Observações e paranóias

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone.





Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.


Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.


Sempre teremos Paris....


31.1.02

Concordo: AP está prisioneiro da arqueria. Mas o caminho está livre, rapá!
Adiante!



Na íntegra, o poema de Victor Hugo que M., num gesto de amor explícito me encaminhou:

"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual a insosso e o riso constante e insano.
Com o máximo de urgência,
Desejo que você descubra,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos.
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente a diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".



Lista de compras (continuação)
Coca Cola
Pilhas
Preservativos (Argh!)
Passagem para São Paulo (calma, brincadeira!)
Tranquilizantes
Uma garrafa de Absinto para abjugar (talvez)
Uma mochila (pra dividir)



A gente reclama, reclama, mas é triste ver a caixa de e-mail vazia.



O Brasil é um país grande demais, populoso demais, incauto demais, analfabeto e ignaro demais, quente demais, miscigenado demais, fraco demais, comunista demais.
De onde tiramos então, esse espanto demasiado?



O homem nem sempre quer ser macho, nessa acepção xangai da palavra.
Pelo menos eu não quero.



Claúdia, mulher de VP, conta num fim de tarde, ao lado das motocicletas, que está relendo os clássicos. A humanidade deveria fazê-lo. Ainda que fosse a primeira vez.
Tudo seria mais fácil.



Nas relações de trabalho, para meu desapontamento, muitas pessoas (a imensa maioria) ainda estão presas à forma do exercício de poder e cobrança. Parece que a vã tecnologia claudica diante da insensatez dos homens, ainda que jovens.
Qüestão de dialética?



Relendo o material sobre um milhão de folhas escritas e trancadas numa caixa com as faces internas espelhadas, penso no conceito de liberdade, de controle sobre "seu espaço' (para M.)
Penso também que quero avançar e não consigo. Sentimento antigo, bem verdade.
Avançar é preciso, certeza de hoje.



Não é por nada não, mas a capa da VEJA de 9 de janeiro foi uma foto de Cássia Eller com a legenda (em letras garrafais): "DROGAS - Mais um vítima".
Comprovando-se o erro, fará a revista outra capa, na mesma proporção, dizendo:
"VEJA ERROU! Informou sem investigar!" ???



"O ceticismo, a incerteza, última posição a que chega a razão exercendo sua análise sobre si mesma, sobre a sua própria validade, é o fundamento sobre o qual o desespero do sentimento vital fundará sua esperança" Miguel de Unamuno.
Melhor pensar sobre isso. Sem preguiça.



VP está escrevendo uma história impressionante. Não tive coragem de opinar. Aguardo os originais.
Te cuida, Umberto Eco!



Daniel Azulay (Algodão doce pra vocês! Lembram?) vê discos voadores!
Milton Cunha, psicólogo e dublé de carnavalesco (com talento), diz que, encontrando algum gritará: "Estou aqui! Estou aqui! Me levem!'
Ah, meu Deus...



Caramba!!!
Cinqüenta anos pra perceber que o silêncio não é dos inocentes!



Pergunto a mim mesmo sobre a possibilidade.
Gosto de saber, não pela possibilidade do ganho ou da vantagem e sim por uma espécie de necessidade de relaxamento.
A possibilidade, já disse infinitas vezes, está em tudo, todo o tempo, em todas as coisas. Ainda assim, cartesiano que sou, incomodo-me com viver eternamente baseado na possibilidade de.
Não se aflija, companheiro, tenho consciência do que digo. Bem sei que o mundo sólido, definitivo, sem possibilidades é o próprio inferno e, embora nada contra Satanás, não é desse mundo que falo.
Penso na vida como coisa simples, inexplicável, mas simples, boa e gostosa de viver. Sem mesmo preocupar-me em torná-la boa. Ela é boa. Creio que vá ser condenado por isso (mas, como disse, algumas pessoas nascem e morrem culpadas e condenadas), mas acredito num mundo suave, pleno de sentimentos, relações fortes e paz interior em relação à única coisa possível: o cúmplice.
O resto do mundo com suas arapucas, armadilhas e ameaças constantes me mantém tenso, rijo, empanicado e adrenalinado.
Mas, por dentro, na alma... Há que ter um porto seguro.
Eu acho.




Gosto desta frase (de Pascal):
"O coração tem razões que a própria razão desconhece".



Todo mundo tem o direito de cantar ( e dizer ):
"Quem sabe ainda sou uma garotinha?"
Inclusive eu.



Deve ser insegurança.
Pueril
Mas não sei lidar bem com as coisas fluídas, que se dissolvem no ar.




Levanto antes do nascer do sol.
Penso em tudo e constato que o silêncio não é dos inocentes


30.1.02

É preciso compreender a questão do espaço, do tempo.
Pode acabar remetendo para a Física, mas estamos no campo da Filosofia.
Vã filosofia...
Tenho um espaço de atuação, uma folha em branco que, com o tempo vai se amarelando, criando bolor.
Trafego nesse espaço de lá pra cá, daqui pra lá.
Sei que visto de fora, é apenas uma folha, solta no espaço. No infinito.
Não penso para não enlouquecer. Já me basta traçar os caminhos e me desviar das armadilhas contidas nessa folha.
É um mapa ou uma bula (papal, muito provavelmente)
Aqui tenho as experiências verdadeiras e as falsas. Tenho a literatura e as artes plásticas.
A religião e o trabalho. O sexo e o amor.
Agora, meu caro, coloque essa folha no fundo de uma caixa.
Calma.
Imagine agora que essa caixa tenha espelhos em suas faces internas. Considerando a tampa, são cinco espelhos refletindo a folha.
A folha, como se deve imaginar não é única. Quem tem uma folha, tem um milhão de folhas, pois a vida, companheiro, não cabe numa folha só.
Escrevo, portanto o caminho de uma vida (das atuais sete bilhões na Terra, sem contar as passadas e futuras – e não me falem das almas indo e vindo!) em míseros um milhão de páginas.
Penso em relaxar, apesar do cosmos lá fora quando a folha, já hiper-calhamaço entra na caixa de espelhos.
Uma história só pode ser contada por uma pessoa, se se pretende unidade e autoria. Para dar prosseguimento, ou mesmo para entender, tenho de ler esse ‘um milhão de folhas’ na ordem escrita (1, 2, 3...), começando sempre do lado superior esquerdo para a direita.
Seria árdua tarefa por considerá-la um (ou milhão de folhas) objeto apenas solto no espaço. Mas não. A caixa está no espaço e, ao tentar ler, prismas e mais prismas encadeiam visões diferentes, às vezes distorcidas, às vezes repetidas ao infinito e, portanto, não digo ilegíveis, mas pelo menos ininteligíveis.Letras, frases e textos, observados dos ângulos dos espelhos tornam letras maiores, outras menores, frases lidas pela metade. Conceitos fragmentados. Idéias partidas. Essa caixa termina por encerrar o meu universo confuso e diante dele, o universo exterior parece harmônico. Mas não é. Folhas manuscritas em caixas com faces internas espelhadas reduzem o homem estado de átomo puro, sem liga. Porque a não compreensão do texto, dizima a vida. Esta é frágil vista do cosmos. Não vista, presa na caixa e ao mesmo tempo auto-refletida tira a referência da existência. Tento concluir que um milhão de páginas, contendo parte de uma vida, ficam estilhaçadas apenas pela forração de espelhos internos numa caixa. Penso em separar palavra por palavra das folhas em questão. Independentes, frente aos cinco espelhos, talvez possuam mais sentido. Mas seria normal abandonar, jogar fora toda a produção da vida ( e aí vão sangue, tinta, pixels, pus e lágrimas...)?
Continua




Paradoxo, mas verdadeiro. A Internet, globalizante, estimula a troca de correspondências tanto comerciais como, principalmente, amorosas. A quantidade de romances e tramas que acontecem por e.mail dariam inveja a Choderlos de Laclos que, vivo hoje, teria uma produção maior que a de Stephan King.



Definitivamente o Carnaval de 'festa do povo' não tem nada. É chato. Pífio. Obrigatório.
Travestem carnavalescos de historiadores e dá no que dá.
Temos ainda o desfile de silicone na passarela e nos camarotes.
Não tem nada de cultural. Balela.
O povo pensa que participa e brinca, mas, na verdade só bebe cachaça. Argh!
A parada de 7 de setembro é mais criativa, por simples e honesta.




Ler e.mail



Atenção. Essa história de violência urbana vai acabar mal.
Como eu, ninguém quer mais ter tanto medo.
É impossível suportar. Panela de pressão.
Atenção



Sou franco, não óbvio. Não quero que 'me advinhem' e sim me percebam. Como eu procuro fazer com o outro. Simples.



Eu quero 'passar' tudo. Se não, de que adiantaria?



Volto á insônia, velha companheira, aquela que não aplaca nem como James Joyce nem com passeios em baixa velocidade pela orla.
É necessário, com tranqüilidade, explicar as coisas mais difíceis. Não que o outro não veja ou coisa assim. O problema é que as questões, determinadas questões são muito mais complicadas do que parecem. Dizer tudo o tempo todo é muito bom, mas muito menos simples do que, num primeiro olhar, parece.
Acho que determinadas ações na vida da gente, por serem de nossa vontade, por gerarem prazeres, implicam em pequenas... Não digo mudanças, mas pequenas acomodações daquilo que é usual, ordinário.
A percepção fina, clara é mais difícil do que o próprio acasalamento. A independência e liberdade têm um preço que é justamente esse, o da compreensão tácita, no gesto, no olhar, na respiração.
Existe um jogo perigoso, do qual não participo, que é justamente esse ‘desistir’ em circunstâncias que podem parecer estressantes.
Os caminhos que percorremos, de amor e pixels agregam, por si sós, novidades na forma de relacionamento, coisas a que não estamos acostumados a lidar.
Existe um mundo inteiro de coisas e atividades como ir ao super mercado, à livraria, ao cinema, teatro, restaurante, assistir televisão ou ler um bom livro que se encerram. Experiências vívidas e completamente distantes da internet. E aí não estamos tratando de rotular ou colocar ‘plaquinhas’.
Não creio, por exemplo, que casais, deixem de falar ou mesmo conhecer novos amigos via web. Até porquê aí sim vira ‘ditadura do casamento’: espera-se um dormir pra conectar. Não. O homem e a mulher que coabitam freqüentam tudo que a web proporciona. Inclusive salas e outros grupos de discussão.
Falando exclusivamente de mim, entretanto, realmente não me sinto só, nem inseguro, nem compromissado com nada nem ninguém o bastante para ter de estar conectado, falando com meus amigos ou conhecidos todo o tempo, todos os dias. Leio um livro, uma revista, escrevo meus textos, leio e.mails e também entro em salas ou no ICQ quando melhor me aprouver.
Para mim, entrar num lugar onde existe um grupo, ainda que de amigos, dispersa minha atenção e meu tempo. Isso é bom em determinados momentos. Mas tenho outros momentos, meus, meus e da pessoa de quem sou ou apenas dela ou apenas meus.
Porque, repito e repetirei infinitamente, a internet ainda gera um tipo de comunicação fragmentada, falha, principalmente para ou entre determinadas pessoas. Tira a sensibilidade mais fina. Temos que repetir mensagens, temos que ler e digitar rápido porque outros ali estão, falando e aguardando respostas. É como dirigir, conversar com o carona do lado e o de trás e falar ao celular ao mesmo tempo. Nesse aspecto, estou sempre repisando que a internet ainda é um meio claudicante, burro, incompetente. Tira muito da percepção e sem percepção não há tranqüilidade nem compreensão.
Esse texto não é claro para mim, como não deve ser de forma geral, justamente porque fala da não comunicação, da não percepção, da linguagem falha, volátil, do carinho que passa batido na tela, que corre e sobe. Envolve outras pessoas, evidentemente, mas, naquele momento, as pessoas estão voltadas e propostas a apenas esse tipo de atividade. Acaba entrando psicologia e sociologia pra falar de uma coisa tão simples, tão natural ao homem. Evidentemente não quero mudar ninguém, tirar a liberdade de.
A palavra 'atávica' é frágil. Tenho parcimônia com ela. Como liberdade. O Cristo cumprimentado encerra uma espécie de... diáspora às avessas...
Pode não estar claro, mas é uma observação e, como tal, está colocada. Pode ser um começo. Ou não.
Não estou preocupado apenas em me sentir vivo. Viver é bom, mas, em geral, é pouco. Porque, nesse caso, quando estamos livres e vivos, paramos. Imagino que sempre é necessário mais



29.1.02

Não saber por onde começar, talvez, seja a tarefa mais árdua. Mas, vamos lá, que a vida (a boa!) é feita de pessoas, momentos de felicidade, alguma solidão, liberdade (ainda que condicionada às circunstâncias), responsabilidades e certa dose diária de árduas tarefas (envolvendo pessoas, felicidade, solidão, liberdade e responsabilidades). Não posso carregar essa mochila toda sozinha. Ah, não. Terá de dividir (no imperativo), ou não (no booleano).
Não quero que nada passe. Sou trintona, quase quarentona, sem tempo. "Você quer muito", já me disseram, com todas as letras. Não sou compreendida, em geral. Mas é difícil generalizar. Que vá (mesmo porque quem disse, merece ser generalizado). Nunca estive de brincadeiras. Fui palhaça, sim, mas nunca brinquei. Adoro rir. Gargalhar, em especial, quando acordo.
Sempre fui só, por maior que fosse a multidão à minha volta. Misturo, não por gosto. É quase atávico, como trafegar por todas as vias que me são abertas. Eu preciso, me faz viva.
Não quero parecer nada, não quero "passar" nada. Quero me sentir viva, acho que estou.
Amanhã é dia de dar bom da ao Cristo.



Retorno para que as coisas não me passem. É bom lembrar que sou um quarentão, breve um cinqüentão... Não quero muitas coisas, possivelmente quero todas. Isso é preciso ficar compreendido. Por todos, principalmente por mim mesmo. Disse outro dia que não estou mais de brincadeiras e é verdade. Gosto de rir e sorrir. Gosto de sorrisos e beijos. Gosto de liberdade (a que nos é permitida à cada santo dia). Estou, na verdade, sozinho, como de resto todos nós. Mas há que prestar atenção para que as coisas não se misturem. Digo que o ‘trafegar por várias vias ao mesmo tempo’ pode confundir as coisas e , creio, deveria-se pensar mais sobre o que tento passar.
Reclamar não é legal. Para isso é necessária a atenção ao que é dito, ao que é falado, expressado... Não falo aos burros, me afasto deles para não ter que repisar as coisas. Sei como e quem entende, Falo para esses. Não tenho certeza se o meu ideal é ir a uma festinha ou a um encontro diariamente. Talvez seja. Talvez não.
Penso que a vida também é composta de outras coisas.
Penso ainda que devemos ser livres o bastante para não ter que falar com todos, sempre.
Enfim, posso, com toda a certeza, estar errado. Se estiver, juro que volto atrás. Enquanto isso, ouço música, leio ou olho para o teto.




Melhor parar por hoje.



É importante ficar atento a como a internet pode gerar, em determinadas circunstâncias uma comunicação fragmentada, fragmentária. Em situações específicas pode afetar a intimidade. Eu acho de verdade. Creio ser bobagem não pensar sobre isso, não entender...



Ela está demorando. Sinto sua falta.
Tenho a alento de saber que acompanhou, minuto a minuto, o que pensei durante todo o dia.



O blog escrito só por mulheres ou só por homens pode acabar tendencioso.
E qual o problema em um blog ser tendencioso???
Preconceitos, rapá!



Quero M. sorrindo. Sempre!



Existe uma enorme produção literária nos blogs. Muita coisa ruim, muita coisa boa. Quem vai selecionar? Quem lê? É descartável? É para ser descartável? Existe um auto-editor, semideus lendo e avaliando? Por que e para quem? Pra onde vão os neurônios transfigurados em pixels?



Enquanto não comprar meu DVD, não sossego.



Disse que paulistano é provinciano. E acho mesmo. De qualquer forma, espero ter sido compreendido. No contexto a que me referia.
.....
O blog está mudando todo o conceito de comunicação na Internet. Existe mais de um motivo. As pessoas escrevem melhor porque escrevem mais. Falam a verdade e não se sentem pressionadas. De qualquer forma, ainda não compreendi todas as razões. É melhor estudar mais.
....
Não conheço nenhum país onde faça muito calor que tenha dado certo como nação.
....
Converso com VP. Sabemos que chegamos ao um ponto de saturação em matéria de baderna, desordem, criminalidade. Insuportável. Ninguém se manifesta. Nossos intelectuais procuram as ‘causas’. Penso em napalm. O crucificado serei eu, é claro. Aliás, nós nascemos e morreremos culpados.





O condomínio onde moro é um hospício: uma vizinha fala ao telefone do Falabella, do Caetano, da Fernanda Montenegro, como se fossem íntimos. Tudo mentira! Louca ou tipo para vizinhos incautos?
Outra vizinha grita deseperadamente, dia e noite, com a mãe. Dizem que é esquizofrênica. Compreendo. Mas não sou haloperidol!



Nova contradição de minha parte:
"Não pára o mundo. Não quero descer!"



Nova tentativa:
CLASSIFICADOS:
Procura-se desesperadamente vaga para motocicleta no bairro do Flamengo.
Disque M. para tratar




Ao contrário do que pensava, o carnaval vai ser meio tristonho.



Lista de compras:
Sandálias havaianas 36
Busca no Boticário
Mais um travesseiro de espuma de borracha
Coca Cola
Cerveja
Disco do Chico
(continua)



O sonho do meu filho é conhecer o piscinão de Ramos. Um amigo me fala, com graça, de um plano mirabolante: num acordo com nossa pátria irmã, dar uma descarga no piscinão e ... digamos, o ‘conteúdo’, jorrar na Praça de Mayo, em cima daquelas mães oportunistas! Mais espaço por aqui, mais mão de obra barata por lá.
P.S. Aos puristas: Não foi idéia minha. De verdade!




Não posso afirmar a veracidade de tudo o que digo a seguir, pois era madrugada e, às vezes, a vigília e o sonho se confundem (ou fundem, o que é mais assustador).
Sobretudo de Lona retirado do armário (ele não suportaria mesmo ficar lá), parto para mais uma volta na motocicleta preta. O ronco do motor parece-me mais forte hoje do que no dia que troquei a ponteira. Parto célere, como sempre. O centro da cidade me interessa mais do que a zona sul. Existem prostitutas muito mais atraentes. Não que despertem algum tesão, absolutamente, mas têm um quê de alegoria, do tipo que encanta muito mais. São velhas e quando não, parecem. Usam maquiagem com despropósito. Descartam o papo retardo das meias-palavras (até porque não as tem). Aliás, eu as trocaria pelas esculturas na Lagoa! Seria muito mais interessante (além da geração de emprego!)
Os bandidos também são melhores, mais malandros. Paro numa esquina da praça Mauá e um deles se aproxima não para oferecer drogas caretas, mas para contar seus planos (utópicos, como de resto, o mundo) de assaltar um banco ou seqüestrar alguém. Acho muito mais bacana. Digo a ele que prefiro o assalto a banco (acharia melhor ainda se fosse a um trem pagador), mas parece que esses não existem mais. Desço então, em direção a Candelária e dou uma olhada na faculdade de M. Está fechada, claro. Um pequeno delírio faz com veja, entre brumas, M. saindo da faculdade, curiosamente vestida de normalista e segurando um fichário à frente, contra os seios. Volto ao normal e prossigo. Gosto de andar de motocicleta no Aterro do Flamengo. Minha moto também gosta (cada dia tenho mais certeza de que ela tem vontade própria, ela me leva aos lugares e provoca minha cabeça!!!) Apesar da chuva inconstante e fina, abro completamente o sobretudo de lona e o deixo esvoaçar atrás de mim. Não faz o barulho romântico da capa de seda do Zorro, muito menos do Batman. São pequenas pancadas, como o de um barco velho e pobre ou da lona de um caminhão que se desprendeu e bate, como a avisar ao caminhoneiro. Tanto faz. Paro na casa de M. e subo. Tomamos uma cerveja (eu, Coca Cola na veia). Falamos da vida, das inseguranças, dos medos que cada um carrega. Temos problemas parecidos. Visões sobre eles não tanto. Nossa conversa fica amarga. Tenho a impressão que, para não divergir demais, calamos. Talvez seja prudente por hora, penso, mas não continuará assim. Nada deixará de ser conversado exaustivamente. Compreendo que o mundo do passado, como alma penada, cerceie a vida de hoje. Aceito mesmo (quem não seria um pouco assim?). Mas é preciso falar mais para resgatar algumas coisas, guardadas bem lá dentro. Percebo, entretanto, que não é o momento. Estamos exaustos. Carregamos o cansaço do mundo! Olho para as paredes e vejo caracteres verdes escorrendo, conjugações de códigos binários. Penso, claro, em Matrix. Não é nada disso. Não faço parte de um programa! Ou faço? A quarta dimensão era mais fácil de lidar, seriadinho de TV. Esse mundo que se apresenta pra mim é mais difícil. Falo em transitar entre um mundo (com pessoas e coisas) virtual e um (dito) verdadeiro. Parece que não sou bem compreendido. Nem poderia ser, já que nem eu entendi direito o que pensei e disse sobre isso... Beijo. Vou embora. A noite me aguarda. Mas não tem mais graça, agora. Melhor voltar para o casulo e continuar a falar... Ícones, pixels... Caramba!
De qualquer maneira também preciso dormir e aí começa a confusão. Não sei se lá ou cá, mas existe alguma coisa que se embaralha rapidamente, não me dá tempo de desfazer. Não gosto de perder o controle dos sonhos. O problema é que não sei quando são sonhos ou não.




Dia desses, para bater no Lula, falei na Constituição. Como sempre, mudei de idéia. Pouco importa o que escreveram (na Constituição) em meu nome. Rasguem! Não tolero mais a impunidade da violência. Desejo a tolerância zero! Não importam apenas os indicadores sociais. Quero ir e vir com tranquilidade. Se a polícia é incapaz, chamem o Exército. Se este for incapaz, permitam que ande com minha metralhadora!


28.1.02

Hoje terei insônia com certeza: Samuel conseguirá o dinheiro da gasolina para levar o Tadeu a Itaipava?
Deve gastar quase meio tanque do Mercedes!
Estou sendo avarento em não oferecer uma ajuda?!
Haja Dormonid !




Me perdoe o artista criador das esculturas colocadas na Lagoa. Achei uma merda.
Com certeza a deficiência é minha, mas lembram os 'Seres Abissais', saindo do lago. Naquela época, eu tinha o National Kid, entende?




Como na música, mas de verdade, teu tênis tá pisando no meu.



Seiquevocêestámevendoeissoébomatéporquedápratemandarorecadoqueestoumorrendodesaudades!



M. dá bom dia ao Cristo sim! De uma outra forma, mas dá.



Acho que hoje compreendo Cervantes mais do que há um tempo atrás.



O Zippo vai bem. Era pedra meisssmo!



O Diretor de Cinema que eu, embriagado de Coca Cola, não lembrava é o Nélson Pererira dos Santos



Aviso aos navegantes:
Não morri. Ao contrário.
É uma longa história, que, preparado, eu conto.
Enfim, o Sobretudo está sendo menos usado, tá mais no armário!


25.1.02

Baixa velocidade
Muita chuva, raios e trovões
Fone no ouvido para não ouvir os trovões
A antena da motocicleta é meu (nosso) pára-raio



Aliás, embotado que estou (ou sou?)
Hoje só faço reproduzir....



Ana Cristina Cesar copiou trechos da canção que fala ao coração e eu reproduzo:

“Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, embaixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz, e um homem só conquista,
Minha mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total! Todo o prazer provém
Do corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita,
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la.
Eu sou um que sabe”
Péricles Cavalcanti

Tem a ver com tudo.




Não dá pra avançar e recuar.
Recuar e avançar
Fico calado. Falo muito pouco. Tenho medo (de mim)
Enfio a cara num livro... (Onde enfiei minha Ana Cristina Cesar?)
Ou pego a estrada e acelero pra valer !
Melhor não considerar



No secundário, tive um professor de Letras inesquecível.
Era um homem meio calvo.
Sua calça jeans tinha um remendo enorme e vermelho de um coração na bunda.
Fora dos padrões, claro, foi demitido.
Mostrou a mim e ao resto da turma
Fernando Pessoa (que professor algum, antes nem depois citou)
E nós passamos a cultuar (acho mesmo que amar!)

“Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
Fernando Pessoa, 1928






Dia de sol não altera muito as coisas por dentro.
Tem o prazer de ir e voltar de motocicleta.
De tomar Coca Cola e fumar Camel.
Mas é um dia quieto. Eu quieto, bem se sabe e já se falou.
Publico, então, uma coisa bacaninha:

“Ou se tem chuva e não se tem sol
Ou se tem sol e não se chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
Ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
Estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
Ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
E vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
Se saio correndo ou se fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
Qual é melhor: se isto ou aquilo.”
Cecília Meileres




Estabeleça conexão DVI / Telemar e tome três comprimidos de Lexotan 6.



Menina, venha sempre do Cervantes para mim.



Estranha sensação saber da morte de Bourdieu. Eu discordava muito dele, mas era meu mestre.



Cássia Eller não morreu de overdose. E agora?
Laudo falso? Atendimento médico Xangai? Grana rolando?
Que tal ouvir os CDs e pronto? Muito melhor.


24.1.02

Em determinados momentos prefiro não dizer nada.



Verdadeiro amigo?
Existem amigos possíveis e amigos verdadeiros.
Não confundir é preciso.



Complacente é hímem. (Eis um pensamento do mais baixo nível)



Cansado. Olhos ardendo.
Gosto ruim na boca, de quem dorme pouco, quase nada.
Insônia, minha antiga conhecida.
Penso muito em tudo o que acontece, no que ouço e, principalmente no que digo.
Bem me conheço, sei da cabeça dura, do niilismo recorrente (ainda que não totalmente absorvido)
Não quero, entretanto, causar problemas. Menos ainda gerar a discórdia.
Estava relendo o texto sobre a liberdade e cheguei mesmo a pensar em fazer algumas alterações, corrigir determinados pontos. Mudo de idéia. Deixo como está.
Saio de motocicleta bem cedo. Corro pelo Aterro do Flamengo e, próximo ao Santos Dumont, retorno para a zona sul. Na praia de Copacabana o trânsito está confuso, irritante. Procuro pensar, sem êxito enquanto piloto.
Penso que sou irascível e prepotente. Possivelmente. Martelar idéias, falar e não arredar, não estar completamente aberto à mudança. Por outro lado, reconheço também que a coisa não é bem assim. Se percebo que o outro segue uma linha de pensamento falha, que claudica aqui e ali que, como tábua de salvação, aceita coisas da vida que não precisava aceitar, prisioneiro de minha liberdade de opinar e me rebelar, ataco. Que seja bem entendido aí o que grafo por ‘ataque’. Digo. Acho. Repito. Insisto. Mas não muito. O que às vezes parece uma certa irritação ou mesmo chateação no diálogo é, na verdade, uma espécie de capitulação, de tristeza ao perceber que coisas (para mim) translúcidas não encontram eco na cabeça e no coração do outro. E aí me repreendo por estar tentando, insistindo em idéias e ideais que são meus, de mais ninguém. Sei que o outro não têm que concordar, entender ou aceitar.
Não se iluda companheiro: o simples fato de não verbalizar com freqüência, não faz de mim um complacente. Sou uma pessoa com idéias (não pré-concebidas como pode parecer numa análise superficial). Algumas razoavelmente amadurecidas. O ser humano carrega um quê de podre, de sujo, de covarde, de insano que me incomoda e, com esses, não quero aprender nada. O que possuem não me acrescenta. Eu os ignoro. Não fazem parte da corte, dos leitos. Estão fora. Não sou razoável o bastante para achar que ‘em cada pessoa existe necessariamente, um pouco de bom, de belo, de doce.’.
A banda podre merece de mim apenas o afastamento, o desprezo, o desconhecimento. Meu mundo é o dos legais, bacanas, dos fortes, dos sobreviventes, dos implacáveis (consigo mesmos, principalmente). Deixo de criticar o resto não por benevolência, mas por ignorá-los. Essa é a dura verdade.
Uma leitura apressada de mim pode levar a conclusões bastante distantes da verdade. Eu mudo de opinião (e como!). Revejo posições e atitudes, peço perdão.
Mas, livre que sou, saibam, é preciso ser de fato convencido disso ou daquilo. Eu mudo, mas quero saber porquê. Quero que a vida e as pessoas me provem que estou errado. Caso contrário, não ataco os desafetos (até porque, para mim não existem), apenas me afasto, deixo que sigam seus caminhos enquanto cuido do meu. Repito até morrer que acredito de verdade na raça humana. Acredito nos homens e nas mulheres. Muito. Se não acreditasse, se os temesse, livre que sou, daria cabo da vida (por atitude, por ser livre e não por covardia, como pensariam alguns de raciocínio estreito). A consagração de tudo é justamente encontrar pessoas de verdade. Fico triste apenas quando percebo a minha impossibilidade de explicar. Quando minha explicação cheira a determinação, a imposição. Sei que não posso nem quero impor nada. Falo, falo e falo. O que eu faço é abrir o coração e mostrar tudo. O que me resta, é esperar ser percebido por quem acredito. Só.




A noite quente, a estafa mental e física, a química relaxante e a discussão que, sempre, traz a luz e as novas idéias, eventualmente pode deixar um certo gosto amargo. O rei da Dinamarca passou por isso um dia e sua frase lúcida imortalizou-se.
A liberdade é a possibilidade mais cara. E, paradoxalmente, jamais pode ser chamada liberdade. A liberdade absoluta, convenhamos, é a contradição da existência. À cada dia, cada conquista, cada etapa supostamente avançada, traz em si a busca pelo novo, pelo melhor, pelo mais completo. A completude encerra o aprisionamento. Para fugir dele, temos então, que partir em busca de.
O homem livre é contraditório e por isso, prisioneiro de uma idéia, além de sua própria contradição. Uma ampulheta, um conceito que se extingue em si mesmo, a cada passo. Se conquisto a maior idade, perco a liberdade da infância. Se me caso com uma mulher, torno-me prisioneiro do‘casamento’. Se me divorcio, estou livre daquela etapa, mas, para fugir da solidão, fico preso à busca de novas formas de ‘vida’. E mais: sou agora um prisioneiro da solidão, não posso casar novamente, pois seria retroceder, sucumbir a uma experiência já, comprovadamente, frustrada. Se velejo, ganho o mar e perco o porto; se vôo, ganho o ar e perco o solo firme; se fico com quem desejo à cada momento, perco a tranqüilidade da companheira fiel; se digo o que penso de cada um, sou excluído do grupo e prisioneiro dos ‘malditos’.
E assim o tempo passa. Corro sempre, cada vez mais livre, deixando para trás todas as ‘impossibilidades’ que, voltando, me prenderiam. No cassino, ganhando sem parar, continuo jogando, caso contrário seria prisioneiro dos meus bens. Velho então, livro-me definitivamente da corrida, da busca e manutenção da liberdade, das riquezas, do sexo, do culto ao corpo. Liberdade, penso então, é uma elegia, um verso triste. Agora, não preciso mais dela. As plásticas que fiz para, por liberdade, fugir às rugas, não se sustentam mais. Os amores que, por liberdade, tive fortuitos, foram-se (livres que também eram). Fiz de tudo, enfim. Tive juventude, casamentos, separações, dinheiro, amantes, pobreza, aventuras, discussões, insubordinações, heresias, blasfêmias, viagens, meia idade, infância e agora, a velhice. Mas ainda não parei. Posso morrer ou, livre sempre, procurar reviver tudo. Bem verdade que da morte não me livrarei, mas ainda assim terei a liberdade de não dar explicações, posto que estarei morto.
Em minha poltrona de veludo verde, olho, com dificuldade, o campo através da janela. Tenho a liberdade de estar só, de não ser subordinado a ninguém, a nada. Possuo o bem maior que é ter sempre impedido a quem quer que fosse, tolher minha liberdade. Não tenho e nunca tive que dar satisfações a ninguém.
Continuo livre para não ter certezas.
Conquistei algo que poucos alcançam: estar hoje aqui, absolutamente, definitivamente, conclusivamente livre!




23.1.02

Fumo e tomo muita Coca Cola.
M. acorda e dá bom dia a mim. O Redentor compreende.
Ela chegou!



Fumo e bebo cerveja. Muito. Muita. Olho o céu, mas não dou mais bom dia ao Cristo. Cheguei.



Fuma e toma cerveja.
Olha o céu. Noite clara.
Redentor atento. Eu também fumo e tomo minha santa Coca Cola.
Diz que não julga os outros.
Penso, então, como sou mau feito um pica-pau:
Eu julgo sim. E condeno invariavelmente. Mas não tem nada não. Sei que vou arder nas chamas do profano inferno.
Deixa rolar.



Plagiando M.
'Contando os minutos... Mas ainda faltam horas.'



A palavra efemérides não lembra hemorróidas ou frieira?



Deixo a motocicleta, o sobretudo e o par de luvas em casa (maldita hora!)
Entrei num táxi fedido e desconjuntado. Cheirava a pum velho.
O motorista, falava alto e mal de tudo. Sua aparência era sebenda e sua aura, nefasta.
Dizia mal dos empresários, dos automóveis, das pessoas.
Um avarento, sofrido e ruim.
Putz! que mal estar.... Rádio alto, naqueles programas rastaqüeras. Ar condicionado defeituoso.
Homenzinho insuportável, nojento e desprezível.
A inveja e o ódio vão destruí-lo; de dentro para fora.
Não me importam os motivos, as justificativas. Desprezei-o com todas as minhas forças.
Não sou condescendente com a ignara (meiiismo!)
Baldes de Rhodox neles todos!



O beta ( que não é programa novo ou em experiência) e sim um simples peixinho (dizem) bravo, anda reclamando comigo.
Diz ele que a freqüência em sua alimentação anda claudicante.
Preciso descobrir urgentemente, com exatidão, o ponto eqüidistante entre o bairro Peixoto e o Flamengo.



CLASSIFICADOS:
Procura-se desesperadamente vaga para motocicleta no bairro do Flamengo.
Disque M. para tratar



"Passante quase enamorado,
nem livre nem prisioneiro
constantemente arrebatado
- fiel? saudoso? amante? alheio? -
a escutar o chamado,
o apelo do mundo inteiro,
nos contrastes de cada lado...
Chega?"
Cecília Meireles, 1952, Índia



Por conta do assassinato de um prefeito petista, Lula propõe a FHC "a centralização das ações de segurança numa mesma secretaria nacional".
Um só poder? Federal?
E a Constituição?
Stálin não faria melhor.



Não se assuste, desavisado leitor.
O mundo não é de uma só pessoa.
O solitário Sobretudo de Lona traz em si (como, de resto, todos os personagens) a possibilidade da mudança, da reviravolta, da emoção do folhetim.
O autor percebe que M. não pode continuar na terceira pessoa.
Repito: não se altere, nem estranhe. Entregue-se ao prazer da leitura (se, de fato, prazerosa for) sem receio, preconceito ou pressa. A meu pedido, por não querer continuar sozinho, M. faz parte deste espaço. Parte de mim. E, forte que é, tem vida própria.
Viva, escreve junto, a meu lado.





‘A idade da loba’. Há um quê de tristeza embutido no termo. Parece-me uma alegoria.
Já vi (e li) algumas mulheres falarem aparentando algum orgulho. Pra mim, soa falso: uma espécie de Prozac genérico. Prefiro os de marca.





Se eu fosse Victor Hugo, saberia dizer (com beleza) aos homens (sérios) que quarenta, cinqüenta anos não é idade para assustar. Muito menos desesperar. Ao contrário. Ao lado da tristeza ocasional, do descontentamento existencial ou dúvida ancestral, segue o mundo dos ‘possíveis’(de Sartre). Parece-me que não têm a devida atenção para com a palavra “possibilidade”.
Possibilidade, senhor, é como o ar que respiramos. Existe.
Por existir estamos vivos. Correr, então, por quê? Onde foi buscar o tolo conceito de “caçar”? Onde aprendeu que é caçador?
Senhor, não se engane mais. Tenha a coragem, a virtude ou, se prefere, seja macho de verdade: dê oportunidade à vida. Não duvide. Permita que ela desvende a si tudo o que nela se encerra.
A caça, senhor, ‘escolhida’ à distância, frustrante pois, jamais servirá à ambição de um nobre.
Ser nobre, permita-me por fim, senhor, é sentir o peito frágil, é entregar-se à mulher verdadeira, àquela que somente a vida tem o poder de oferecer. Aí sim, tome uma Atitude.
Se nada do que digo importa, continue caçando. Com certeza, morrerá caçando.
Não volte então a este espaço para não perder seu tempo. Senhor.




Feira livre me cheira a subúrbio de Bombaim tomada pelos mulçumanos em 1348. (dedo na garganta).
...............................

M. fala em pleonasmo. Há muito não ouvia. Bom para não esquecer.





Paulo D., como era de se esperar, não é deste mundo, desse tempo. É um ser onírico, ancestral (e, perigosamente, pós moderno). Parece estar no 'inconsciente coletivo do mundo'. Pode estar numa aldeia da França, num burgo... Pode ser um xamã americano...Uma reencarnação de Conrado, de Éfeso..., um egípicio em Ascalão... um Templário, um astronauta ou um replicante. Pode disparar setas e flechas que indiquem caminhos... ou matem. Eu não o subestimaria...


22.1.02

Atenção, rapá:
'Não confunda cardan com Pierre Cardin. ANTA!!!!

--X--

Sou, definitivamente, o máximo em multimídia e interatividade:
blogo para M., falando ao seu ouvido ao mesmo tempo!
Isso é banda larga ao cubo!



A hora da verdade, nua e crua, é foda!
Dói, mas passa. A noite faz passar.
Agora vou em busca de M.
Isso importa.



Quando bato forte e M. chora olho no retrovisor e pergunto:
"Sou um lobo em pele de carneiro?"


21.1.02

M. diz o que eu queria dizer:
"Pára o mundo que eu quero descer!!!"



Solitário, fumando.
A motocicleta me olha, provocativa incurável que é.
Penso nas palavras compostas.
Serei eu um Sobretudo Composto de Lona?
Talvez.
Mas é bom que não se esqueça: protagonizar a aventura de M. (melhor, com M.)
Sorrio porque sei: Deixa rolar, rapá!



Kiko.
Duro (porém fundamental) aprender que não Kiko (nick) e sim quico.
Tuquicas (!) Legal TUQUICAS !
Deu no jornal interno: Sobretudo de Lona passa quicando.
Parece que sobe escadas de moto!
Deixar rolar, tudo bem, mas não deixa ele quicar.
Quem diria, rapá !
(Não) Deixa quicar!





M. em determinado momento: "E eu gosto de estar composta".
De alguma maneira, em outro momento, beijo no elevador é estar descomposta para o prédio inteiro.
Atento, compro lencinhos de veludo preto para jogar nas câmeras.
Descomposta eu não te deixo!
(avisei que não ia passar em branco).



E eu, bestola, não percebi que o "deixa rolar" era para ela mesma. (meiiixma!)



Hora da vistoria. Show time!



Tem tímido que bota a cara, porque hoje é sábado (ou era).
Conversas (ainda que regadas a afago), textos guardados e certas folhas amarelas manuscritas confirmam que pessoas, definitivamente, "se aprendem' ou melhor, São ! (entenda você...)
E isso, rapá, não é fácil descrever. Têm duas pessoas ficando 'molinhas' nessa cidade...



Motocicleta parada na garagem. Aparentemente, indício de que o homem de sobretudo de lona e óculos escuros está doente, lendo ou, quem sabe, triste. Em outro ponto da cidade (relatam), é observado com freqüência, um homem acompanhado de uma mulher num restaurante... suspeito, árabe ( ! ). Rumores levam a investigações e ‘homens da lei’ seguem os suspeitos. Conversas secretas, em gabinetes austeros, especulam sobre uma facção talibã no Rio de Janeiro. O Redentor, observador mais acurado (por conhecer o casal, competir com Alá e seu Maomé e, afinal, por ser Filho do Pai), sorri do atentado (consumido): determinadas ‘torres’, não eram de concreto, muito pelo contrário. Estão (bonitinha!) molinhas...
Textinho besta e tolinho? Talvez. Sinto, leitor!. Mas aqui dentro está bom!





Quando você deixar de se preocupar em ler a VEJA, sábado, na hora que chega à banca, fique atento, companheiro. Alguma coisa muito boa está acontecendo!





Eu também, pessoal, sumi, mas estou bem vivo!!!


19.1.02

Eventualmente confundimos a nós e ao mundo mascarando nossa fuga de com fome de alegria . Remete a descrença no amor, no medo de se enredar, na desconfiança da capacidade do outro em se dar. Explico: Penso na história do homem que fugia de sua sombra. No escuro não há sombra, é certo, mas vale lembrar que as luzes em excesso, coloridas e irregulares produzem sombras incertas, ora aqui, ora ali. Perde-se nesse caso, apenas o referencial da própria sombra, até porque não se sabe qual é a de quem. Não creio que amanse a alma. Por outro lado, Peter Pan, menino aberto à fantasia e ao sonho, precisou costurar em si a própria sombra que, alegre, insistia em dele fugir.



Onde estamos mais sós? No meio da torcida no Maracanã ou em nossa cama?



Não acredito num mundo anárquico. Me chamam de reacionário. Nesse sentido sou mesmo. Creio numa (leve) ordem regendo as coisas.
Confundir isso com ser possessivo ou tirano é tentar não ler o escrito. Bobagem.
--x—
Em alguns momentos me percebo um ser pulsante: ora me expando, ora me retraio. Depende, como de resto, da reação do objeto.
--x—-
Assim, perco eu, perde o outro. Em cadeia, perde a humanidade. Se pensar em niilismo crio uma contradição absoluta no pensamento.



18.1.02

Às vezes penso que a liberdade pode ser como a água:
escorre entre os dedos e, em excesso, afoga, mata.
Um pensamento apenas. Não tenho certeza absoluta.



Gosto do Paulo Francis um monte. Quem me conhece, sabe.



"Bebi muitos anos. Para ficar bêbado. Não posso imaginar outra razão.
O bebedor social é coisa de pequeno-burguês."
Paulo Francis (1991)




PSEUDO-ANÁLISE SOCIOLÓGICA PARA LOURAS
M. telefona. Bom. Falamos de estereótipos. Concordamos em tudo, mas, sozinho continuo analisando e mudo de idéia. O que chama atenção em mim que, reconhecemos, é estereótipo, não é unânime. Na verdade, algumas pessoas ‘percebem estereótipo’ onde não deveria existir mais. Se não, vejamos: os homens de longos cabelos ( vide Hair, por exemplo), brincos, colares (até saias!) remontam aos anos 60, 70 que foram as décadas onde efetivamente acontecem mudanças radicais de comportamento.
Além disso, o preconceito é, nesse caso, mais feminino (no caso do parceiro) e masculino no caso do patriarcado, do ‘família, tradição e propriedade’. Feminino porque naquelas duas ou três décadas as mulheres queimaram os sutiãs, tomaram pílulas, escracharam na mini saia, calças compridas, LSD e maconha como filosofia e tudo o mais. Os pais, com liberalização total das filhas ficaram acuados e ‘encontram’ uma moral ‘de acomodação, útil’ que diz mais ou menos assim: “minha filha é uma mulher moderna(ainda que desprotegida), mas aquele camarada com ela não pode prestar”. Ou tipo: “se minha filha não é capaz, cabe a mim defendê-la do marginal”.
Hoje, século XXI o pessoal não sabe como se resolver, não tem como balizar. Quarentão meio calvo na frente a rabo de cavalo pode, totalmente cabeludo ou cabeça raspada não pode. Calça jeans (que não podia, pode), mas brinco (que podia) não pode. A turma perdeu o referencial. Do que pode, do que deve ou não. As drogas pesadas estão completamente disseminadas nas classes dominantes: empresários, médicos, juristas, engenheiros, boatos de que, no passado recente, até presidentes da república são dependentes. Famosos, ricos e, não ‘drogados’, mas sim usuários eventuais, nas festas da Vieira Souto ou dos palácios da capital ‘pra relaxar’.
Quer ver? O ser humano procurou afrodisíacos durante cinco mil anos. Quando descobrem o Viagra, vira tabu, preconceito. Quem toma, toma escondido. Pode? Se você bebe, as pessoas medem a quantidade ingerida e observam as reações. Se forem ‘aceitas’, tudo bem (Aceitas por quem observa, bem entendido). Se você não bebe também é estranho. O primeiro pensamento é: “Ele deve ser alcoólatra. Caramba! E se tiver uma recaída?”
E a tatuagem? Uma florzinha discreta no ombro ou perto da nuca da menina bronzeada confere um certo charme, um certo ar de modernidade. Tom dizia que o ‘seu sonho era que o Brasil inteiro morasse em Ipanema’ com esse povo dourado, molhado, tatuado. E Caetano: ‘Menino do Rio, calor que provoca arrepio, dragão tatuado no braço, calção, corpo aberto no espaço... O Hawaii, seja aqui...” Os pais dessa classe média cantam nossos intelectuais, nossos poetas, nossos formadores de opinião, ‘aceitam-os’ perante a corte em qualquer sarau jeca, mas não ‘pra dentro de sua própria casa’.
Só que, de uma maneira diferente, insidiosa, inconsciente quase, os pais também formam opinião nos filhos, ainda que eles não queiram e se rebelem.




Vinicius de M. e meu
Sabendo que você arranjou um tempinho pra se distrair, fiquei contente e triste. Alegre por saber que se distrai e triste por, egoísta, ficar só. Lembro do vídeo do show do Canecão e penso em assistir a fita na (vitrola?). Não. Legal vai ser assistir com você, quero te mostrar.
Solução? Sobretudo de Lona, luvas e partir. As curvas da Lagoa me dão um puta tesão (acho que dão em todo mundo!)...
Acelero. O vento não está quente. Paro numa daquelas lojas pra essa gente perdida das madrugadas e vejo aquilo que desejo. Outro disco de Vinícius. Compro como quem rouba. Sorrateiro e ávido.
M. não sabia (como poderia?) do envolvimento que tenho com Vinicius. Me droguei de Vinicius, foi Vinícius na veia durante a maior parte da minha vida. Agora, perdido nessa dimensão que chamam net (mas que tenho dúvidas) encontro M. Não de Moraes, M. de... Não conto. E essa M. gosta de V. como eu. Porque tudo que Vinicius diz, poderia ter sido dito a M.!
Eu sei que pode parecer, a olhos não verdes, meio complicado, mas eu sou assim (quando eu sou eu e não o outro que me escreve).
Refaço um caminho. Volto ao espaço de M. pra ver o céu do mesmo ângulo que vimos naquele entardecer, com o avião descendo, baixinho em direção ao aeroporto. É madrugada. Paro a motocicleta e fico olhando para o céu. Não vai passar nenhum avião, bestola! Tudo certo. Isso não importa. Ninguém saca como é estar no espaço (externo) de M. com um outro M. no bolso. Muito bem, menina. Enquanto você dança, eu rodo a cidade. Começo a acelerar mais. O farol da moto ilumina as ruas já meio desertas. Vou até a Sorocaba? Não. Hoje não. Volto pra minha casa (será que aqui também sou tirano?) e, sem despir o sobretudo, me atraco com o CD, para tirar a embalagem. Putz, não sai! Lembro de uma cena fantástica de um filme que Paul Auster escreveu e dirigiu. O cara tentando desembalar um CD. Muito bom. Dou risada. Finalmente, Vinicius rodando no PC. Será que aí você está ouvindo Vinicius? Com certeza não. Faço, então, o seguinte: como uma coisa está dentro da outra, ouço o disco como quem se embriaga. Como M. é a própria, não é “de M.” como esse aqui, trato de ouvir e ‘salvo’ em mim. Sei que, ainda que por caminhos tortuosos (o que não é um caminho tortuoso?), a poesia, a música que me domina dominará também você. Lembro do putaquepariuola que você escreveu como exemplo para mim dia desses, numa dessas conversas na calada da madrugada.
Estou suando com essa lona quente aqui dentro com tudo fechado. Tinha esquecido de tirar!
Troco de roupa. O computador ligado
Vinícius, que nunca sossega, começa mais essa:
“Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar
Eu sei você sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor
Eu não sou ninguém”

Demais, heim rapá? Na veia!
De que vale a vida sem os poetas, essas antenas que ‘percebem’ a beleza e a tristeza da vida e traduzem pra gente? O que seria do mundo sem poetas?
Por mais capacetes, luvas, graxas, roncos e motores um homem não é homem de verdade se não se tocar:

“Para viver um grande amor
Primeiro É preciso sagrar-se cavaleiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde enclauzure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor”

Em tempo: também tenho vontade que você me acorde, que eu te acorde, que você me durma, que eu te durma, menina.




17.1.02

Quem falou em doce?
Lá vai bala é tiro de escopeta, menina
......

Para M.
'Viver é bom
partida chegada
Solidão que nada' Cazuza



A gente fala muita bobagem. E falar bobagem é muito bom. Você me disse
e eu também acho. Mas, como na história dentro da história, dentro das
bobagens (umas de verdade, outras não), muitas coisas são ditas.
Coisas imperceptíveis que você, atenta, registra e
(freqüentemente) cala.
M. é uma menina que quica, codinome Kika (não se iludam os leitores
achando que tiveram uma pista ou coisa assim) Muitas Kikas existem na
rede, como também muitos peixes. Bobagens, tolices, criancices. Não
pensem estar vendo aquela que quica em cada Kika, pois Kika é uma
possibilidade verbalizada às três e meia da madrugada. Pode se
concretizar ou não. M. pode virar Maria, Magdalena, Marina, Maristela,
Melissa, Modess.
Além do quê, M. quica dentro de um espaço determinado e rigorosamente
dentro do campo de visão previamente preparado, pois da possibilidade
dessa visão resulta o caminho para o (possível, sempre) pleno
conhecimento de M. (que , por sinal, está em constante e contraditório
auto-conhecimento). Na verdade, em quanto a vida corre e os seres
navegam uma história está sendo escrita por mais de um autor. Uma
parte está ainda inédita. Está guardado num determinado bloco de
notas, por sua vez trancado numa caixa de couro (com camafeu na
tampa).
Essa história está dentro de uma outra história que não está sendo
escrita, já o foi. Passado.
Em alguns momentos a história passada interfere na história ora em
desenvolvimento (que já é vista em outras plagas, críticas, ainda que
muito simpática ao criador. ) É sempre bom lembrar que onde,
aparentemente, existe um criador mora também uma criatura.
M. é criatura e criador. Se quica ou não Kika é outro caso. Insisto com
os incautos: não pensem que a pista é simples. Não subestimem este
criador. Kikas não quicam. M. quica. M. é Marca, Motorista (garante
ser excelente!), Mel, Moça (ou menina), Mirante ( o mais alto, o que
vai me mostrar). Portanto, M. está na infinita categoria dos
possíveis.
M. pode ser a garçonete do Restaurante Tailandês (A Tailândia e sua comida serão recorrentes). M. poderia estar contida
em Motocicleta (veículo, lembremos, de transporte do Spbretudo de
Lona, por sua vez dito Gerald Sobretudo. Muitas
vezes me pergunto se Gerald Sobretudo não é um mero pseudônimo de M.
(ou vice e versa?), assim como Suzana Flag de Nelson...
Como se encaixam um motociclista de óculos escuros e sobretudo de
lona, o Redentor visto da janela, M., ‘o espirro se apertar’, uma menina
que quica mas é seguida por olhos atrás de óculos, M., os medos, os
espelhos, os contraditórios, o passado, M., a gargalhada, falar
bobagem, chatola, "eu andar depressa demais", M., linhas que se cruzam
e acabam se encontrando, "não saber lidar com isso", M., criador e
criatura? Como sair?




16.1.02

Voltar ao trabalho burro. .
Vida de guerreiro devia ser como ir ao cinema, com opção de escolher o épico e comendo pipoca. Depois, olhar o Redentor ou qualquer outra coisa. Preso na tela não dá!



Pensar numa nova possibilidade de Intranet... Chato. Não tenho muita convicção. Eles cismam com umas coisas de vez em quando que não sei não... Afinal, é para um grupo de empregados viciados, antigos. Prefiro ir para a favela. Lá, estão muito mais abertos.



M. sempre acorda alegre, se possível gargalhando.
Parece-me o bom humor levado ao extremo.
Tem uma música que fala ' Quero ver Irene dar sua risada...."
Também quero ver M. sorrir e gargalhar.
Como tudo na vida, há que compensar: É preciso jogar duro com ela de vez em quando
M., não quero jogar duro o tempo todo só pra mostrar, entendeu? Deixa eu relaxar e concordar de vez em quando, certo?
Chatola.



A discussão acadêmica continua comendo solta lá fora, principalmente a sociológica e a filosófica. Como não vende, não traduzem nem publicam por essas paragens. Até quando vou ficar de tanga, na praia, olhando pro coqueiro que dá côco??? Cadê o meu Bourdieu? Chega de filosofar só em alemão, pô!



Novamente vontade de não dormir. Reclamo da insônia e tenho vontade de não dormir. Pobre Robinson.
De qualquer forma, é chegada a hora PORQUE HOJE É SÁBADO (brincadeira para M.)



Costumo com freqüência mudar de opinião. Estar sempre aberto a rever decisões parece mais comigo. Portanto, sem constrangimento, jogo tinta na folha que ontem estava em branco. E tenho dito.


Motor roncando forte (por dentro e por fora)
Forte? Já li esse nome. Chovendo pouco, muito calor como sempre nessa cidade! Sobretudo de lona aberto, voando lá atrás, parece capa bege. Noir? Médio. Chic? Talvez. Mas sempre em frente. Encontrar M. na esquina da Nascimento S. com a esquina da São João é a meta. O rumo (ou o norte). Pilotar a motocicleta com bússola é mais fácil? Acho que não. Bússolas dizem o caminho, mostram o norte. M. – contraditória em essência - não mostra o caminho. Mas eu acho.
À noite, diz que corri demais. Eu corri demais? Não sei. Acho que está enganada. Eu ENTREI, como num túnel. A cem por hora, vários faróis acesos e essa vontade forte de ir, mesmo contra o vento. Sobrevivente e replicante de um mundo pós-moderno, onde não há mais alma para salvar, vejo-me atirado de encontro à cabeça, ao corpo, àquele ponto mais sensível (M. sabe). Cabeça principalmente. Apesar da tatuagem ou brinco (pena de índio), pensar é fundamental. Pulsar. M. pulsa. Contrai. Cor. É tudo tão cifrado que, confesso, me perco no caminho. Já não sei se estou lendo o teu, escrevendo o meu, se a máquina tem teclado ou duas rodas, se as folhas amarelas grafadas em tinta verde falam do susto noturno, do tremor suave de mulher ou do ombro de menina. Mãos. Mão é fundamental. Continuo rodando. Por dentro e por fora, contra o vento. Deixar rolar. O que rola, anda e você diz que não é caranguejo. Nem eu. A história dentro da história dentro da história é um labirinto da ‘Santa Lona’, de Sampa. E por falar em Sampa... Óculos escuros na chuva você também? Tudo bem, contagem regressiva para a conexão. Máquina. Não a moto, a outra. Caramba, que rolo! Não precisa entender nem espirrar porque também não compreendo nada escrito. Pixels, menina. Pixels.
E enquanto não fico com a certa, não me distraio com as erradas.



15.1.02

Às vezes me parece que a humanidade não se apercebe do símbolo. Do ícone. Pois ali estão contidos os possíveis, infinito. O infinito cabe num mero colchão de molas.



Postar uma folha em branco. Talvez seja a alternativa.
O texto está pronto, mandei diretamente para M.
Não obtive uma resposta clara ou talvez não esteja com a mente clara para perceber.
De qualquer forma, leitor, saiba que existe aqui uma lauda inteira.
Está em posse da única e possível dona que é a destinatária.




Sonhei com você. Não vou bancar o mentiroso romântico e inventar uma história bacaninha. Realmente não lembro. Mas sonhei com você. Vim pra cá rapidinho, deixar esse recado. Parece justo que saiba (dizem que esquecemos os sonhos ao longo dia). Esse tá fresquinho. Volto ao seu texto. Medo de fazer leituras mais confusas. Capa Preta? Sobretudo de Lona? Personagens do seu show. As coisas que tinha pra falar de madrugada não estão mais em minha cabeça. Tenho outras, mas são longas e preciso sair. Levo uma "biblioteca na cabeça" como o inesquecível Kien, de Elias Canetti. Faz parte do meu show.



Tanta coisa pra postar! Tanta coisa pra responder a M... Mas não. É preciso dormir, certo? Deixa eu fingir que sou responsável.



Que vontade de não dormir!



Você, menina, é superlativa.


14.1.02

É preciso que se leia com calma. Reler, talvez. Não concluir precipitadamente. Às vezes tento não ver, mentir (como o fiz ao tentar ser católico), segurar a onda, parecer mais forte do que realmente sou. Redescobrir a fragilidade é como furar o pneu de trás em dia de chuva. Às vezes, tudo bem, mas sempre contra o vento? Será?



Robinson, amanhã estarei aí na hora marcada. Prepare-se porque 'vai bala'.



Visão contraditória do dia seguinte.
Repenso o que escrevi ontem. Talvez não exista motivo para bom humor ou pra levar na brincadeira. Não consigo levar sempre brincando o que ‘brincável’ não é.
Paro a motocicleta em pleno Aterro do Flamengo. Está frio. Melhor abotoar mais o sobretudo de lona. Fumar um cigarro em frente ao Pão de Açúcar? Talvez.
Lembro que durante a noite malsã encontrei meu mestre, filósofo totalmente calvo, velho e de boca negra como o túnel da verdade. Seu único olho já está embaciado, mas não perde a profundidade de ver a alma alheia. Diz-me, como a uma criança, como o Jesus Cristo de Fernando Pessoa, que ‘meu mundo é o quarto âmbar, útero, como o de Marcelle de J. P. Sartre e assim é para ser. Pesquisa, delírio e leitura sim. Filosofar e aplicar o saber dessa forma pseudonobre vá lá. Criar, escrever, filmar...Tudo bem. Mas só. As tentativas além, meu caro, fadadas sempre como o mito de Sísifo (Camus explica tão bem, chatola!)’. Outro cigarro. Desabotôo o sobretudo (bolsos com maços de papel amarelo manuscrito) inteiro e o vento frio me invade. Pretensão querer tudo num único ser. Sempre fui pretensioso, bem sei, mas agora pesa sobre meus ombros. O mestre continua a me olhar com seu olho único e feio. ‘Você, menino – ele continua – fala na perpetuidade, na eternidade como se fosse um semideus. Semideuses são apaixonantes! E você, é? Sinto, mas não é.’
Acho que compreendo o que ele diz. Reler muito André Comte-Sponville, Luc Ferry, Schopenhauer e alguma pitada de René Girard (thank’s, Olavo C.). Apagar o cigarro, montar e acelerar. O vento nos rosto é legal. O Aterro do Flamengo é bacana. Mas ele aponta também para a saída da cidade. Com o mestre flutuando sobre o ombro esquerdo e o sobretudo esvoaçando, ronca o motor. Pra valer. Definitivamente não é o ‘dia radioso de sol’ que tentei escrever ontem. Pelo menos não tão simples. Eterno gosto amargo na boca. Prédio das novas tecnologias? Cais do porto? Avenida Brasil? Acelera, rapá!
- -x— -
Não espirra que eu aperto.
- -x- -
Acordar rindo sempre é muito bom. Com choro preso na garganta, nem tanto.






13.1.02

"Como é que se diz para alguém que venha para dormir?" Isso é pinto. Como é que se diz para que alguém venha dormir 'inocentemente'? Dizendo. E, acredite, ele vai, quer e gosta. Deus! Crise de autopromoção?!
Com essa, paro por hoje. Botinada não vale, ok?





Ao contrário do Homem da Capa Preta, de 4.1.02, quem sabe o Homem do Sobretudo de Lona, pra economizar, SL, de 13.1.02, não é incauto? Ainda ao contrário do outro, quem sabe este não é tão passageiro? Falta de modéstia? Sorry, periferia.




"E eu que não acreditava que o superego era a parte do juízo que é solúvel em álcool"
Marina,
Parece que, além do álcool, o superego, essa parte do juízo, também fica solúvel em determinados cílios. A conferir.




Abraçados, observamos o C. Redentor de M.
E o que vejo em meio à noite chuvosa é um dia radiante de sol. Você me olha, com seu olhar bonito, atônito e controverso. Me aprende mais ao ver meus cílios (quem pode dizer que seus cílios foram vistos de verdade?) Conhecer os cílios, pressuponho, é conhecer a alma. Chama a atenção do próprio C.
Beijo seus olhos. Você sorri e o Redentor volta a cuidar de sua cidade.



Ao dormir, M. se sobressalta e segura minha mão. Eu tenho o mundo em minha mão.



Breve carta a M. pelos últimos cinco dias.
Principalmente ontem e hoje.
Dizer o indizível e pensar o impensável.
Como explicar a você o que aconteceu? Você não tem certeza e evita ‘falar disso’. Eu, ao contrário, falo, penso e penso novamente. Existem determinados momentos na vida que têm que ser levados até o final, até a raiz. Não escrevo assim para que também o faça ou se atormente. Digo porque faço e acho justo você saber. Conversar é bom. Dizer tudo é bom. Mesmo aquilo que você me diz e dói tanto, mas tanto tanto, que não se traduz com a palavra. Por que falo disso?
Porque o mais importante, mais do que tudo, é que foi bom. Quantas coisas realmente boas de verdade, de montão, 'inteiras' conseguimos vivenciar em um ano? Em um mês? Em dois dias? Pouco, M., muito pouco. Ter a tranqüilidade de reconhecer o que temos, a visão do Todo é muito legal. Longe de imediatismos (eu quero pra sempre – ‘enquanto chama’). Quero sentir que ‘caminho com a humanidade’.
O contato com a palma da tua mão (a melhor mão do mundo) não é pouco como pode parecer. Assim como te ter no colo. Pode ser (e é) o orgasmo pleno e máximo, aquele que transcende os orgasmos cotidianos. Um texto pobre, eu sei. Mas você sabe o que vai nele. Eu topo. ‘Deixo rolar’. Com amor e sem sobretudo.




Leio no Globo. “Num ponto da cidade, tiroteio entre bandidos e policiais por volta das 3 h. da madrugada. Granadas. Um morador acorda e chega na sacada de casa para ver o que está acontecendo. Uma bala perdida o atinge na barriga. Com o marido ferido a seus pés, a mulher também, da varanda, grita por socorro para os traficantes, explicando que seu marido fora atingido. ‘Os traficantes suspenderam o fogo imediatamente e avisara à polícia que um morador tinha sido baleado. Os PMs, que estava a menos de 50 m. da casa da vítima, pararam de atirar (sic)’ A família e vizinhos levam o ferido para o hospital.”
Agora eu pergunto: e o que aconteceu depois? Bandidos e PMs foram para um botequim comentar a ‘imprudência’ do morador ou voltaram às suas posições e deram continuidade ao tiroteio? Se fosse num filme, que resenha escreveria o crítico?



11.1.02

Dois astronautas, ao longo de vinte anos navegaram no espaço com determinada missão que se concluirá com a união de módulos interestelares. Têm lá suas companhias e seus contatos com outros companheiros e, por rádio, com a Terra. São felizes e aproveitam o que está a seu redor. Mas a missão é a conexão com outra nave (ambas estão perdidas desde o início dos tempos). Chamada a Grande Conexão.
Vinte anos no universo sabendo que, num ponto qualquer do tempo espaço (curvo e isso é desesperador. O tempo de Newton estava separado do espaço...) existe outra nave tripulada indo a seu encontro. E, num momento não esperado (como Deus joga dados...!) as naves se avistam. Seus tripulantes se falam. Um vê a nave do outro, mas não vê o tripulante. A princípio duvidam que seja mesmo o módulo procurado. Tomam cuidados. Confirmada a veracidade riem, festejam, contam tudo o que (o agora pouco) tempo permite. Se abraçam pelo comunicador. Em pouco tempo estarão perfeitamente acopladas e, finalmente, as escotilhas da alma se abrirão! Vejo um e outro, em suas naves, caminharem em direção a escotilha. CORTA.
Curto e grosso. Dormi e acordei com M. Muito bom. Cada dia melhor, cada dia nos aprendemos mais. Hoje sei que me conhece e entende muito mais do que anteontem. De manhã falei uma coisa engraçada, que pertencemos a castas diferentes. Incomodou-se, eu sei. Pensou que isso pode nos afastar. E pode. Não deve, mas pode. Repenso. No nosso caso não acontece. Existe uma proximidade muito grande, muito forte. Fica no meu colo e não quer sair. Nos tememos por medo de nos perdermos. Explico: queremos tanto, é tão explicito tão ‘pra fora’ e ‘pra dentro’ que tomamos cuidado um com o outro. Difícil lidar, antes de tudo, com as relações puramente do coração, do espírito. Conhecer, gostar e querer antes por dentro é muito bom, mas dá medo. Porque ali está a pessoa, o ser (querido). Porque o contato está estabelecido e a nave acoplou. E agora astronauta?
Tela tremida. Defeito no projetor. “Devolvemos os ingressos ou podem voltar amanhã”.
Saio pela porta lateral. Visto o sobretudo e lona, coloco meus óculos escuros e saio para a noite chuvosa. A motocicleta (como um cão de duas rodas, o melhor amigo do homem) me aguarda. O pedinte levanta os olhos, mas o ronco do motor distrai a atenção sobre o lenço vermelho que cobre minha cabeça raspada.




10.1.02

Hora da volta ao trabalho presencial. Desânimo. Preciso compreender que não devo tentar mudar as pessoas. São o que são, prisioneiras de sua visão estreita. Importante é produzir, mesmo que de outro local. Criar e produzir trabalhos. Por que não durante a madrugada? A arte está no cérebro, jamais no crachá. Difícil é fazer que percebam. Enfim, Atitude.com



"O livro de minhas memórias? Não; se a memória é verdadeira, ela assim o é enquanto não for fixada, enquanto não for encerrada numa forma"
Silas Flannery (I.C.)



Mesmo com a motocicleta numa velocidade razoável, mesmo com a atenção voltada para o (pouco) trânsito, ainda que sentindo calor provocado pelo sobretudo de lona nessa noite quente, visualizei sim o neon verde do TC. Cafona. Imagine se a máfia italiana (ou qualquer outra de país civilizado) faria uma propaganda horrorosa daquelas! Ninguém teria tanto mau gosto. Pior do que os governantes dizerem que 'não viram' é a pobreza da bandidagem. Falta estética ao bandido brasileiro. Jeca demais.



SONHO
Sonhei a noite toda com M. que, curiosamente, não usava nada sobre os seios. Os seios ou o sonho talvez não tivessem tanta importância, não fosse a confusão que começo a perceber pelo que disse ser a história dentro da história dentro da história.
Que se faça esse tipo de coisa como artifício literário vá lá, não seria eu o primeiro. Mas quando toda a situação reflete a verdade ainda que essa verdade não aconteça plenamente, instaura-se medo e confusão na minha mente malsã. Não medo de M. e sim da situação, entenda-se bem.
Afinal, é bom lembrar que não estou inventando nada, meu encontro e conhecimento gradativo de M. é verdadeiro, não há nenhuma fantasia, no máximo uns simbolismos e tal. Além de passear por meus pensamentos, percebo à minha volta dezenas de folhas de papel amarelo sem pauta manuscritos. Em todos eles o assunto é M. Porque às quatro horas quando ela diz que vai dormir (duvido um pouco), acendo o abajur (e dezenas de cigarros) e volto escrever sobre o que falamos ou, principalmente, o que não falamos. Acontecem então as reviravoltas de tempo e dimensão já que ouço sua voz, falamos pelo meio virtual, penso e escrevo sobre e, dormindo, sonho. (Repito que os seios à mostra todo o tempo são um detalhe próprio dos momentos oníricos).
A internet, o blog, o telefone, as folhas manuscritas, os sonhos e as conversas por telefone criam um todo. Esse todo acaba por ser a antipresença de M. Instalada em mim (muitas vezes em meu colo e eu no seu, alternadamente).
Presente em tudo, sem estar presencialmente. Pergunta-me, de brincadeira (?), se nos conheceremos algum dia. Será como ser apresentado a quem divide meus textos, meus espaços, a quem utiliza meu sobretudo nos passeios diários de motocicleta. Deverá acontecer, mas será, no mínimo, curioso.
Vale lembrar que M. também está escrevendo e pensando e vivendo tudo isso (talvez até com mais intensidade do que desejasse), embora se defenda (indefesa que é). Não publica nem admite . Quando o fizer, capitulará. Normal (seria). Tem medo. Porque mais do que a admissão do ‘ser contraditório’, representará a entrega, a perda da insegurança, a raiz, o porto (em tese) seguro.
Falar em porto... Jogo mensagens em garrafas ao mar e sei que apenas uma navegadora as encontrará. E isso me agrada.



9.1.02

A Mochila
Venta muito nessas ruas. A cidade continua deserta. A noite não termina. Rolos de capim correm à nossa frente. M. tem uma mochila às costas. Não cheia. Pela metade, talvez. Como uma gaveta com algumas roupas. Não todas, algumas. Como quem não sabe se fica. Assim é a sua mochila. Pede que eu pare. Encosto a motocicleta junto ao meio fio. Ela desmonta da garupa e me olha. Não deligo o motor e ela também não se afasta. Diz que não sabe se quer continuar. Fica parada, me olhando, com sua meia mochila nos ombros (parece que tem o mundo sobre eles...) O peso de sua mochila é enorme. Carrega sua franqueza sobre os ombros. Parece cansar...



Fica essa, por enquanto.



Experiência segunda



Experiência para M.



Dificuldade para mudar o template.



A noite de M.
Já falei pra caramba da virtualidade. Só falo disso no trabalho e não sei como falar aqui. De qualquer maneira, lembro da infância, quando falávamos em 3ª, 4ª dimensões... Eram mundos paralelos aos nossos, como espelhos invisíveis que reproduziam tudo e tal. Borges, com certeza falaria melhor. Hoje vagueio pelas madrugadas com minha motocicleta barulhenta procurando ar pra respirar (pulmões e espírito). Encontro M. numa cidade virtual e percebo que preciso trazê-la para esse mundo. Não o faço de pronto. Sua personalidade é forte e fraca, a minha também. Ambigüidade que amedronta. Levo-a nessa outra dimensão, na minha garupa (a idéia de garupa deve incomodar, por estar ‘atrás’). Rodamos a noite inteira e, circular como a roda e o mundo, voltamos ao ponto de partida. Lembro do filme ‘A dança dos vampiros’: especificamente a cena da dança, onde os casais se afastam e se aproximam, estão perto do beijo e do sexo e longe como o farol da barra. Parece-me a dança da vida. Triste dança. A madrugada e sua fumaça de gelo seco e vento quente é palco de inúmeras seqüências e, através dessa cidade imaterial, acelero e diminuo, faço curvas ‘deitadas’ e retomo a posição original. Não devo passar dos 80, mas eu sou ‘a mais de 80’! M. sabe qual a posição e como abraçar na curva para manter o equilíbrio da motocicleta. Também não o faz. Ela nega, mas está presa ao passado e não admite. Diz que é contraditória como antídoto para as contradições. Eu, poço de contradições como antídoto a ser contraditório.
A luz de néon das ruas não ilumina. Só meus faróis. E o que vejo à frente? ‘Todas as possibilidades’. “Todas” é tanto quanto “nunca”, bem sei. Preciso de certezas, mas o mundo que se me oferece é estilhaçado, fracionado e dissociado da dita realidade. Medo. Sei o que é preciso fazer, sei onde está a quinta marcha. Meu pé é que não responde. Defendemo-nos um do outro, montados no mesmo veículo rodando nas pistas brumosas da cidade de néon. Diz que é mulher. Diz que é macho (exagera). Eu sou mulher (exagero?). Apócrifos, não sei se existimos. Será de carne e osso, com sentimentos e paixões ou tão somente milhares de caracteres que grafam uma história no papel virtual e em meus cadernos? Esquizofrenia sim, doença não. Está no meu bloco de anotações (cuidadosamente escrito com caneta de pena e tinta verde)? Nos meus dicionários de antônimos?
Vampira que dança para frente e para trás, ‘irrefletível’ (do irreflexivo – ver Aurélio)? Sei e não sei. M. é e não é. Eu sou e não sou. De que vale um sobretudo de lona jogado no fundo do armário?




8.1.02

Só mais uma coisa. O horário que o programa coloca em cada texto está atrasado em uma hora. Na verdade, são 23.58 h. Ele não deve reconhecer o horário de verão. Tchau



Só mais uma coisa. O horário que o programa coloca em cada texto está atrasado em uma hora. Na verdade, são, 23.55 h. Ele não deve reconhecer o horário de verão. Tchau



Só mais uma coisa. O horário que o programa coloca em cada texto está atrasado em uma hora. Na verdade, são, 23.55 h. Ele não deve reconhecer o horário de verão. Tchau



Bom, acho que para o primeiro dia já está razoável. Não sei se é isso mesmo um blog, mas com certeza vão me dizer. Em breve volto, tenho muitas coisas para falar. Agora, recolho-me ao livro "SE UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO" do Ítalo Calvino que estou relendo. É simplesmente o máximo!



De vez em quando é interessante observar as salas de bate papo na internet. Mas só de vez em quando.



22:45 h. Mais um pequeno ajuste. Não se espantem.



21:37 h.
Uma coisa importante é reaprender a acordar cedo. Tenho acordado muito tarde, onze, meio dia.... Isso é um absurdo! É jogar vida fora! As pessoas que dormem muito durante o dia deixam de ver um monte de coisas, deixam de fazer, de criar e produzir outras tantas.... Dormir até tarde uma vez ou outra vá lá, mas como regra...nunca!
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Um amigo hoje estava me falando que quer comprar um Chevette 95 de tanto medo que está dos assaltos seqüestros, etc. E é verdade. Está realmente uma loucura, não se tem segurança nunca, em nenhum lugar, em hora alguma. A quantidade de bandidos só aumenta, são hordas de marginais que vêm e te tomam tudo, a vida se preciso, em troca de nada!
Acho o maior desrespeito com o ser humano, a coisa mais calhorda, mais indigna, mais filha da puta não ser permitido que os cidadãos andem armados!!! Fazem campanha pelo desarmamento! Isso é coisa de maluco. Por que não tenho o direito de andar armado e me defender de igual pra igual com esses facínoras? Faço um treinamento, compro a arma legalmente e pronto. Por que não? Esse papo de que só aumenta a violência é mentiroso. A polícia não dá conta, não está preparada. É preciso que cada cidadão tenha a oportunidade de se defender. Vai virar tiroteio nas ruas? Não. Já é. Só que de bandos rivais. E a gente no meio!!
Se o ladrão leva as minhas coisas porque me apontou uma arma, quando ele se virar eu tenho direito de rendê-lo e, se for preciso, matá-lo. Claro que tenho. Até porque, quem tem vontade de matar, mata mesmo, de uma forma ou de outra... Agora não permitir a defesa pessoal?? Isso sim é um crime!



Mas são tantas coisas, que somente com o tempo vocês poderão começar a compreender. Hoje me preocupo com outras coisas. Estou no final das férias e penso, ao contrário do que pensava a um tempo atrás, que devemos dedicar mais tempo ao ócio. Principalmente (plagiando o título do livro) ao ócio criativo. Hoje percebo muito bem como o ócio pode e, na maioria das vezes, é criativo. Como realizamos e criamos coisas quando não estamos obrigados a nada, quando fazemos por prazer, sem datas previstas, etc.
Vou voltar a trabalhar certo de que esse ano de 2002 muda algumas coisas na minha forma de agir. Esse ano (e os próximos espero),marca a decisão de estar mais à vontade, mais liberado na vida. Em 2000 meu amigo Paulo Dionísio bolou o nome ATITUDE para um programa de televisão que estávamos preparando. Discuti com ele achando que o nome não tinha sonoridade, não emplacava, não vendia. O Diretor da TV era ele e o programa teve de fato esse nome. Hoje, mudei completamente de opinião. (Como faço com alguma freqüencia). Paulo tinha razão: o nome, a palavra "ATITUDE" é fundamental, é uma palavra carregada de tantos simbolismos que, na maioria das vezes, nem nos damos conta.
Nem sempre percebemos como é importante ter atitude, tomar atitudes. Aliás, a cada dia devemos tomar uma atitude signficativa. Não podemos parar no tempo. Não devemos deixar para amanhã porque, em dois dias, terá sido ontem e, não realizado. E de que servimos se não realizamos? Esse é o meu grande problema. Vejo o tempo passar e, embora realize um número deteminado de coisas, percebo que podemos realizar infinitamente mais, o que nos falta é atitude.
Fico pensando nas pessoas que passam a vida toda, de uma forma linear (nada contra a linearidade das vidas!), mas de uma forma em que se acorda e dorme para nada, para trabalhar, dormir, comer e cagar. E o que mais? Nada. Não se fuma para não ter câncer, não se anda de motocicleta porque é perigoso, idem para asa delta, não se muda de mulher porque não fica bem, não se muda de emprego porque é perigoso ficar desempregado.... e assim vai passando a vida. Não gastamos mais do que podemos, não corremos mais do que podemos, não ousamos. O homem, de uma maneira geral, não ousa. Esse é o seu grande problema. O meu, o nosso grande problema. E fico pensando que talvez nunca seja tarde para recomeçarmos. ' Por que não ? ' como dizia o Caetano quando estava mais preocupado em mexer com a gente?



Parece que finalmente tudo está começando a funcionar nesse diário.
Você pode falar comigo por aqui, mas pode facilmente me encontrar. Não é comum ver um homem, de sobretudo de lona, óculos escuros andando numa motocileta preta por aó. Bom, vendo-o, já sabe: sou eu.
É bom, para começar, saberem que tenho 46 anos, solitário, dessas pessoas de meia idade, que já passaram por muita coisa e ficam meio exigentes demais. Sou uma delas assumidamente.
A motocicleta e os passeios pela cidade à noite proporcionam grande prazer. Tão grande quanto escrever muito, escrever constantemente ou ler. Ler de uma maneira deseperada, como quem respira. Isso possivelmente parece meio neurótico. E é.
Fala-se muito no que é ou não é neurótico. Penso às vezes a respeito e não tenho dúvidas de ser um neurótico daqueles, de carteirinha. Meu analista que o diga. Na verdade, ele é mais meu amigo do que analista, mas ajuda bastante. às vezes acho que eu o ajudo também :)
Tem a coisa da internet que também considero muito importante. Na verdade, tenho mais sonhos e propostas e teorias para a internet do que propriamente realizo.
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