por acreditar que pode manter o que não existe. o que existe são pessoas. lembro do livro do carl rogers, 'tornar-se pessoa', tão lido e tão incompreendido (por mim!)... mas, não estando morto, existe a possibilidade de mudar, de corrigir o rumo. ter a humildade para... entender definitivamente para que serve cada uma das ferramentas que vamos criando. deixar o egoísmo de lado e abandonar essa proposta ridícula e absurda de semideus! isso vem de uma confusão trazida inconsciente, da infância, dos filmes sobre a 'quarta dimensão'. nada a ver. rasgar tudo isso. compreender que, independente no nosso projeto, da nossa expectativa, existe um mundo lá fora e só esse vale. continuar insistindo é pior do que o mito da caverna... caramba, tipuri, como custei! tem esse dilacerar-se totalmente... destruir tudo, ainda que o alvo seja você mesmo, para renascer (ou não) outra pessoa. pessoa desconectada por natureza, possível de conectar-se para as necessidades básicas da informação, da correspondência, da troca de dados, das exposições de motivos e tudo o mais.... mas, antes de tudo pessoa. caramba, é muito, muito duro e só posso invejar quem já conseguiu e lutar desesperadamente na tentativa de conseguir. não tenho certeza de vou chegar lá, mas a idéia está plantada (e regada). estou preparando uma série de ferramentas e opções de comunicação, para, em breve, desligar-me definitivamente do ICQ. percebo, dia a dia, na equipe que trabalha comigo uma certa acomodação, um certo despreparo para os desafios que se apresentam e rexamento na implantação de novas possibilidades criativas e práticas para o trabalho desenvolvido. tenho feito reuniões e conversado com cada um em separado. esse método, parece, não está sendo assimilado. começo a me convencer que, somente com mudanças radicais, conseguirei imprimir o ritmo, a criatividade e a eficiência necessárias ao desafio da tarefa a que nos propusemos...estou, de verdade, muito preocupado.... de repente o mundo pára, principalmente esse meu brasil comunista, aparvalhado com a possibilidade da extrema direita assumir o poder na frança... eu acho engraçado, porque ninguém se assustou nem aparvalhou com todos os quadros comunistas que ocuparam os mais altos cargos por toda a europa! os socialistas, denominação pós-moderna de comunista, estiveram por toda a parte nos útlimos cinco anos! o povo, mais inteligente, mais preparado, mais vitaminado que o nosso, resolve agora usar de suas prerrogativas democráticas para mudar; não querm mais o comunismo por aquelas plagas! espanha, portugal, frança, áustria, itália e tantos outros, cansaram de ver o atraso e a desordem e buscam novas alternativas, novas possibilidades de crescimento e ordem, levando ao poder, pelo voto!, a chamada direita. o que isso representa? heim? quem teve insônia bastante para assistir ao programa do jô soares às duas e tanto da manhã desta segunda feira, viu a entrevista da governadora do estado do rio, benedita da silva. eu sempre critiquei benedita pela forma demagoga de seus slogans e sua incapacidade de raciocinar sobre problemas de forma ampla. mas a entrevista ao petista histórico jô soares foi o coroamento de tudo o que se possa imaginar. benedita não conseguiu articular uma frase inteira, concluir ou desenvolver um pensamento sequer... jô começou a ficar agoniado e repetia as perguntas, ajudava nas respostas, encaminhava pra ver se a coisa andava, mas nada. Sobre a segurança no rio, jô falou quatro vezes; perguntou de diferentes formas; benedita foi incapaz de articular qualquer pensamento coerente. falava de um polícia mais técnica sem conseguir explicar do quê se tratava. falava de ações mais sérias, sem conseguir enumerar uma sequer! foi um fiasco absoluto, completo! o único pensamento que benedita conseguiu desenvolver de cabo a rabo foi dizer que gosta muito de comer, talvez por trauma da fome que passou na infância e, outro, que está comprando uma cama nova, maior, para sua moradia no palácio guanabara. jô, petista assumido, militante, etc., achou por bem encerrar a entrevista antes do tempo. á a lama, é a lama. 22.4.02
Aos que pretendem vir à Cidade Maravilhosa, eis uma amostra dos recepcionistas, apaniguados do PT, da benedita: ![]() e por que achar que cada ato, cada atitude, cada suspiro tem, embutida, uma segunda intenção? o que temos contra a inocência? a igreja católica está destruída. o mundo judeu está acabado. o amor, no sentido pleno, ridicularizado. a ordem e a hierarquia, ultrapassados. o sentimento, a fragilidade e a emoção, proibidos. bem verdade que temos todas as vantagens desse mundo pós-moderno. como andará se sentindo homem? lá dentro... penso que passar de menina a mulher, traz no bojo a responsabilidade da mudança, da opção. a emoção e beleza desse rito de passagem tem logo à frente o peso da pré-velhice. desnecessário dizer que o mesmo se aplica aos homens. a diferença é que o homem é prisioneiro da sociedade. não tem opção. o homem verdadeiramente moderno está muito menos preocupado com as decisões, o comando. ele renasce, (sim: renasce!) puro e desprovido de idéias e expectativas de domínio. deparar-se com mulheres que se anunciam dominadoras, provoca um recuo, uma retração de atitude e sentimento que nem elas mesmas são capazes, têm sensibilidade para avaliar. com o tempo, a natureza prevalece, vence e elas voltam ao seu estado natural. fica então, um paradoxo: duas pessoas sensíveis e frágeis. a angústia de perceber no outro também uma pessoa sensível provoca o descontrole nas ações. talvez uma tentativa de resgate de si mesmos. ora, se tudo for mesmo assim, por que então tentar inverter a natureza? em nome de que bandeira? O feminismo com atitude, como movimento libertador deu à mulher as ferramentas necessárias para colocar-se política e socialmente junto aos homens. Os motivos que as levaram a ter uma posição submissa durante séculos são vários [a maioria não agradáveis de serem ouvidos pelas mulheres]. Mas ocorreu um fenômeno moderno (nas décadas de 40, 50 e 60 pra cá) interessante, repetindo a história universal. A mulher liberta, na esmagadora maioria dos casos [ que têm lá suas excessões ] funcionou da mesma forma que a abolição da escravatura. Como os escravos, que de uma hora pra outra, tornaram-se 'libertos' e não sabiam o que fazer com sua liberdade partindo [na maioria das vezes por despreparo] para o crime, as mulheres perceberam-se uma hora para outra 'iguais' aos homens. Teriam, portanto, que agir rigorosamente igual aos homens! E não sabiam e nem queriam... simone de beuvoir tratou com maestria essa qüestão. nelson rodrigues foi a salvação de todas as feministas. e por que? ora, com seu ar grosseiro, suas falas 'incorretas', sua inteligência privilegiada, suas frases cavas e brutais, tornou-se ele apanágio para as inseguranças. ele era o alvo. batia-se em nelson para ganhar tempo. com sua morte, nelson rodrigues deixou órfão todo o movimento, todas as feministas. hoje, além de cumprirem sua parte na expectativa social e política, têm que relacionar-se com o velho inimigo, o homem. não sendo este, um bruto como nelson, ficam sem parâmetro, batendo sim, mas sem régua ou compasso. sonhei que tinha levado um puta tombo da moto. parece que tinha morrido. deve ser trauma da multa de quinta feira... os dogmas não são ultrapassados. antes, são travestidos de falta de sentimentos. o que resta é um zero a zero metafísico. acreditar que não adianta reavaliar é tanto quanto ceder e ficar descontente. isso não encaminha para nada, trata-se antes de um tour de force onde vence o mais prático. não sei se perco quando ganho ou ganho quando perco. aliás minha proposta não é ganhar ou perder, é outra, bem diferente. mas reconheço que não tenho o pragmatismo de um matemático. e gosto de não ter. 21.4.02
20.4.02
venho, a muito tempo falando nas minhas preocupações com o tempo, e como o tempo me incomoda, em como o tempo me soa estranho e ardiloso. não sei se escrevi sobre o tempo por causa disso ou isso me fez ir ao tempo. infiferente, problema do robinson. o que importa é que algumas dezenas de horas após escrever, o tempo, malígno dá o troco. faz com que eu sinta na carne o seu poder. porque se o tempo andasse para a frente e para trás, ou ainda, se eu o dominasse, faria todas as coisas diferentes. poderia me fazer diferente. poderia fazer aos outros diferentes. poderia fazer renascer o outro ou ainda, impedir que determinadas loucuras, traumas e afins se enfronhassem no inconsciente meu e dos outros. o tempo, é portanto, esse responsável absoluto por todas as dores que possamos sentir, por toda a incompreensão que rola entre todos. Marcelle VII - o que o tadeu representa? - a proposta de vida que perdi. - que mais? - acha pouco? - gosta dele ou do ele representa? - dele, claro. só um idiota cego não percebe. - e a 'proposta de vida'? - também. são essas coisas que não se reconstróem porque depende do outro... - existem outras. - claro que existem. segundo me disseram, é o que mais tem, gente querendo o que eu quero... - e o que você quer? - deixa pra lá, já disse que não falo mais disso. Por hora, tem o tadeu. Marcelle VI - posso ir de moto com você? - pode. - pra onde vamos? - não sei ainda. - gostaria de saber para onde vamos - eu também gostaria, mas não sei. não sei o que fazer nem para onde ir. - acha que está ficando doido? - não, não acho. - vamos beber? - não. vamos ver o tadeu. - por que? - é a festa de aniversário dele. é ele que eu tenho. - isso é posse. - foda-se! - está sendo grosseiro... - estou... eu nunca posso? - acho que pode... Partimos. Marcelle IV - oi... ué, por que raspou a cabeça? - nada. revolta - por que está tremendo? - sempre tremi, desde pequeno. - por que não fez a barba? - pra compensar a careca. - por que seus olhos estão vermelhos? - porque eu choro. - por que não vai ao cinema? - por que você não vai tomar no cu? Marcelle I paro no posto de gasolina. minha motocicleta bebe mais do que um Galaxie. vou até o bar, tanque cheio e pneus calibrados. no balcão, vodka susto? não, meninos eu sou bebedor de vodka... o pessoal mais antigo sabe. cerveja me entope e demora muito a. - mais alguma coisa - não obrigado. Ela me olha. senta. - o que foi, por que está bebendo? - pelos motivos pelos quais as pessoas bebem. dopar. - triste? - não... normal. a tristeza é um estado normal. - algo errado? - não sei. possivelmente o mundo... ou eu... pelas possibilidades, eu. - quer ajuda? - não - quer ir pra cama? - não Me olha. Fica calada. Eu falo: - não quero nada. existe a inércia... o campo alaranjado como quarto de marcelle, as estradas de fim de tarde vazias e a motocicleta. - e o que mais? - mais nada. - não está com calor com essa roupa? - estou. é de lona. escrevi quatro posts e os deletei após refletir um pouco. se alguém leu, desconsidere. se não leu, desconsidere a possibilidade de. posts são observações baseadas em sentimentos. sentimentos em mim não passam. são acrescentados de. por acrescentar, muitas vezes, tomam forma diferente e não cabem em frases escritas. poucas coisas cabem em frases. até porque, conforme dito abaixo, a primeira parte terminou. o que resta é um breve epílogo. porque a vida é um breve epílogo 19.4.02
de vez em quando eu dou uma pirada... é bem verdade que sempre tem um elemento "disparador". não é assim, do nada... o que não altera a anormalidade do espírito. aliás, o termo não é 'anormalidade'... trata-se de uma incapacidade para lidar com adversidades fortes, principalmente sentimentais. quer dizer, quando o espírito, o coração não estão bem, todo o resto se convulsiona. - mas é interessante perceber que o 'coração' estar bem não depende, necessáriamente, de namorar ou casar com alguém. não. o coração fica bem em várias situações. aliás, eu acho melhor do que neurose, psicose e outros, o termo, neurastenia (ainda que não mais usado, por antigo, ultrapassado). não vejo nas anamneses de hoje termos tão amplos e completos como a tal neurastenia... eu me acho muito inteligente. e me acho muito burro também. tem gente mediana. eu não: sou muito inteligente e muito burro. o homem é condenado a ser sempre só. não perceber, é enganar a si mesmo. ponto. por isso o homem procura companhia. companhia de vez em quando é "visita conjugal" pra prisioneiro da Bangu I. fico olhando pra esse blog, pra essa porrada de coisas escritas... umas bem escritas, outras mal.... muitos erros de português, muitos erros de avaliação das pessoas e das coisas, mas muitos, muitos acertos também... porque, no fundo, é isso o que eu sou, uma pessoa emocional, sanguínea, que está o tempo todo pensando, aprendendo... mas pra ensinar tem que comer muito feijão com arroz - e cuspindo em quem não tá sabendo... converso com as pessoas por aqui e fico contente de ver que a maioria tá sacando tudo, ainda que discorde da forma... mas formas, são apenas formas, é quase irrelevante. tratei de assuntos meus, da minha cidade, do meu país, do meu planeta, dos meus sentimentos, dos meus ódios mortais (sim, porque eu os sinto), dos meus amores desmesurados (sim, eles são absolutos, arrebatadores), da minhas inseguranças (intermináveis) e das minhas certezas (também intermináveis) - embora estas, sempre possíveis de mutação radical. e agora? pra onde vou? quem mais na web quer saber do sobretudo de lona? o que mais tem a dizer um homem à beira dos cinqüenta anos, à beira de um ataque de nervos, à beira de uma mega explosão criativa, à beira.... sempre à beira ? não tenho as respostas. tenhos as estradas e a motocicleta. tenho um colchão de molas inútil. tenho um blog querido e criticado. tenho a autoconfiança abalada. lembro de j.j. veiga e seu livro, A CASCA DA SERPENTE... antônio conselheiro mudando de pele, fingindo-se de morto em canudos para escapar do exército e refazer sua vida e sua pregação.... mas isso aqui não é um canudos binário ! --- os meninos que trabalham comigo dizem que sou insaciável... que não quero parar... que quero trocar tudo e experimentar de novo toda hora... me amam e dizem que sou irascível, iracundo, agastadiço... enfim, não me sabem. e quem me sabe? ninguém... talvez eu mesmo, um pouco... que lição tirar disso tudo? ou melhor, haverá lição a tirar? temos sempre que tirar uma lição? bom, eu não quero e não tiro. não acumulo experiências para usar depois. cada momento é único, a experiência na maioria das vezes se traveste de trauma e, pra mim, bastam os que já tenho... tô fora! pra mim, as mudanças são muito dororidas.... mais ainda as sensações de fracasso (meu)... claro que a gente fracassa pra caramba, a vida inteira... mas isso não ameniza a angústia de cada perda, ainda que pequena... o homem é um incorrigível 'acreditador' de que tudo sempre vai dar certo. eu sou e pretendo continuar sendo, o que não afasta esse amargo da boca, esse fel da cabeça... aliás, fel na cabeça é uma coisa séria, importante e normal que a gente tende a banalizar [talvez eu fale mais disso depois] eu bato sim, bato pra caramba, mas tô falando toda a verdade, o tempo todo... disso deve ficar uma seleção natural de quem percebe ou não... com certeza não é a maneira mais correta, nem a mais fácil... mas é uma maneira... tava lembrando a história do paulo francis e dizendo que hoje eu não publicaria o que publiquei no passado, não faria coisas que fiz... mas o tempo...bom, todo mundo já sabe... por isso minhas questões com essa história de tempo.... e quando me pergunto, fico em dúvida: mixórdia é viver na solidão? queria ter a resposta e não tenho.... gosto muito daquele quadradinho "nenhuma das opções acima"... a vida é cheia deles, cheio de 'nenhuma das opções acima'... azar, que fazer? ... meu companheiro de viagens marcos levou um tombo de motocicleta e teve que colocar não sei quantos parafusos na mão... e por isso deixo de andar também?? creio que não... mas amor não é tombo... muito menos tombo de moto... vá lá entender.... .... e tem mais, se falo aqui, é porque tenho aqui pra falar... se não entendem, pelo menos não respondem.... e sou dono absoluto, escrevo se desejo, deleto se bem entendo, dou um tiro no monitor, se melhor me aprouver. Ontem de madrugada, retornando do trabalho, por volta de meia noite e pouco fui flagrado por um radar que piscou o flash em meio ao pista escura do aterro do flamengo... mais na frente, fui parado na blitz da PM. Tratamento cordial, verificação de documentos. Agradecimento deles pela colaboração e um alerta: - Recebemos um rádio... o senhor foi flagrado lá atrás a 137 km por hora. A velocidade máxima permitida é de 90 km/h. O senhor foi multado. Dirija com prudência e não ultrapasse os limites de velocidade. Boa noite. Bom descanso. Muito bem. Volto para a motocicleta e sigo o caminho. Eles estão certos, afinal. - Tô com saudades. - Também. - Vamos nos ver hoje? - Não - Por que? - Porque não estou com vontade. Estou confuso, triste e deprimido. - Fiz alguma coisa? - Não fez nada. Você nunca faz nada. Você é assim... só. - E te incomoda? - Incomoda. Eu, definitivamente, não sou assim. Eu tento, mas não adianta, não sou assim. Não é essa a vida que eu quero. - Mas eu te amo. - Eu também de amo. - Temos que conversar mais sobre isso... - Conversamos a vida inteira... mas somos e agimos de forma diferente... radicalmente diferente... - E agora? - E agora? tem essa história do descontentamento com a realidade das impossibilidades que são transparentes, das diferenças... essa coisa do ser humano... fico pensando muitas vezes que o que eu quero mesmo é uma casa no campo, meus discos, meus livros.... outras, acho que não, que tenho que morrer pensando, criando, dando idéias... é preciso a bendita traqüilidade (que não tenho) quero ler um livro e não leio quero ter mais um filho e não tenho quero ser grande e não sou quero pensar, pensar e não penso quero ser compreendido mas não sou totalmente... e onde está o erro, o engano, o equívoco? com certeza em mim mesmo, já que faço o que quero. mas não faço sou, portanto, o tal prisioneiro da liberdade. não quero essa liberdade doída. na verdade não quero nada e quero tudo hoje, sei que não tenho nada. sei também, que preciso ter. como sei ainda o quanto é difícil [volto ao mundo dos possíveis] a descarga elétrica corre pelo meu cérebro, meu peito aperta olho pra esse deserto em volta e vejo a vida [breve] na verdade, apesar de tudo, sei exatamente o que sou inclusive essa impossibilidade ambulante e o que resta? o mundo às vezes não há muito a dizer. outras, muito deveria ser dito, mas uma certa cautela preventiva faz calar.... 18.4.02
"que sei eu do presente, salvo que ele é já futuro? quem são meus contemporâneos? só futuro o poderá dizer. coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo. esses são apenas os meus conterrâneos no tempo; e eu não quero ser bairrista em matéria de imortalidade." Fernando Pessoa prefiro canto gregoriano à rock, caminhar à dançar, ler à conversar, meditar à falar... daí o post abaixo: Ontem, na hora do almoço, fui ao mosteiro do Largo da carioca. já tinha marcado a entrevista antes, mas ainda assim foi difícil entrar. finalmente, estive frente a frente com frei Alphonso. conversamos por quarenta e cinco minutos, mais ou menos. seu tom é cavo, seu olhar penetrante. ouviu-me com a paciência dos eternos (mais parecia um dos Imortais, de borges). expliquei o projeto que acalento desde a juventude. ele colocou o empecilhos [que eu já esperava]. me senti muit à vontade na cela em que conversamos. havia uma imagem de são fracisco de assis e não a de jesus crucificado (como eu imaginara). olhei as imagens [belas] com o olhar crítico de um ateu que gosta do belo. ao fim da conversa ganhei um terço e a promessa de um estudo sério de minha proposta: dentro de mais alguns anos, entrar para o mosteiro numa função menor, humilde para compartilhar a paz e a sabedoria dos que souberam ser reclusos. frei Alphonso pareceu bem favorável à idéia. é um projeto da juventude. parece que está chegando a hora. tudo bem, tenho um projeto de clone tupiniquim do Morpheus na minha sala. só que o meu, à cada aula de luta, sai todo arrebentado. Pfui! ao ignaro crítico de josué: meu caro, não sei se é certo ou errado tomar determinadas atitudes. ainda mais precipitadamente. mas tomo sempre que é necessário. acho que são coisas de foro íntimo, quando temos que decidir ali, na hora, como o polito de avião que vê uma montanha à sua frente... a crítica burra a um autor da importância, do valor e da dimensão histórica, como no caso em qüestão, não me deixa muito tempo para a reflexão e/ou a negociação. em determinadas circustâncias, as respostas devem vir de pronto. estranho a pseudo inocência de acreditar que todos os textos aqui postados, ficam só nesse espaço. claro que não! quando existe algo a ser dito, quando precisa de conhecimento, utilizamos todos os meios, todas as ferramentas que dispomos para a divulgação. não há mais paciência social para aguardar respostas a crimes e coisas do gênero. por isso é importante pensar com prudência ante determinadas atitudes, determinadas emissões de parecer. devem ser muito bem embasados. no seu caso, não foi. usou uma mídia de grande penetração para fazer um ataque calhorda a um intelectual proeminente. o que esperar? silêncio? evidente que não. subestimar que existam outras pessoas capazes de ler, avaliar e responder não cheira apenas a inocência, mas a uma burrice mais estapafúrdia, a uma estultice digna de sua íncapacidade de ser boçal. e a boçalidade, senhor resenhista, no seu caso, ultrapassa todos os limites da ignorância humana. trabalhar a estética de um programa para a tv é complicado em circustâncias que toda a situação evolui para uma dispersão estética. enfim... não tolero, sob hipótese nenhuma, ainda que da maneira mais bem intencionada [ que não vejo como ] qualquer tipo de pressão sobre atitudes que sou obrigado a tomar. principalmente quando tais atitudes são conseqüências de propostas de vida que me são impostas. e qualquer processo emocional intimidatório, me trava, me faz recuar, parar, custe o que custar. é uma atitude. essa é a minha. - que tipo de investigação fez no caso do irmão do marcão? - o elemento chegou preso, foi acusado de receptador de carros roubados - ele estava num carro? - não - quem fez a acusação? - um outro elemento, também suspeito, que também está preso. - e existe alguma prova, algum indício? - não, apenas a acusação. - foi feita algumna investigação para saber se a denúncia é verdadeira? - ainda não, mas será feita. o elemento é desempregado, estava em atitude e lugar suspeitos. - e se for inocente? - será solto. - quanto tempo vai levar até saber? - não sei... marcão estava tão desesperado, tão desnorteado que mal conseguia falar... sua boca se retorcia tentando me contar as coisas, pensei que ele fosse ter uma convulsão. o irmão dele vinha pela rua num subúrbio e foi confundido ou alguém o incriminou. a polícia chegou, bateu, espancou e prendeu. marcão, surpreso, num primeiro momento acreditou que o irmão tinha mesmo feito algo errado... chorou... a família inteira trabalhadora, honrada... como o irmão ia fazer uma coisa daquelas? de qualquer maneira tinha que ajudar... foi a delegacia, conversou com o irmão... entendeu que tudo fora uma armação... passou o dia pelas ruas, vendo quem podia ajudá-lo a tirar o irmão da cadeia... o rapaz está numa cela superlotada, dormindo em pé e com o rosto arrebentado de tanto apanhar da polícia. foi fichado... nunca mais será uma pessoa limpa... marcão chora perto de mim... nem sabe o que quer que eu faça ( e o que posso fazer?) procuro consolar... dou um pouco de dinheiro pra ele comer... dou um calmante... digo pra ele não beber, pra ficar bem sóbrio pra tentar resolver... marcão trabalha comigo, pertence a uma classe muito inferior na escala financeira... é feio, pretoe pobre... mora longe, mal... gosto muito dele. confio nele. estou sofrendo por ele. 17.4.02
"caro mestre escrevo para discordar da sua posição descrita no artigo sobre josué montello. parece mesmo que o senhor desconhece o autor. reconheço que josué é detalhista, mas o que há de rrado com os detalhes? o que há de errado em descrever os sobrados da velha são luis? os personagens são para lá de velhossímeis, plausíveis... alguns são mesmos descrições de pessoas que existiram, com as quais josué conviveu. ora, qüestiúnculas de que a criação do autor misturam-se com os personagens e que estes dizem o que aquele desajaria e vice e versa... bobagens... é um direito, um privilégio do autor... a obra de josué é realmente caudalosa, vasta, são mais de cento e vinte livros publicados, mas e dai? em sua análise diz que leu sessenta... eu, caro mestre, li muito mais. não li os cento e vinte, mas li muito mais do que sessenta e ainda espero ler todos antes de morrer. fique sabendo que josué montello tem vários romances inéditos, prontos para serem publicaddos após a sua morte... seus diários são compêndios de história do brasil... aliás está para sair mais um volume... o quinto... realmente o trabalho dele junto ao JK foi enorme e muito ele ainda tem para contar daquele tempo... e não é só... ele tem além de cem romances, uma obra de crítica e de educação fantástica... seu trabalho na academia sempre foi brilhante e, duarante a presidência da academia brasileira de letras, manteve a mesma humildade como toma chá no escritório de seu apartamento em copacabana... seus livros, milhares, estão sendo encaminhamos para a fundação josué montello, mo maranhão.... é a vida de um homem que dedicou todo o seu tempo a cultura, ao trabalho laborioso e ordenado, ao amor da mulher que o acompanhou [ e acompanha] por toda a vida. portanto, mestre, desconhecer a importância de josué montello é desconhecer nossa literatura, nossa alta literatura. não conheço um leitor que não tenha vibraso com 'os tambores de são lui' ou com 'coroa de areia' ou ainda 'cais da sagração' para citar poucos... pena que o senhor tenha uma crítica tão amarga, tão frágil em conhecimento, tão rasa... quem não percebe a literatura é frágil, estreito, raso.... quem faz pouco de um dos seus maiores expoentes brasileiros, é um jumento de botas. passar bem geraldo" os organismos de 'defesa de alguma coisa', trazem em seu bojo, quase sempre, pessoas descerebradas, xiitas, dementes, que ao invés de procurarem as casas de repouso e os médicos especialistas, se travestem de defensores disso ou daquilo e se 'escondem' nas instituições.... é o caso da SUIPA. pretende-se um organismo de defesa dos animais. tudo bem... agora, daí a obrigar a Light a trocar o nome GATO por GATILHO, pra defender os bichanos, por achar que o termo 'gato' (roubo de energia) denigre a raça felina... ia falar em haloperidol, mas é pouco.. RODOX NELES! Pfui! BLOG I parece que o blog não é só mania, moda. parece que encontra seu lugar próprio dentro da web, um lugar especial, eqüidistante dos sites tradicionais... o acesso é bem segmentado, como num clube que antes era seleto ao extremo e que se populariza, abre suas portas. na verdade tinha muita gente com essa vontade enorme de escrever e publicar... os diários de antigamente (jurássicos como eu) extravasavam uma certa inquietação uma certa ansiedade, mas não eram completos, por secretos. contradição: exigíamos que fossem secretos mas era apenas uma subversão do raciocínio... não queríamos apenas que nossos pais lêssem. gostaríamos que o mundo inteiro lesse, menos os que detinham alguma 'autoridade' sobre nós... isso mais ou menos acontece nos blogs... daí a evoluir para um meio de comunicação foi um pulo...a multiplicação é exponencial e a possibilidade de interatividade maior, por mais segura, porque a pessoa conhece mais quem está escrevendo... sai um pouco daquele canal dos bate papos que trouxeram muito mais dor que alegria, muito mais ilusão que verdade. evidente que ainda temos os resistentes, os que não segmentam, não abrem, percebem a internet como um todo e pronto! bom, são pontos de vista. imagino blogs de divulgação de matérias específicas, porque a especialização é um movimento irreversível... sei que tem gente capacitada pensando nisso junto comigo... não importa se concordando em tudo ou não, mas em processo, em movimento... isso é bom. só é preciso que os 'puristas' compreendam e não se exaltem como macaquitos de circo do interior... caminho horas seguidas... exagero... talvez uma hora e alguns minutos... a noite está amena, ipanema volta a ser 'só felicidade'... deixei a motocicleta ali perto da Letras (onde comprei três livros por pura compulsão)... Essa menina, Marcela que caminha a meu lado não é bonita nem interessante. Antes, parece drogada e meio 'fora' do mundo. pergunto porque está ali: - porque sim, onde mais estaria? - em casa, vendo tv ou dormindo... - gosto mais de andar pela rua... quer me levar para a sua casa? - não, não quero.... também quero andar pela rua... - está com medo de me levar? Olho pra ela. É verdade que ela poderia dar um certo medo, nem eu sei de quê, mas é fato. - não estou com medo... quero andar - você tem uma cara sofrida, triste... não costuma rir? - não, não costumo rir - e esses livros? vai ler todos... - não... comprei por vício.... olha não quero falar também... nem quero explicar. quero andar sozinho Ela para e me encara: - tenho pena de você... Não respondo. Sigo em frente, sozinho. o dia se anuncia improvável. a comunicação é mais que precária e a discussão sobre ela patética sempre penso em como o homem é patético é patético sabendo que é, ou seja, é uma pré-condição da raça e não uma opção de certa forma, deixaria de ser 'patético', já que todos o são, não cabendo adjetivar.. mas naquela parte do cérebro mais densa, que parece uma noz, ainda existe algo que resiste.. a parte superior do cérebro cresce como algodão doce.... de acordo com o desenvolvimento vai crescendo mais e mais... daí a proposta de que o homem do futuro teria uma cabeça enorme. utopia baseada em lógica, em conclusão científica... evolução (?) da espécie... putz, essa é a manhã de um dia! não perceber (ou fingir que não percebeu) que o outro não está bem... não estou acostumado com isso... mesmo eu já sabia que não ia mesmo conseguir dormir.... havia o motivo para a insônia... ela veio. o irritante da insônia não é exatamente o fato de não conseguir dormir... é a ansiedade em que a gente fica. quando a cabeça começa a colocar as coisas de uma outra maneira, forçando você a repensar tudo... 16.4.02
de ontem para cá minhas gavetas foram remexidas... minhas folhas amarelas escritas com caneta de pena e tinta verde foram subtraídas de certa forma, fui subtraído de uma tentativa... não, talvez não seja isso. talvez seja pior... e aí, meus caros, têm que ler 'o mito da caverna' de platão que está no centro do Diálogo, da República aliás, pensando bem, estamos sempre sendo subtraídos.... normal. john le carré é quem melhor retrata o espião, daqueles, clássicos... a fina flor da espionagem... o avô do grande irmão, que a garotada pensa que é o máximo...o grande irmão é jurássico.... é o grande bisavô... diferença a mesma angústia que o tempo proporciona, sinto com as diferenças. não sei enfrentar as diferenças. para dizer a verdade desconheço porquê fala-se em enfrentar ou compreender ou ainda aceitar diferenças... de onde tiraram isso? quem disse que a diferença é para ser aceita ou compreendida? o nome mesmo já diz: d-i-f-e-r-e-n-ç-a. difere de. hoje entende-se por moderno, certo e essas coisas todas esse 'conviver com diferenças'... quem disse que eu quero? ou tenho que? ilusão. aliás é gozado como todo mundo se ilude e ilude ao outro (e principalmente a si mesmo - eu incluído, diga-se de passagem...) a diferença demonstra exatamente os limites, as bordas, margens, fronteiras... essa é a grande qüestão. a fronteira: a gente quer tudo, deseja tudo, torce para que tudo... mas não se dá conta das fronteiras. são fronteiras do coração, do cérebro, da alma. fronteiras intransponíveis. por quê? porque a fronteira está exatamente condicionada a diferença. e o que é diferente não é igual, não casa, não encaixa... querer reverter esse processo sociológicamente é apreisionar alguém para beneficiar outro, gartuitamente. e parece que isso gera dor. e o homem reage à dor... não vê quem não quer... ou quem não se interessa em ver.... quem não quer e/ou não se interessa é diferente, fronteiriço... continua o tempo sempre foi um mistério para mim. nunca o compreendi. mais jovem, achava que, quando fosse adulto, ou velho, as coisas mudariam. adulto, quase velho, o Carpe Diem me persegue até em sonhos. porque não podemos viver o dia de hoje. técnicamente é correto, não há dúvida. mas simplesmente não posso. não consigo viver hoje sem projetar amanhã e basear-me em ontem. na verdade tenho tanto medo do passado quanto do futuro. não medo da morte, como alguns mais idiotas, pois bem acredito que a morte é nada. e nada é nada. mas as impossibilidades naturais de ter 'hoje' o que desejo para 'amanhã', angustiam mais do que tudo. se pensarmos bem, o tempo está apenas em nosso cérebro que não consegue coordenar esse processo de idas e voltas... ora, o 'ontem' é presente em mim todo o tempo. o 'amanhã' também. portanto, ontem e amanhã são hoje, agora. quando planejo para amanhã fazer um negócio ou uma viagem, deleito-me hoje ou fico ansioso e com medo de não dar certo hoje. num pensamento análogo, percebemos que existe uma inversão que deveria ser lógica, clara, ordinária. o tempo, dessa maneira, é estático. nosso cérebro é que avança e retrocede. o tempo são descagas elétricas num complexo órgão de um ser vivo. e quando esse mesmo órgão pára, finda a existência [dele]. se, morto esse corpo, 'a vida continua', continua fora dele, em outra dimensão, portanto. a possibilidade tempo nasce e morre no interior de um crânio ósseo. ali tudo acontece. o entorno existe como existem entornos para tudo. quando, portanto, esses elementos tempo interagem uns com os outros, perdem a noção de sua unicidade e acreditam participarem de um universo infinito e discutem por coisas que não estão lá, onde pensam e sim, no interior dessa caixa óssea. - ela o grande elemento - porque todo o resto, ações, caminhadas, gestos de amor ou ódio, dinheiro, gozo, riqueza, dor... são apenas reflexos elétricos de extensões totalmente físicas da energia gerada. é difícil imaginar, quando deveria ser banal. bastaria inverter o processo. o homem não caminha no tempo. existe um um universo estático onde esse homem tempo vivencia a experiência de caminhar só e livre (ainda que prisioneiro de si mesmo)... "Realmente, só pelo fato de ser consciente das causas que inspiram minhas ações, estas causas já são objetos transcendentes para minha consciência; elas estão fora. Em vão tentaria apreendê-las. Escapo delas pela minha própria existência. Estou condenado a existir para sempre além da minnha essência, além das causas e motivos dos meus atos. Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido exceto a própria liberdade, ou, se voce preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres." Jean-Paul Sartre, O Ser e o Nada (1943), Quarta parte M. tem a qualidade rara de ser uma cronista do cotidiano. Não sei se percebe esse talento ou se prefere a modéstia. Não sei. Mas que ela é, isso é. não existe mais a menor dúvida de que estou sendo monitorado. chego em casa e encontro, colocado por baixo da porta, um envelope pardo com recortes de jornais e fotografias. as fotografias são minhas (em muitas delas meu rosto foi recortado). estranho a forma, tudo poderia vir por e.mail... talvez não saibam como criar o mail apócrifo, não sei se é isso. a secretária eletrônica também foi ativada, embora não exista nenhuma mensagem de voz e sim alguns ruídos e bips para mim desconhecidos... realmente continuo não dando importância a isso. percebo também na web alguns sinais, pequenas mensagens colocadas aqui e ali (como os do livro de Posadas)... sigo também em frente. estou mais preocupado agora em recriar o futuro, em preparar essa vida nova que não sei se haverá tempo de viver. não por qualquer exemplo dramático ou catastrófico, como parecer ao leitor incauto. não. apenas porque, como já disse, o mundo futuro, é uma possibilidade inverossímel... apenas isso. não se dar conta, passar batido e fingir que 'tudo vai dar certo' é bobagem, coisa de néscio pacato. conversamos muito mais hoje e concluímos que não dá para fazer a adaptação de othelo. muito bem. pensamos em lima barreto ou clarice lispector. de preferência um conto bem curto. servirá como experiência, como laboratório para novelas ou peças maiores. tudo acertado, uma parte do grupo reinicia o trabalho. ninguém me avisou por telefone, mas quando entro na sala, o pessoal está à beira de um ataque de nervos: gritos, babas, olhos vermelhos, papéis sendo rasgados e socos nas mesas e nos micros. o motivo do encândalo é uma crítica forte, contundente sobre o portal que está no ar. revoltados, trazem o e-mail para que veja e 'responda a altura'! não sei se estou mais assustado com os meninos ou com conteúdo do mail. leio, leio, leio. todos estão me olhando, em silêncio, aguardando meu brado para o ataque final... caramba, tenho que dizer a eles que a usuária que escreveu está certa... que os defeitos apontados são verdadeiros, que o mail é verdadeiro, construtivo, que temos que aprender com ele... digo, então. demoram um pouco a compreender... mas é fato. compreendem, então. isto posto, vamos ao trabalho, aprendendo com o usuário na verdade o trabalho era para ser muito mais aberto, com a participação incondicional de todos. não conseguimos, o que não é de se estranhar. continuará então, realizado por um grupo mais fechado, baseado em Merchior, Freud, Carlos Lacerda, John Le Carré e Churchill. pequeno texto de projeto a ser implantado foi retirado daqui por orientação da maioria do grupo que, por perceber que ainda não está claro, poderá ser mal interpretado por aqueles que não pensam no assunto, só gritam. voltará, mais mastigado. projeto de vida é, antes de tudo, uma impossibilidade projetar qualquer coisa é anti-natural por que natural é o tempo e ele não pára e sua contagem é regressiva. portanto, não sabendo o momento da parada [certa], é absurdo fazer um projeto com indeterminação de tempo sem projeto de fim. é impossível negar o acaso a possibilidade de a fragilidade da vida [muitas vezes a estupidez da idéia de vida] objeto inconstante, surpreendente, entre duas mortes [ a de antes e a de depois] se é verdade que deus não joga dados se é verdade que é um voyer se o imprevisto está no segundo adiante do atual e se o presente só é capturado na fotografia pensar no futuro é sonhar o presente desabilitar a lógica que desmente a matéria o conceito de vida, histórico, é um equívoco ancestral do qual apenas o homem é culpado e, por isso, prisioneiro da vida, do mundo dos possíveis... estou muito cansado... preciso organizar melhor o tempo. preciso comprar um monte de coisas (consumista paranóico que sou) preciso dormir preciso andar de motocicleta nessas noites (já frias) estar com M. comer miojo (galinha caipira) tomar baldes de coca cola trabalhar só no que dá prazer projetar uma nova vida [se é que ainda terei tempo] 15.4.02
não tomaremos mais conhecimento do pessoas do primeiro andar que não acreditam no projeto. tudo bem, ficam com a academia e a gente vai se virando por aqui mesmo. o importante é estar fazendo, tentando experienciando... não poderemos mesmo forçar uma barra para ter mais aliados... bem que gostaríamos, mas não dá... é forçar demais. P.M.K. vai cuidar da plataforma, os outros se dividem.... temos passado muito tempo juntos... tá todo mundo à beira da exaustão. eu entendo como eles se sentem e como reagem... mas, por hora, não dá pra melhorar... menos de dois meses para o término do projeto e até o fim do ano para a concretização de tudo.... haja.... o grupo se reuniu durante toda a tarde para assistir ao piloto do projeto. a aceitação foi muito boa, principalmente por parte da direção. acho que pode melhorar muito, não entrou ainda nada de literatura nem a iconografia. vai ficar interessante... fizeram três cópias para cd, mas na rede também rodou de forma razoável... a monitoração foi feita com 70% de usuários em banda larga e 30% em linha discada. isso feito, fomos tomar cerveja e rodar um pouco de moto [ que ninguém é de ferro ] amanhã começa tudo novamente, já mais adiantado... teremos os textos produzidos na madrugada... e tem também a conversa de ficar atento ao que os grupos 'do contra' pretendem. o andrés não consegue participar de uma reunião ou conversar dez minutos comigo sem estar me caricaturando... daí virou lay out... apesar das recusas eventuais, o pessoal se reuniu por aqui novamente. alguém tem que fazer, então fazemos nós mesmos. tem a possibilidade de mexer com o ulisses, mas precisamos de um especialista, que foi contatado. conheço muita gente que diz que leu por puro modismo, pura 'garganta'. mas tem um cara que é fera mesmo. estamos tratando de joyce e não há nada mais importante para ser discutido. rigorosamente nada. o outro me alerta para "Pequenas Infâmias", da Posadas. Estaremos bem atentos. Bastante. claro que sempre existe a possibilidade de ser uma paranóia ou uma recidiva na neurose, mas tenho a impressão, quase certeza, de que estou sendo seguido, observado e monitorado em todos os espaços, por todo o tempo. acontecem ainda telefonemas misteriosos, mensagens na secretária eletrônica de forma cifrada, e-mails apócrifos e recebimento de envelopes com fotografias minhas, cotidianas... pior: não me sinto incomodado por isso. por falar na revista VEJA, é interessante a velocidade dos acontecimentos no mundo. tão veloz quanto é a mídia que utiliza novas tecnologias. a veja que saiu no domingo, 14 de abril, trata em loga reportagem da queda de Chávez, na Venezuela, quando hoje já se sabe que ele voltou ao poder (ainda que não exista uma explicação lógica). a mesma veja fala que Sargentelli foi internado com problemas de coração e, na verdade, junto com a revista, saía o corpo do 'Sargento' para o sepultamento... difícil tratar os assuntos de forma mais analítica num mundo que muda tão velozmente e com uma tecnologia que permite a atualização da informação em tempo real... quer dizer, é fundametal a revista e sua análise mais aprofundada, mas ela não se sustenta sem o homem conectado. há muito tempo falei da situação da mídia impressa, em particular do caso da revista Veja, que fez uma capa com Cássia eller afirmando que uma overdose de cocaína dera cabo de sua vida. em seguida, todos os laudos oficiais negaram o fato. segundo esses laudos, Cássia não morrera por causa de overdose, ou mesmo pelo uso de drogas. muito bem. E aí? o que aconteceu? a revista nem se desculpou, nem explicou nem continuou na investigação em busca da verdade. ficou o dito pelo não dito. ninguém sabe responder qual foi a causa da morte de cássia. oficialmente, morte morrida; segunda a imprensa overdose... tudo bem que a cantora não tenha nenhuma representatividade histórica - no sentido maior da palavra - mas e aí? como fica a informação? o que está sendo dito ao seu filho? o que será dito no futuro? o pensamento abaixo foi desenvolvido à partir de uma observação do marcelo sobre castells. por que? porque fui ler o artigo sobre o autor espanhol disponibilizado no blog. o artigo é muito bom, discuti sobre ele com o meu grupo de trabalho. o pessoal é fã de castells (que é referência)... entretanto, em outras discussões, quando começamos a tratar da parte cultural da home page, começamos a qüestionar a leitura desses teóricos. evidentemente não passou pela cabeça de ninguém abandoná-los. por outro lado, percebemos que os meninos que trabalhavam apenas em cima desse material tinha dificuldade de apreender outros processos, principalmente da área cultural. criou-se, então um impasse. em outro momento, concluímos que pierre levy, por exemplo, falava de forma mais contundente e menos caudalosa... que umberto eco ia mais fundo.... enfim, as possibilidades começaram a surgir. andré levantou a impossibilidade de joyce na web, o mesmo para dostoiévski... o pessoal foi aumento a discussão porque, realmente, no estágio tecnológico em que nos encontramos, os clássicos estão fora desse contexto... mas sem eles... surgiu aí a discussão de um movimento cultural, uma segunda contracultura criando a diáspora, para a internet empurrar o usuário para o livro que, saciado, voltaria à rede e se colocaria com mais estofo... claro que essa proposta está sendo discutida e analisada, pode ser verdadeira, pode dar certo ou não... é um pensamento. de qualquer forma, acho que deve ser discutido. 14.4.02
quero continuar o post abaixo.... eu sou um entusiasmado com a obra de castells. na verdade, ele criou um monumento, são doze anos de trabalho. o presidente fernando henrique cardoso, ao prefaciar a obra, dá a dimensão exata de sua importância... todo mundo que trabalha a sério com esse tipo de tema, principalmente a globalização, reconhece no autor espanhol a virtude de uma obra praticamente definitiva. o que estou levantando, apenas, é a importância da literatura como um todo, a importância de cada um pensar esse meio de forma 'pessoal', ou seja, responsabilidade de todos. . . e aí, creio que a academia deve recomendar os clássicos. isso mesmo... cervantes para entender a web... continua estivemos reunidos durante todo o sábado trabalhando simultaneamente em dois projetos: o portal de informação e o de dramaturgia. conversamos longamente sobre as possibilidades do conhecimento e de sua aplicabilidade na web. a discussão é sempre muito produtiva, estamos sempre revendo conceitos... um deles trata da rede como meio de informação/educação. alguns dos meninos estão ainda trabalhando com hióteses de teóricos. afinal, dizem, existe farta bibliografia sobre o assunto, gente séria, escrevendo trabalhos importantes. claro que é verdade. entretanto, percebo que existem vários estágios para a 'utilização dos teóricos'...Alvin Toffler, por exemplo, com A TERCEIRA ONDA, POWERSHIFT e GUERRA E ANTIGUERRA, parece-me o autor que revolucionou, que quebrou uma determinada inércia no conceito de novas tecnologias. trouxe luz quando havia completa desinformação sobre o assunto. ... com o passar do tempo, a rede imprimiu uma velocidade grande demais e alterou/corrigiu rumos. hoje, tem menos objetivos, é muito mais anárquica, ainda que não perca sua importância nem a primazia de ser o meio de comunicação por excelência. como já escrevi antes, nunca existiu em toda a história da humanidade, uma mudança tão radical, tão significativa para o homem quanto a internet. ... além de Bill Gates, temos Wilon Dizar Jr. - George Gilder - James Fallows - Negroponte - Fukuyama - o excelente Pierre Levy - Michael Destouzos - Neal Glaber - Pierre Babin - o seríssimo Negroponte - Domenico di Masi - Steven Johsons com seu definitivo CULTURA DA INTERFACE, e muitos outros. O espanhol Manuel Castells tem uma obra robusta, uma trilogia fundamental baseada em estatística. Castells, ao contrário do que se pode pensar, faz uma análise sociológica do mundo moderno e 'passa' pela informação na web, apesar de um dos volumes intitular-se A SOCIEDADE EM REDE. Uma leitura mais acurada desse volume mostra que em apenas um terço do trabalho ele fala em comunicação. a meu ver, castells é muito mais uma obra de referência de pesquisa estatística, que propriamente, um estudioso das novas tecnologias. ... porque o negócio é o seguinte: com a vulgarização, com o advento da internet tornar-se ordinária, outros aspectos começaram a ser qüestionados e outras propostas ocupam a academia (séria). Umberto Eco, por exemplo, em oitenta páginas demonstra muito mais entendimento dos valores nos novos veículos de comunicação do que castells, em mil e oitocentas páginas... e por quê? porque a discussão mudou. não interessa mais saber onde poderemos chegar ou o que esta ou aquela ferramenta irá proporcionar. até porque já está claro que a internet e, principalmente a web2, revolucionaram rigorosamente tudo. a web2 então será a concretização do que um dia pretendeu-se 'o mundo moderno'... mas não vem ao caso. ... deixando de ser instrumento de informação militar, tornando-se de domínio público, o novo veículo amolda-se à personalidade do usuário. ele faz do seu terminal um instrumento de estudo, de divulgação de boas idéias, de pesquisa, de informação, de cultura, de entretenimento (e quantos entretenimentos tem o homem...) e, até mesmo de intimidação. a ética está sendo revista. os conceitos de estética são recriados à cada dia... o problema da moral é revista... e por que? porque temos um universo de milhões de seres humanos dizendo e fazendo aquilo que bem entendem... com o poder de entrar e sair de um universo paralelo como semi-deuses... ... o homem se reproduz e se manifesta na internet da mesma forma que presencialmente, embora ainda seja mais vítima que agressor por desconhecer as possibilidades do veículo... o que importa nesse momento, não é a divulgação dos teóricos do passado (sem negar a importância de todos), mas, principalmente, o envolvimento de cada um, o trabalho de cada terminal/pessoa... Esse terminal/pessoa só avançará na medida em que a cultura for inserida. e aí é brabo, porque estamos falamos de cultura pra valer... de história, de filosofia, da literatura... não adianta entrar na rede e pronto...( de que serve um usuário que desconhece balzac, milton, dante, weber, freud, g. rosa, pround, mallarmé, homero, sartre, naipaul, nabokov, gilberto freyre, gogol, cervantes, sócrates, platão, hobbes, mann, goethe, baudelaire, kafka, machado, pessoa, eça, dostoiévsky, borges, shakespeare, joyce e tantos e tantos outros? nada... a própria rede empurra o usuário de volta às estantes, às livrarias, aos congressos e seminários... a rede não é inteligente e, sem pessoas inteligentes e informadas, continuará claudicante entre o entretenimento, a busca de informação e aos ódios individuais (hackers)... revendo posições I não quero deixar de apoiar determinadas posições: sou totalmente contra a política do PT. acho que o partido nasceu com uma proposta radical, num determinado momento, numa determinada época. a crítica vem do 'endurecimento' de sua posição mesmo quando o tempo vai passando e o governo e, principalmente a sociedade, buscam - e na maioria das vezes encontram - novos paradigmas, novas formas de organização democrática. num momento como esse, os petistas fecham os olhos e continuam com o discurso arcaico. bom, mas não é isso: vejo uma proposta clara do secretário de segurança do rio. uma tentativa de criar uma política séria para diminuir o estado de guerra em que se encontra a cidade. já vi discursos parecidos levarem a um retumbante fracasso. eu não faria assim... mas não posso deixar de reconhecer que existe uma aparente vontade séria de agir. e, democraticamente, se ele é o secretário, o chefe, tem o direito de tentar, de colocar em prática. todo o secretariado da benedita tem o direito ( e dever ) de trabalhar para melhorar o abandono do estado do rio de janeiro. continuo um observador crítico e atento. mas, antes de tudo, torço e espero que essa política traga resultados. a conferir. Marina é dessas mulheres doces e inteligentes. Romântica – como devem ser as mulheres - leu o post abaixo sobre o dicionário das mulheres brasileiras e sentiu-se na obrigação de ir lá, desfraldar também as bandeiras. Veja que coisa atávica, genética... inteligente, ela sabe qual é o livro mas não leu (muito bem, marina, não perdeu nada!) Ora, a mulher quando se submete a que outra, em seu nome, faça uma seleção de quem foi importante – excluindo muita gente – não está ‘fazendo memória’, como parece num primeiro momento... está apenas sendo subjugada, tratada como um besouro... Mulher é muito mais. Mulher é brava, corajosa, presente, forte, sensual, sexual, mãe, amante, política, administradora, e tanta coisa mais... Submeter as mulheres “ditas importantes” a uns tantos verbetes... é não conhecer a importância da mulher na história da humanidade P.S. quanto a ela estar preocupada com os jovens de vinte anos que não conhecem Leila Diniz, isso é bobagem, é o lado ‘mãe’ que ela traz.[protegendo os jovens] ..todo jovem, marina, não sabe nada, porque é, antes de tudo, burro. Homem ou mulher. Todos são néscios! Burros. 13.4.02
o livro dicionário de mulheres do brasil {J.Z.E.) tem 566 páginas de feminismo barato. - fruto do 'projeto mulher: 500 anos atrás dos panos', corrobora a situação ridícula em que as ditas feministas colocam todas as mulheres brasileiras. ora, o que se pretende ao fazer um punhado de verbetes (mil, tres mil?) sobre tais e quais mulheres.... dizer que uma ajudou na revolução daqui, outra mandou cartas aos jornais ali, outras tantas ainda se revoltaram contra isso e aquilo... e daí? minha cabeça de homem boçal não consegue compreender porque deve-se fazer verbetes de mulheres... como se fossem plantas exóticas, insetos estranhos ou coisa do gênero... claro que teve apoio do governo, de doutorandos e toda a 'intelectualidade de saias' do país...claro que a politicamente correta fundação Ford deu apoio e tudo o mais. o livrinho abrange de 1500 ao ano 2000. pretende então dar relevo às mulheres que se destacaram nesses quinhentos anos!!! míseras seiscentas páginas com verbetes para quinhentos anos de atuação feminina! imaginemos agora que um grupo de homens desocupados (ainda que doutorandos) resolvessem fazer um livro com verbetes dos homens que se destacarm nesse mesmo período! putaquepariu ! ia ser uma enciclopédia monstra, volumes e volumes de mil páginas cada! em suma: esse livro das mulheres é pífio, fracassado desde a idéia, desde o projeto. é subestimar demais as mulheres. todas elas foram importantíssimas na formação [em todos os níveis] desses quinhentos anos. na história do brasil. cada mulher, singularmente, construiu tanto quanto os homens esse país. da mesma forma que houveram mulheres idiotas, mulheres assassinas, mulheres medíocres, mulheres homens.... coisificar a mulher, catalogando umas poucas não é um ato feminista... é um ato imbecil, burro, xiita. pretender destacar umas poucas, principalmente negras e pobres (parece propaganda da benedita!) é patético, coisa de néscios, bestializados. por isso rolam essas brincadeiras que 'mulher pilota fogão', 'precisa de um tanque', 'que o maior movimento das mulheres é o dos quadris' e tantos outros. todo esse preconceito é gerado, é fomentado pelas mulheres, pelas instelectuais de plantão - na esmagadora maioria comunistas - que fazem um jogo duplo: expõem as mulheres a esse ridículo e, ao mesmo tempo, tempo atiçam contra os os homens, dizendo que eles as expõem ao deboche! nossas feministas, nossas intelectuais envergonham o sexo feminino... se eu fosse mulher me rebelava. em vez de queimar sutiãs, queimava esse livro e outros do gênero em praça pública.... queimava ainda, de quebra, toda feminista que aparecesse pela frente! não deu outra, roseana caiu fora.... pior é o chavez, na venezuela... não, pior é o ptzinho ficar aqui apoiando o chavez.... é impressionante como o pt consegue estar sempre apoiando tudo o que é ruim, tudo o que vai atrapalhar o desenvolvimento, tudo o que é contra a ordem... o que eles pensam, afinal?? ô pessoal estranho... eles ficam grudados, como sanguessugas em todos as frentes de baderna, de oposição de sem causa... Tudo bem, dizem que eu falo mal do PT, que eu sou de direita e tal. não é verdade, é uma maneira diferente de ver as coisas, mas aqui no brasil é assim mesmo... se você não é comunista é nazi-facista... eu não posso fazer nada contra gente burra. o burro, o ignorantão é aquele que 'se dá bem' porque é burro, ele sabe que é burro, todo mundo sabe que ele é burro e assim, sai fazendo e falando o que quer por aí que passa meio desapercebido, meio 'voz do povo'... quando tem um vocabulariozinho de mais de vinte palavras, bom, aí vira intelectual, formador de opinião... faz comícios, 'domina' as mesas de bar, é respeitado por ser 'politizado', 'culto'... normalmente é jornalista ou artista... bom, sabe-se lá o que fazer com essa gente... fico olhando, triste, pra esse exército fajuto e esfarrapado mentalmente que se arrasta como os mortos do coreto de veríssimo... que ficam 'assombrando' a humanidade com sua profunda incapacidade de pensar um pouquinho maior .... acho que deveria haver um racha no país, uma coisa séria onde se definisse, claramente, quem quer progresso, quem quer sair dessa lama ou quem deseja apena transformar isso aqui numa grande cuba, continental... tinha que fazer uma divisão séria... parece que as eleições, que derrubam o PT sistematicamente, de quatro em quatro anos não basta. eles não se contentam... falam em maracutaia, em voto de cabresto, aquela 'bobajada' toda de sempre, os chavões e refrões do tempo do campesinato (ai, meu deus, que chatice) ! é isso, acho que deveria haver uma manifestação clara. quem quer o quê. eu sei por exemplo que o pessoal do viva rio adora abraçar lagoa, abraçar árvore, abraçar candelária... são abraçadeiros, da mesma forma que um maluco é beijoqueiro... tem a turma do verde, que só pensa em árvore... tem a turma favorável a desordem absoluta, com os marginais do morro seviciando qualquer passante no asfalto.... e tem os nazi-facistas como eu que desejam andar armados - enquanto o estado não é capaz de dar proteção - pra colocar um pouco de ordem, pra mostrar que as coisas não são bem assim... outra coisa que andam me falando é aquela coisa toda do papel higiênico Neve... Ora, gente, eu já falei que os usuários sabem... quem não sabe, não usou. se quer saber, basta usar... últimas revisões em acralho procuramos a equipe do houaiss, mas não tivemos sucesso. parece que ele tinha algum conhecimento sobre, mas... na web existe alguma coisa, mas apenas em sites do leste europeu... e é um perigo, vocês sabem.... falaram alguma coisa do egito, mas nesse momento conturbado para a diplomacia... restou mesmo a pesquisa 'dura', em velhas bibliotecas, casas de filósofos, bares de esquina (meio indiana jones 'moreno') e o pessoal sério que transita nos sebos... quanto a qualidade da ZDF ser ruim, joana, não sofra por isso... as televisões daqui também são ruins... programas de perguntas e respostas dia e noite... é mais barato, sabe como é... a emissora contrata um apresentador e dá espaço entrevistando tem não tem mídia por falta de talento e capacidade - é o talk show. esse expediente, copiado da tv americana difere daquela pela desimportância dos entrevistados. tem programas policiais também... tem intimidação barata, arapucas, pegadinhas, golpes, ilusionistas... tem o diabo aqui! Joana, que escreveu falando dos preços pagos pela população para manter a televisão ZDF pede mais notícias Rio... joana, melhor não... isso aqui tá demais...tem tiroteio [todo dia!] em ipanema, grajaú, mangueira... na tijuca então, nem se fala! Dá uma lida nos noticiários sobre israelenses e palestinos: dá no mesmo! aqui também estamos em guerra, só que o inimigo está ao nosso lado, nos observando lá de cima. descem, roubam, estupram, matam e esquartejam e voltam aos seus postos de observação... pode acreditar! 12.4.02
se era difícil alguém por aqui conhecer ismail kadaré, acho que piorou quando filmaram alguma coisa 'baseado' numa história dele (abril despedaçado).... sinto muito, mas ele é bom demais pros nossos cineastas tentarem transpor... será que não percebem? por falar em cineastas, recebi um 'e-mailzinho' tolo e xiita esbravejando porque eu falei nem sei o quê do glauber... acho engraçado... a gente tem que achar bom o que meia dúzia de intectualóides chinfrim dizem que é. pois não é. glauber tem mídia, muita mídia. a figura, o nome glauber é melhor do que toda a filmografia dele. tudo bem, tem um ou dois (no máximo) filmes razoáveis.... a maioria é empulhação. como é empulhação todo o seu material escrito, seus desenhinhos infantis e suas atitudes pseudo-histéricas. não era um gênio. nunca foi. não passou de um menino medianamente informado que gritava muito. mal educado. o 'sucesso' de glauber deve-se à má educação que a famosa ($) d. lucia deu a ele. só isso. hoje conversamos com o pessoal da universidade de natal sobre o projeto da web2. putz, aquilo tudo é muito devagar. tudo bem que precisamos do apoio acadêmico, mas... vão ser lentos assim... não existe ainda nenhum avanço desde que nos falamos há dois meses atrás... dá a impressão de que não têm a menor pressa... tem sempre aquele papo furado das verbas, das necessidades, mas o pessoal não quer ir pro laboratório... quer teorizar tudo primeiro... pô, faz as duas coisas. não sei, mas acho ilusão acreditar que vai sair tudo pronto do papel, que as coisas vão funcionar de cara! olha a internet comum... faz, refaz, experimenta, muda... mais de sete anos com todo mundo usando e ainda não existem conclusões maiores... e tem que ser assim mesmo. falam dos problemas na área de gerenciamento e segurança... segurança ?? claro que será um problema sempre. haverá alguém mexendo, esse alguém vai ser um homem, um ser humano. vai ter trapaça, roubo... tentaiva de levar vantagem... já existe um movimento de corregedoria [constante] na rede... pensam que não existe, mas existe. então, medo de quê? medo do homem? então não vai sair nunca. conversamos um pouco, procurei falar essas coisas meio escolhendo as palavras... na verdade o pessoal tá muito mais preocupado em se colocar politicamente do que ir trabalhar no laboratório. por isso a microsoft faz experiências na calada com a globo... depois vêm reclamar do imperialismo.... ridículo! como era de esperar fui ver o tanque novo para a motocicleta, o que me falaram ontem. é uma merda: feio e vagabundo. o mecânico, meu amigo, me alertou: 'sai fora que é roubada'... valeu, menino M. conta 'causos' excepcionalmente bem. tem a mania dizer 'mais ou menos' pra tudo - modéstia. seus textos fazem a gente vivenciar o que está sendo narrado.... quando conta como trocou um pneu e o que fez pra engraxar um sapato, você se sente como se estivesse ali, a seu lado - melhor: como se fosse ela própria. isso é uma característica das pessoas muito inteligentes e que tem rigor naquilo que fazem. "se é pra contar uma história, vamos contá-la direito, pro camarada compreender exatamente o que aconteceu e o que eu senti e como me senti." ótimo. estar com m. ao lado é mais ou menos como viver entre as páginas das mil e uma noites... quanto ao Pfui, esse mistério perdeu-se com a morte do Paulo Francis. Imagino que seja essa ar que expelimos por desdém, por considerar algo desimportante, menor.... uso assim. E haja pfui..... gente, eu realmente não sei.... somente M. pode dizer o que é muesli... ... não confundam. o que eu vou contar, na hora certa, é o que é o acralho... bom, mail respondido, é hora de preparar outras coisas...esperar pra saber como foi a prova de javanês e ver o que a gente vai fazer... Transcrevo o e-mail da Joana, que mora na alemanha e acompanha a gente por aqui.... bem legal, né? "Caros Amigos, Pena que só descobri seu blog hoje, bem, antes tarde do que nunca ... Adorei o "pfui" ... moro na Alemanha há dois anos ... Li o seu comentário sobre a ZDF e o sistema televisivo europeu, fica só um comentário: aqui na Alemanha se paga muito dinheiro semestralmente (queria te passar os valores mas nao estou encontrando o boleto bancário aqui em casa) pela TV e pelas rádios estatais e embora elas se digam estatais (a ZDF e a ARD) tem tanto ou mais anúncios que as outras emissoras ... Fiz uma continha por alto, se 10 milhões de lares alemães pagarem por mês os 10 euros - eu acho que é isso: 10 euros/mês para você poder assistir teve - se não pagar o fiscal vem aqui e leva a tv embora ! E não adianta falar que não assiste TV ou que só assiste os canais privados ! - dá cem milhoeszinhos de euro por mês para as TV estatais ! Fora o faturamento com propaganda ... Eu não sei mas de repente a minha taxa de TV tá pagando algum programa social para os refugiados da Bósnia, porque os programas que passam na ZDF são muito ruins ... Escreva mais no seu blog contando sobre o que se passa no Rio - a história do esquartejado de Copa foi no mínimo sensacional ... Ah ! Já sabe o que é Muesli ??? Ah, meu nome é Joana. Um abraço !" _________________________________________________________________ Converse com amigos on-line, experimente o MSN Messenger: http://messenger.msn.com.br dia sem muitas novidades... imposto de renda resolvido, barulho na motocicleta consertado, site do programa para adolescentes caminhando (muito devagar pro meu gosto, enfim..) ... interessante foi a conversa durante o almoço com o andré: a proposta do portal de literatura vai caminhando por lá também... existem ainda problemas de navegabilidade e de tempo para leitura, mas a gente se arranja. estou muito atrasado com os textos, muito mesmo. acho que andei dando uma bobeira, fazendo pouco por esse lado.... preciso arranjar um tempo pra recuperar tudo e dar continuidade... vamos ver. o que acontece na venezuela dá bem a dimensão das tragédias que a anarquia e a fragilidade de um governo podem ocasionar... o que um governo que tem fidel como proposta... pfui! Já está explicado porque um homem foi encontrado esquartejado em copacabana ontem: ele devia dinheiro a um traficante. Ah, bom... uma coisa que eu acho insuportável é imprimir... pô, fico escrevendo por aqui enquanto a impressora trabalha com esse barulhinho insuportável... 147 páginas... socorro! o outro me disse que vai comprar um palm em portugal.... o máximo que ele encontra por lá é um par de tamancos... pra relaxar encontrei com os três mais velhos no bar da lagoa. paulo finalmente trocou o cano da harley. está exultante. fiquei muito feliz por ele. ainda que tenha que ouvir aquele ronco de motor animal, anormal, fiquei contente. ele tava louco pra mexer na máquina..o outro me disse que a oficina já tem os tanques maiores. claro, ele falou pra me tentar e eu, consumidor compulsivo estarei lá amanhã sem falta... estamos sempre juntos, mas tem sempre novidade pra contar... esse mundo de graxa, ronco e coca cola me deixa bem. bem comigo. com o mundo. planejam uma viagem. talvez eu vá... agora estou mais preocupado com o tanque pra mais autonomia.... os meninos hoje estavam todos voltados para a pesquisa. andaram descobrindo coisas bacanas. estiveram na biblioteca e trouxeram um bom material... ficaram de escrever tudo até segunda feira. achei o prazo meio apertado, mas se dizem que dá... o negócio é que parte do material estava no original e tem muita coisa em francês... o pessoal não sabe francês... não estuda, não estudou. sabe inglês, mas não usa só pra ler. fica aportuguesando, criando gírias meio tolas... falei pra eles que é perda de tempo ficar achando que 'vai mudar a língua', que está inovando.... não está. fazem isso há cem anos... nem tem mais graça. tudo bem, eu compreendo que são garotos ainda, portanto com deficiências cerebrais, cognitivas (como todos)... mas sempre é bom dar um toque. até porque não acho mesmo que façam por mal... tanto que estão lá, trabalhando.... olha que decupar o othelo inteiro, fazer os programas e disponibilizar (ainda que só internamente) é barra. eles estão fazendo. dei uma olhada na parte pronta. me parece bom. claro que ainda quero que outras pessoas vejam, mas está bem legal. a maioria já trabalhou com tradução. os outros fazem apoio, corrigem, sugerem... têm consciência de que há muito trabalho pela frente e que o esforço valerá a pena. fico feliz por eles. com certeza todo o trabalho desses hiper textos será autoral, não usaremos no site oficial, vamos trabalhar por conta própria. até porque é muito mais justo com eles. não têm obrigação e estão trabalhando em casa. voltar pra casa de motocicleta, depois de um dia infernal, é ótimo... passear devagar pelo aterro do flamengo... saber que m. está ali... caramba, quanta paz...como é bom poder ter paz... porque o problema da impunidade é que o homem não tem mesmo freio, ele não pára. começa uma coisa e não pára, de maneira nenhuma. pode conversar, dizer que tá tudo bem, tudo certo, mas lá no fundo, não consegue parar. entra num esquema e não sai mais...aí vem o pt e os inteligentes e diz que o cara não é bem formado.... claro que é mentira... quanta gente bem formada também não consegue... determinados sentimentos não param, não passam, o camarada tem que matar, enquanto ele não mata, não tem paz... o espírito não tem paz...aí, ou você permite que o cara assuma tudo, mate, faça e aconteça ou então tem que reagir. é assim nos morros. também assim numa parcela da classe 'mais favorecida' (por fora) a polícia no rio está sendo mais profissional, sem bala perdida, como quer o pt. hoje encontraram um camarada todo esquartejado...isso, ESQUARTEJADO (cebaça prum lado, pernas pro outro, braços pro outro... em copacabana...agora sim, a impunidade vai imperar! 11.4.02
existe um problema grave na televisão brasileira: a impossibilidade de investimento. como tratar a dramaturgia sem investimento? como tratar o jornalismo sério sem dinheiro? com tornar a internet o verdadeiro 'iceberg', cuja ponta é o rádio e a tv se os grupos não querem transferir verbas? impossível. o resultado é uma televisão radiofônica no mal sentido, de perguntas e respostas. um talk show eterno onde apresentadores despreparados perguntam bobagens a quem, sem mídia nem crédito só tem besteiras a responder... metódo barato (já que os entrevistados fazem o show de graça), que distrai a uma parcela de telespectadores de baixo nível, a ignara. Só. a internet, mais inteligente, dispensa a forma rasteira e busca o paradigma da modernidade/informação. não fosse, iríamos todos para o ratinho. temos uma outra proposta em desenvolvimento, creio que ainda muito rudimentar: "goya, beethoven e stendhal não foram românticos, mas todos constituíram forças principais na linhagem do romantismo. na frança, a escola romântica nasceu atada à política légitimiste ou de restauração. o grande crítico saint-beuve escreveu que o romantismo é o monarquismo em política. contudo, de um ponto de vista europeu, victor hugo acertou mais quando declarou que o romantismo era o liberalismo em literatura." Merquior shakespere atuou em várias de suas próprias peças. de duas se tem certeza. o resto, mais ou menos. não se sabe, por exemplo, que papel representou em cada uma delas. don foster teve a brilhante idéia de, baseado em que as palavras que usamos com muita freqüencia (como o texto de um ator, repetido dia após dia, fica lá, encravado e, portanto poderia ser usado mais na frente, num outro texto, ainda em construção...a carreira de ator contaminando a de dramaturgo...isso é usar os 'binários' pra valer. encontrar no dna da peça x a influência inconsciente do texto repetido da peça y, ainda que do mesmo dramaturgo. quer dizer, querendo, dá pra fazer um trabalho sério. não pode é ficar preso a um meio... com o pessoal da dramaturgia retoma o papo que vianinha foi o glauber que não deu certo. discordo: os dois, por arrogantes, não deram certo. os meninos que trabalham comigo no projeto estão entusiasmados. chegaram a dizer que 'faziam história', no que discordei com veemência. não importa. interessa mesmo é a disposição para o trabalho. o pessoal que trabalha com texto está exultando com a 'cultura da interface' de johnson... eu tinha falado com eles lá atrás, mas não perceberam. ficam a reboque das indicações digitais, normalmente defasadas em, no mínimo, dois anos. mas nada disso importa agora. acreditam que a logomania está mesmo com os dias contatos e que haverá um equilíbrio maior. compreendem melhor a possibilidade do hipertexto que leva a outas vias, que induz ao conhecimento maior, seja qual for o meio disponível. ok, reconhecem a possibilidade de trabalhar com várias alternativas para alcançar o propósito intelectual. admitem o palimpsesto como um dos 'possíveis'. pelo menos agora nossa discussão não está presa mais à forma e à 'verdade do meio'. ficará muito mais produtivo. dividimos ontem a noite o trabalho de pesquisa por três grupos distindos; assim, todos terão o tempo necessário. conversamos que o negócio não é quantitativo, ao contrário. o acralho vem sendo estudado há várias gerações. não apenas no brasil, mas em todos os países que falam a língua portuguesa. tudo bem, existem outros países europeus interessados, mas lá tem a dificuldade de tradução, lingüística, etc... é muito comum quando usado em meios de comunicação. houaiss e aurélio morreram sem a resposta. mais pra frente um pouco... bom, nada de estranho. começa a resposta ao novo chefe da polícia militar do rio. corpo esquartejado em copacabana. nenhuma surpresa. num outro lugar, um desses morros, fazem barricadas com geladeiras nas pistas, impedindo o trânsito. como disse, nenhuma surpresa... a publicação do jornal anda claudicante. as patrulhas atuam pra valer! é guerra mesmo! tudo bem, eu já imaginava. ou a gente fala o que eles querem ou o dinheiro não aparece. pra mim não é surpresa. já haviam me informado que o rio grande do sul está todo assim. o governo do pt, por aquelas bandas, nem disfarça mais. quem não apóia não tem propagando no jornal. de qualquer forma, optamos por resistir. vão ter que ler as coisas que não gostam. vão ter que engolir. patrulha por patrulha, fazemos mais fé na da gente. espernear não assusta. o jornal vai sair. nem que seja com apoio do PFL. cidinha campos não apareceu. quem tem medo de cidinha? por mim, não aparecia mais. ... outra coisa: esqueceram simone de beauvoir. a pobre perdeu seu precioso tempo... o programa gravado hoje pra ir ao ar sábado, trouxe a doutora paula, que exemplifica bem o malefício da apologia às drogas, a discussão idiota da descriminalização e o retardamento mental dos pais que não sabem impor limites aos filhos. irwing são paulo, que encena agora a 'carta ao pai' de kafka (para poucos) acredita que o público vai gostar. não emito opinião. aliás, ainda que medíocres, rainha e stédile merecem observações mais apuradas. não se podem negar determinados méritos...nem do cara de cavalo, nem de madame satã.... mais uma do escritor a metro: reunir lacerda, carpeaux, merquior, paulo francis e roberto campos. olhei pra ele preocupado. "escuta , cara, nesse país progressista quem vai querer saber desses autores, assim de uma vez? quem paga? o dinheiro tem outros caminhos [que passam] pelo stédile, o rainha, o brizola....! ". acabamos rindo. ele e eu tomamos coca cola até não agüentar mais.... essa terra morena... pfui! com o pessoal do design a coisa foi superficial, como era de esperar... não são pessoas dadas a pensar e coisas como essas, digamos, menores. os designers são seres dotados de uma capacidade toda especial, algo como uma centelha divina... alguns estudam outros apenas 'sentem'... acho mesmo que é essa coisa de deus...por isso temos um mundo tão pouco poluído!!! ... adiante: volto então para o 'escritor a metro'. ele está tão indignado quanto eu com a história de resumir carpeaux. melhor assim. decidimos então não fazer nada, ou melhor, fazer tudo, na íntegra. um designer dá uma entrada na sala. não sustenta a conversa, claro. é 'web designer' acabamos rindo. deus, o pessoal da web... .... porque as coisas não podem ser mudadas apenas porque é desejada. não dá pra se pretender genial e ser. ora, ser é diferente. a web está em fase de transição. só agora é meio correto e ágil de informação séria... começando. portanto, a turma que só bebe por ali não é nada, não existe. não nasceu ainda. gritar que faz e acontece é uma coisa, mas na hora mesmo... bom, não é nem difícil entender... a web pode iludir os incautos...porque tudo é bonito, alegre, colorido e vibrante...as pessoas ficam ali e acham que sabem. - mas não sabem de verdade. tenho até a impressão que sabem que não sabem. tem essa coisa de pegar os textos aqui e ali, usar o programa tal e qual para fazer a imagem tal....modelar...essas coisas. é bacana pra caramba, acho até que em breve teremos um número menor de artistas...mas por enquanto, ainda não. não dá para nascer na web. talvez nossos filhos... nós, definitivamente, não. também não gosto de humildade ou subserviência, mas arrotar demais, baseado em cinco anos em frente ao monitor... ora, ora, tenha paciência. pra resumir o cara saiu do encontro danado da vida, não quis continuar a conversa. é da turma que pretemnde resumir carpeaux. - e ainda ousou reclamar porque coloquei o olavo de carvalho aqui! é porque são arrogantes mesmo! como diria o olavo: "estuda, burro!" ... meu "escritor a metro" surpreendeu com a revelação: por que não trabalhar em cima da "CRÍTICA" (1964/1989) do José Guilherme Merquior? Sem me deixar responder, falou do texto/crítica a Mário de Andrade, com ênfase ao "Prefácio Interessantíssimo" da Paulicéia desvairada.. Bom tem a briga de lobato com tarsila, tem a discussão de 22 em sampa e no rio (que revolucionou sem chamar de semana de 22...) Tudo bem, vamos ter que estudar muito, mas Merquior, à despeito da sub-opinião de nossa esquerda festiva, dita morena (meio jubiabá) é o que tem de melhor no brasil. Tudo bem que a verborragia do lacerda é fenomenal, assim como do oswald, mas aí são outros quinhentos... não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo... vamos em frente por aí... .... ia falar do macunaíma e de todo o delírio daquela época, muito mais mídia paulistana que realidade cultural, mas deixamos isso pra depois. tínhamos que nos debruçar em merquior. até porque lacerda é coisa da guanabara e merece um trabalho à parte, um site inteiro, à parte para que o pessoal novinho tenha a possibilidade de compreender (ainda que eu não acredite) resolvemos então seguir em frente. ... pensamos ainda em analisar de forma superficial o trabalho de lima barreto. acabam de editar sua obra completa em um volume pela aguillar. não tenho muita certeza. acho que dá para fazer uma diáspora às avessas e tratar o lima primeiramente no seminário da universidade (fim do mês), deixar o pessoal ler bastante pra ver se acontece algo (também não creio que consigam). enfim, as possibilidades de iniciar o trabalho estão postas. Bom, ninguém pode falar em negligência. Tentei mesmo fazer o tal do Imposto de Renda. Sou absolutamente incapaz. É o meu fim. 10.4.02
tem essas coisas ainda do desenho, das artes gráficas, do design... vou conversar com eles (saco!). conto depois. voltam as propostas indecentes de resumir Carpeaux. eu olho. melhor não dizer nada. minha posição está tomada desde o ano passado. ou colocamos na íntegra ou não quero participar. voltam a insistir no argumento que a web não é a mídia adequada. não sei se é ou se não é. acho que todos têm o direito a escolher o que desejam ler. saímos pra dar uma volta de moto. somos cinco amigos. o pessoal pretendia parar na barra para uma cerveja, mas a temperatura amena e o visual empurrou todo mundo pra frente. ninguém quis parar em nenhum momento, todo mundo rodando... foi legal... os meninos precisam mesmo dar uma relaxada...não pode ser pressão o tempo todo, se não eles explodem. nós explodimos... por fim damos uma paradinha, nesses quiosques de beira de estrada... a barra tá cheia disso. tomam lá a cerveja... haja coca cola e águia de côco... bom, conversamos mais um pouco... o menino da literatura hoje tá falando mais do que os outros... tá indignado com algumas coisas que tem percebido no trabalho...- já expliquei a ele que, antes da web2 estamos todos nessa rede, o negócio é conviver - mais na frente haverá a divisão normal das classes... eu sei do que ele fala, mas não dá pra fazer nada, por hora... ele disse que está cansado de escrever a metro (e dou razão a ele). mas não tem como alterar as coisas... portanto, melhor falar de engrenagens, graxa e pneus... ele topa. menos mal. fred, o louco, insiste comigo: " existe um mundo melhor, mas ele é caríssimo..." não discuto, tenho medo dos loucos. portanto, digo pra ele que sim, sim, sim, é verdade, é verdade, é verdade com chuveirinho ou não, 99% dos lares brasileiros ditos "bem" usam papel higiênico Neve. Ora, qualquer um sabe que não funciona. quem ainda não passou dissabores usando esse produto? mas é chique, não adianta... quem usa, sabe o que digo nova reunião com o pessoal da dramaturgia: continuam as dúvidas sobre a possibilidade de levar as peças por hipertexto. claro que dá. é trabalhoso, mas dá. tem é que trabalhar muito, reler até encontrar a forma correta de desencadear sem perder essência. até porque não mudaremos o texto original (claro). mudar o texto original, alterar as regras básicas é coisa pra quem se pretende mais e não vejo gente mais pela frente. ao contrário. digo isso pra eles. concordam, claro. é normal concordar. rebeldia sem causa depois de muito tempo cansa um pouco. esse pessoal aqui já tá mais escolado. rola um certo desdém com o pessoal partidário do teatro do oprimido. também acho uma chatice... é essa coisa que falei dia desses com o pessoal, essa coisa da falta de cultura mesmo...começa a qualquer um dizer que faz e acontece...basta ver o nível da academia e o que sai das universidades. pinguelli, até ele concorda. o outro me pergunta se trabalhamos para agilizar a assimilação dos clássicos... não tenho resposta. não adianta trabalhar com programas para agilizar assimilação. precisaria primeiro convencer o pessoal que é necessário ler. mas nem isso. não querem. a caixa tá lotada de correspondência pedindo opiniões [na verdade querem conteúdo para monografias] sobre 'meios e informação'. tenho uma certo medo. essa coisa toma, às vezes, um caminho meio fora de controle... tratar de informação sem a formação básica gera aquele tipo de pseudo arte que os loucos produzem e os intelectuais e plantão e/ou os ignorantes aplaudem. pfui! o quarto poder a ação firme do senador jorge bornhausen ao defender a candidata do seu partido do que, ele entende, ser uma ação política, causaou tal reviravolta que esquecemos completamente o que havia ontem. ele representa 'o emblema do patrimonialismo', 'resquício senhorial da sociedade escravocrata' e outros adjetivos não menos incisivos. tudo bem, agiu duro, tem que agüentar o tranco... claro que enquanto isso, nosso ex brizolista garotinho prepara sua aposentadoria vitalícia... saiu de cena também, o MST, braço armado do PT, egresso das forças camponesas, dos revolucionários do campesinato e tudo aquilo que quase levou o brasil em 64 a tornar-se uma cuba continental... benedita nomeia um chefe de polícia que fala quatro idiomas, inclusive japonês (?), para melhorar as condições de segurança no rio. no discurso, o novo chefe avisa que a polícia é profissional, só sobe o morro com autorização dele, que os direitos de cidadania serão preservados e que "bala perdida" nunca mais. ao mesmo tempo, na tijuca, um bando desce o morro e avisa aos comerciantes para fecharem antes da hora (prontamente atendidos, claro) Sim senhor! sim senhor! soluçam os comerciantes, fechando as portas... os 'bondes' vão descer. assim vai. manchete mesmo, só para o hiper super mega nazi-facista jorge bornhausen. a televisão até hoje é a mídia de maior penetração na formação de opinião. talvez não seja a mais completa, perdendo de longe em qualidade para a internet, mas em quantidade, a tv continua imbatível. ainda assim, apesar do poder que exerce na sociedade, do poder de cobrar dos governos e cidadãos atitudes que encaminhem a humanidade para uma relação mais justa, ainda assim as televisões claudicam. erram ao sonegarem informações, ao distorcerem fatos, a calarem diante do absurdo. erram por deseducar, apesar dos programas 'educativos'. confundem entretenimento com deseducação. um dos mais típicos exemplos, são as conhecidas e aplaudidas 'pegadinhas'. trata-se de material de quarta ou quinta categoria, encenado por desocupados que se dizem atores, usando a ingenuidade de passantes, expondo o que há de ridículo e podre em cada ser humano. esse material depois é exibido a milhões de telespectadores que exultam diante do ridículo.o assunto foi discutido de forma didática na revista da ZDF, empresa pública de comunicação da alemanha no mês de fevereiro. tudo bem que a alemanha consiga manter um bom nível de programação na ZDF e na outra, estatal, mas não é tão verdade assim. não consegue o mesmo nas emissoras particulares. a BBC de londres consegue ficar acima de tudo isso, não apenas por ter um conselho diretor do mais alto nível intelectual, mas principalmente, porque o cidadão paga, mensalmente a tv... ela é pública de fato e de direito. nas américas não acontece isso. no japão também não existe essa atenção por parte dos detentores desse quarto poder. a internet, creio, nasce sob a égide da liberdade, da possibilidade de cada um. hoje, ainda anárquica, caminha para um processo organizacional que, em breve irá gerar o definitivo paradigma da informação. a web já é, e caminha para assumir essa liderança de forma absoluta, a grande geradora de educação, cultura informação e entretenimento. 'recebo o telefonema do editor. finalmente está tudo pronto. o prazo para o início da distribuição é de dois meses... fico contente, alegre, mas ao lembrar de tudo me assusto. peço a ele mais um prazo. pequeno. sempre há um pósfácio." ... 'posfaciar é o desígnio eterno do homem" ... reler braudel mostra que, definitivamente, o universo é curvo. não precisava da física. 9.4.02
essa questão intelectual é mesmo complicada. porque ainda que gere mais riqueza, mais emprego, mais serviço. ainda que abrigue a sede das grandes empresas, que o capital gire muito mais os estados não conseguem definir supremacia no brasil com esses indicadores. norte e nordeste geram muito mais literatura que o sul idem para a música. artes plásticas menos [como o golfe, para poucos e ricos] o rio de janeiro, em que pese o atual estado degradante do seu (des)governo, continuará sendo a capital cultural do país. tem aquela choradeira toda, mas não adianta. não se deve coisificar, levar para o lado pessoal, seria tolice. ninguém tem culpa de não ter ipanema nem o redentor todos os dias diante dos olhos... ninguém tem culpa de chico, tom, vinícius e tantos... tantos nascerem no rio. tudo bem que nos outros estados tem aquela música regional, dita country, na verdade caipira... essa coisa meio provinciana.... bom, eu acho sempre legal. acho gente uma coisa bacana. não importa de onde. caetano mora no rio e na bahia. ganha dinheiro em são paulo faz uma bela canção para sampa, exaltando 'a deselegância das suas meninas' e a turba, casa lotada, vem abaixo. israel, ainda que no momento antipatizado, dá ao mundo uma prova de coragem inesgotável. após inúmeros atentados terroristas, após a guerrilha dos palestinos matarem centenas de israelenses inocentes, chegou a hora do basta. e é basta mesmo. mostram assim, como o combate persistente, inclemente e incessante, independente dos apelos de quem for, minimizam a ação terrorista. é muito comum, principalmente quando se trata de agitadores, desestabilizadores - em 90% comunistas - essa choradeira de 'somos coitadinhos e vocês os vilões'. fazem pequenas investidas relâmpago, usando sempre do terrorismo para destruir e matar a população civil. quando há uma reação firme, enérgica do exército, correm para as montanhas e clamam ao mundo pela paz, exibem seus mortos como troféus, seus esfomeados como mártires de uma suposta 'tirania', da globalização, do imperialismo e essas coisas todas que não passam de palavras de ordem, refrões castristas... aquele mesmo papo da ditadura, do paredón, da guerrilha, mas na hora do embargo... todos coitadinhos. o povo judeu, já tão vilipendiado num passado recente (que agora a humanidade finge esquecer) sai fortalecido. não vencedor, que não é o caso. sai fortalecido, deixando clara, inequívoca, sua capacidade de reação aos ataques e escaramuças dos que proliferam no terror. e por quê aconteceu a reação [tardia]? porque o povo não suportava mais o medo, a insegurança. não suportava mais saber que, ao sair à rua poderia não voltar, vítima de um ataque facínora. as sociedades, até as latino americanas, chegam a um estado de pavor, de pânico, de ódio, que sucumbem ao pseudo bom senso e se organizam (com seus exércitos) para dar cabo da tirania, do crime organizado, hediondo. é fato. é história. leio nos jornais que benedita da silva orienta a pm a ser rigorosa, mas com muito cuidado com a população. não compreende, ou percebe de uma forma ambígua, como funcionam os morros. os traficantes dão dinheiro aos mais pobres, socorrem nas horas mais graves e matam, quando contrariados. a comunidade participa desse scrip, desse jogo. quer seus filhos empregados como 'aviões', quer sua casa protegida contra o 'outro' e assim por diante. quando a polícia sobre o morro, a própria comunidade 'espalha' criancinhas inocentes e mulheres grávidas por toda a parte. somado ao despreparo da plícia, evidente que esses 'inocentes' são os primeiros atingidos. e aí vem toda a choradeira do pessoal 'correto', dos intelectuais, da mídia e tal e tal. conversar com policiais e moradores dessas cominidades pode mostrar uma outra realidade... não são assim tão inocentes os cidadãos... as balas não são propriamente perdidas... evidente que benedita não é boba. prega para a comunidade que votará nela. como brizola a diferença entre eles e os velhos anarquistas italianos é o romantismo a itália anárquica era romântica, bela, inocente. aqui existe uma guerra pesada e constante e, dos tiros de canhões, metralhadoras e AR-15 ninguém escapa com vida. sem vida, não há teoria, teosofia nem filosofia. não há nada. 'choderlos de laclos não resistiu.' toma o último gole de café e volta pro escritório. fico parado, olhando... me dizem que o ministro da justiça participará do debate sobre a descriminalização da maconha e que ele é favorável. não vi o depoimento dele, mas não acredito que seja esse. poderia ser pessoal, mas oficial, em nome do estado... não acredito. vai haver, afinal a mesa redonda sobre a descriminalização da maconha. tem essa proposta de discutir o assunto também via web. creio a discussão deva mesmo ser num meio em que todos possam participar. acho que alguns cuidados devem ser tomados. é um debate ainda pouco tratado (de forma séria) no brasil (e no mundo) a respeito ainda do plínio marcos, falamos da possibilidade de fama... efêmera. o mais velho me respondeu que os 'quinze minutos' hoje são iluminados pela luz do monitor... é possível, não tenho muita certeza. 'fama pra valer, insiste o terceiro, foi john e yoko na gaiola de vidro, ainda em 60 ou 70... agora são apenas tentativas...' bom parece que ninguém conclui mesmo nada e voltamos ao trabalho. a proposta de parceria com o centro cultural banco do brasil e a universidade federal fluminense pode render alguma promoção para os filmes produzidos pelos universitários. pode ficar uma coisa interessante. não vejo muita possibilidade dos filmes 'rodarem' bem nessa plataforma, mas a divulgação e o debate serão interessantes... nelson conta que rosa escreveu: o homem morre para mostrar que viveu. não lembro de ter lido, mas se ele diz.... a intranet é uma impossibilidade. é imposta. gera pouco entretenimento. o usuário não percebe de forma clara a possibilidade de interatividade. acha, de qualquer forma, um meio patronal. e é. A possibilidade de levar Othelo com hipertextos é fascinante ainda que difícil (impossível na opinião de alguns) plínio marcos, sem talento, sucumbiu pelo excesso em suas peças. nelson rodrigues fala muito sobre isso. conversei hoje longamente com o pessoal de dramaturgia. falamos da tentativa de rodar os vídeos digitais e usar a web cam... mas não sei... para a dramaturgia me parece ainda frágil [o meio]... 8.4.02
silencio diante de tudo. a polêmica só encontra solo fértil quando, pelo menos, se apreende os textos. atribuir histórias radiofônicas à vida de cada um é incapacidade cognitiva ou má fé. contra isso nada pode ser feito... além de alguns comentários quase instantâneos no post que fala da mulher que "traiu" o marido (abaixo), recebo dois e-mails...se mandaram por e-mail, com certeza não querem divulgação, não sei... mas é importante, pelo menos, colocar aqui o sentimento dos missivistas: " não agüentamos mais essa babaquice toda das mulheres... elas querem trair e não serem traídas... são garotinhas estúpidas, que morrerão a míngua atrás de marido e...babau! nada! querem mesmo é um maridão, daqueles, machão..." ... e por aí vai. eu não sei se é assim, uma coisa tão agressiva. acho preconceito chamar mulher de cachorra, de puta e essas coisas... quanto ao feminismo... bom, normalmente é coisa de garotinha ou de sapatão... também acho que todos (mulheres e homens) querem uma vida estável, tranqüila... os jovens (idiotas - alguns... não, a maioria) repetem chavões da década de 70, mas não querem, de verdade, para eles mesmos as situações que defendem ardorosamente. são pequenos palhaços, gritando em busca de uma platéia que não existe. (pelo menos, séria). querem a luz fugaz de uma frase de efeito, paladinos falsos de uma liberalidade que não suportariam na carne por dois minutos. ou não. aliás, essa discussão toda de fidelidade ou não, é bobagem. podemos partir do princípio que ninguém é totalmente fiel, que fidelidade é ridículo, ultrapassado, babaca. as coisas acontecem e pronto. portanto não devemos nem considerar a qüestão. tá com vontade? vai lá e come. sua mulher (marido) pode estar fazendo o mesmo, nessa mesma hora. ... é isso? é esse o mundo 'sincero' que desejamos? ei-lo. no táxi, a caminho de casa, ouço o programa Haroldo de andrade... aquela coisa de sempre. lê a carta de uma ouvinte que fala mais ou menos assim: 'sou casada há oito anos, tenho dois filhos e meu casamento é feliz. estive em minas gerais para fazer um trabalho e à noite, no bar do hotel conheci um rapaz. tentei ir embora, mas bebemos bastante e acabamos na cama, numa noite maravilhosa! estarei errada? não tenho mais direito a esse tipo de sensação, de alegria como na minha vida de solteira? devo contar ao meu marido?' ... normalmente estas cartas são produzidos pelo próprio redator do programa. pode ter sido ou não. de qualquer forma retratam situações que acontecem com muita freqüência e, por isso, são verídicas... imagino que dê ibope, que todos os homens ouvindo aquilo sintam-se inseguros e achem as mulheres, no mínimo, 'vagabundas' para falar com todas as letras. as mulheres por sua vez, devem gozar ao perceber a sorte da outra, ainda que angustiada pela dúvida sobre a revelação. umas devem achar que ela não deve contar em hipótese alguma e tornar o que aconteceu, um hábito saudável, libertário, inclusive... outras pensarão que o melhor é contar e, se o marido reclamar, é porque ele não tem sensibilidade, não conhece a alma feminina, com certeza ele tem mulheres na rua e ela não pode ter... portanto, para essas, a solução é largar o desgraçado. ... evidentemente a intenção é polemizar. também é evidente que a polêmica só prolifera porque atinge os ouvintes das classes baixas ... a mesma situação, inversa, não teria graça de ser contada: o homem, traidor por natureza, perguntando se conta ou não pra mulher... quer dizer a mídia quer provocar esse tipo de situação, nunca pensa em algo que traga realmente informação, cultura e educação. com arte e talento, nelson rodrigues fez muito melhor. levantou todas essas situações de maneira série e contundente. ... eu, que não sou politicamente correto, que não tenho sensibilidade nenhuma, ao contrário, nem sou moderno, acho que a mulher, contando ou não, devia voltar pra casa, arrumar as trouxas e cair fora. se ela percebe que existe algo melhor além do seu parceiro, deve ir em busca do ideal. claro que eu poderia dizer: 'não... eu sou sensível...foi uma coisa que aconteceu com o meu amorzinho, mas tudo bem... acho até que demorou, que ela devia sempre dar umas trepadinhas pra variar... amo minha mulher acima de tudo....' sinto, mas não acho nada disso. homem não precisa ser corno pra ser moderno Às 18 h. do dia 6, postei alguma coisa fazendo referência a determinado assunto (ver abaixo). Essa mania de ler tantos e tantos blogs, querer saber o que anda por essas cabecinhas, acabou por induzir ao erro e trocar um link, atribuindo a Ana by Ana algo escrito no Vida de Redatora. Já desfiz o erro e aqui vão as desculpas deste pré ancião. 6.4.02
leio na Veja que agora fazem contratos (jurídicos) para namoro. não sei se é para rir ou para chorar, mas é verdade: as pessoas estão com medo que 'namorados' exijam pensão alimentícia.... uma juíza adverte: namorada fixa pode, mas tem que deixar a cueca ou a calcinha na cadeira... na gaveta fodeu! 'caracteriza a união estável' e quem se medica sou eu. acho que é um momento delicado. possivelmente aqui não é o fórum adequado para expor determiandos sentimentos, determinados processos.... falarei de política... ou de futebol porque o negócio é sempre muito complicado. hoje mesmo li um texto, belo por sinal, da redatora dizendo, em suma, que os homens sempre vão embora. posteriormente constatamos que não são os homens que vão embora. algumas pessoas vão, algumas não percebem a generosidade da culplicidade e da parceria. porque no fundo eu acho que existem grandes, enormes parcerias e cumplicidades. não só nos relacionamentos amorosos, mas em várias etapas em vários momentos da nossa vida. Finita, bicho, é a vida. O resto, pfui! não me permitirei trazer na bagagem as experiências ruins e frustrantes que tive. Sim, porque todo mundo tem, lógico. mas realmente não trago isso em mim. cada pessoa, cada parceira será sempre eternamente uma possibilidade infinita, renovada a cada dia que nasce (enquanto nascem para mim os dias)... essa coisa de achar que as coisas são finitas, que tudo tem um tempo, estar toda a vida pensando que as coisas têm início, meio e fim... tô fora. mesmo. mesmo, mesmo. como diz o outro, "eu quero a sorte de um amor tranqüilo..." - qualquer ser normal também quer. fico feliz de ver que tem muita gente que acredita, de verdade, nas pessoas. sem medos. doa a quem doer. meu pai escreveu uma peça chamada 'chuvas de verão'. devia ser uma bobagem qualquer, mas tratava disso, dessas tempestades que vêm, alagam tudo, provocam vítimas, mas depois passam. acho que tratava de um casal ou algo parecido... eram aquelas comédias de costumes da década de 40, 50... ele não tinha idéia da ferocidade das chuvas dos verões da década de 90.... não tinha idéia que 'é pau, é pedra é o fim do caminho é um resto de toco é um toco sozinho...' o relacionamento precisa ser muito forte, muito próximo, é necessário que exista uma parceira total, tipo dois em um, para que a gente consiga ultrapassar as dificuldades, as dúvidas e a maneira de cada um. quando não é assim, a fragilidade da forma permite, induz ao acidente, à quebra... o relacionamento não inteiro, quando não se entra de cabeça com tudo, para o que der e vier fica, de antemão fraco, frágil. como guardar cristal sem todos os procedimentos básicos. quebra. apesar da minha maneira, de tudo o que penso e digo, sou cristal sim: tenho qualidade e sou frágil. partir do princípio que tudo é copo de geléia, de que 'as pessoas são assim' termina no fracasso pelo desconhecimento, por não ver, ainda que a distância, que copos não são apenas copos; copos podem ser vidro vagabundo e podem também ser criatal. e quanto a juntar caquinhos.... nada contra, mas não vi ainda experiências vencedoras... joão aparece de surpresa. conversamos um pouco. continua tentando levar a vida dele. sou meio pessimista, mas enfim...vamos ver. fica pouco, vai até santo antônio visitar a mãe. é legal ele ver a mãe de vez em quando... permanecerei sozinho. tento ler, mas não consigo me concentrar. conversei com m. mas não adiantou muito... portanto, é tocar... tocar... depois de longo tempo em silêncio recebo um caudaloso e-mail de Marcus K. conta o que tem feito da vida, por onde tem andado. não me parece nada importante, nada além do esperado.diz que dorme pouco, relaciona-se com prostitutas, proxenetas e afins... é internato por quatro dias, dopado de medicação... solto, vai para os bares e bebe pinga até cair.. a família não quer saber mais, não suporta mais... enfim discorre por essas coisas comezinhas da vida. não sei o que espera de mim. possivelmente nada. também nada tenho a oferecer. transcrevo um trecho: "... não me interessa a opinião de A ou B. quero saber de mim, das minhas coisas... pensam que sou marginal, que não me reintegro a esse mundo. caguei! quem disse que esse é o mundo bom? quem disse que sofrem menos que eu? ninguém. estão todos nessa roda viva, correndo daqui pra lá. eu não. estou em paz (relativa paz). decidi não escrever nada para a internet. publique alguma coisa se achar que deve. de você também: já tive provas de falta de coragem, de insegurança diante da tomada de atitudes. você é um fracote! deve ser um gordão. deve ser careca e gordo. quase todo mundo na internet é gordo! pouco me importa. continuo convensando da forma que vocês rotulam como "sozinho". ouço mesmo as vozes. ouço e assumo, ao contrário de tantos que ouvem e fingem que nada está acontecendo. quem mente mais, meu amigo? quem?" bom aí está um pedaço. não tenho encontrado a menina que anda com os manuscritos dele. diante disso, nada posso acrescentar, não posso tenta estabelecer coligações, nada. dia desses me qüestionaram sobre a veracidade de Marcus K. Ora ora, minha senhora... eu tenho muito mais a fazer e pensar do que ficar criando esses tipinhos ridículos... os textos anteriores que publiquei, manuscritos, estão todos aqui, pra quem quiser ver... "Admiremos mas nunca idolatremos. E, se devemos idolatrar, idolatremos somente a verdade, pois é a única idolatria que não pode corromper, uma vez que o que a idolatria corrompe é a verdade, e a idolatria da verdade é, portanto, a única que não pode corromper (gasta-se a si mesma?)" Fernando Pessoa essa foto [ que tomei a liberdade da Cora Rónai ] evidentemente não é brasileira. o local não é o brasil. mas poderia ser. serve de exemplo. a qualquer momento, a sociedade vai exigir que o rio de janeiro esteja assim. [com gato e tudo} ![]() Blogger a beira da falência... a continuar sempre fora do ar dessa maneira... bom, não é disso que pretendia mesmo falar... pretendia desabafar, dizer as coisas que penso e não consigo falar por não me sentir compreendido... a situação é crítica, lógico que é. não poderia deixar de ser, visto o que vem acontecendo, o que vem sendo falado... de repente, me dá um estalo, um sentimento de mágoa e a coisa toda se inverte: passo eu a ser o vingativo, aquele não ‘não baixa as guardas’... pode até ser que eu não baixe mesmo, não duvido, mas alto lá: existem motivos, muitos e muitos motivos. agora a situação mudou, aconteceu, está criada. não dá pra deixar de lado o sentimento, as coisas que mexeram (e mexem) comigo assim, de repente, só porque ‘resolveu-se’. eu não funciono assim. e mais: não quero mesmo funcionar. não são atitudes inconscientes, sem aval... não, absolutamente. eu tenho dificuldade de me recuperar de alguns golpes. não de todos, ao contrário: acho até que resolvo rapidamente algumas coisas complicadas. mas não todas. principalmente as que mexem naquele ponto frágil, aquela área do sentimento, do capital afetivo, meu bem maior . o prefeito da gestão passada de Nova York demonstrou, de forma prática, que a tolerância de um lado, por tempo muito grande e de forma humilhante, para ser revertida remete a tolerânia zero. infelizmente. remete a tolerância zero. porque da mesma forma que na sociedade civil, quando nos relacionamentos pessoais você deixa a coisa extrapolar, perder o controle, a recuperação posterior é muito mais dolorida, violenta. o rio de janeiro,, por exemplo, hoje é dominado por falanges armadas com calibres pesados, um verdadeiro exército. uma ação rotineira de polícia não terá força, haverá supremacia dos bandos fortemente armados. Para reverter a situação acontecerá mais dia menos dia um massacre, possivelmente envolvendo o exército, uma invasão nas favelas... centenas de inocentes morrerão para que haja, em contrapartida, extermínio dos marginais. nas relações afetivas, guardadas as devidas proporções acontece mais ou menos a mesma coisa... quando você tem uma pessoa ressentida, magoada, triste e ofendida.... bom, não sei... aliás, eu não sei por onde começa nossa baixa estima: se é por cidadania (falta de) ou orgulho (falta de). se você não se coloca socialmente, não cobra as coisas que são devidas, certamente, na vida afetiva você também não cobrará nada ou vai às forras, cobra em excesso, o que, técnicamente, dá no mesmo: você é emocionalmente despreparado para viver em sociedade e para viver com amor. tenho lido algumas pessoas postando preocupadas com o estado de coisas que vivemos, nossa vida mal encaminhada, insegura... dia desses não me lembro quem disse que Arafat teve uma noite mais tranqüila que a dele, na Tijuca... é bacana as pessoas começarem a pensar na sua segurança, qualidade de vida e tudo o mais. porque a gente sabe que a enorme maioria de políticos é corrpta, incompetente, xiita. . . mas tem eleição, tem que pensar em modificações, em exigir mais... porque é isso, sabe? a gente também meio que deixa rolar... vai deixando... uma reclamação aqui , outra ali, mas no fundo deixa rolar... e de repente, tá todo mundo fodido, ganhando mal, vivendo mal, com medo, sem emprego, com fome... acho que rola uma coisa de reação... as pessoas não têm muita reação... e reagir é bom.. você, de repente, acordar e dizer: 'pera aí, qual é?' e daí você muda. você não se abaixa tanto, não sai por aí aceitando tudo o que querem impor. - E essa coisa começa em casa, você não aceitando do teu pai, do teu filho, do teu namorado, do patrão, da puta que o pariu! porque se o pai te sufoca, se a namorada impõe... se as pessoas em volta vão fazendo o querem, a gente vai se acostumando, deixando... depois vêm os bandidos, os políticos, o estado... e por aí vai... 5.4.02
não consigo me decidir pelo tamanho e cor da letra. já mudei o template todo dessa bosta. qualquer dia, esperto como sou, acabo por tirar o blog do ar...sabe como é, esse negócio de quem não entende nada ficar futucando muito... converso longamente com bete. o projeto do nosso site está caminhando. as idéias são muitas.... é preciso trabalhar. acredito que possamos fazer alguma coisa importante e que, ao mesmo tempo, dê prazer... quero trabalhar com prazer... quero transar capacitação... quero estar aprendendo e ensinando... trocando sempre... quero estímulo intelectual, botar a cabecinha pra funcionar... estou tão estressado, tão sem saber como agir que hoje dispensei um trabalho. jogando dinheiro fora pra não pirar! e cuidado companheiro: há um assassino em cada esquina. pronto pra te roubar, espancar, estuprar. assassinar... e rir do teu corpo ensangüentado no asfalto... se, hipotéticamente, o assassino for pego (pouco provável) surgirá das sombras um exército de defensores dos 'direitos humanos', das minorias e tudo o mais... não haverá justiça... no máximo, mais um abraço à lagoa em nome da paz... neste momento, acho que é hora de ler...ler...ler...ler... a trilogia "Os Nossos Antepassados" de Calvino. a visão superficial da alma, a preferência pelo sorriso efêmero... não sei não... porque o negócio é o seguinte... o que eu quero é tudo. tudo. tudo ou nada. "a vida é uma só, companheiro..." eu tenho essa vida pra viver intensamente, inteiro, entregue, total! só volto a rir quando tiver vontade! eu quero é sentir. sentir pra caralho... ver as ações acontecendo ali, bem na minha frente.. quero ver a natureza, o computador, os livros, os cadernos, as pessoas, as letrinhas, os bons filmes, os jornais, as revistas.. quero ver tudo e fixar, guardar pra mim, compreender e poder conversar sobre. é mais do que evidente que eu faço o que qu quero. sempre fiz e sempre vou fazer. qualquer retardado faz. e daí? cadê a vantagem? o que se ganha? liberdade? quá quá quá liberdade não se conquista, se tem. vem lá do fundo e não de fora. liberdade é muito menos decidir do que sentir, é muito menos impor do que entender, é muito menos gargalhar do que pensar. pra mim é isso. ponto. claro que todos têm o direito a escolher... inclusive eu. e sei escolher sem mantra. acho que tudo na vida da gente tem um limite... é perigoso não perceber esse limite... perigoso e caro. Acabo de receber a seguinte correspondência sobre o calibre ideal. Publico, mas não me responsabilizo. Não conheço bem essa coisa toda.. "Cara, o calibre bom para o Rio é o 44/40 para pessoas equilibradas, que gostam de uma arma confiavel, com bom stopping power, e perfuração boa de tecidos. Para os que querem porrada, aconselho o 45 acp. confiável, trava pouco, mas quando trava tem que levar a arma no armeiro, mas faz um estrago bonito. Não atravessa todas as portas de carro.... Agora, para os que como eu, querem apenas ver os pedaços subindo, que não se importam com uma arma pesada, de coice forte, mas que prezam o prazer estetico acima de tudo, aconselho uma 10 mm.....arma boa, impõe respeito, um tiro é mais que o suficiente para parar alguem do meu tamanho, e se pegar num membro, decepa. se não decepar, inutiliza pelo resto da vida. Não é boa em perfuração, mas acerta dois tiros no mesmo lugar da porta, que vc atravessa ela e ainda atinge o marginal com os estilhaços de metal..." 4.4.02
continuo recebendo correspondências que tratam da sociedade em rede, dos relacionamentos virtuais, das possibilidades e dos exageros... eu entendo que todo mundo gosta da internet (eu adoro, não consigo mais me imaginar vivendo sem um computador!) e os mais razoáveis compreendem bem as dificuldades, os problemas que essa 'aclimatação' vem gerando... com certeza faz parte do jogo, da mesma forma de toda e qualquer outra grande descoberta (não existe lembrança de invento, de criação mais importante em todos os sentidos)... teremos modificações geográficas, geopolíticas, sociais (principal e fundamentalmente nos relacionamentos!!!) a sociedade que hoje vive em rede não é mais passiva naquele sentido que tratávamos há dez anos atrás... por outro lado, em alguns casos, ativa, tornou-se passiva socialmente. . . compreende muito melhor o mundo, tem uma visão muito mais clara do mundo virtual que do real... ficaram passivas diante do computador achando que estão interagindo... não quero me estender muito não... olha, eu já falei o suficiente. prefiro tratar com cada pessoa, um por um, via e-mail... A cada momento, cada fato novo que ocorre, cada violência brutal anunciada, as pessoas vão se apavorando, apavorando... Participei hoje de três discussões no trabalho sobre o medo que todo mundo sente de andar pelas ruas do rio (com erre hiper minúsculo!) Todo mundo com medo. As pessoas já começam a pensar em portar armas. A discussão agora não é se anda armado ou não: o problema é qual o calibre adequado para esta cidade! é preciso tentar compreender tudo o que está acontecendo, o que pode acontecer e assim por diante. Confuso. pretendo dizer algumas coisas. não sei se vou dizendo assim, de qualquer maneira ou se penso com calma. nunca sei como fazer essas coisas. dizer de uma vez é mais autêntico, muito mais verdadeiro... tomo cuidado para não atirar antes e perguntar depois... tenho sentimentos confusos (não muito), mas tenho. refletir mais ainda é uma boa opção. não refletir seria repetir a mesma forma que ando criticando. todo mundo se refaz. a energia do homem não diminui. quando somos parados aqui ou ali, quando não existe reciprocidade, temos um aumento, uma sobrecarga de sentimentos, energias e sensações. essa carga - que move a humanidade - chega a um ponto de ebulição tal que escapa, sai do controle. as pessoas sempre encontram escapes para todas as ansiedades e pressões. ocorrem revoluções quando menos são esperadas, apenas pela emoção. ou pela não emoção. e nesses momentos, o mundo se refaz, através das explosões pessoais, de um a um. não existe mais a possibilidade de ceder além dos meus limites. tenho feito isso e não me sinto bem. não quero mais me sentir mal. não posso mais fazer isso comigo. ponto. tenho medo do futuro. não sei se é uma atitude, um sentimento bacana ou não. mas a verdade é que tenho medo. eu preciso ser compreendido e compreender todo o tempo... preciso conversar, pesquisar, debater. a conversa plena, profunda é oxigênio pra mim. não vivo de uma coisa só... a violência no rio de janeiro chegou ao ponto extremo do não retorno. o desmando, a desordem e a impunidade que se agravaram estupidamente dede o primeiro governo de leonel brizola, estão incontroláveis. a sociedade não suporta mais a bandidagem, a marginalidade! estamos caminhando para o processo em que cada cidadão procura se armar para se defender. se não houver uma intervenção, teremos, no mínimo, uma guerra civil. GUERRA, porque a guerrilha já está aí. O assunto de sociedade em rede e essas coisas está esgotado por hora. fiz as considerações que achei necessárias. tenho recebido correspondência em volume suficiente para esgotar meu tempo. algumas pessoas já postaram também sobre o assunto. o marcelo, com quem estou sempre em contato, clarificou meu pensamento, missdayse comentou, além das mensagens de e-mail que chegam. algumas pessoas não compreenderam a questão, reduzindo-a a uma simplificação pífia. sinto muito, não posso fazer nada. diria apenas que os assuntos merecem retórica, merecem tranqüilidade de absorção filosofica. não vendo assim, fica-se com pequenas experiências pessoais e/ou restritas a um pequeno grupo. tratar a coisa de forma pessoal ou restrita fundameta a fragmentação de raciocínio e a fissura personal de que falei antes. fica uma visão rasteira, coisificada. enfim, existe vasta bibliografia sobre o assunto. quem necessitar (e quiser) encontrará material didático nas boas livrarias 3.4.02
Estraviz é uma dessas pessoas que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente, mas tenho certeza de que teremos altos papos. Sou leitor assíduo do Marcelo e de vez em quando ele motiva posts meus por aqui. Agora escreve sobre a questão da vida na Internet e fora. E, de certa forma, talvez de maneira mais tranqüila, acrescenta dados e confirma o que digo. No caso dele, como o de Zel, sou um leitor daquilo que escrevem, suas idéias e sua vida [permitida]. Já escrevi sobre isso antes. Por tudo o que li e senti, correspondo-me com eles, trocamos idéias, pretendemos nos encontrar para, justamente, estarmos perto, conversarmos, etc. Mas voltando um pouco, penso que o blog é uma forma de exposição diferente. Porque eu conheço um pouco daquilo que ele me permite, entendo (ou não), concordo (ou não) com o que pensa, diz, escreve. De alguma maneira, conheço o pensamento de quem escreve e é justamente esse pensamento, essa tradução do ser que me atrai neles. Ao nos correspondermos, sabemos com quem falamos, de que coisas estamos falando e sobre situações descritas. Seria mais ou menos como se eu, após ler a autobiografia de uma pessoa, escrevesse para ela uma carta e continuasse me correspondendo. O que me inquieta e é preciso que se compreenda bem, qüestiono existencialmente, filosoficamente, é o grupo enorme de pessoas que transitam pela Internet com a mesma intensidade que transitam presencialmente. A construção de toda uma rede de amizades (ou não), parcerias, antagonismos e tudo o mais exclusivamente via web. Ser amigo, falar tudo e confiar muito em pessoas que jamais vi e, possivelmente, não verei. Sentir verdadeiro amor por um apelido que encontrei numa sala de bate papo e depois via ICQ. Penso nesse grupo e não tenho uma resposta para mim mesmo. Não me preocupo em rotular, pode ser um novo meio de vida, já disse que acredito nessa possibilidade. Apenas anoto, observo, sublinho. Da mesma forma o blog, ainda que mais caudaloso, pode, se usado de forma fanática, levar aos mesmos qüestionamentos. Marcelo, no final dos anos oitenta trabalhei muito tempo com educação a distância, e rolava a discussão frenética da relação do espectador passivo, do ser inanimado frente ao televisor, bombardeado pelas mensagens impostas sem a possibilidade de interagir, de responder, de emitir opinião, discutir. Na verdade, essa questão não chegou a ser resolvida (ainda temos milhões de telespectadores totalmente passivos) e pulamos para a web, onde interagimos o tempo todo (o que é excelente). Coloco apenas minhas dúvidas, minha ansiedade, diante do inverso daquela passividade: a interatividade exclusivamente por meio digital. Quando essa interatividade deixa de ser o que de fato é, interatividade, para tornar-se "realidade". 2.4.02
Alguns teóricos escrevem sobre a 'sociedade em rede' e ainda não existem pontos claros, resolvidos. É necessário apreender muito sobre a forma de comunicação via internet. Tenho descoberto algumas coisas interessantes. Algumas me agradam, outras me dão um certo pavor... É preciso tentar compreender sociológicamete e psicológicamente como funciona a cabeça de uma pessoa que fracciona sua identidade, que tem vários apelidos (e acredita neles!), que transita pelo ambiente virtual de forma análoga ao presencial. Porque não existe uma crítica a esse comportamento, a essa 'escolha'. O que ainda não é claro é a fissura da personalidade. Determinadas pessoas tem a mesma relação de forma virtual e presencial. Como funciona a personalidade, quero dizer, como as engrenagens se ajustam? O sentimento, por exemplo, é o mesmo? Parece que sim. Sendo, como podemos ter sentimentos iguais para coisas diferentes? E aí vem toda a discussão sobre esse "diferente". Partindo-se do princípio que por trás de cada mensagem existe uma pessoa, argumenta-se que estamos tratando com pessoas. E, evidentemete, estamos. Não é essa a qüestão. Querendo ou não, temos atitudes diferentes no relacionamento pela web. Ao mesmo tempo em que existe o medo, a possibilidade do engano, o uso do meio para outras ações, ao mesmo tempo, repito, existe a ilusão, a ilusão de que aquela pessoa reúne atributos que desejamos encontrar. Ficamos então com uma quantidade de amigos enorme, só que esses amigos não transitam onde transitamos. Uma pessoa solitária pode passar todo o tempo em frente a um computador e lá encontrará amigos, amantes, serviços e mais uma infinidade de coisas. Mas quando estamos com pessoas perto, aquele grupo da web fica afastado porque não sabemos ainda lidar com o grupo virtual e o presencial ao mesmo tempo. Nesses casos, vem o paradoxo, vem a troca, a perda. Para estar com A, deixo de estar com B, C, D, E.... Para estar com eles, deixo A... Depois, quando deixamos a pessoa com quem estamos, voltamos, sôfregos, para o ambiente virtual, onde existe uma espécie de obrigação de colocar tudo em dia, falar com todos (e a maneira de falar também é diferente - falamos mais verdades, de uma forma mais dura e crua - portanto, aparentemente, melhor!). A qüestão não está centrada se é bom ou ruim, saudável ou não. Isso pouco importa. O discutível é que, na grande maioria das vezes, trafegamos por dois mundos diferentes, distintos, que não se conectam. Os argumentos tolinhos que "de vez em quando a gente viaja e encontra as pessoas, que os amigos estão lá, a gente sabe que estão" e tudo o mais não minimizam o problema proposto. Existe uma divisão clara. Como tornar essa divisão menos complicada? Eu sei que vai parecer uma crítica a uma ou a um grupo de pessoas. Pode ser, mas não é relevante. O importante é entender como transitar por mundos que não falam a mesma língua, que não se encontram, que não tem um ponto em comum (seja virtual ou presencial). Ainda que, sob o argumento, de que os amigos, namorados e tudo o mais estão lá, reconheçamos que "LÁ" não temos outras coisas como o afago, a cultura a parceria no sentido amplo. Imagino ainda que podemos criar uma sociedade totalmente virtual. Nada contra. Acho mesmo que é uma possibilidade grande, forte. Não há outro meio de comunicação com todas as possibilidades da internet. A sociedade virtual parece um caminho sem volta... É preciso apenas entender do que estou falando: de como escolher a qual pertenceremos e como lidar com as duas ao mesmo tempo.... Se não fosse assim, não haveria argumento para o roteirista do Matrix... Eu sempre acho que estou num momento decisivo da minha vida. Sempre achei, desde os quatro anos de idade. Aos dezoito achei, aos vinte e cinco, dos trinta e quatro deteminei que não passaria (mistura de 'All That Jazz' com o Mathieu d'A Idade da Razão e assim por diante... Tudo bem, pode ser mesmo só uma neurose histérica, maníaco-depressiva, compulsiva ou lá o que seja... Mas, de frente para os cinqüenta anos, a coisa muda de figura. O tempo é inexorável. Meu organismo tem que estar carcomido, minhas vísceras não podem ser as mesmas dos dezoito, meu coração ou as artérias têm que estar entupidas, meu pulmão não pode ter capacidade respiratória... É fato. Portanto, agora, queira ou não, é preciso refazer o rumo, 'acertar' (seja lá o que isso represente) a vida... Não sei mais como se faz isso... Chego ao restaurante indiano. Luzes apagadas. Um homem, nos vê, pela fresta da porta. Sai e pergunta: "Vocês vão entrar?" Respondemos afirmativamente. Ele volta pra dentro. Ouço uma voz mandando ligar o ar condicionado e acender o fogo. Estranho. Entramos no restaurante. Cheio de tecidos, velas nas mesas, luz fraquíssima. Aquelas coisas pra você se sentir 'aconchegante'... Penso em Bombaim, mas tudo bem, vamos em frente. Aproxima-se de nós uma menina, trajada num daqueles vestidinhos indianos (aqueles que foram moda nos anos setenta!). Pergunta se é a primeira vez, se conhecemos a comida indiana, acende a vela de nossa mesa.... Enquanto isso um outro camarada vai até a porta e acende duas tochas na porta, na rua. Fico olhando. A menina aqui mais parece uma escrava branca... As tochas acesas lá fora representam o quê? Um sinal de que entrou um "ocidental suspeito" no restaurante? Será uma senha para um grupo terrorista entrar, me dizimar a tiros de escopeta? A menina insiste em ´que 'fará o que quisermos, está ali para servir'... Afasta-se a acende vários incensos... Volta, explica a comida... Deus, eu não entendo nada.... Estou de olho na rua: haverá uma facção do grupo de Bin Laden pronta pra entrar? Por que tudo estava fechado? Por que o ar estava desligado? Por que acenderam as tochas lá fora? Com certeza, é algum sinal, mas qual? M. fala de temperos, de 'curry'. Não presto a menor atenção. Ela não imagina o perigo que estamos correndo! No balcão surge uma mulher estranha, em frente à comida. Penso se não estará colocando venenos indianos em nossa refeição... De efeito retardado. Uma hora depois, a moto tombaria e todos pensariam que foi um acidente... Digo que vou ao banheiro, mas na verdade, dou uma volta pelos fundos para reconhecimento, identificação de uma saída de emergência, estratégica, no caso de escapar da fuzilaria que se avizinha... Deus, por que não se namora no McDonalds? A gente tem que se decidir: os sites e Portais são apenas para informação ou devem disponibilizar cultura? A cultura, pra valer, cabe ou não na Internet? Deve caber, mas não se produz, não se pratica, nem se pensa... 1.4.02
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