Observações e paranóias

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone.





Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.


Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.


Sempre teremos Paris....


31.3.02

O turismo pode ser visto sob vários ângulos. Alguns me agradam outros não. Tem Missdayse, a Turista Acidental, que vem por aqui de vez em quando e sempre tem comentários pertinentes e carinhosos. Escrevi uma carta aberta a ela uma vez, tentanto 'desexplicar' M.
Foi naquele momento. Hoje possivelmente não é mais, cada momento é um momento, cada dia as coisas se apresentam de uma forma, independentemente do que desejamos ou planejamos. Continuo, ateu, acredintando que Deus joga dados sim! E esse jogo determina uma série de coisas contradizendo nossos planos, nossas expectativas. É irrelevante, portanto, acho eu, o que acontece e as possibilidades não realizadas de.
O tempo não pára, esse é o mistério. Porque, não parando, à cada dia tenho uma visão das coisas. O que ontem poderia ser alegria hoje não é mais. O que ontem poderia ser frustração e decepção, agora também não é mais. Concordo com Missdayse ao citar Drummond de que 'somos ímpares'. Ímpares demais, eu acrescentaria a Drummond...



Um dia comprei um peixinho vernelho pra ficar aqui em casa, pro Tadeu ver sempre que viesse. O peixe morreu (ou se matou), pulou para fora do aquário. Comprei outro, igual e o Tadeu reparou apenas que ele tinhas "crescido" um pouco, o que justifiquei com hiper- alimentação. Hoje, acho esse peixe meio triste, meio quieto demais.


30.3.02

Para facilitar, lembro a importância de ler o Olavo de Carvalho de hoje. É só ir lá.



Dando uma olhada nesses textos aqui, M. concorda com a pessoa que me diz que ela (M.) é idealizada demais. Conversamos um pouco e M. arremata:
" - Tudo o que é bom você refere a M. Tudo o que é ruim, todos os meus defeitos, todas as coisas que detesta em mim você escreve de forma genérica, referindo-se às pessoas e não a mim. Parece que eu sou o que eu não sou. Pelo menos pra você."
Fico olhando.
Talvez tenha razão. Não sei.



Bom, já está dito que não viajei... Os meninos que disseram que eu ia ficar preso num mar de Brasílias e Chevettes 85 quebraram a cara.
Já tive algumas oportunidades literárias de conhecer aspectos da Índia; primeiro lendo História, vendo aquela coisa toda da colonização inglesa, segundo em debates mais sérios... quando alguém fala que o Brasil é o que é por ter sido colonizado por portugueses, algum descendente luso sempre lembra que poderíamos ter sido colonizados por ingleses ( falam com sorriso maroto) e 'seríamos hoje uma Nova Índia'. Mais pra cá, 'descobri' os romances, crônicas e textos de História do Nobel de literatura V.S. Naipaul (por quem hoje em dia sou tarado, leio tudo). Após Naipaul, entendo muito mais a Índia, muito mais seus mistérios, sua cultura, beleza até mesmo determinadas atitudes.... Mas tudo em filmes e livros é outra coisa.
Com M. tive a oportunidade de, aqui no Rio, conhecer um restaurante indiano. Isso: Indiano!
Melhor contar depois.



A Dra. Francisca também é minha analista, sem prejuízo do Robinson. Ele é médico, trata de outras coisas, de coisas que 'só ele entende' e poderia tratar. Em alguns aspectos, no entento, ele acha complicado, e disse que eu deveria ter o apoio de um psicanilista desses freudianos mesmo, desses de sofá e tudo o mais. Perguntei se não era frescura, papo de floral e ele disse que não, em alguns casos, ajuda. Daí, minhas incursões a Francisca, primeiro de forma veemente e caudalosa, depois, cicatrizado, mais esparso. Francisca detesta feriadões, nunca viaja nessas épocas, diz que o Rio fica maravilhoso (mais ainda!), que ela aproveita a cidade de maneira especial (até porque ela mora em Niterói). Telefono então para Francisca:
- OI, é o Sobretudo
- Oi, tudo bem? Que dias lindos, nesse feriado, heim? V. está no Rio?
- Estou sim, Francisca. ia viajar, mas as coisas deram errado.
- Não tem problema, menino, aproveita Rio...
- É o que estou fazendo... Te liguei pra dizer uma coisa... Talvez não fosse o momento, eu sei, numa sessão seria mais conveniente....
- Fala logo! Sem problemas...
- Bom, aconteceu uma coisa... M. saiu do meu blog. Já saiu há muito tempo, não me contou...
- Saiu como?
- Simplesmente saiu... Disse que não pode falar tudo o que pensa dentro do mesmo blog que eu. Desfez sua conta e saiu...
Espero. Francisca fica em silêncio. Não sei se espera que eu diga mais alguma coisa ou se está pensando. Logo, volta:
- Olha, já disse que essas coisas não têm uma resposta, uma solução assim... prática. Mas parece o seguinte. - Ela sorri - Foi um divórcio virtual. Ela saiu de casa da maneira que pôde: virtualmente. Ou então ficou com raiva de alguma que você falou e resolveu sair... pra dar uma arejada na cabeça. Raiva, você sabe. Mas passa. - Isso é grave?
- Não, Sobretudo. Não acho que seja grave. Deixa rolar...
Sorrio, mando um beijo e desligo. M. ainda dorme.


28.3.02

Ao mesmo tempo, penso que, em seguida ao meu, num círculo fechado, abriram-se mais dez blogs. Se a proporção for essa ( e certamente é), imagino a quantidade de produção, a quantidade de pessoas escrevendo nesse e em outros momentos e quanto cada um sente-se bem, meio dopado pelo prazer (e poder) de estar botando pra fora aquilo que sente. Eu quero ser apenas mais um deles. Não estou aqui para ser intermediário. Sou intermediário de mim mesmo. De mim mesmo com a metafísica, com a alma e o cérebro ( e já me basta!). Penso nos meus pais, nos meus filhos e na possibilidade de ter mais um (por que não?). Afinal esse mundo precisa de gente, gente boa, bacana. Gente é bom, gente é sinônimo de arte , de criação, de beleza, de inteligência... O que eram apenas tribos, agora são megalópolis, aglomerados nunca imaginados pelo gênio que fosse... Pois está tudo aí, tudo misturado em beijos, folhas de papel, indústrias, Coca Cola, esperma, amor, livros, sentimentos, tudo se intercalando entre presencial e virtual e esses conceitos sendo derrubados por outros sem cessar, sem trégua. E essa gente toda aí batalhando, trabalhando, suando a camisa e queimando neurônios... Essa gente toda sabendo que têm um tempo, que são finitos e discutindo e filosofando se o amor é infinito (apesar do 'infinito enquanto dure') que é bonito, mas é frágil, é um raciocínio, um verso belíssimo, carregado de tanta verdade que me faz repensar sobre ele. Na verdade é um pensamento circular, curvo como o universo. Porque diz que, pensando friamente, o homem é finito. Assim, se 'o amor é infinito enquanto dure', podemos entender que o homem é infinito enquanto dura... Ora, é circular. Tudo é tudo enquanto dura... Mas as pessoas usam da maneira que melhor convêm naquele momento. Vinícius em momento algum afirmou que o amor acaba antes da morte do homem. É óbvio que pode acabar. Da mesma forma que o homem pode morrer antes desse amor acabar. Da mesma forma que o amor pode morrer antes do homem... Mas não é uma regra que o amor acaba porque ele disse que o amor é infinito enquanto dura... É preciso pensar direito sobre o que se lê e sobre o que se escuta. Porque à medida em que trechos vão sendo transmitidos oralmente, em mesas de botecos, regados a chope, o conceito, a essência vai-se perdendo, vai-se amoldando à necessidade interna de cada um, aos anseios de cada 'usuário'. Ele usa como melhor lhe aprouver. Da mesma maneira, Vinícius inicia um poema dizendo:
"Filhos? Melhor não tê-los..." - E tem gente por aí dizendo que ele dizia que era melhor não ter filhos. Na continuação do poema, ele Conclui exatamente o contrário: que quando os temos é que sabemos o quanto é bom....
Portanto, é preciso estar atento aos sentimentos, ao que realmente queremos, desejamos e sentimos e não a pequenas frases (que terminam virando regras) e que não têm nada a ver com a realidade pura e sim com a imaginada de acordo com interesses particulares... (Português corrigido parcialmente por M.).



Existe esse mar de possibilidades e, ao mesmo tempo, às vezes, apenas duas: estar ou não estar, querer ou não querer, entender ou não, assumir ou não. Muitos momentos são gastos nesse qüestionamento, se entendem, que às vezes o sim ou o não podem ser mais difíceis to que toda a vã filosofia. Porque somos homens, humanos, pensamos ( e como!) e esse pensamento, esse sentimento, amor, paixão, ciúme (ou meta-ciúme), sentimento de posse nos assolam, invadem, paralizam. M. Olha para mim às vezes alegre, às vezes desconcertada. Faz força pra explicar, pra colocar tudo pra fora o mais sinceramente (é a pessoa mais sincera que eu conheço), mas... e daí? Não altera o sentimento, não altera a formação, a argamassa (grafia corrigida por M.) de que viemos.... Deus, como é complicado...M. está vindo daqui a pouco, eu espero ansioso e olho também ansioso para o Paidéia ao meu lado e deixo para trás a correspondência de gente que insiste em falar comigo, gente carente... Não carente sou eu, mau administrador, diria...



A merda é que o sono não vem e fico aqui pela madrugada folheando um livro ou outro. Tentando ler essa porrada de coisas ao mesmo tempo. Isso me angustia, tenho a sensação que nunca terei tempo de chegar ao final... E é isso mesmo. Nenhum de nós terá tempo de chegar ao final... Pensar nisso, de certa forma, é desesperador porque é o espaço-vida delimitado, finito.... Tudo bem que seja um saco a possibilidade da infinitude, mas o tempo não parar também é meio complicado. Porque quanto mais você trabalha, quanto mais estuda, quanto mais escreve, lê ou lá o que seja, sabe que outras pessoas estão fazendo o mesmo e você jamais chegará junto, estará sempre correndo atrás, sempre tentando perceber, conhecer... E a vida também não é só isso. Tem esse lado emocional sem o qual não conseguimos viver e aí a coisa complica-se ainda mais porque o outro é sempre o outro, outra pessoa, com suas próprias idéias e propostas que nunca são iguais às nossas... Você tem que tentar compor todo o tempo, tentar perceber e ser percebio, amar e ser amado ( e isso não é fácil, companheiro, não numa pessoa como eu, que corre) Lembro do COELHO CORRE do Updike... e sorrio.
Não sei que sorriso é esse. Pode ser um lamento, realmente não sei. E tem mais. Nem tudo pode ser descrito por aqui, menos por vergonha ou o que seja, mas porque é preciso formular primeiro, ter algo de concreto... e isso nem sempre é a coisa mais simples...



É importante perceber o movimento das pessoas. Transcrevo manuscritos de um camarada que me incomoda fazendo comentários. Parece que ele tem uma vida complicada e outras pessoas comentam também. Eu não quero saber. Publico enquanto achar que devo. Quanto aos e.mails que querem publicação aqui, eu não sei e não sei. Pronto. Mandem publicar em outro blog se estão com pressa! Não me interessa a opinião de cada um, muito menos sobre o que eu devo postar ou não.
Tenho qüestões mais importantes, coisas minhas. Estou interessado mais em ler, em conhecer autores e não me importa se mais Joyce ou mais o Marcelo que escreveu algo muito interessante sobre a arrogância. Poderia reproduzir aqui, mas acho muito melhor vocês irem até lá e lerem direto.
De qualquer forma, entendo muito bem o que ele quer dizer porque também sou arrogante, pra caralho, me acho bom pra caralho naquilo que faço ( e faço muitas coisas) e sei que as pessoas (queiram ou não) me reconhecem bom demais (caso contrário não me chamariam, nem me pagariam). Se o nome disso, como dis Marcelo, é arrogância, então também sou. E muito. Também concordo que todo mundo deve ser, que esse papinho mole de ficar sendo 'modesto', 'bonzinho' é ridículo, calhorda e tudo o mais. Como sei também que todo mundo que deseja é muito bom sim, sempre. E os que não são bons.... Não posso fazer nada.
Então tem esses blogs legais todos pra ler, tem um monte de coisas para serem escritas, uma pilha [que não diminui nunca] de livros para serem lidos e tudo o mais. Tem ainda um montão de filmes para serem vistos e pessoas que desejam nos ouvir e falar.
Tem as coisas que preciso resolver e minha cabeça resiste pra caramba, dá voltas, mas eu sei que em algum momento se resolverão.
Tem essas coisas todas... Tem as teorias a serem desenvolvidas sobre a comunidade virtual, sobre a cultura que se insere num local previsto inicialmente para a informação e o que advirá dessas mudanças sutis (mas continuadas) que rolam. Tudo isso está sendo escrito e deverá gerar palestras e oficinas para discussão. O nome disso é trabalho, é raciocínio, é leitura, é ação.
Portanto, infelizmente, não posso ficar aqui administrando crises pessoais (já tenho as minhas - e como!) de um e outro. Até publico alguma coisa eventualmente porque acredito que estou sendo uma espécie de 'facilitador' de determinados processos de divulgação e interação. Na verdade, de alguma maneira, faz parte dos meus trabalhos, do meu estudo. Só isso.



M. chega da viagem por volta das 14 (agora é uma da madrugada). Trocaremos de carro e seguiremos para Itacuruçá.Voltaremos domingo ou segunda...



Sandra Maria que comentou o post do dia 26 manda um e.mail e pede que eu publique. Propus que ela abrisse seu próprio blog e publicasse o que bem entendesse, mas ela ficou de pensar. Disse que o veículo é bom para discussão e insiste em que eu publique. Como se sabe ela é homossexual, diz que é infeliz, que considera o homossexualismo uma doença e discorre sobre muitos detalhes e "algumas provas". Ainda não decidi se devo publicar ou não.


27.3.02

Aproveito que acabei de falar dele e publico um texto. Como o escolhi? Encontro minha amiga e juntamos outras folhas dos manuscritos de Marcus K. Talvez a ordem não seja exatamente esta, foi a que me pareceu mais coerente. Se houver algum engano, serei informado, tenho certeza.

"O pântano em que me encontro não é o que parece ser ao outro. Tenho o meu pântano e entro nele e saio à vontade, como quem troca de camisa. Gosto de chafurdar nessa lama que nada mais é do que arealidade da vida de todos. Em mim é lama, na menininha dá esquina é normal... Bah! Azar o de todos, não o meu. Pelo menos tenho consciência do que está acontecendo, tenho a percepção clara de que podemos ser rotulados todo o tempo, por qualquer um , ainda que seja um imbecil daqueles, de carteirinha. Não reconhecer que temos nossos infernos, que as vozes nos perseguem é somente fingir que as coisas não acontecem ( e acontecem!) Você pode não "ouvir" de fato uma voz, como dizem dos esquizofrênicos, mas tem aquela coisa lá dentro te perguntando ou te dizendo pra fazer isso ou aquilo, dizer essa ou outra coisa. Quem não tem essa voz que vem lá de dentro, da alma? Todos. Em mim, vira doença. Fodam-se! a diferença é que do meu pântano, saio quando quero - ou quando posso - e os outros não. Vivem nele e não sabem o que fazer, nem com a ajuda necessária, profissional. Continuo escrevendo e amando. Um dia amo de uma forma, no dia seguinte de outro. Não importa o que digam, não importa se estou incomodando ou não, isso tudo é pura balela, tudo conspiração de oprimidos existenciais, mentais, enfim. Não tenho tempo a perder me explicando para os menos favorecidos. Trabalho febrilmente para terminar meus escritos (ainda que tenha a absoluta certeza de que morrerei antes - se Deus quiser!), minha obra eternamente inacabada. E tudo por causa do amor. Porque amo desesperadamente.
Marcus K."



Durante o dia fui interpelado por um amigo para explicar melhor a história de Marcus K. Contei o que pude, evidente. Tem coisas que não posso falar pois estaria comprometendo terceiros. Mas não há nada de tão importante. Estou apenas digitando e postando o material de um sonhador, um poeta, talvez. Sua sanidade, repito, não me interessa.
Marcus K. também navega na Internet, está acompanhando tudo e já mandou alguns recados para mim (perdi um telefonema seu, mas o recado está na secretária eletrônica). Os e.mails me preocupam um pouco mais. Talvez não seja a hora, ainda...



Você conhece coisa mais insuportável do que chegar num lugar, dizer "Bom dia" e o camaradinha responder: "Boa tarde"? Ou perguntar "que dia é hoje" e o cara responder: "Hoje são 27"? Arghh!



Esse papo de homossxeualismo ou não deixa de ser importante num momento em que o país passa por tantos revezes. Numa hora em que eu tenho tantas coisas para resolver, tantas atitudes para tomar, tantos trabalhos a serem feitos, tantas coisas de difícil decisão...
Por outro lado, um amigo me diz que, por ser tão idealizada, M. parece não ser real. Não, meu caro: M. é real. Pode até ser idealizada demais (você avalie), mas é real. Temos os mesmos prazeres e as mesmas dificuldades que todos têm. Talvez um pouquinho mais até....



Gabis manda um comentário interessante e pede pra discorrer sobre a possível beleza no ato homossexual feminino. Vou dizer alguma coisa, mas tem muito mais a ser pensado, o que farei posteriormente.
Olha só, Gabis: já ouvi muita gente dizendo que é plausível que hetessexuais masculinos achem o homossexualismo feminino mais bonito e vice e versa por qüestões meio óbvias, uma espécie de "machismo", de me entende. É uma opinião razoavelmente fundamentada. Não sei se concordo. Imagino que o ato sexual (homo, no caso) seja bonito de qualquer forma sob o ângulo de quem o pratica (ou os afins). Por isso ou aquilo, vejo mais ternura, mais carinho [beleza mesmo] no ato entre duas mulheres. Trata-se de uma visão tão somente minha, passível de distorções ou erros conceituais. Eu apenas percebo assim.
Quanto ao comentário de Sandra Maria, de que é uma doença, não se assuste. Existe realmente polêmica no fato. Até há alguns anos atrás era realmente considerado doença pela Organização Mundial de Saúde. Depois, numa reunião mundial, concluíram que não era, que era apenas uma opção. Quem acha isso mesmo ficou feliz. Quem discorda [inclusive muitos médicos] alega que não foi uma atitude científica e sim "políticamente correta". Daí a confusão. Não tenho conhecimento científico para me posicionar [nem quero!]. Já ouvi outras opiniões também: de que não sendo natural, seria anormal... outros dizendo que é natural sim, portanto, normal. Creio que existe muita discussão porque num momento democrático todos levantam bandeiras e os homossexuais fazem qüestão de assim se afirmarem. Em alguns casos exageram. Querem enfiar güela a baixo de quem não gosta aquilo que ele gosta. Isso eu acho insuportável. Um saco! Da mesma maneira que acho um saco quem fuma querer me convencer de que a nicotina não faz tanto mal assim, como acho outro saco os ecologistas, os comunistas e tudo o mais...



Dormi muito pouco essa noite. Algumas (muitas) coisas me preocupam. Preciso encontrar caminhos, preciso avançar no processo de vida como um todo [atento às divisões particulares que se apresentam - como as qüestões existenciais e profissionais]



Diante desses comentários, acho bom voltar ao assunto: O texto de Marcus K. publicado aqui não foi comprado de ninguém. Tenho uma amiga que era amiga também de Marcus. Ela tem vários manuscritos, vários cadernos escritos por ele. Dia desses, me contou e fomos ver o material. Tem muita coisa interessante, muitos pensamentos não comprometedores que gostaria de divulgar, até porque mantenho a assinatura ( a autoria) de Marcus. Creio que fazer comentários sobre a saúde mental dele ou isso ou aquilo é bobagem. Estou apenas tratando de textos, de pensamentos. O resto não me interessa.



Aproveito que Helena está aqui e faço minha mala para o final de semana. Peço que ela me ajude, peço pra faxinar menos e me ajudar mais. Putz, que confusão: meias, cuecas, shorts, chinelos, cigarros, calça, tênis, pasta de dente... Ai! Deixo que ela faça e resolva. Não tenho o menor saco pra essas coisas!



Meu dia foi uma grande merda. Tudo deu errado. Preciso rever algumas coisas pra não ficar reclamando pelos cantos depois.


26.3.02

Não sei não.



Não sei se vale continuar, mas não devo calar diante do comentário dela. Também concordo que, em tese (ou culturalmente ou históricamente), os homens sejam mais promíscuos que as mulheres. Se digo que os homossexuais masculinos são mais promíscuos, estou confirmando o óbvio para ela.
Aliás essa história é engraçada. Acho que li uma estatística interessante (queria até saber onde está fundamentada) que fala de percentuais de homossexualismo em homens. Não sei se é verdadeiro. Pode ser. Ou falta de sorte. Sei lá.
De qualquer forma eu só disse que eu acho o homossexualismo feminino, estéticamente, mais bonito. Só uma opiniãozinha...



Marina está sempre atenta ao que escrevo e compreende bem o que penso (o toque sobre do Drummond foi um carinho especial). O problema é que ela não lembra...



Aí vão alguns manuscritos (esparsos) encontrados na casa de Marcus K.

"Faço uma busca rápida na Internet sobre esquizofrenia e percebo que muitos critérios estão mudando. Antes, tratava-se claramente de uma doença onde havia uma ruptura na personalidade. Hoje parece que não é mais bem assim.
Meu interesse na pesquisa vem do fato da personalidade partida: de querer e não querer, sentir e não sentir, ser e não ser. Na verdade trata-se de uma dubiedade humana, possivelmente normal. Entenda-se essa 'normalidade' vista por dentro, entendida pelo próprio sujeito. Se considero normal o que faço, por que seria eu um anormal? Se a maioria do grupo não faz essa determinada coisa, me considera anormal. A anti-psiquiatria dos anos 70 falava muito disso. Hoje mudou. É medicação e pronto. Ainda não é disso que desejo falar e também não sou esquizofrênico. A qüestão seria então mais grave: se não é uma doença, essa fissura de pensamento, essa dubiedade emocional torna-se mais incômoda, não há tratamento, é uma 'maneira de ser'.
É necessário aprender a conviver com o sentimento da dubiedade. Todos têm esse sentimento, mas às vezes a coisa não fica clara, aparente. Essas pessoas podem se definir como contraditórias, por exemplo. Eu me defino também por contraditório. Só que acho pouco. Acho simplista para mim.
O que desejo na verdade é criar (ou recriar) um mundo onde as coisas e pessoas funcionem de forma especial, em sintonia absoluta com o que estou sentindo e pensando. Pode parecer maluquice ou prepotência (e é), mas é muito mais simples do que parece. Se encontro pessoas, situações e 'coisas' assim, ótimo, curto. Se não encontro, procuro então um outro grupo, uma outra forma de vida e, inteligente, crio, escrevo, desenho esse mundo que almejo. Afinal que mais faz o escritor, o narrador do que eternamente recriar mundos, inventar situações onde, de alguma forma ele se relacione, sinta prazer??
Podemos recriar o mundo à nossa imagem e semelhança [o que deus tem que eu não tenho?]. Porque dentro dese mundo 'redesenhado' nada do que eu desejar ou fizer será absurdo, muito menos causará mal ou dor a quem quer que seja. Ao contrário. Na medida em que, ao escrever, posso determinar que a grama seja vermelha, o sol azul e as pessoas carentes, assim o será. Ninguém perde. Se eu for dono de determinada pessoa e esta gostar da minha atitude, não apenas eu, mas ela será feliz.
Claro que é preciso bastante clareza para compreender que não existe esse mundo fora do texto. Portanto estou prejudicado ao não poder passear ou fazer amor com meu personagem... Por outro lado, sentindo-me tranqüilo, vou eu mesmo para o texto, para a história. Essa fusão altera conceitualmente a realidade e não saberei quando sou escritor e quando personagem. Nessa circustância aparentemente absurda estou em consonância com o universo (seja lá qual for), não estou fora, não estou tentando alterar o inalterável. Pode até ser pouco ortodoxo ou lá o que seja, mas não é impossível. Ou melhor: é para aqueles que não estão dentro do processo, para os anormais que assistem a minha vida da cadeira do cinema. Criticam, dizendo que assistem a um filme improvável, de baixa qualidade, de um roteirista louco. Só. É a visão de quem assiste, deturpada pela ótica infeliz de quem não detém a trama, de quem não é capaz de mudar os rumos da história. Mais: de quem não é o dono da História.
Se eu sou o dono da história, ela é totalmente plausível, totalmente viável e louco é quem não a percebe. Poderia sair da tela, chamar uma ambulância e internar o espectador. Poderia também ignorá-lo [ele não consegue isso em relação a mim].
Nos próximos capítulos, explico a minha história. Proponho que o leitor relaxe [ou procure outro texto]">
Marcus K.



Passo por um corredor e vejo, numa televisão, Caetano Veloso dando uma entrevista ao Programa Sem Censura. Caetano sempre foi o meu ídolo maior, daqueles que a gente faz qualquer coisa. Antes do meu filho nascer, quando eu era casado com Heleninha, eu ia assistir a um determinado show do Caetano todos os dias. TODOS os dias! Uma hora, Helena me disse que não agüentava mais ir. Concordamos e ela passou a ficar em casa enquanto eu ia. Caetano cantava de short e camiseta num teatro aqui na rua Siqueira Campos. Era demais! Depois eu ia pro camarim e conversávamos um pouco. Quando ficou grávida, Helena achou que íamos ter uma filha, que se chamaria Joana. Quando a ultra-sonografia revelou que seria menino, parti veloz para a empreitada: ele se chamaria Caetano. Aí, Helena queria João e ficamos meses discutindo. Acabamos chegando a bom termo: João Caetano.
Hoje, vendo Caetano na televisão (mais lindo do que nunca), fiquei emocionado! Quantas coisas boas Caetano me proporcionou...



A política de segurança no Brasil atravessa um momento delicado. É gravíssima a situação, a desordem.



Nelson Hoineff continua tentando chamar a atenção sobre si mesmo, com opiniões idiotas e está conseguindo. Hoje diz ao JB;
"Mas não se pode negar que o Big Brother Brasil e sua irmã bastarda, a Casa dos Artistas, estejam trazendo boas contribuições culturais à nossa população. "
Nelson está entrando para aquela galeria de personagens caricatos e sem graça como Pedro de Lara e tantos outros. Pfui!



Não adianta a gente tentar mudar radicalmente em coisas que estão marcadas em nossa formação. Não me cabe julgar se estão certas ou erradas. O que posso fazer é tentar fazer ver ao outro que não me sinto bem assim. A outra pessoa faz o mesmo: mostra pra mim que 'só se sente bem assim'. Compreensível. Óbvio até.
Tratam-se portanto, de duas pessoas que, em essência, pensam e agem de forma radicalmete oposta, duas pessoas que não partem das mesmas premissas.
Não gosto de atitudes (sérias) precipitadas. Não gosto e não tomo.



Tenho uma memória tão absurdamente falha que sempre que ela permite lembro do filme Amnésia e compreendo cada vez mais seu personagem principal (o mesmo não posso dizer do roteiro). Em 80% das vezes, penso em uma coisa e, em seguida, na hora de executá-la... Pufr!.. esqueço! Em determinados momentos chega a ser desesperador. Chego ao ponto de andar com um bloquinho na mão pra ir anotando tudo ou um gravador pequeno, onde vou falando feito um maluco. Não é aquele esquecimento normal, que ocorre com todos. É sistemático, contumaz, persistente. Esqueço palavras que vou digitar, nomes de pessoas, coisas a fazer e outros, às vezes antes mesmo de tentar anotar. Fiz uma breve pesquisa na Internet e li sobre alguns motivos para essa anomalia:
" Stresse, pouco tempo dormindo, alcoolismo, excesso de benzodiazepínicos" e mais algumas coisas, mais complicadas. Conheço muito poucas pessoas que não vivam estressadas, não bebo (mais), tomo diazepan com moderação. Portanto, não deveria estar nesse estágio. Ou então os motivos são outros. Já perguntei a dois médicos que deram respostas evasivas...
Portanto, Marina, vamos mesmo fundar o clubinho dos desmemoriados.
(se a gente lembrar, é claro...)



Do Jornal do Brasil:
"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a desafiar ontem o governo federal, em represália à prisão de 16 de seus integrantes na desocupação da fazenda Córrego da Ponte, que pertence à família do presidente Fernando Henrique Cardoso, e fica em Buritis (MG). E mais:
''Tomamos a Santa Maria em solidariedade aos presos de Buritis e para mostrar que estamos mobilizados para responder'', disse José Rainha Júnior, líder do MST na região. ''Agora, que é guerra, vamos atrás até de uma possível fazenda de José Serra (candidato do PSDB à Presidência), que é da oligarquia e deve ser dono de alguma fazenda. Vamos descobrir essa área e ocupá-la'', ameaçou.
...
Aí está o MST, braço armado do PT, continuando a escalada de violência, agora em mais uma fazenda e já avisando o que fará em outra. Se não houver forte reação do governo o país entrará num processo de desmando que só uma nova revolução militar será capaz de domar.





Existe uma dificuldade imensa, quase intransponível das pessoas pensarem em várias mídias ao mesmo tempo e acertarem com todas elas. Ora o lado criativo atrapalha a visualização do conteúdo, ora o conteúdo fica chato e feio. Não existem ainda escolas bem preparadas. A academia é pífia. Vai-se melhorando na base do "erra e acerta". O pessoal que trabalha comigo deveria ser mais ligado nisso. Conceitualmente.


25.3.02

Dia 19 de março postei o seguinte:
Acho, estéticamente, o homossexualismo feminino mais bonito que o masculino. E não acho que seja opção sexual não.
posted by Gerald Sobretudo at 22:47
Foi um comentário simples, um observação desses sentimentos que passam pela gente assim, do nada. Lady Macbeth fez um comentário e Carpe Diem outro.
Até aí tudo bem. Opiniões diversas.
Entretanto, fiz eu também um terceiro comentário dizendo da carga psicológica do homossexual masculino, etc. (ver mais no 'comente do dia')
Eu já disse muitas bobagens, muitas asneiras na minha vida. Algumas tive tempo para repensar, outras não. Esse meu comentário foi impensado, instintivo, tolo. Mas foi bom. Foi bom pra eu aprender a não sair postando qualquer bobagem que me vem a cabeça.
Quando postei a história de achar o homossexualismo feminino mais estético, estava em frente a uma gravura assim de duas mulheres homossexuais e por isso o pensamento me veio [ e realmente acho mais estético mesmo!]. Todo o resto de comentários feitos por mim são bobagens, não merecem crédito. Hoje eu não diria aquilo. Carpe Diem postou em seu blog, Eu no meio do mundo, um texto muito bonito sobre isso. Diria que ele levanta bandeiras sim, é apologista sim. Mas não pretendo discutir sobre isso.Trato apenas de pedir desculpas publicamente por ter dito uma bobagem. É só.



Nelson Rodrigues nunca saiu do Brasil por opção. Dizia que não tinha nenhum interesse no exterior. Deve ser verdade. No máximo um factóide.
Fico pensando em como tenho pouca vivência, como consegui passar 50 anos sem conhecer praticamente nada, ao contrário dessa minoria selecta à qual pretendo me igualar. Bem verdade que tive outras experiências, outras possibilidades se apresentaram e eu as aproveitei ao máximo.
Penso também nas experiências com o relacionamento humano, com as tentativas de encontrar parceiros de vida, pessoas que meio que 'dividissem a vida'. Hoje, olhando em volta, vejo gente que teve um número menor de parceiros, mas teve uma vida muito mais atrente, muito mais vivida, se me entendem...
Pessoas que conheceram milhões de lugares, outras tantas pessoas, amigos, casos para contar...
Nem sempre a vida acadêmica ou a do autodidata [que estuda exaustivamente] traz qualquer valor na categoria 'bagagem de vida'.
Mas o que fazer? Não se pode jogar meio século fora, como se não tivessem passado tantos anos. Muito menos a ilusão de começar de novo. O que resta é continuar vivendo e abrindo-se para novas experiências, novas descobertas. Carpe diem.




Com a divulgação dos blogs em jornais e revistas, esse meio de comunicação sai fortalecido. Não é mais o diário simples, a coisa dita por dizer. Aos poucos o conteúdo dos blogs vem se firmando como textos a serem considerados, discutidos, etc. Não dá pra avaliar ainda onde isso pode parar. O importante é que, queiram ou não, existe uma turma legal, escrevendo coisas bacanas, divulgando outras e que esse meio vai sendo absorvido por outras mídias. O resultado será interessante de qualquer maneira. Não dá também pra desconsiderar, querer ser rebelde sem causa e insistir em que é uma 'coisa íntima', 'fechada'. Não é. É pública. Interativa. Se a pessoa qüestiona a avaliação e os desdobramentos dos textos disponibilizados, em breve terá que fazer blogs 'fechados'.
O homem é, essencialmente, um ser político. As atitudes políticas são tomadas claramente também em blogs ou em determinados grupos de pessoas que escrevem. Tanto os comentários, quanto os silêncios, muitas vezes, são atitudes premeditadas, políticas, grupais, partidárias. Tentar negar isso é tapar o sol com a peneira.
Não sei. Acho que, por enquanto, dá pra relaxar, dá pra continuar escrevendo na boa, trocando idéias e essas coisas...



Minha lapiseira com grafite 2B é outra coisa! Mais uma meta experiência com M...



Pode ser impressão. A entrega do Oscar (que não assisti) pode ter me lembrado dessas coisas. Mas tenho percebido uma certa diminuição na produção cultural brasileira [apesar da Bienal em São Paulo]. Não estou vendo grandes filmes, livros, CDs nem mesmo discussão sobre.
As televisões e rádios, assim como revistas e jornais também estão meio parados...
Acho que a safra do Tom, Vinícius, Drummond, Paulo Mendes Campos, Nelson Rodrigues, Bandeira, Roberto Campos, Cartola, Paulo Francis e outros fica mesmo insubstituível...



M. foi para Petrópolis a trabalho. Saco. Bem verdade que tenho muito trabalho a fazer por aqui. Mudanças meio radicais no Portal e algumas escaramuças políticas... De qualquer forma, preferia estar com ela. Tudo bem. Vamos ao trabalho então!



Continuo atrasado. Existe uma pilha de livros na minha mesa para serem lidos. E eu lagarteando....

P.S. Isso mostra que é possível deixar algumas coisas para a frente e curtir outras, melhores.



Cada dia estou mais e mais cego. Não leio mais nem cartaz sem os benditos óculos. O peso dos 50 anos me esmaga....



Minha casa, todo mundo sabe, é uma bagunça. Agora o meu escritório (onde passo 90% do tempo) é enlouquecedor. Dia desses achei uma cueca sendo usada como marcador de livros. Na semana seguinte encontrei a escova de dentes enfiada no porta canetas...
Os papéis, blocos, cartas, textos avulsos, livros abertos, anotações de última hora.. tudo, tudo está um caos!



Bacana o site Lendo arte. Estão começando, parece. Tomara que não fique comercial demais.



Meu ignore list tem mais gente do que a lista normal do ICQ. É sempre bom evitar problemas...



Este comentário pode ser apressado e leviano, pois não li ainda o livro em pauta. Mas vejo a resenha do lançamento de Alice Sampaio com seu "Amor na Internet - Quando o virtual cai na real". Ela teclou com várias pessoas durante ano e meio e descobriu que existe muita mentira, muita procura por sexo fácil e tal. Ora.... O que ela esperava? Pensava que as pessoas que usam a internet para se comunicar eram de outro planeta?



Ameaçota
A bandidagem ameaçou derrubar a fazenda de FHC com tratores, incendiar tudo. Com essa ameaçota, o Exército e Polícia Federal ficaram parados, líderes foram convocados e vieram negociar.
Enquanto isso a propriedade foi depenada e os meninos do MST divertiram-se, comeram, beberam até cair ao som de sanfona, numa festança nos jardins da fazenda!
Gozado que 300 "sem terra" invadiram, mas apenas 16 foram presos!!! Bom, os advogados do PT, digo, do MST e todos os defensores dos direitos humanos e da cidadania já estão em ação. Logo logo a turma será solta!



A Polícia Federal e o Exército brasileiro levaram 22 horas (isso mesmo: 22 HORAS!) fazendo negociações e coisas do gênero para desocupar a fazenda usada como casa de campo de FHC!
Haviam apenas 300 bandidos e a Polícia e o Exército precisaram de 22 horas!
Fico imaginando (sei que a hipótese é impensável), no que aconteceria se gente "sem terra" em Cuba, invadisse a residência (ou casa de campo) de Fidel Castro... E em Moscou, se invadíssem a casa de campo de Lênin.. E de Stálin???




facínora . [Do lat. facinora, neutro pl. de facinus, oris 'ato criminoso', 'ação pérfida'.] S. m. 1. Homem perverso e criminoso: "um dos Tibúrcios .... se tornou conhecido como facínora perigoso e temível salteador." (Veiga Miranda, Pássaros Que Fogem..., p. 56) • Adj. 2 g. 2. Que cometeu grande(s) crime(s); perverso, cruel, desalmado. [Sin. ger.: facinoroso.] - AURÉLIO -
..
O facínora Gilmar Oliveira, líder regional do MST, demonstra com as atitudes radicais até onde o comunismo pode ir num país onde o Estado não é forte. A invasão dos marginais à fazenda de FHC deixa clara a fragilidade das instituições de segurança no país e explica, grosso modo, porque a violência é constante em todas as cidades.
Quando se fala em estado forte, é necessário compreender a diferença entre ser forte e totalitário. O Brasil, não é totalitário, mas sequer consegue preservar as propriedades de quadrilhas de qualquer porte.
Nem vale muito discutir as intenções do MST. Ou o que são. Usando o codinome politicamete correto de MST, trata-se na verdade, grupo de bandidos como outros quaisquer. O nível de organização é parecido com o das quadrilhas de traficantes do Rio de Janeiro, chamados bondes, que saqueiam, roubam, estupram e matam!
Não existe dúvida de que os bandidos do MST têm, além de armamento pesado ( e não só a enxadas e pás que mostram para as fotografias), treinamento especial de guerra de guerrilha ministradas pela banda (mais) podre do PT (esse pessoal que aprendeu na União Soviética, China e em Cuba). Tratam-se, portanto, de elementos extremamente perigosos, bem orientados, bem armados e, pasmem, protegidos pela sigla que dá uma certa "credibilidade", uma espécie de "salvo-conduto" do mal.
"Tomando" a fazenda do Presidente da República, o ato criminoso adquire outra proporção. Mostram ao povo ao que vieram ( e do que são capazes), têm mídia rápida, tornam-se o centro das atenções.
Como posso cobrar direitos e deveres, ação de Estado ao matarem, ao saquerem, ao estuprarem crianças, quando sequer a residência (ou fazenda ou o que for) do Presidente da República é tomada, assim?
O líder máximo, José Rainha (É, aquele mesmo! Assassino comprovado e não enjaulado!), continua preperando os ataques, afirmando que continuará com as invasões. Ele e sua quadrilha, seu exército, continuarão mostrando que o Brasil é refém de bandos, quadrilhas, bandidos. No caso dele, tudo é maior, mais forte: seus facínoras pertencem ao MST, politicamente correto, apaniguado do pessoal dos 'direitos humanos'.
É o caos!





E o nosso MST volta a fazer das suas. A turma do Stélile já dando uma amostragem do que seria...



Ainda que descontentando os mais radicais, é bom dar uma lida no Olavo de Carvalho dessa semana. Aprender pode doer um pouco, mas não faz mal a ninguém...


24.3.02

De vez em quando é bom lembrar: M. é a minha menina.



Tadeu fora do Hospital, como era de esperar...



Ela me lembra que somos 'praticantes' ( e eu diria: MUITO PRATICANTES!).



Com M. direto, fazendo isso e aquilo, correndo daqui pra lá. Preparando a Lua-de-Mel para a Semana Santa, Católicos Apostólicos Romanos, que somos!


22.3.02

Esse Blog vive fora do ar....



Falei com Tadeu. Ele tá legal. Agüentando firme a transa do hospital. Deve sair amanhã. Tadeu é 1000!



Algumas possibilidades não claras na minha cabeça. Há muito o que pensar.



Hoje é aniversário do meu filhão João. Legal


21.3.02

Motocicleta na revisão. Sobretudo não é o mesmo. Falta uma parte...



Tadeu, percebendo que estou preocupado com ele, me telefona pra dizer que está tudo bem, que ele está bem. Esse é o Tadeu!



Hoje é o dia da missa de trigésimo dia da morte do Primo. Como sempre, não vou. Estarei trabalhando e, mesmo que não estivesse, não iria. Não é necessário.



M. telefona exatamente na hora da virada do calendário, hora em que me torno muito mais velho. Um carinho especial.



Às vezes revelo coisas que não devia. Me arrependo. Nem sempre tudo deve ser dito todo o tempo. Essa 'revelação absoluta' pode gerar uma certa desconfiança, um certo desconforto [que não desejo levar a ninguém]. Porque, se nós mesmos, em determinadas circunstâncias, nos colocamos em xeque, custamos a compreender porque tomamos certas atitudes, voltamos atrás e nos arrependemos, o que dizer de outros, outras pessoas que não possuem (nem poderiam) a informação de que dispomos [interna] para a geração das atitudes? Só pode mesmo gerar incompreensão.
Evidente que cada pessoa é única e, de certa forma, não pode haver sempre a percepção fina, absoluta. Não há o que fazer.




A tarde vai chegando ao fim e com ela algumas possibilidades. Sempre haveria a possibilidade de acontecer algo diferente. Mas fico bem.
Bete e Rita telefonaram. Bom.
Conversa boa com Zel, ainda que discordando em alguns pontos, concordando em outros (pra isso servem as conversas, certo?)
E-mail emocionante [de verdade] do Marcelo. Outro, carinhoso, da Claudia ;)
Dou outra olhada na foto da galáxia... Penso em qual a importância de muitas [todas?] coisas... O universo é indiferente à nossa existência. Ainda bem. Já imaginaram se não fosse?
Tadeuzico tá lá, tomando soro. Isso sim é importante! Porque ele é meu, precisa um pouco de mim e se importa com o que penso e sinto. Queria estar perto dele agora. Sonhei com ele. É muito bom sonhar com ele. Saber que é parte de mim. E que está em boas mãos.



ATENÇÃO MENINAS:

Usar feromônio é preciso!

Perfume faria mulher atrair mais homens
SÃO FRANCISCO. Um estudo publicado na revista científica “Physiology and Behavior” sugeriu que o acréscimo de feromônios sintéticos aos perfumes tornaria mulheres mais atraentes para os homens. Os feromônios são substâncias essenciais para a atração sexual entre machos e fêmeas. Sua ação em animais já foi amplamente estudada, mas não há comprovação de que existam feromônios humanos.
Em experiência feita com 36 mulheres de 19 a 48 anos, entre elas uma brasileira, pesquisadores da Universidade de São Francisco concluíram que 74% das que usaram a substância em seu perfume aumentaram significativamente a freqüência de comportamentos ligados ao sexo, como carícias, manter relações sexuais e marcar encontros românticos.
Entre as que usaram o perfume acrescido de uma substância inócua apenas 23% relataram aumento desse tipo de comportamento.
— O não tem cheiro, mas é poderoso. A substância parece influenciar o desejo masculino de fazer sexo — disse a autora do estudo, a professora de fisiologia Norma McCoy, que estuda a sexualidade feminina há 20 anos
. - O GLOBO





Converso com uma Companheira de Estrada sobre a loucura do universo, dos buracos negros, das super novas e tudo o mais. Como era de esperar, Deus acaba no assunto. Deus é única figura simbólica que permite que a gente conviva com o universo sem enlouquecer. Uma espécie de fenotiazina Suprema. Continuo em dúvida. Na verdade continuo certo da não existência desse deus, o que dá no mesmo. A fé em deus é tão insípida quanto a fé na inexistência de Deus. Somos condenados à busca e a dúvida.



A explicação das organizações Globo é razoável. A ira [pecado capital] de Sarney também é razoável.



Toda a informática, presente e futura, e-mails e outros métodos de comunicação jamais prescindirão do sentimento, da percepção do receptor.



O blog é fiel , presente todo o tempo, palimpsesto disposto a receber todo o sentimento, toda a sensação que passa por mim. Como tudo, imagino que ele [o blog] não seja infinito. Por isso, sinto uma certa tristeza. Tenho saudades do SOBRETUDO DE LONA...



O passar do tempo reafirma a convicção de ser incompreendido. Não acho que seja uma 'conspiração do mundo' contra mim. Possivelmente tenho pensamentos, convicções e reações intrincados, inacessíveis às pessoas normais. Por uma equação razoavelmente simples, vou me convencendo que devo me aproximar das anormais. Daí, volto a origem do problema: o que é ser normal?



Além do glamour, não tenho nenhuma atração pelos cassinos, pelo jogo.



Creio que temos exatamente a mesma idade do universo


20.3.02

Vi o quanto Zel ficou impressionada. Como também fiquei, tomei a liberdade de "roubar". Espero que não se importe....
Onde estamos nós, afinal??





O post abaixo foi escrito após o manuseio de algumas páginas datilografadas, trazidas por K. F. de um sebo de Monteiros, próximo a Trás-os-Montes em 1947 e entregues ao meu pai. Ficou pra mim de herança. A única, diga-se de passagem. Conto mais depois.



Tenho a vida claudicante como a de um duende. Não sou um duende, todavia. Se fosse, faria muitas coisas estranhas [para serem feitas por um duente, entenda-se]. Todos falam em ver duentes, nas possibilidades de encontrar um, no que fariam, o que proporiam. Penso em ter vida de duende. Devem ser muito infelizes. Ser procurado, ser considerado 'bonzinho', fazedor de coisas miraculosas... Um duende não foge das pessoas por brincadeira ou o que seja. Se existe, foge para não ser perturbado. Foge das bruxas. Porque bruxas, sim, existem. Antigamente eram personagens de histórias contadas, passadas de geração a geração... Depois da fase oral, foram descritas em livros, muitas vezes representadas. Hoje, com a liberação feminina, com a ilusão de poder, mulheres se mostram bruxas ou, pior, fingem que são. Acho as bruxas extremamente sensuais. Mexem com a minha libido. Existe um movimento de aproximação e afastamento com todas elas. Creio também que são muito 'sexuais'. Se não fossem, seriam santas, ao invés de bruxas. Bem verdade que existem santas extremamente sexuais, bruxas, nesse sentido. Não vejo porquê as santas escondem sua sexualidade. Provavelmente não escondem, a Igreja é que esconde. Alguém pensa na Virgem Maria numa festa dionisíaca com São José? Maria gemendo, suando, cheia de feno, com as pernas cruzadas em torno das costas de José, pedindo mais, dizendo que vai gozar. Ninguém pensa. Seria heresia, certo? Errado. Heresia é proibir à mãe do redentor o prazer do gozo, o riso do amor. Mas parece que não podemos falar dessas coisas. Eu gosto de falar, de imaginar. Todos aqueles santos que foram frades fazendo meia com os meninos nos monastérios, aquecendo-se nas madrugadas gélidas em corpos imberbes de meninos quase crianças, noviços para Deus e para o sexo. Cheios de vinho, acariciam seus instrutores, professores, seus mestres... me falta agora o termo. Devia existir muita sujeira, muita falta de água, muito sexo mal lavado. Possuo um texto, encontrado há muito num sebo de Portugal que conta muitas dessas histórias. Um dia, quem sabe, as reproduza por aqui. Na verdade eu falava de duendes...



Ainda acredito que todas as decisões, todos os processos que envolvam qüestões importantes para um grupo social devam ser precedidos de ampla discussão. Até porque, nas discussões, colocam-se com clareza os realmente preocupados em tentar resolver situações insustentáveis para a sociedade e aqueles que, em busca do apoio fácil, fazem o eterno jogo do 'politicamente correto'.
A sociedade põe em discussão se o jovem de 16 anos deve ou não ser punido da mesma forma que os de 18 anos.
Ora, eles dirigem, votam, fazem passeatas, expulsam presidentes da república, divertem-se... São, portanto, extremamente, responsáveis. Quando estupram, roubam, espancam e matam deixam a "responsabilidade" em casa? Não. São também responsáveis! Quem já encarou um bandidão com uma 45 na mão, sabe que não há inocência, não há humanidade, não há nada. É, única e exlusivamente, mais um bandidão. A bala da sua escopeta e do seu revólver não é mais suave que a de um ancião de 99 anos. Portanto, enquanto não existe [infelizmente] a pena de morte, é óbvio que uma pessoa aos dezesseis anos que comete as barbaridades que vemos por aí DEVE SIM apodrecer numa masmorra!


19.3.02

Não vou deletar o post abaixo. Mas registro [neste] que ele á absolutamete inútil. Se alguém ler, delete da cabeça.



Às vezes me pergunto se a descontinuidade de raciocínio e de ação não é o elemento gerador das tensões nas relações. Pode ser. Pode não ser. Se for, todo mundo deveria ficar mais atento pra não se perder em idas e vindas, ditos e não ditos, pensamentos esparsos que deixam o outro confuso [e, finalmente, irritado]. Ver só a irritação é ver a ferida. Importante é perguntar-se sempre o porquê. Quando, frente a determinadas situações, estamos tranqüilos, passamos ao outro um sentimento de impotência interior, uma fragilidade, incapacidade de fazer-se compreender que dói muito. Essa dor, invariavelmente, gera reação.



Meu silêncio é uma grito no escuro.



Acho, estéticamente, o homossexualismo feminino mais bonito que o masculino. E não acho que seja opção sexual não.



O evento de 21, 22 e 23 de março no morro Santa Marta com interatividade com Paris, no qual entrei nem sei bem porquê me parece extremamente desorganizado. Até agora os sistemas de transmissão via rádio não estão preparados. Tudo via ONG e afins é despreparado, amador, com cheiro de chinelão de couro. E quem mais ia colocar crianças faveladas brasileiras falando com as bem nutridas francesas? As ONGs. Depois do evento as francesas voltarão ao estudo e ao lazer. Continuarão não sabendo onde é o Rio de Janeiro. As brasileiras, aos vermes, ao cocô, ao pai alcóolatra espancando a mãe, a vala negra, aos famigerados traficantes... Quem lucra? Quem ganha? A ONG, que mostra um serviço e está apta a captar mais um caminhão de verbas públicas.



Não existe mais a possibilidade da candidatura de Roseana Sarney.



E não é que o Tadeu está com essa merda de dengue? Bom, pelo menos não é o hemorrágico... Ainda assim, acho sacanagem.



Com muita freqüência tenho a impressão de não estar sendo percebido em tudo o que digo e penso. Acho estranho, na medida em que procuro deixar tudo, sempre, da maneira mais transparente possível. Todo mundo deveria fazer um certo esforço para compreender as pessoas à sua volta. Não digo uma análise laboriosa, mas a atenção indispensável aos que convivem de alguma maneira. É difícil você ir falando e agindo e voltando atrás sempre para explicar, para contar novamente aquilo que já é implícito. Imagino algo como um elemento etéreo, mas decodificador, online, atuante todo o tempo, toda a vida. Não gosto quando percebo que as pessoas estão me explicando coisas que já disseram antes e imagino que a recíproca seja verdadeira. Não é possível que se tenha prazer em perceber que estou me repetindo. Isso acontece de uma maneira geral, com muitas pessoas, em vários ambientes. É um bug humano, creio. De qualquer forma, não custa alertar para que os mais próximos percebam. Da mesma forma, por exemplo, que o amor é cultivado minuto a minuto, a compreensão também deve seguir a mesma regra. Faz bem à saúde física e mental. Principalmente: faz bem a alma.



No artigo "Militância e Cultura" publicado na BRAVO desse mês, Aimar Labaki faz uma análise séria, importante e instigante sobre a política para a cultura no país. Vale a pena ler.



Ontem ouvi, com prazer, o pensamento lúcido de um frade sobre o trabalho de João Paulo II. Como já disse por aqui anteriormente, o Papa, é um dos grandes pensadores, um dos grandes homens de nosso tempo.



Existe uma evolução clara na percepção, na filosofia, na alma de Pierre Lévy. Dá pra sentir pela humanização e o pensamento mais acurado, através da leitura de livro após livro.



O post abaixo me parece um pouco amargo. Explico. Ele foi escrito após a leitura de um capítulo de Leandro Konder, do "A Derrota da Dialética". Ao saber que esse tipo de conceituação está na academia, é formador de opinião de gente que está se estudando ou fazendo mestrado, doutorado [ou pós-doc], etc. Enfim, gente que está 'se formando', está num processo de lapidação do espírito é assustador. Assim, explica-se o Brasil. Explica-se, aliás, a América Latina.



Retomo a 'descontinuidade de raciocínio' :
É preciso lutar contra a derrota da dialética. O raciocínio deve ser levado a termo, ainda que, cedendo a variantes - principalmente - de forma, de alma. A conversa (tão gostada) serve para que, entre outras coisas, conheçamos opiniões, 'coloquemos' determinados conceitos e, da discussão, chegue-se a uma forma de viver, no mínimo, posssível.
A conversa 'jogada fora', usada apenas para passar o tempo, 'desanuviar a alma' ou coisas do gênero deve ter lá seu valor (que eu desconheço - mas não discuto). De qualquer maneira, cada coisa deve ter seu lugar para que as pessoas não se percam em raciocínios e afirmativas esparsas que, horas depois, nem são lembradas ou, pior, consideradas. Esse tipo de diálogo onde nada é levado à sério, nada exige concretude, é muito agradável em fins de noites regadas a chope, muito riso [e pouco siso]. Acho muito bom, muito 'saudável', tudo tem seu lugar na vida, pois não é de se esperar a seriedade eterna, ao contrário.
Falo apenas de um mínimo de avaliação, reavaliação ou mesmo negação para que se possa traçar um caminho ou ainda 'ter um norte'. Caso contrário, nada é nada, nada é definitivo (ainda que por um tempo, se me entendem). Numa situação dessas ficamos atados, paralisados, num eterno 'deixar rolar' (na acepção dos hippies dos anos 70), onde nada se conclui.
Esse pensamento pode, se visto de má vontade, gerar desconforto e crítica, invertendo-se os papéis e fingindo-se entender que prego uma seriedade eterna. Não é isso. Para compreender é necessário, antes de tudo, querer compreender.



Caetano falou novamente. Dá até medo. As patrulhas (Desocupados de plantão) estão de olho. Gozado a gente não poder dar opinião sobre tudo...



Um elemento desagregador é capaz, ainda que de forma ignorante, de inviabilizar toda uma estrutura moderna (ainda que claudicante).



Com certeza não tenho o embasamento prático para tanto, mas permito-me discordar dessa história toda levantada em torno dos livros de bolso. Não acredito realmente que se leia mais na Europa ou Estados Unidos porque existem por lá muito mais 'pocket books', porque é um segmento mais barato e tal. Balela. Lê-se mais porque há mais cultura, mais dinheiro e principalmente, mais hábito. O livro de bolso só vem quando está esgotada a possibilidade da venda de brochuras. Vem por conforto (de editoras e leitores). Aqui prefere-se gastar o mesmo num bom pagode pra sacudir a bunda, numa ida a Paquetá, numa cervejinha quente sorvida em copo de geléia...



Não acho agradável a descontinuidade de raciocínio.



Dei uma folheada no livro "Homepage: Usabilidade" de Jakob Nielsen e não comprei. Ao contrário do que imaginava, dessa vez esse (mais um) guru não reflete, apenas analisa não sei quantos sites dizendo: 'isso é certo' e 'isso é errado'... Pra merda ele. Já nã basta a Bíblia?



Impressionante a perspicácia e, ao mesmo tempo, a dubiedade na frase 'A insustentável leveza do ser' usada como título de romance de Milan Kundera. Nossos intelectualóides de plantão bateram muito nele, quando era 'moda'. Deveriam agora reler tudo. 'Risíveis Amores', 'O Livro do Riso e do Esquecimento', 'A Brincadeira' e outros. Ler e reler. Até aprenderem.



O blog finge que não publica, mas publica sozinho, na calada da madrugada....



Rodo a cidade numa busca interior que não tem e [sei, não tará] fim. Sempre as mesmas luzes difusas, sempre o âmbar borrado, como um excesso de lentes ou, sem excesso, mal combinadas. Gravei vários vídeo clipes quando iniciava a profissão dessa maneira: encantavam-me os efeitos dos filtros e lentes e eu os usava indiscriminadamente, apenas para ver os efeitos, as distorções que produziam. E, pra mim, era tudo bacana, tudo 'diferente'. Atávicamente optei pelo uso em excesso, pelo efeito de prisma, pelo contraluz, pela cor forte, essa coisa toda instintiva, incapaz de crítica, longe da estética. Não sei se aconteceu com todo mundo. Possivelmente não. Deve ser mais uma coisa de quem experimenta sem formação, de autodidata (e como eu o sou!).
Hoje procuro ter mais parcimônima, refletir um pouco sobre o efeito desagradável que essa coisa meio almodovariana pode causar. Não me gusta. Vou em frente nessa não forma onírica, nessas madrugadas em que não consigo perceber se estou dormindo e sonhando ou sonhando e sentindo como sonho.
Novas investidas pela cidade borrada, pelas cores em excesso, mal distribuídas. A imagem de latões pela cidade, latões com chamas [como em filmes americanos] é recorrente.
Tento ler enquanto durmo, forma econômica, viável de agregar conhecimento ou mesmo desconhecimento enquanto descanso. Tentativa, mais uma vez, fracassada.
Por outro lado, penso nas décadas de trinta e quarenta. Lá, as coisas me parecem mais atraentes (por um lado). Indiana Jones não existiria em outro período!
Me perco na narração desse pseudo-sonho. Talvez não fosse mesmo para contar ou, quem sabe, 'esquentar os motores' para explicar depois. Como eu falo em explicar depois!...



Os motivos, não sei ainda avaliar, mas sou extremamente cartesiano. Todas coisas funcionam em mim de forma ordenada, metódica. Não sei se é bom ou ruim, certo ou errado. Sei que é assim.



Tem uma discussão paralela rolando sobre meios de comunicação que, embora aparentemente, não tenha muita coisa um com o outro, termina por juntar-se em algum ponto.
Algumas pessoas estão discutindo freneticamente a ética, o direito do autor, o e-commerce e coisas do gênero na internet. Qüestiona-se o caráter das pessoas ‘da internet’, como se não se tratassem de pessoas e sim de Ets. Procura-se criar determinadas regras de etiqueta, de bons costumes e tantas coisas... Já falei muito disso em meu site e as conclusões não são animadoras, como não é animador o debate tentando numerar, coisificar o homem. Existem mais ou menos uns trinta livros tratando do assunto, não sei quantas teses e outro tanto de artigos publicados em revistas e na própria web. Em alguns momentos acredito que o assunto está absolutamente esgotado, em outros acho que essa discussão acabará, de certa forma, tranqüilizando as pessoas. Não tenho certeza. Existe uma tendência na criação, inclusive, de quadrilhas, espelhando a vida na web. São correntes, e.mails, icq, listas de discussão, blogs... Em qualquer ambiente criado, em qualquer template, o homem vai lá e faz das suas...Talvez mudar o foco, o ângulo da discussão, trazendo de volta para o comportamento das pessoas fosse mais útil. Também não tenho certeza.
Não contentes com tudo, as baterias agora se voltam para as interfaces. Essa discussão parece-me bem mais rica, bem mais produtiva.




Novamente brilhante o artigo desta semana de Roberto Pompeu de Toledo, para a VEJA. Aliás, quem não lê Toledo, semanalmente é um ignorante, um mal informado. Como complemento tem um livro dele muito bom, entrevistando o Fernando Henrique Cardoso. Deve ter outros que não conheço. Vou conferir.



Leio uma resenha anunciando o lançamento do livro "FIm de Partida", peça conhecida e das mais bem acabadas de Samuel Beckett.
Demorei a perceber de que obra estava se tratando, até o resenhista falar dos personagens. Já li esse texto com o título de "Fim de Jogo". Aliás, assisti na adolescência a peça no Teatro dos Quatro. Os personagens eram interpretados por Sergio Britto, Fábio Sabag, Zilka Sallaberry e Napoleão Muniz Freire este último já falecido). Por facilidades outras, assisti a essa montagem mais de dez vezes. Gostava muito mesmo de ver. Sérgio era o que não levantava, Sabag o que não sentava e seus pais na lixeira eram Zilka e Napoleão. Um dia, Sérgio teve uma crise de tosse horrível, ostras de catarro verde ficaram penduradas de suas narinas, mas ele não via pois usava duas moedas pretas nos olhos. Essa peça me impressionou muito, além de estimular a ler mais Beckett e Joyce.
Também devo isso pra Kakay.


18.3.02

Lima Barreto estava equivocado.
M. também fala javanês.



Depois que postei um acontecimento sobre determinados floquilhos de neve provocados por ar condicionado, M. preocupa-se toda noite em cobrir-me bem e, se possível, com que eu durma de barriga pra cima...



Resolvo fazer exame de sangue - de sangue, vejam bem - daqueles, completíssimos. Pra não escapar nada. Ligo para o laboratório para marcar hora, saber o tempo em jejum, essas banalidades. A moça, sem graça, diz: "O senhor deve também estar a três dias sem receber TOQUE RETAL e sem EJACULAR. Travei, tela azul, cara de árvore, cara default...
Pensei em perguntar o que tem.... uma coisa com a outra, mas calei. Toque retal??? Ejacular? Quando eu era mais moço (há muuuuito tempo), eram apenas 6 horas sem comer COMIDA, REFEIÇÃO....Podia comer o resto sim!
Acho que o melhor é não discutir: vou andar três dias com a bunda arrastando na parede - e atento às maçanetas! - não ingerir alimentos... e quanto ao resto...Nessa idade ela não precisava nem tocar no assunto...



Aos amigos estradeiros:
Não abandonei ninguém. Vocês são a minha tribo.
Entretanto, preciso de um tempo para acertar tudo comigo mesmo e com M.
Sei que me querem bem e, tenham certeza, estou muito bem!
Mas, eu volto, podem ter certeza
O velho Sobretudo de Lona continua firme!



Sabe quem inventou aquele ditado que diz mais ou menos assim...
"É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que... não sei o quê?"
Descobri outro dia. Foram os entregadores do Ponto Frio.




Existem sapatos femininos que além de matarem baratas em qualquer cantinho servem como objetos sadomasoquistas (daqueles, pra tarado nenhum botar defeito)! E nenhuma mulher calça menos que 48! Mexe demais com a libido. Lindo!



Você já foi junto com alguém comprar um vestido próprio para a cerimônia de um casamento? Não? Então vá.



Eventualmente tento explicar algumas opiniões que tenho, na maioria das vezes críticas, ao socialismo, comunismo e todos esses 'ismos' politicamente corretos e, portanto, auto-entitulados 'progressistas'. Acho tudo furado.
Mas não posso deixar de registrar uma experiência vivida onde existe uma demonstração clara, inqüestionável, sobre o ideal mais puro, mais sublime de Marx: todos os sistemas comunistas falharam porque não tiveram à frente uma pessoa como M.
Ela sim, vai às raízes (vai quase à santidade), ao mais profundo sentimento e prática de fraternidade, de direitos iguais para todos. E não fica na teoria não! Pratica! Ali, na bucha!
Para que se tenha uma idéia aproximada dessa percepção e aplicação da filosofia marxista (se é que ele chegou a tanto), M. comprou uma geladeira, grande, bonita, poderosa, que não precisa desgelar, que tem compartimento pra tudo (até Coca Cola!). Uma verdadeira maravilha! Dessas, que você vê anúncio na televisão e se estapeia por não poder comprar!
"Consumista!", "Imperilista!" - gritarão os néscios de plantão...
Pois bem, aí vai:
M. comprou a tal geladeira (que pela descrição, deve fazer até sexo!) e instalou, acreditem! na porta do seu apartamento.
Não, não perto da porta, pra você entrar e tomar logo uma geladinha... Não! Instalou na porta, mas do lado de fora!!! No corredor!
Comunitária ao extremo. Cada morador, ao sair de manhã, passa na geladeira de M. e toma, suquinho, iogurte, leite diet, queijinhos, etc... , Ao voltarem, ao fim do dia na lida, estafados, os moradores saem do elevador e dão de cara com... a geladeira de M. Ali, novinha, grande, generosa. Antes mesmo de entrar em seu lar o feliz vizinho já pôde servir-se de uma cervejinha bem gelada, uma Coca Cola daquelas, de lamber os beiços! Comer até alguns petiscos para abrir o apetite!
Além do que, qualquer morador desse andar progressista (de verdade!), pode assaltar a geladeira sem que a patroa dê falta de nada em casa.
Ele sai do apartamento e 'assalta' a geladeira de M. (Assaltar é maneira de dizer, é um prazer servir à todos!)
Quem duvidar, pode me perguntar que dou o endereço.
M. (Com seu dinheiro, pago à vista e por iniciativa própria) comprou a mais bela, a mais moderna e a mais potente geladeira do mercado e instalou - comunitariamente - no corredor do andar do prédio onde mora!
Marx, finalmente, repousará em paz!
Por minha vez, vou em busca do PCB implorar por minha filiação.



Mais questões para dicionários:
metalinguagem
n substantivo feminino
Rubrica: lingüística.
linguagem (natural ou formalizada) que serve para descrever ou falar sobre uma outra linguagem, natural ou artificial [As línguas naturais podem ser us. como sua própria metalinguagem.]
Ex.: a m. gramatical e a m. lexicográfica
...

Muito bem, copiei esse verbete como exemplo. Preciso agora escrever um para
metaciúme
..
Ai, meu Deus, eu sempre inventando... sempre falando demais...



Segundo o Aurélio:
lagartear . [De lagarto + -ear2.] V. int. Bras. 1. Expor-se ao sol para se aquecer, à maneira do lagarto.
2. Rachar, fender em ziguezague. [Conjug.: v. frear.]

Segundo o Houaiss:
lagartear
n verbo
Regionalismo: Brasil.
intransitivo
1 aquecer-se ao sol, como faz o lagarto; estar ou andar ao sol
intransitivo
2 rachar-se, fender-se em ziguezagues como o andar do lagarto

....
Caramba! Eles trabalharam tanto nos dicionários que terminaram por não lagartear.
Quando lagarteamos não andamos. Muito menos ao sol (o ar condicionado é fundamentalíssimo).
Fender-se? Rachar-se? Não é exatamente isso...
Com tempo, criaremos o verbete correto para lagartear.





Temos a capacidade de passar tres dias seguidos conversando, explicando, qüestionando, relevando, não relevando, mostrando, 'se mostrando' e, principalmente, dando muito um para o outro.
Talvez uma primeira leitura pareça um pouco simplista (ou até mesmo piegas). Não é.
Deve-se estar atento a todas as possibilidades que duas pessoas se oferecem em determinadas circustâncias.
Nós temos essas possibilidades. Mas eu vou contar depois, com mais vagar. Com a mesma tranqüilidade que rola por dentro.
Eu conto. Juro.


15.3.02

Um e.mail simpático chega pra mim, dizendo ter pena de, aos cinquüenta anos, eu ainda 'pensar assim do Lula'. Diz que é ridículo. (E.mail para expressar opinião particular vindo de um provedor do governo, equipamento e conexão paga por nós, contribuintes. Talvez esse funcionário público devesse usar seu tempo trabalhando para o Estado que o paga para trabalhar e não ler blogs)
Compreendo bem. Esse pessoal não gosta muito de opiniões contrárias. Saudades de Isif Vissarinovitch Djugatchvili. Resquícios, resíduos do stanilismo. Fazer o quê?



Recebo uma bronca carinhosa de amigos especiais e leitores assíduos. Dizem que meus textos estão longos, talvez fosse melhor dividi-los. Reconheço que têm razão. Vou tentar. Não sei se meu cérebro permitirá, se conseguirei raciocinar sob a forma de posts. Mas vou tentar, prometo.



Zel deveria ficar mais tranqüila. Em doses razoáveis, o ciúme é sublime.



Existe um céu, um mar, um porto. Uma escuna parada, com marinheiro a postos. Existe o eu e o você. A possibidade de.




Estarei sendo injusto ou ontem a televisão não ficou ligada 'para estar mais perto de mim'?



A quem interessar: o Velox funciona perfeitamente, sem falhar um dia sequer. Isso num período de dez dias. Se valer como amostragem...



Sou induzido a decidir. Não o faço. As decisões são muito mais do que aparentam. Decisão é como ato do nascimento de uma criança. Ou um tiro à queima roupa de escopeta. Claro que os dois podem e devem ser feitos. Já os fiz e continuarei fazendo até morrer. Mas hoje em dia quero permitir-me a sensatez, a prudência. Criança nascida é para ser bem criada. Tiro bem dado gera morto bem enterrado. Prefiro a vida à morte, o amor ao desamor, o carinho à indiferença, a cumplicidade à solidão. É preciso, entretanto, ver o preço, ver se está ao meu alcance.



Galos cantando. Acho que mandam para a cama. Querendo dormir ou não...



Carta a minha amiga,
Missdayse
M. não é uma figura de ficção. Não um personagem, como alguns leitores gostariam de acreditar. É muito mais porque existe, está ali, falando comigo, dormindo comigo. Assim, amiga Missdayse, as coisas são diferentes do que parecem. São melhores? Não sei. Teria que ver de que ângulo percebemos. É melhor na medida em que existe, que não a invento. Mas, por existir e ter vida própria, traz em si todos os desejos, todas as opções de vida, todas as crenças que uma pessoa livre pode trazer. É bom? É. Sendo eu, antes de alguém que tenta escrevinhar coisas, uma pessoa, é melhor ter como amada outra pessoa, outro ser humano como M. Assim, dou e recebo, digo e sou contradito, amo e sou amado. A M. que descrevo mais parece um personagem deste aprendiz (tardio) de escrevinhador. Porque, descrita por mim, M. não é inteira, é apenas a parte que desejo, a parte que almejo, que idealizo. Escrevo para M., em seu nome tudo o que penso, tudo o que pretendo [desse ser]. Como personagem, é vivida por mim, pelos meus olhos, pelas minhas mãos e pelo meu coração. Posso contar, entuasiasmado, como fugiremos para a Malásia ou Bombaim na Semana Santa e depois revelar todas as aventuras, toda a emoção exótica que por lá vivenciamos. Volto ao eu não escrevinhador. M. não poderá ir para Bombaim porque trabalhará num determinado dia, não estará comigo em outros três pois participará de um Congresso e eu, humano cheio de vícios e defeitos sofro, sinto ciúmes (nem sei de quê), tenho crises existenciais e passo noites sem dormir. Motivo real? Nenhum. Porque sendo eu e M. reais, os motivos não são explicáveis, não permitem serem contados ainda que da forma mais louca que um folhetim fizesse.
M. reconhece em mim não apenas o 'cavaleiro que cuida de sua dama por inteiro', mas também uma pessoa mimada, que não se permite ser contrariada. Eu, romântico desvairado, escrevendo sobre, criaria uma situação onde M. estaria envolvida em trama tal que não poderia afastar-se de mim, não poderia viajar sem mim e riria, me abraçaria e seríamos felizes a valer. Dia desses falei que uma ilha nos aguardava e agora revelaria que não uma, mas as Ilhas Gregas nos aguardavam! Contaria depois tudo o que nos aconteceu no transatlântico, a tentativa de seqüestro, a pirataria de informática, o quanto ganhamos e perdemos no cassino em alto mar! Eu, sem a pena, não sei se chego a Itacuruçá, tantas são as 'marés'. Por falar em pena, aqui a situação é ainda mais complexa. Porque M. não existe apenas ao meu lado, presencialmente, nem apenas descrita pela pena. M. existe também como letrinhas que correm pela tela do meu monitor, independentes da minha vontade, do meu toque ou não no teclado... M., assim como eu para ela, é também virtual. Somos na verdade virtuais os dois. Quem sabe, na verdade, eu não sou M.? (Realmente não sou, mas poderia ser, minha cara amiga!) Não sei mais em quantas dimensões vivemos, Missdayse, não sei mais quando falamos por e.mail, quando nos falamos pelo blog, quando nos abraçamos de verdade, tudo acontece, tudo é verdade. Ufa! São muitas verdades para uma cabeça só... Poderemos estar em Itacuruçá, mas por sermos, antes de tudo reais, poderemos também não estar. Poderemos ainda não estarmos mais.
Todas essas dimensões se confundem e de verdadeiro existe apenas o sentimento. Junto a ele existem as minhas (inúmeras) dúvidas e inseguranças. Em breve existirá um programa que descreverá M. e Sobretudo com muito mais criatividade, muito mais beleza, muito mais oportunidades do que os aqui descritos. O mundo em que vivemos não é mais um só, leitora amiga. São muitos. Tantos que me perco entre eles. Sabe lá quantos nomes eu tenho, quantos nomes ela tem (fora nossos apelidos?). E mais, sem eletricidade ou sem monitor, nós dois deixamos de existir para você. Totalmente. Nem como pessoas, nem como autor e personagem, nem como personagem que escreve sobre autor. Morremos. E se morrermos de verdade você não saberá, da mesma forma que morrendo você, ficará sem saber se morreu de verdade ou simplesmente o monitor apagou. Seu agradável e simpático comentário ( que guardo com carinho no coração) pode ter sido escrito por mim mesmo e eu, na verdade ser você. É você que fala o que escrevo e (quem sabe?) você cria M. ...
Voltemos, ou tentemos voltar à realidade (qual?), Missdayse. Eu existo. M. existe. Procuramos por nós mesmos dia após dia. E achamos muito bom que goste de nós, que torça por nós. Como mortais, precisamos de verdade da sua torcida.
Um beijo



Lendo, tudo é bonito. Existe, entretanto, outro lado. Os bastidores. Os porões.


14.3.02

Para que não existam mal entendidos: pela fineza do raciocínio, pela inteligência e clareza, é óbvio que o Lula citado no post abaixo não é o eterno candidato petista, o cúmplice do Stédile, essas coisas. Trata-se um publicitário culto, inteligente e trabalhador.



Com outras palavras, Lula diz que, cagada maior que da Roseana, só se descobrirem que o Serra é sócio de uma fábrica de cigarros. Perfeito.



A correspondência é ancestral, bem sei. Existiu um tempo em que demorava mais a chegar ao destinatário. Com o passar dos séculos, anos, esse tempo vem diminuindo. Na era do e.mail, a correspondência assume outra postura, quase de conversa. Mando e recebo e.mails como quem fala com a amiga, a cúmplice. Até os desconhecidos respondem de pronto, nessa ânsia pós moderna de falarmos, contarmos, ouvirmos. Querermos saber notícias. E respostas de comentários às notícias. Eventualemnte, muito raro, algumas dessas correspondências não têm o retorno esperado, imediato. Evidente que não se pode esperar que o destinatário esteja sempre de prontidão, em frente ao computador, ainda que trabalhe, estude e divirta-se assim. Pode estar doente, pode estar em reunião, pode ter saído para fumar. Pode ainda, não querer responder ou, mais, não ter ânimo ou resposta a dar. Tudo pode nesse mundo conquistado. Até a possibilidade de.
A impossibilidade interior de.



Acrescentar à lista de presentes para noivos:
Livros (ou apostilas) que expliquem bem sintaxe e semântica.
Bom presente também para namorados.
Quem não conhece sintaxe e semântica morre seco, na lama.



O bom de se escrever em vários blogs é que podemos dizer o que interessa em cada um deles. Quem sabe um dia não consigo pulverizar assim meus pensamentos? Deve ser agradável, dar sensação de.... como borboleta que pousa aqui ou ali, de acordo com sua vontade (sempre a sua), naquele momento.
Leio num blog amigo: "Tenho liberdade com quem posso ter". Isso é bem bacana, mostra bastante a capacidade que o homem tem de ser livre: escreve onde quer e tem liberdade com quem pode.
Mas, em poucas palavras, diz muito mais: determina a humanidade (falo de quem pertence a ela, humanidade. Já sei que não são todos) em camadas ou castas (como eu acho). Aqueles, superiores e afortunados que, ao longo da vida, demonstram serem dignos de participarem e 'usufruirem' essa liberdade e os outros, os mesquinhos, pobres de espírito, inconfiáveis mesmo.
De qualquer maneira é uma frase que deve ser levada em consideração, pensada com carinho (ainda que não seja o objeto, aquele 'com quem se pode ter liberdade'). Se não o somos, outros foram e outros, ainda, serão. Quem não foi, que aprenda a ser digno de permitir a liberdade, na próxima vez.
Reconheço que é meio chato você não ser considerado, não ser um dos 'eleitos', daqueles bem bacanas que permitem ao outro terem liberdade. Mas... deve ser assim mesmo. Parece que estou numa fase de amplo aprendizado. Vá lá.



Melhor não dizer nada.



Faça sexo seguro. Use sempre o ICQ.


13.3.02

Hoje recebi cinco e.mails muito simpáticos. Agradeço a todos. Não os publico porque entendo que foram mandados para mim. Mantida a privacidade, fica aqui o registro do recebimento. Valeu, pessoal.



Compreendo melhor agora alguns conselhos de gente jovem, limpa a esclarecida. Realmente não dá pra discutir com criança mal resolvida, 'rebelde sem causa'. Detesto 'aborrecentes', mas aturo os medianamente racionais.
Esssa pretensão de viver repetindo que faz 'o que quer' num blog, dimensiona bem a pequenez, a inépcia, a incapacidade de algo normal. Tem que ser textinho pseudo dark. O comentário feito neste blog por uma criançota desocupada qualquer, (que deseja ver o nome aqui publicado) vulga, nickname Vanessa, bem como a patuscada que escrevinha em seu caderninho virtual (brincando de Cristiane F.), corroboram a minha tese sobre a ignara, a néscia, o 'andar de baixo' e essas coisas todas que a gente conhece. Compreensível, de qualquer maneira. Anos atrás estaria brincando com uma bruxinha de pano suja numa esquina sombria da vida degradada. Com a informática, pode brincar de agressivinha, rebeldinha, atrevidinha. Pode ter outras causas: falta de um pai ativo, falta de opção sexual bem definida ou, pelas condições que descreve, falta de talento mesmo. Não se pode ter tudo, enfim! (Ela entende muito de democracia!)
Nada posso fazer. Se fosse médico, receitaria haloperidol. Se fosse padre, um bilhão de Ave Marias. Se fosse Deus, me arrependeria desse fracasso e a recriaria. Como não sou, volto tranqüilamente aos poetas e aos leitores bem amados. Deixo-a dissolver-se, só, em sua bile mental.
Agora, que atendi sua vontade infantilóide de ver o 'nominho de guerra' aqui, silencio. E não volto ao assunto porque isso aqui não é abrigo para descerebrados.



Pela manhã, vejo um maço de cigarros com o João. Não sabia que ele fumava...
Na verdade, não sei de muitas coisas. Penso que sei, mas não sei. Muita pretenção, presunção acharmos que, por pais, sabemos dos nossos filhos... Mais útil seria tentarmos aprender sobre nós mesmos...



"Traficantes metralham presídio e guarita da PM
Ana Cláudia Costa

Traficantes metralharam no final da noite de anteontem a guarita da PM e os muros do presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, junto ao Morro da Mangueira. Eles ainda cortaram fios de telefone e de energia e destruíram a tiros todas as luminárias da rua onde fica o presídio e que dá acesso à favela. Na manhã de ontem, policiais do 4 BPM (São Cristóvão) fizeram uma operação e ocuparam a Mangueira, mas não conseguiram prender os bandidos.
Também de manhã, o vice-diretor do presídio, Nélio Moreira Medeiros, encontrou na porta da unidade, na Rua Bartolomeu de Gusmão, várias cápsulas de fuzil. Residências e uma birosca também ficaram perfuradas por tiros de fuzil.
Há duas versões para o caso: a primeira é de que os marginais eram traficantes da favela que se preparavam para fazer um “bonde”; a outra é de que eram bandidos rivais, fugindo depois de uma tentativa frustrada de ocupar a área. " - O GLOBO
...
Esse é o meu Rio de Janeiro, com a paisagem, o Redentor e tudo o mais.... Só faltam os tanques do Exército.




Vejo a entrevista da filha de Sérgio Buarque. Fala do pai, de sua 'Visão do Paraíso". Li (mal) há muitos anos. Deveria reler. Não agora. Não tenho tempo nem cabeça. Mas está lá, gurdadinho...



Não consigo dormir e lembro como era feliz quando, diante dessas dificuldades, conversava com o Robinson e ele acabava por encontrar, comigo, uma solução. Hoje sei que não é mais assim. "Depende de mim". Ele não dirá assim. Apenas vai me olhar. Vai sorrir para mim. Tem a droga que resolve e não se importa de receitá-la. Mas seu olhar anterior estará me dizendo que eu sei todos os porquês, tudo está posto. Ele gosta muito de mim. Temos uma relação fraternal. Em muitas coisas ele queria ser eu e, em muitas outras, eu queria ser ele. Sabemos, de qualquer forma, que somos quem somos: ele com as suas dificuldades, eu com as minhas. Creio que, às vezes, temos pena um do outro, sentimento nunca explicitado, meio proibido. Portanto, até posso ir até ele, até podemos conversar, falar das minhas coisas... Mas não adiantaria muito no sentido existencial. Já nos sugamos o quanto podíamos.



Fico com João até depois das três. Conversamos um bocado sobre nossas vidas. Concluímos que agora chegou a vez dele ir, experienciar, concluir. Mal consigo lembrá-lo pequenino, de colo. É um homem que me fala de coisas. Fala de como encarar essas coisas comezinhas da vida. Fala dos amigos, da família, dos amores. Tem uma visão mais tranqüila do que a minha. Bom.



Instalei o Houaiss e pronto. É melhor sim! Tenho os dois e sei. E acabou-se o que era doce.


12.3.02

Fico parado em frente ao monitor olhando... Não sei o que olho.
Muitas vezes me sinto cansado, muito cansado.
Deve ser a idade somada a uma certa impaciência natural em me repetir.
Estou convencido de que não adianta dizer determinadas coisas... É em vão.
Penso que talvez não devesse estar aqui. Nova York, quem sabe? Ou a Rocinha, vá lá.
Mas é preciso falar e ser ouvido, compreendido em essência, naquela parte do cérebro (ou espírito) onde as palavras são desnecessárias. Onde as pessoas adqüirem essa perspicácia divina (como o gozo) de olhar, saber e tudo estar dito, falado, cultivado. Como o quarto cor de rosa de Marcelle. Ou numa lata de lixo sórdida, mas amiga.
Muitas vezes sinto-me curvado. Sei que é preciso levantar sempre. Permito-me sentir o peso. Não tenho o compromisso de.
Não encontro meu Ulisses, me perco de Joyce...



Fazem um comentáriozinho tolinho, tentativazinha pífia e parva de 'apoio'. Por desconhecimento, falam até em nazismo... Se você é bonzinho, tudo bem, se é 'politicamentezinho corretinho', melhor. Caso contrário, é nazista. Por que não nazi-facista? Falta de vocabulário ou estultice?
É como disse antes... Muita gente legal escrevendo blogs, muita gente bacana comentando... Mas a turma do andar de baixo é foda de aturar...
Às vezes me qüestiono se vale a pena lutar contra a exclusão digital...



Entre outros, recebo o livro 'Sobral Pinto, a consciência do Brasil', mais um presente da minha amiga Marlene, da Nova Fronteira. Esse livro, é de John W.F. Dulles, brasilianista que já conheço bem. Ele tem o maior trabalho já publicado sobre Carlos Lacerda. Vou ler com atenção.



Que bom. Recebo a visita muito carinhosa da Claudia.



Essa briguinha Houaiss X Aurélio é chata e, principalmente, decepcionante. Na verdade, é um jogo comercial (normal) onde não se abre espaço (isso é grave) para uma discussão séria, acadêmica ou, no mínimo esclarecedora. Faz os menos favorecidos desistirem dos dois e comprarem um dicionariozinho do Estudante, daqueles, do MEC.



Quem não leu a coluna de Olavo de Carvalho no Globo de sábado, dia 9 de março não compreenderá os verdadeiros motivos do PSDB nem de Roseana Sarney.



Continuo aguardando, ansioso, o lançamento do Phillip Roth...



Minha vizinha continua gritando ao telefone que a celebridade tal ligou, que ela está 'aterafadíssima', etc. Tenho pena do vizinho dos camaradas que organizam a festa de entrega do Oscar...



Nada pessoal. Mas por que essa insistência de só vir foto do cara broxando nos meus maços de cigarro? Não dá pra vir um câncerzinho ou uma criancinha sem ar? De vez em quando pelo menos! Caramba, me sugestiono com facilidade...
...
broxar . [De broxa + -ar2.] V. t. d. 1. Pincelar, pintar com broxa. Int. 2. Bras. Chulo Perder, ocasional ou definitivamente, a potência sexual; tornar-se broxa (2). 3. Fig. P. ext. Perder o entusiasmo; desanimar. [Pres. subj.: broxe, etc. Cf. brocha, s. m., e o v. brochar.]





Esse casal que eu acompanho e torço pra caramba é muito bacana. Valeu!



Dia desses escrevi por aqui sobre a profunda inépcia das mulheres com os homens. Cada dia mais, compreendo, evidentemente que no sentido figurativo, o que Nelson pretendia ao afirmar que "a mulher gosta de apanhar". Na época em que ele disse foi must, todo mundo repetiu, ainda que no fundo não acreditasse. A coisa, a meu ver, é pior. Ele falava de uma forma crua, dura, para um grupo, uma época muito determinantes. Era o momento da virada e aquele conservador genial dizia o que bem entendia... Umas poucas patuscas gritavam, nada que se leve a sério.
Mas os anos, as décadas passam e a mulher não consegue, de maneira genérica, compreender que pode e deve viver como um ser igual ao homem. Ela precisa de uma 'referência macho'. Se não é o homem, tem que ser ela mesma. É engraçado, até.
Tudo bem, eu compreendo que durante milhares de anos a mulher foi oprimida pelos homens (descontando-se aí o quanto ela se utilizou dessa 'opressão'), mas, enfim, de uma forma ou outra foi oprimida. A geração anterior à atual trabalhou e deu o chute final:
liberou geral para as mulheres. Elas, como era de se esperar, ocuparam com dignidade e ocupam cada vez mais seu espaço na sociedade (estamos falando do mundo civilizado, ocidental, capitalista e globalizado).
Mas lá no fundo, como uma 'genética da alma', um atavismo supremo, orgástico/sagrado ela bate. Se não sente a presença forte "entende" que falta o tirano e assume esse papel!
Repito: já perguntei nesse mesmo espaço: por que alguém tem que ser o macho? Parece que a resposta está na História. Creio que não posso responsabilizar pessoas e sim todas as pessoas que já existiram. Ficou numa espécie de inconsciente coletivo imutável/eterno: a mulher precisa de um referencial. Não admite, eu compreendo, mas precisa. Acho uma pena, um desperdício.
Agora compreendo melhor Vinícius no Samba da Benção... E olha que era o Vinícius!
E o que mais me impressiona é que, no fim, voltará a ser um trabalho de conscientização do homem tirar da mulher esse conceito bobo.


11.3.02

Acho que isso aqui é um espaço para colocar idéias, sentimentos. Ainda que possa induzir a uma certa discussão, são sempre sentimentos e idéias. Escrevo algumas coisas ora meio triste, ora meio eufórico. Gosto de ver o que as pessoas estão escrevendo. Como disse outro dia, percebo um universo de novas possibilidades, de textos inteligentes e muitas vezes engraçados. Gosto muito, como também já disse. Sei que umas poucas pessoas me visitam de vez em quando e outras até possibilitam um destaque, como a Lady do Texto Forte (leitura diária, obrigatória para mim).
Não estou aqui pra me explicar (até porque não devo explicações a ninguém), mas gostaria de não ser mal interpretado. Gostaria de ser lido com o coração aberto, assim como o faço com os alheios.
Carapuças à parte, tenho sim o direito de fazer comentários sobre o que leio. Sei que estou tratando com gente perspicaz e inteligente e não criançonas briguentas. Estas, para não serem contestadas devem voltar ao caderninho e lápis de cera. Ainda assim, insisto em afirmar que escrevo sobre o que penso de mim e dos outros, mas sempre de forma a, no máximo, quando muito, instigar algo produtivo e inteligente. Jamais a me promover por bobagens (até porque não preciso).
E assim, como 'cada um escreve sobre o que quer', entendo ter o mesmo direito. Patrulha aqui não!
Fique bem claro que isso não é um pedido de desculpas ou qualquer coisa parecida. Um esclarecimento apenas. E por esclarecido estar, não volto ao assunto.



Não confundir a discussão sobre intafaces a que me referi alguns posts abaixo com a matéria publicada no caderno de Informática de hoje. O autor tem conhecimento e valor qüestionáveis. A preocupação com interfaces vem de muito longe. É tratado em alguns sites de novas tecnologias, conferências e em livros como "A Cultura da Interface'. Aliás, a discussão vem de muito antes. Como disse, Shiller escreveu sobre ela. E outros, antes, quando a filosofia e a ética estavam muito mais atentas/ligadas à estética.



Aprendendo a colocar fotos.




Continua a dificuldade do pessoal em aprender a se administrar sem um chefe. Conceito arraigado até nos mais jovens. O teletrabalho de Domenico é difícl não pelos conservadores, mas pelo pessoal que o executará. Talvez seja preciso um curso, um ensinamento mais detalhado. Quase um exercício, uma doutrina.



Só pra concluir, é bom ficarem atentos à discussão (séria) que se coloca sobre a preocupação excessiva e, na maioria das vezes, danosa, para a interface de home pages e tudo o mais que pulula na Internet. Em alguns casos, ler Schiller pode ser útil.



Rio e São Paulo dominados por bandidos! Definitivamete, ninguém está levando a sério!



Bete volta da Cracóvia e arredores. Tudo muito bom, tudo muito bem. Bacana demais. Aquilo lá tem história até dizer chega. Um detalhe chama sua atenção: o atraso que o comunismo deixou em todo o país e no povo. Marcado a ferro e fogo.



Evolução estética dos blogs. Com certeza, mais atraentes, permitindo que o talento de designer de seus redatores seja colocado (o que é - também - excelente para os leitores). São interessantes. Só. Como propostas iniciantes. Como o exercício que o aluno rabisca em sua agenda. Interessante também como o layout vira motivo para assembléia ( Calma: nada de desaforos do tipo "Não volte mais aqui', ou 'vá se ocupar de outra coisa' ou ainda 'trate do seu que nem layout tem'). Postou, colocou em discussão. Assembléia posta, layouts resolvidos (?), vamos às idéias.



Uma coisa muito importante: Que será fundamental. Já é, na verdade:
Existe uma ilha nos esperando.



O choro fácil é apenas o choro fácil.
Os olhos molhados por emoção são a coisa mais sublime e mais digna de atenção que conheço.



Deito na cama. Rolo de um lado para o outro e nada. Volto pra cá, então.
Espero que ela esteja dormindo bem, sem sustos. Se assusta à noite, eu sei. Deveria estar perto pra poteger. Deveria ter ficado por lá. Prefiro também que chore ao meu lado, nunca sozinha. Não é mais necessário.
Sei que amanhã estará sorrindo, estará com os olhos firmes e a atitude correta, digna. Sua dignidade me impressiona, me atrai. Também me considero uma pessoa digna, e não é o que tenho encontrado muito amiúde (pelo menos na vida afetiva). Não importa. Agora existe e pronto. Não. Não é tão simples assim. Preciso, talvez, falar mais. Essa dignidade tem que ser mais explorada, valorizada. O fato de sermos isso ou aquilo, às vezes, nos banaliza o ato. Não é para ser banalizado. É para ser falado e novamente cogitado.Da mesma forma que 'o gozo é sagrado', a dignidade também é.
Preciso falar e reafirmar que, em nome dessa dignidade, não pode endurecer, não pode deixar de relaxar e compreender que, humanos, caímos e levantamos - e levamos tudo (em nós) às últimas conseqüências.
Percebo sempre que essa dignidade foi atropelada, pior, não foi percebida e isso deixou marcas profundas em todo o seu ser e em todas as atitudes e posturas subseqüentes. E não me furto a dizer que sinto um pouco (muito, para ser mais exato) de cíúmes não da pessoa, mas da forma, da expectativa e das marcas. Poderia sentar e chorar ou pouco me importar.
Mas vejo que existe uma coisa importante a ser feita. Mostrar que nem sempre é assim. Que não precisa se proteger porque não há ameaça ao lado. Ao contrário. Não confundir com aquele paternalismo ou aquela forma idiota do 'macho' que protege. Nada disso, bem sabe. Falo de carinho, firmeza, confiança, cumplicidade, unicidade. E falo dessas coisas com a traqülidade de quem está também experimentando uma sensação radicalmente nova - que em tese não me agradaria - e que por ser com quem é, muda minhas opiniões, meus condicionamentos. Não, não é fácil. Fraquejo eventualmente. Com freqüência até. Mas continuo levantando e seguindo porque o fim, o objeto é maior, muito maior, mais importante do que os meios ou os hábitos ou 'regras da alma'.
O amor tem esteio mais tranqüilo e seguro na dignidade. Falta agora ( e isso está mudando, reconheço), perceber o quanto as coisas podem ser boas, o quanto podem ser 'seguras' (se me entende), o quanto é possível dividir, combinar, acertar, perguntar, ficar inseguro e todas essas coisas comezinhas (mas gostosas) da vida. Importante estarmos lado a lado, olhando para a frente, firmes. Mais importante ainda é estarmos frente a frente, olhando um nos olhos do outro.
Se quiser, se deixar, com calma, esse passado vai ser revisto, conversado, repensado. Não teoricamente, mas na prática. E isso vale também para o meu passado. Já que os 'passados' fazem história, são os arquivos guardados, bom será abrir um por um e ver o que realmente é útil e o que podemos jogar fora. E conseguiremos por um motivo simples: queremos conseguir.



É sempre bom repetir: nossas conversas são fundamentais. Para nós dois. Aliança aqui dentro, menina.



Coloco-a para dormir. Ela precisa.


10.3.02

Somos realmente seres solitários andando pela Terra? Nossa existência interfere pouco na existência do outro? Deve ser assim. Mas não em mim. A existência de outro interfere de maneira absoluta na minha própria existência. E isso, em mim, é imutável, inegociável. Pago e pagarei por isso, já sei. Mas é o que sou.



Estou com febre. Pensamentos me invadem dessa forma febril, obrigando-me a escrever três textos ao mesmo tempo. Um que trata de dialética em meios eletrônicos, um que fala dos meus sentimetos mais profundos e um, pequeno, de religiosidade e comunicação.



REFLEXÕES I

Os pensamentos e sensações que me assaltam de maneira desordenada e descabida precisam ser editados para que exista uma compreensão mínima do todo, das emoções, sentimentos e atitudes que daquilo resultem. Embora já saiba há muito tempo que não podemos classificar tudo e todos durante todo o tempo, insisto em, pelo menos, me compreender. Saber em que lugar estou, em meio a essa avalanche de tipos que assolam a Terra.
Bom que fique claro que não estou falando das qualidades que, por acaso, perceba em mim. Reconheço muitas qualidades, não é modéstia. Apenas não trato disso aqui.
Sou um artista e um romântico. Fato.
Acredito que esses dois atributos da alma, que nascem conosco determinam uma série de comportamentos posteriores que se tornam imutáveis, independentemente da compreensão do mundo e das coisas. Não é uma questão de estar aberto para mudar, para reaprender. É uma posição praticamente orgânica, impossível abolir ou separar mente e alma dessa forma. Você não pode dizer a alguém que azul não é azul ou que prancheta, não é prancheta se este alguém vê assim a cor e o objeto.
Posso ser daltônico ou esquizofrênico e desconhecer as verdadeiras cores e formas. Entretanto, quando falamos com o outro, a possibilidade do inverso é a mesma. O outro poderia não ver as formas. Ou não. O que importa, nesse caso, é que você vê assim. Tentar mudar sempre é possível. Sucesso na mudança me parece, impor a si próprio um projeto fracassado, natimorto.
As miríades de opções de vida, de relacionamentos (ou não), de formas de vivenciar as coisas, a vida, enfim, estão postas desde o início dos tempos. Talvez uma coisa ou outra seja mais clara, mais assumida hoje do que há cem anos atrás, mas é apenas uma questão de mostrar. Tudo sempre esteve colocado e as opções, ainda que de forma ‘escondida’ sempre foram praticadas. É um raciocínio perigoso como andar no fio de uma navalha. Qualquer má interpretação desvirtua todo o processo, projetando uma conclusão rigorosamente diversa do que penso. Cuidado, portanto.
Como dizia, as opções estão, como sempre estiveram colocadas. Os homens sempre escolheram essas ou aquelas e, na maioria das vezes, por falta de coragem terminaram tratando a vida com mais de uma atitude, com atitudes oficiais e outras, secretas, que atendiam (e ainda atendem!) a seus desejos reprimidos. Considero triste, no mínimo, perceber que o ser humano não consegue posicionar-se, precisa enganar, fugir sempre (inclusive de si próprio). De qualquer forma, é assim e nada posso, nem tenho o direito de fazer. As pessoas vão agindo, construindo suas vidinhas, suas historinhas e vão em frente. ‘Assim caminha a humanidade’.
De minha parte não consigo nem uma coisa nem outra. Descubro-me mais complicado, mais limitado, se preferem, do que a maioria. Não tenho a capacidade de levar aquilo que vulgarmente chamam de uma ‘vida dupla’. Pior: não consigo ter essa duplicidade nem em pensamento, nem no mais escuro e ‘seguro’ canto da minha alma.
Tenho que optar: ou isso ou aquilo.
É preciso me olhar e ver que tipo de homem eu sou. O que eu, realmente desejo, com o que eu, finalmente, sou capaz de lidar. Pré-condições que me orientam determinado tipo de vida e relações. Não que as minhas sejam melhores ou mais certas, ou mais práticas ou ainda mais corretas. Não. Apenas vejo aquela cor como azul e aquele objeto como prancheta.




Li agora um texto postado em 2 de março que alterou radicalmente algumas opiniões que eu tinha. Mais uma vez, sou alertado pela vida de que nem sempre as coisas são como parecem num primeiro momento. Parece que a história de 'aprender até morrer' é verdadeira.


8.3.02

O sincero é um anti-social. Eu o sou.



Olha, a tal da professora pode ser boa pra caramba, mas essa aula de Java é insuportável. Prende a gente direto! Logo hoje! Será que não tem um garotão pra pedir uma aulinha particular? Afinal, é boazuda ou não é? Libera logo M. pra mim, pô!



Preciso, de uma vez, ler o livro do Bojunga, do Juscelino.



A confusão armada com a descoberta de um milhão e meio de reais no escritório do marido de Roseana não deixa de ser interessante. Mais ainda porque os envolvidos quanto mais falam, mais se contradizem. Inegavelmente é um caso puramente policial. Ao mesmo tempo, qualquer idiota sabe que não é. De todo modo, ninguém pode provar.
Policial ou não, Roseana, com telhado de vidro, vai levar os próximos meses tentando se explicar ou tornando-se vítima de uma ‘rasteira’. Ora, se bem dada, não importa o apelido. Rasteira ou não, foi um golpe de mestre: Lula não conta, não dá nem pra saída, mas ela estava crescendo, ameaçando o Serra. Agora, muito possivelmente estará acabada. FHC diz não compreender porque o PFL quer romper com o governo: “o que tem um caso meramente policial com uma atitude política tão extremada?” – questiona com olhos sinceros. Claro que nada é verdade. Todos, todos são culpados! Mas golpe de mestre é golpe de mestre!




Existe sempre a (boa) possibilidade de, descontente, não voltar a um blog. Entretanto, seria mais interessante, mais inteligente refletir com tranqüilidade sobre aquilo que nos incomoda no autor do texto. Bom, pelo menos eu procuro fazer isso, lendo os alheios.



Não prestava atenção na música há muitos anos.



A pergunta anterior resulta de várias constatações, de várias indagações. Por exemplo: eu repenso e (tento) mudo atitudes e formas de penasr e agir. Faço ou procuro fazer, instigado por lógica e pensamento maduros. Não que concorde com todos, ao contrário. Mas revejo minha ação e maneira de encarar determinadas coisas após longas conversas inteligentes e enriquecedoras com M.
Daí nasce o qüestionamento do post abaixo.



Sei que é irritante, mas afianço que não é provocativo: Existe vida inteligente nas mulheres muito jovens?



Meu humor varia demais. O pessoal que trabalha comigo percebe e nem sempre comenta. Sou, creio, o que antigamente chamava-se 'neurastênico'. E o sou com muita convicção. Acho que boa parte dessas manias e variações terminam por ajudar mais do que atrapalhar atividades intelectuais e profissionais. O mesmo não se pode dizer da vida afetiva. Porque o outro sempre espera que ele seja o 'humor difícil', quase como uma característica a ser aceita, até mesmo apreciada. E não é.
No casal, cada um dos parceiros deve perceber que o 'seu' humor varia e prejudica o outro. E cada uma dessas variações é plenamente, perfeitamente percebida. Cada vez que um cala (pelo menos quando eu me calo) levanta-se uma possibilidade ruim, possibilidade de desencontro. Não pela variação do outro, mas por sua incapacidade de percebê-la e tentar contorná-la.
Portanto, fique atento a essas variações de humor (evidentemente que não estou tratando das leves e sim das clássicas, patológicas) e procure contorná-las, encontrar os motivos. Acontece também do motivo ser o outro, aquele que está a seu lado, a atitude que desagrada, o gesto que entristece. O que fazer? Correr? Normatizar que 'não dá certo' um ao lado do outro? Absolutamente. Até poque essas variações, mudanças, crises, acontecem de qualquer maneira, inclusive quando estamos sós. Normalmente, começo a perceber, doses de carinho, afago e compreensão fazem mais efeito do que qualquer medicamento ou atitude impensada. Claro que na prática, as coisas não são tão simples... Mas o que é simples? O que é certo? - como me qüestiona meu filho mais novo.
Não admito ainda aprender com as crianças. Sou turrão o bastante para isso. Mas não custa ouvir e pensar um pouco aqui e ali. E, por crianças, leia-se também a minha menina.



“Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar. O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.”
Fernando Pessoa - 1913




Sete e meia... Preparando para sumir, meninos...



A capacidade de M. em reavaliar suas convicções, sua tranqüilidade em me ensinar determinadas coisas, faz com que eu saia da casca e reaprenda também. Isso é muito bom. À princípio me pareceu impossível. M. ensinou que não é.



Parece que, em breve, voltarei a ter casa... A faxineira deu um sinal de vi...poeira.



Quero saber do futuro. Na verdade todos querem e não dizem. ‘O presente, o presente’, diz-se todo o tempo. Não é verdade. Contentamo-nos com o presente, bem verdade, mas queremos mesmo é saber o futuro, saber o que vai acontecer no instante seguinte, na hora seguinte, no ano seguinte. É da natureza humana, não há como fugir.
Portanto, não vejo porquê envergonhar-se ou camuflar a decepção com a incerteza do futuro. É um sentimento natural. Se não fosse, não estaríamos todo o tempo planejando coisas, como ir ao cinema, viajar na Semana Santa ou fazer obras no apartamento.
Estamos voltados para o futuro, a cada momento. Mal acabamos de dizer uma frase, estamos pensando em outra. Mal acabamos de ouvir, falamos e pensamos no que ouviremos em seguida.
Bem verdade que o futuro é uma ansiedade simbólica, só. Viver o presente é ótimo, mas que estamos de olho no futuro, estamos. Não dá pra fingir que inexiste essa ansiedade, que ‘só o presente importa’. É, naturalmente, falso...




Comecei a falar dia desses sobre a possível mudança nos hábitos pessoais, culturais, como, por exemplo, as pessoas trocarem suas leituras obrigatórias (por serem formadoras de bagagem cultural) pelos blogs. É complicado porque reconheço que nos blogs encontra-se muito lixo, mas muita coisa interessante. Muita gente bacana escrevendo e sem ter as dificuldades naturais de um escritor com editoras, publicações, propaganda, vendagem, etc. É preciso então criar uma determinada rotina, uma organização mínima para conseguir ler, por exemplo, ‘Abelardo e Heloísa’ (um clássico, fundamental) e ‘Zel e Marcelo’(blogs super bacanas com histórias de amor vivida ali, dia a dia, on line).
O interessante em Zel e Marcelo é que, ao contrário de Abelardo e Heloísa, estamos acompanhando o desenrolar da história de amor e da história íntima de cada um deles, em suas particularidades, suas opiniões e tudo o mais... Vivemos com eles e não teremos o final (se houver final de história) senão quando eles assim o decidirem. Podemos, por exemplo, morrer antes que haja um ponto final em seus blogs. Esse ponto poderá nunca ser final, já que são nossos contemporâneos e, aconteça o que acontecer, continuarão com sua produção literária. Algo como as novelas, os diários de Dostoievski publicados em capítulos, nos jornais da Rússia, onde os leitores acompanhavam à cada edição o desenrolar das tramas ou confissões.
De qualquer maneira, há que existir método, pois, ainda que não interativo e já completo o trabalho de Dostoievski, por exemplo, é mais importante como literatura que o de Zel e Marcelo. Um não anula o outro. São coisas importantes, cada uma delas com pesos e emoções e resultados para o leitor diferentes. Entretanto, o tempo que dispomos é o mesmo. Na antiga Rússia esperava-se uma semana ou um mês por novo capítulo das confissões ou novelas de D. Hoje, à cada hora temos mais Z. e M. além de todos os outros blogs, revistas, jornais, sites, relatórios, filmes, programas de TV e... tudo o mais. Perceber e criar método para acompanhar tudo é, com certeza, difícil. Mas possível.



7.3.02

Munição para os amigos: estou feliz.



A TV ficou ligada pra estar perto de você.



Munição para os inimigos: É importante que o mundo tenha conhecimento: EU vou glorificar, divulgar e tratar como sério o ato do índio que acende o fogo (que se pretenderá eterno), da cultura popular, do samba de roda, dos futuros integrantes dos 'bondes' acenando para criancinhas francesas via internet! Eu sou Tereza de Calcutá pós moderna, de última geração!



ONGs de vários países, principalmente ricos e de primeiríssimo mundo preocupam-se com a exclusão digital no Brasil, com prioridade para as favelas. Vêm aqui fazer esse trabalho social, quase humanitário. Conversando com uma dessas pessoas, um francês, descubro que a França padece ainda de exclusão digital braba, que sofrem qüestões sérias como acesso via banda larga, a convergencia de mídias e muitas outras coisas. Fico me perguntando porquê não usam o potencial que têm em benefício de seus próprios países...
Fico lembrando dos comunistas brasileiros fazendo campanhas e manifestos contra os Estados Unidos em 1972, contra a guerra do Vietnã, enquanto aqui os brasileiros morriam como moscas no Norte/Nordeste de fome, seca, doenças primárias e tudo o mais...
Parece que há um certo glamour em trabalhar junto à miséria alheia. Principalmente estando em países quentes, boçais e miseráveis como o Brasil. Esse francês teve orgasmos contando que o cinegrafista da sua equipe pegou dengue no morro Santa Marta. É a glorificação da pobreza!



Nas situações limite, nós dois percebemos que não existe essa estrada vazia e que não podemos estar separados. Tem sido um processo de sofrimento para compreendermos o que acontece, o que sentimos e como reeagimos.
Eu sei que tornei-me impermeável, que perco um pouco a noção da nova forma, do novo entendimento de M. sobre determinadas coisas. Não é uma qüestão de ser turrão ou não. É um processo de entendimento e aceitação, inclusive das mudanças. No fundo, tenho clareza de tudo isso. Percebo que falo, falo, mas sou tão duro, mais duro, mais 'empedrado' que ela.
Não quero ver M. triste. Não quero estar triste. Antes de tudo, essa é a minha menina.


6.3.02

Afirmo que estou longe, pensando nas minhas coisas. Mas quais são as minhas coisas? Fora as estradas pra acelerar, o vento forte e essas coisas de que já falei tanto, quais são as minhas coisas? Três livros, dois cadernos e uma caneta tinteiro velha... Umas roupas escuras, umas luvas de couro velho... Uma história longa, cheia de variáveis, de pontos de vista, de bifurcações... E pra frente?



Um dia estranho esse hoje. Tudo difuso. Muita dor de cabeça, noite mal dormida. Falta de tempo pra escrever, pra pensar, pra repensar... Reuniões complicadas, assuntos que as pessoas não dominam, não percebem onde se quer chegar... Ao mesmo tempo estou longe, pensando em mim mesmo, nas minhas coisas...




Sem sono, saio de moto para uma noite estrelada. Já é madrugada, mas está quente. Ultrapassada a Lagoa, entro em uma avenida longa, escura. Acendo os faróis auxiliares. Meus óculos estão sujos, criando uma imagem embaciada, desconfortante. Penso em tudo e não chego a lugar nenhum. De qualquer forma, tenho cicatrizes. Penso que para alguns é possível ter bagagem, ter 'maletinhas' guardadas que impedem isso ou aquilo. Por que para mim não seria o mesmo? Não porque não. Se é assim, acelero. Mesmo correndo, percebo pessoas no meio fio, tristes, sujas. Algumas queimam alguma coisa, lixo, provavelmente. Minha moto está leve, percebo a diferença de peso, a falta de garupa. Como alguém que desceu há pouco. Não é confortável nem agradável.
Concluo que o passeio não está me levando a nada nesse momento. Melhor voltar pra cama. Procuro então um retorno. E rodo 50 km. sem ver um ponto de retorno.
Opção? Seguir em frente mais um pouco. Talvez não devesse ter saído de madrugada, talvez não devesse agir assim. Outros motociclistas passaram pela estrada com tranqüilidade, de forma prazerosa. Eu não. Minha passagem não torna a estrada mais iluminada, ao contrário.
Deixo barulho, fumaça e fuligem. Poluo o caminho.
Sigo então, sem capacete.



Ou isso ou aquilo, ou isso ou aquilo. Mal.


5.3.02

Vez ou outra alguém me diz ou eu mesmo reflito sobre ter determinados comportamentos infantis. Engraçado, como se utiliza o termo ‘infantil’ de forma pejorativa, como se não estivéssemos agindo da maneira que a sociedade espera. É bem verdade que existem determinadas regras e posições que devem ser seguidas e mantidas, até mesmo lapidadas, para que o mundo não caia (mais) na barbárie, na anarquia.
Mas, por outro lado, penso que tem de haver uma reflexão mais aprofundada do reverso, no posicionamento ‘prático’ todo o tempo, vinte e quatro horas por dia. Isso sempre remete à Peter Pan, que, por negar-se a crescer tinha a possibilidade da Terra do Nunca. Se ele crescesse não voltaria àquela terra e optava sempre por voltar. Não acredito que devamos estar sempre tomando atitudes pouco lógicas e sem sentido, porque vai aí muito mais retardamento mental, falta de agilidade mental do que qualquer outra coisa. Mas há que preservar as possibilidades do ID, as possibilidades do instinto, de dar vazão ao que nossos sentimentos estão ávidas desse pulsar constante que só termina com a morte.
Já escrevi que, em essência, sou um niilista, e é verdade. Ainda assim, paradoxo, procuro deixar vivas em mim as emoções, falas e sentimentos infantis, porque não as vejo como ruins ou mesmo perniciosas, mas uma relação, na maioria das vezes prazerosa. O olhar de confiança infantil é inenarrável, não pela impossibilidade de... e sim pela visão larga, ampla de que as coisas podem ser possíveis, podem acontecer da melhor maneira... Esse lado, a meu ver, extremamente saudável, não sairá de mim enquanto possível. Nem sempre sou prático e objetivo, nem sempre sou infantil, nem sempre sou ou serei ‘adultil’. O sempre é, antes de tudo uma atitude estreita, menor.
A reboque do livro ‘Complexo de Cinderela’, escreveram o ‘Complexo de Peter Pan’, compêndio de asneiras e ‘ensinamentos de bons modos para homens’. Desses livrinhos que mulheres vazias ficam lendo em rodinhas, rindo e identificando em cada homem que conhecem essa ou aquela ‘infantilidade’.
O choro, por exemplo, é uma ação primária, muito mais freqüente infância, mas socialmente ‘permitido’ (principalmente em mulheres).
Particularmente, tenho mais simpatia pelos homens infantis, que crêem, investem e têm a capacidade de acreditar mais do que os outros. A leitura e percepção de Cervantes, do próprio Peter Pan, são muito úteis às vezes. Na dúvida, pode-se consultar Freud (o maior contador de histórias que já apareceu) porque ele também avaliza. De uma forma ‘adulta’, mas avaliza.




Inexperiente, sou mais assustado com o Velox do o necessário.


4.3.02

Se alguma faxineira não aparecer, em breve me perderei dentro do apartamento. Talvez pensem que eu morri ou fugi pra alguns lugar distante.... Estarei em meio a papéis, bolos de poeira, roupas sujas e outras limpas, mas sem passar...cabos de modem, mouse, Palm, monitor... Ninguém me acha mais.



O prendedor de cabelos ficou, admito, de propósito.



O lençol deve estar caindo por lá. A 'piranha' (isso lá é nome de prendedor de cabelos?) ficou aqui.



O amor é lindo. Quando você liga o ar condicionado para refrescar a amada e, minutos depois, distraído que estava nos beijinhos e afagos, sente que toda a sua bunda está congelada (mesmo! com floquinhos de gelo e tudo o mais!) você pergunta: 'Está mais fresquinho?' Ela diz que 'está sim, está ótimo'. Discretamente levante-se, diminua o ar e vá descongelar o cu no banheiro. Muito sem alarde, para não desfazer o 'momento romântico'...



Sábado realizei um grande sonho. Comprei a obra completa em prosa do Fernando Pessoa. Até hoje, acredite!, eu só possuía a obra em verso. - Agora só falta o sensacional apartamento em Ipanema, o iate, a viagem detalhada por todo o mundo, a Fat Boy, concluir a coleção de canetas Mont Blanc, 14 pares de havaianas, a botinha 36 e um pequeno avião para viagens rápidas. - Os textos de F. Pessoa, a prosa... Tudo é sensacional (eu conhecia de outraos livros. Coletâneas, essas coisas) Pra mim, melhor do que Camões. Nada de puristas gritando. Pra mim é melhor e pronto!



Se mais alguma coisa der pau nessa máquina, conexão ou o que seja, me rasgo todo. Corto as veias todas, retalho tudo e caio, ensangüentado em cima do micro. Lindo!



Inventei ontem o e.mail pessoal. Escrevi um e.mail para M. e não enviei. Peguei a moto, fui até lá disse tudo pessoalmente. Regado a beijinhos. (...e carinhos sem ter fim; que pra acabar com esse negócio de você; dizer assim; não quero mais esse negócio de você longe de mim....)



Pesadelos passam, sim. Até os que acontecem de verdade.


3.3.02

M. não está com dor. M. está com saudade.



Não gosto de ver M. com dor. Aliás, a dor deveria dar apenas em postes e trilhos de trens.



Acho que, de vez em quando, crio sozinho determinados desconfortos. Acho não, tenho certeza. Acho que um dos meus graves defeitos é, definitivamente, não deixar a ‘vida rolar’. A cada dia, cada ação, reflito, tento compreender o que está acontecendo e seus desdobramentos. Com isso, devo criar muitos problemas que, não valorizando, ‘passariam batidos’.
Defeito ou não, benefício ou não, a verdade é que para mim as coisas têm que estar sempre muito claras, muito conceituadas dentro do tempo, espaço e afetividade. Qualquer variação detona uma espécie de alarme interno, que não me deixa mais em paz até que o motivo seja encontrado e ‘resolvido’. Uma espécie de ‘antivírus neurótico’, se me entendem.
Por isso, minhas reações e humor variam. Pode parecer num primeiro momento que é uma crise endógena. Puro engano. Um processo externo encaminha para uma reação (ainda que aparentemente exagerada).



2.3.02

Tem um assunto que pretendo discutir mais na frente: a quantidade de textos bacanas, bem escritos e atraentes disponibilizados em blogs na Internet. Várias vezes me pego lendo, procurando entender essas cabecinhas, essas alminhas por aí ( e aqui), despejando suas opiniões, críticas, visões de mundo... Isso tudo é muito bom, muito atraente, mas reflito sobre que tempo nos restará para ler os textos realmente interessantes, importantes, os fundamentais... Isso é complicado... Depois eu falo.



Eu disse que não falaria mais em política e, principalmente, em violência, mas confesso que não resisto. Leio hoje nas folhas que mais de quarenta homens armados na melhor técnologia de guerra de guerrilhas (metralhadoras ponto trinta montadas em pick ups!), mais de vinte carros, não sei quantas motocicletas fizeram a festa na madrugada passada! Pessoas seqüestradas, feridas, assaltadas, comércio fechado, PM assassinado com tiro na cabeça! O caos instalado!... São os 'bondes', forças tarefas de traficantes que mandam nos morros e, aos poucos na cidade. Não existe poder público, não temos governo, sentido de autoridade. O que nos restou foi esse Garotinho (diminuto até no nome), arremedo, híbrido de brizolista com pastor de Igreja Universal!
Não tem mesmo solução. Uma possibilidade seria cercar as favelas e prender todos, como pequenas penintenciárias dentro da cidade. O pessoal honrado do morro seria encaminhado para conjuntos habitacionais na periferia da cidade. Porque o resto é bandidagem mesmo! Vagabundagem! Assassinos, criminosos da pior espécie!



A agressividade exposta em alguns blogs (principalmente escritos por mulheres) é assustadora! É de apavorar Rambo da melhor cepa!



Vendo perguntas e enquetes em sites de educação, tratando das possibilidades de televisões educativas, como se estivessem fazendo pesquisa séria e alguma coisa parecida com interatividade, remete ao fracasso da educação e dos educadores do Brasil. E fracasso por falta de trabalho, de compreensão e experiência.
Tentar discutir a televisão educativa, se ela pode ser atraente ou chata, é retroceder no mínimo, dez anos (mais, na verdade). Pierre Babim publicou na França em 1983 (traduzido no Brasil em 89), ‘Os Novos Modos de Compreender’, onde discutia a educação e a televisão e dando in´cio a uma enorme série de publicações afins. Anos antes o assunto estava em pauta. Séries completas de programas na televisão já trataram do tema, publicações em grande quantidade e hoje, milhares de páginas na Internet. Algumas pessoas que trabalham com educação insistem em não perceber que o enfoque está absolutamente errado. A discussão em momento nenhum pode passar por uma TV Educativa chata ou não chata e sim por uma educação atraente ou não e por uma televisão atraente ou não.
Até porque falar em educação em meios de comunicação eletrônicos é, a rigor, diferente da educação 'latu sensu', em academia, em sala de aula. Refazer o projeto da sala de aula em televisão ou CD ROM, ou sites da internet, sempre será não apenas chato e maçante como fadado ao absoluto fracasso.
A discussão passa pela forma de educar usando novas tecnologias (e com elas todo o material disponível em multimídia – esses sim atraentes ou não, chatos ou não). Juntar tudo num mesmo ‘parágrafo’ simplista, numa mesma pergunta é fracassar antes mesmo de perguntar, de levantar a questão. Pior, é trazer a questão distorcida, mal direcionada, tendenciosa. Os auto intitulados 'homens de educação', apoiados em 'especialistas’ em educação não podem ainda insistir em dúvidas e ‘palavras de ordem’ de vinte anos atrás sob pena de sugerir uma certa preguiça. Se os técnicos, professores, acadêmicos, etc. não conseguiram compreender nem mesmo em essência suas dúvidas e necessidades, muito menos se utilizarem dos meios atuais a seu dispor, que dizer do professor médio, de ponta, de campo?. Diaga-se aliás que esses meios hoje, são ordinários, cotidianos tal como “cuspe e giz”.



1.3.02

Frasotas

"Os otimistas escrevem mal" - Paul Valéry
...

"Nudista pobre é o que não tem o que despir" - Sofocleto
...

"Se Napoleão tivesse sido tão inteligente como Spinoza, teria escrito quatro volumes numa mansarda" - Anatole France
...

"O mito é o nada que é tudo" - Fernando Pessoa
...

"A leitura das máximas assemelha-se à dos dicionários de medicina que nos fazem descobrir, em nós mesmos, sintomas de todas as doenças que descrevem." - Robert de Montesquiou
...

"Penso que grande parte do prestígio de Marx vem do fato de ser ele de acesso difícil, de modo que o marxismo comporta uma iniciação e ordinariamente só é conhecido através de intercessores. É a missa em latim. Quando a gente não entende, baixa a cabeça." - André Gide





Positivamente a minha casa é um pardieiro. Diria até que um bom pardieiro, mas é. Eu perco os óculos, as canetas, os CDs de instalação, cuecas, papel higiênico, talões de cheques...Chaves? Não encontro nunca! Guardo no oratório as contas a pagar, uma cartela de Lexotan, a chave da moto (e o alarme), uma cueca e uma calcinha. (No futuro, 'salvarei' por lá um pacotinho de Miojo.)



O encontro de motociclistas que acontecerá em Rio das Ostras saiu até no Globo, no caderno viagens... Não sei se isso é bom ou ruim... Sou, genéticamente, intimista.



PDV está estimulando demais o Lugar Nenhum. Se esse menino vira samurai...putz. Digo que vou comprar cigarros e não volto nunca mais!



Olho para meus cinzeiros abarrotados e vejo meus pulmões. Pelamordedeus.



Rachel de Queiroz diz que Josué Montello é tão, mas tão besta que refere-se a si próprio como JosuEU. Ele, quando tinha forças, dizia que ela se auto pronunciava RachEU. Jovens que não voltam mais.



Munição para meus críticos: ontem escrevi 'almossávamos'. Pode? E ainda me acho bacaninha.... Pfui!



"O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar."
C. Drummond de Andrade
(Amar se aprende amando)



Geisel explicou a tortura de maneira acadêmica e, ao mesmo tempo, clara. Não tem como não ter sido compreendida a explicação. O problema é que determinadas pessoas se fecham, se negam a entender uma atitude por, em tese, não concordarem. Confundem compreensão com execução ou aprovação. Prestes explicou a importância do treinamento para a guerra de guerrilha (onde também se aprende a tortura) na União Soviética e eu comprendi perfeitamente. Complexo de culpa dos ouvintes.



Biblioteca de Alexandria sendo restaurada. Grande merda. Papo pra intelectual podre de rico. Com aquela grana dava pra alimentar um monte de gente miserável. Ou exterminá-los de vez, o que dá no mesmo se pensarmos bem.



Lucélia, nossa Embaixadora para a China, debruça-se agora sobre o Timor. Bacana, importante. Daqui a pouco mostra Havana, a Cidade de Deus e o Congo. Legal também. Mas ela não poderia, de vez em quando, mostrar Genebra, Paris ou Roma?




Não sou convencido de tudo o que faço. Sou carneiro gritando 'Mamãe'. Sobrevivência apenas.



Às vezes me qüestiono se não deveria ter a tranqüilidade dos inocentes... Não sei se gostaria. O problema é que não sou, definitivamente, um inocente, ao contrário. Ao mesmo tempo, com freqüência posiciono-me como um. Quem olha não compreende. Como, de resto, nem eu mesmo...



Por que o que o outro julga certo e melhor dever ser mais certo (ou melhor) do que o que eu julgo?



Devereiam inventar um Viagra para a impotência da capacidade de convencimento.



Vendo por outro ângulo, com certeza, politicamente incorreto, o Aedes é um ser divino que liberta os menos favorecidos.



Vou trabalhar num evento onde índios e crianças vão homenagear a terra, a internet e o fogo. Gabeira, claro, participará. Sinceramente gostava mais dele seqüestrando Embaixadores. Para um ex (?) guerrilheiro, homenagear fogo sagrado (ou lá o que isso represente) é meio 'andar de baixo', meio decadente. E eu... EU vou dar cobertura a tudo isso! Se fosse o Robinson, me internava.



PDV:
O filme (cinema) é uma espécie de 'anti-drible' de Deus aplicado ao homem. Permite que o homem sinta-se feliz por ver a imagem em movimento e esquecer que flagrou, que 'parou' o tempo. Mascara o verdadeiro show (demoníaco) do ser humano. Afasta-o da possibilidade de. Não creio que nada seja mais poderoso, mais soberano do que 'isolar' o tempo. Deus usa um subterfúgio chinfrim (o movimento), como portugueses presenteando índios com espelhinhos e afins. Se Ele não fizesse assim, seria semideus. Mas enganou apenas a alguns. Repense e não será um deles.
P.S. O cinema é bárbaro também. Só não pode ser confundido. Filosóficamente.



Por que quem é do contra se intula progressista?



O povo católico está feliz por ter Paulina, a primeira santa brasileira. Se santo é santo, que importa onde nasceu? Tem que pensar com mais cuidado sobre isso, esse bairrismo proleta. Aliás, é bom lembrar que Madre Teresa de Calcutá, negava Novalgina aos que sentiam dores. Alegava que, sentindo dor, os infelizes estavam mais próximos de Deus. Pfui!



Muitas vezes temo, sinto-me extremamente inseguro com o porvir.



O amor não deixa alternativas: ou nos entregamos a ele ou não somos capazes dele.



Acho que João Paulo II foi das grandes figuras do século XX.



O operador de vídeo me diz que a cena está escura porque muitas pessoas trajam roupas pretas. Pergunto a ele como se filma bacanal na África.



Às vezes, muitas vezes me sinto cansado. Quase desistindo. Mas passa. Não é uma decisão. São momentos, apenas.



Os anos em que eleições são realizadas deixam-me estressado. Sou cartesiano. Nem sempre as mudanças são boas.



Hoje em dia só consigo trabalhar com o grupo coeso, inteligente, alegre e perspicaz. É isso ou nada. Não serei jamais um chefete (desprezo-os). Desprezo também os que não percebem que o trabalho é uma relação adulta, civilizada, que envolve cultura e raciocínio. Quem não é assim, não me serve.



Se alguém me faz dormir menos do que de hábito e se domino meus sentimentos e vontades, esse não dormir é bom, me traz felicidade. Se não fosse, não seria. Não parece claro?



Sou um niilista em essência. Pretendo mudar.



Definitivamente não consigo sobreviver sem literatura. Nem filosofia. Sou um homem que pensa, analisa e reflete sobre o mundo, a vida e as pessoas. Não abro mão disso. Mesmo sem a devida formação para.



Expliquei ao A.P. o que penso friamente sobre o suicídio. Deve ser um ato pensado, tranqüilo, maduro e, acima de tudo honesto.Como abraçar sinceramente um amigo. Só.



Tenho medo de morrer de câncer no pulmão, numa enfermaria do Inamps.



Não adianta. Não passo batido por frases, pensamentos e ações. Paro, reflito, sinto e externo. Ponto.



Daqui a pouco o Velox estará instalado. Veremos agora se acaba o drama ou, ao contrário, está começando...



Ontem foi a missa de sétimo dia do meu primo. Não fui. Falta de vontade, falta de tempo e por achar missa uma coisa insuportável (embora, contraditoriamente, goste do show da igreja católica).



Todo mundo deveria ter uma clareza mínima na forma de agir, em compreender que é uma qüestão de equilíbrio. Que não dá pra você querer virar tudo de cabeça pra baixo de uma hora para a outra, da mesmíssima forma que não dar para passar tão sem mexer em nada que mais parece não estar passando. É ou não é. Não dá pra ficar em cima do muro. Ainda que seja com a melhor das intenções. Não dá.



A tentativa arraigada de não comprometimento com as coisas que, de alguma forma, geraria um sentimento de não responsabilidade sobre a vida do outro torna-se mais comprometedora em qualquer tipo de relacionamento. Até o da manicure. Você tem que ligar, perguntar se tem hora, ela tem que se compromoter a te atender, você tem que pagar. O mundo é um comprometimento só. Quando a gente nasce está comprometido com a morte, com o tempo, com os seres à volta e todas essas tramelas. Às vezes fico meio de saco cheio quando se tenta ficar descomprometido, quando se repete à exaustão o 'faz como você achar melhor'. Será que é tão difícil compreender que as coisas não são assim, que isso é uma tentativa natimorta, fracassada por ser simplesmente cogitada? Eu me pergunto quanto tempo mais será necessário para que uma coisa tão banal seja compreendida.
Porque sempre uma coisa puxa a a outra, pra não repetir o papo de 'ação gera reação'. Se você está preocupado em não interferir, em não se comprometer, está me comprometendo a fazer o mesmo. E aí, fica um escorrega daqui e dali que nada anda. Na verdade, quanto mais se demonstra não querer interferir mais se trava o outro (que se sente obrigado a a agir também assim).
A coisa é realmente simples ou enlouqueci de vez e o negócio é assim mesmo, complicadíssimo??? Quantos meses mais?
Caramba, eu chego super tranqüilo, achando que tá tudo resolvido e BUM, lá vem o 'não, muito pelo contrário', 'não altere o que faz sempre'.... Como não alterar? Como é possível conviver sem alterar?! Bom, eu não sei fazer isso. Só me trava, mais nada.